Mês: agosto 2009 (Page 1 of 7)

Garrafas para vender

Na semana passada, o Milan ganhou do Siena. Apertado. E a Inter empatou com o Bari. Por isso (porque um empate é pior que uma derrota), o MIlan passou sem mais nem menos a favorito no derby. Daí, no sábado, a lógica se recolocou e o Milan sofreu sua pior derrota (em número de gols) desde a eliminação na Liga dos Campeões de 2004.

Como o assunto é amplo, vamos seccioná-lo: primeiro, a partida. Ela não ocorreu. A Inter jogou sozinha e pela primeira vez em muitos anos, demonstrou que tem capacidade de jogar um futebol consistente para ganhar a Liga dos Campeões. O resto é conversa. Times que tem de confiar em um zagueiro como Materazzi ou dependem de um atacante como Ibrahimovic (craque, mas que some em partidas de porte) são “second class”. A Inter de Mourinho é (ou pelo menos mostrou que pode ser, quando quer) um Time, assim com “T” maiúsculo. Não há um setor que não ataque e defenda e até Maicon, que é mais ofensivo que um ponta, começou a defender.

Capítulo Milan. A temporada se desenha tenebrosa para o time. Leonardo não tem força junto ao elenco e tem a missão – condição determinada por Berlusconi – de fazer o time jogar em volta de Ronaldinho. Para piorar, não tem um grande goleiro, tem só laterais “idosos” para um esquema que dependeria fundamentalmente dos avanços dos defensores e não tem zaga reserva (Bonera-Onyewu seria uma excelente zaga para o Bologna, ainda que o americano ainda tenha a seu favor o álibi da adaptação, plenamente justificado). O miolo de meio-campo, por mais que se queira questionar Gattuso e Ambrosini, tem nomes para se montar um time de qualidade. O problema é que é só isso.

Seedorf (e outros cinco reservas) assistiam o jogo de meias. Quando Gattuso ia ser substituído, o holandês foi “se vestir” (estava com camisa de treino por causa do calor). Nos dois minutos seguintes, Gattuso, com uma lesão funda no tornozelo, fez a falta por trás em Sneijder, foi expulso e determinou o resto do jogo. Leonardo assistiu a tudo quieto.

Os jogadores já questionam Leonardo e é a hora dele mostrar se tem ou não estofo para gerenciar um grupo de milionários. Ele não ousa tirar Ronaldinho do time, até porque sabe que 1) sem ele, o time vai melhorar e o gaúcho não voltaria mais e 2) Berlusconi, seu único defensor, ficaria perigosamente contrariado. É a cruz ou a espada. Mas também é a hora de provar que não é um marionete. Leonardo não é o único questionado: Seedorf foi pego de pau pelo vestiário e Ronaldinho insiste (voluntariamente ou não) em não se mover em campo. Ambrosini, capitão do time, e Pippo Inzaghi, estão insatisfeitos com a reserva.

É um momento chave para Leonardo. Sem os dois laterais que ele pediu, seu esquema não vai funcionar. Zambrotta e Jankulovski podem ser excelentes numa defesa plantada, mas vão perder 10 em 10 duelos com Maicon. Caso o neotécnico milanista dê um murro na mesa, rearrume o time de modo mais coberto, com um meio-campo mais compacto, evitará vexames. Nem arquitetar um esquema para jogar no contragolpe o Milan não pode porque não tem mais homens de velocidade. Se não se rebelar agora, Leonardo não durará até a janela de janeiro, porque essa formação milanista está fadada a tomar muitas outras surras.

Europa League

Muito legal o novo formato – e sorteio – da sucessora da Copa Uefa, a Europa League. Os resultados do sorteio foram bem legais também (clique aqui para ver). Muitos dos confrontos poderiam estar facilmente na Liga dos Campeões, como Ajax x Anderlecht (dois ex-campeões europeus), Valencia x Genoa, Hamburgo x Celtic e Benfica x Everton. No novo formato, naprática a Europa league passa a ser a segunda divisão da Liga dos Campeões.

Uma Copa dos Campeões – Mesmo!

Hámuito tempo não havia um sorteio tão feliz quanto o da Liga dos Campeões 2009/10. Exceção feita ao grupo G (onde dois times vão passar para a próxima fase e destoar do resto – não importando quais sejam), grandes, gramdes clássicos, equilíbrio, e até nos times do pote 4, os mais fracos, pitadas que podem representar novidades.

Liga dos Campeões – GRUPO A (Bayern, Juventus, Bordeaux e Maccabi Haifa)

Bayern de Munique x Juventus é um clássico europeu por natureza. Os maiores campeões de Itália e Alemanha têm times e técnicos novos e precisam de um sucesso europeu desesperadamente. A presença do Bordeaux do perigosíssimo Gourcuff é o fator de instabilidade, podendo refazer a hierarquia na chave. Seis jogos imperdíveis. Caso o Maccabi Haifa tire um coelho da cartola e complique a vida de alguém, a coisa fica ainda melhor.

Liga dos Campeões – GRUPO B (Man Utd, Wolfsburg, CSKA e Besiktas)

Campeão Alemão e Campeão Inglês, num embate de estilos parecidos. Futebol muito ofensivo, técnico, com meias leves e hábeis; o Man Utd exploca mais as extremas, com Nani, Giggs e Valencia aguardando as inserções de Rooney e Berbatov, enquanto o Wolfsburg prefere o centro do campo com Misimovic usando Dzeko como referência. O CSKA de Zico, caso perca Vagner Love e não contrate um centroavante, está morto e enterrado. O Besiktas é franco atirador,

Liga dos Campeões – GRUPO C (MIlan, Real Madrid, Marseille e Zurique)

Um grupo de embates épicos. Três times que já venceram finais de LC (não disse campeões!). Sem dúvida, o retorno de Kaká a San Siro nas vestes de adversários será um espetáculo histórico, bem menos a ida de Huntelaar a Madri. Teste de fogo para Leonardo mostrar se tem garrafas para vender. Imagino um Olympique bastante incômodo, especialmente como visitante e será o fiel da balança. O Zurique pode festejar receber três titãs europeus em casa.

Liga dos Campeões – GRUPO D (Chelsea, Porto, Atletico Madrid e Apoel Nicosia)

Dois ex-clubes de José Mourinho e um embate entre muitos portugueses com seu ex-time (cinco, para ser preciso). O Chelsea de Ancelotti é favoritíssimo, mas o Porto não deve ser subestimado, especialmente de Hulk recobrar sua melhor forma. Ao contrário da volta de Kaká a Milão, o retorno de Ricardo Quaresma à Cidade do Porto não deve causar comoção. Incógnita Atletico Madrid que não tem um timaço mas tem um certo Sergio Agüero, capaz de definir um jogo sozinho e um Forlán implacável. O Apoel? Bem, é a zebríssima. Mas no ano passado, não custa lembrar que o também cirpiota Anorthosis também era e vendeu caro sua eliminação.

Liga dos Campeões – GRUPO E (Lyon, Liverpool, Fiorentina e Debrecen)

Num grupo de bom nível técnico, mas sem o mesmo glamour dos embates anteriores. O Lyon deve se candidatar a desafiante do Liverpool, enquanto a Fiorentina só tem chance caso resolva as próprias idiossincrasias. Pelo começo de temporada dos “Reds”, a LC será o objetivo central de Rafa Benitez bem cedo na temporada. Os franceses vêm reforçadíssimos e os italianos dependem de Gilardino para seus gols. Dá para sacar o desfecho do grupo não? O Debrecen – 11V, 7E e 13D em competições européias, estreante na LC, dificilmente se livra de pelo menos uma surra.

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