Os meninos do Brasil

E o caso de Oscar, promessa do São Paulo que tentou se libertar das “garras” do clube com a ajuda do seu protetor, Giuliano Bertolucci, não deu merda: deu uma c0mpleta rede de esgotos de uma metrópole. Oscar, agora com ordem judicial de voltar a treinar no clube, agora viverá com o São Paulo uma “lua-de-fel”, enquanto o empresário estará feliz e pimpão em algum outro canto.

O caso de Lucas Piazon é similare, mas mais me chama a atenção o de Diogo. O São Paulo não tem um grande lateral-esquerdo. Júnior César pode jogar mais como ponta (a exemplo de Mancini na Roma e Cicinho) do que como lateral. Assim, ele teria um vasto espaço no time de 2010 para estourar (porque tem qualidade técnica para tanto) e se bobear, poderia estar sendo exportado no fim do ano.

Não costumo achar que os clubes merecem defesa. Não é de hoje que alguns deles se aproveitam da falta de orientação de jovens sem instrução para se dar bem.  E o São Paulo está longe de ser um poço de serenidade e correção como gosta de prantear – porque alicia sim jogadores de outras equipes.

Contudo, por mais que eu ache que Oscar tem gran de futuro, me parece exagerado exigir milhões de luvas no primeiro contrato. E sim, o São Paulo investe pesado na formação de atletas exatamente para poder capitalizar nesse primeiro contrato. Daí, quando a carne exala o cheiro, surgem os abutres.

Ninguém vai ganhar nessa história, a não ser o empresário (ou mais de um) envolvido na questão. Ricardo Gomes precisaria buscar dois ou três jogadores na base para este ano e o São Paulo, depois de anos com sua divisão de base rifada a diretores e empresários, voltou a trabalhar sério (se alicia ou não garotos é outra história). Se a Fifa não fosse uma entidade patética, devorada até a medula por uma corrupção endêmica, deletaria esse tipo de prática do mapa. Mas certamente capitaliza com ela de alguma forma.

Cassiano Gobbet
Cassiano Gobbet é jornalista, formado pela Universidade de São Paulo e mestre em jornalismo digital pela Bournemouth University.
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