Mês: julho 2009

A Napule le meraviglie

Num verão europeu onde só se falou do Real Madrid e de sua megalomania frenética, pouca importância se deu ao Napoli, quarta maior torcida da Itália. Na minha opinião, o clube partenopeu fez o melhor mercado da Itália, de muito longe, superando fácil a Juventus de Diego e Felipe Melo. Até a distância da SuperInter – que já estava ok, e ficou só mais rica sem perder qualidade – diminuiu bem.

Vamos lá, nome a nome: o Napoli comprou aquele que é, para mim, o melhor goleiro italiano depois de Buffon, Morgan De Sanctis (que coincidentemente sempre foi banco de Buffon nas seleções de base e principal e na Juve). De Sanctis estava bloqueado no Sevilla por um Palop que não é melhor goleiro, mas é um dos líderes do grupo andaluzo. O arqueiro é tecnicamente muito bom, experiente e cairia como uma luva, por exemplo, num Milan onde os quatro goleiros juntos (Dida, Abbiati, Storari e Kalac) não valem um De Sanctis.

Para a defesa, o técnico Roberto Donadoni terá Campagnaro, que foi o defensor mais consistente dos últimos anos na Sampdoria. Ele é um lateral de origem, mas joga como zagueiro, especialmente no 3-5-2. Além dele, o colombiano Zuñiga é outro que certamente agregará ao grupo.

O meio-campista Cigarini fará, fácil, uma das melhores duplas de medianos da Itália com o eslovaco Hamsik, melhor meio-campista da última temporada. Cigarini é um jogador de estilo tipicamente italiano, um “playmaker” baixo, que joga recuado, ajudando na marcação e iniciando a manobra.

O ataque napolitano, que já tinha o ótimo – e irascível Lavezzi – terá um dueto capaz de fazer frente ao interista, com a chegada de Fabio Quagliarella. Donadoni deve adotar o 3-5-2 como tática e a única lacuna ainda é a faixa esquerda, onde Maggio não me parece à altura. O austríaco Hoffer, um atacante, é uma incógnita. A luta pelo título é entre Juve e Inter (com a última em vantagem), mas a luta pelas outras duas vagas da Liga dos Campeões será a mais acirrada dos últimos anos, com Napoli, Fiorentina e Genoa afiando as navalhas para destronar Roma e Milan, que estão visivelmente mais fracas.

O melhor time do Brasil

“O Internacional” é o melhor time do Brasil. Já se diz isso há três anos.

Quantidade de títulos no período pós-Mundial: três.

Dois gaúchos e a “fantástica” Copa Sulamericana. E fazendo um adendo, como lembrou uma torcedora, a majestosa, fundamental, mundialmente respeitada, equivalente a dez Ligas dos Campeões da Europa e cinco Copas do Mundo juntas, a Recopa Sul-Americana…então, quatro títulos (33% a mais do que eu previamente tinha anotado neste post).

Não é necessário dizer mais nada. Seria impressionante se os troféus fossem os do Juventude.

Um negócio da China. Mas para quem?

Num ano em que o planeta é acossado pela pior crise econômica do pós-guerra, o mercado do futebol assiste às suas transações mais astronômicas, com quebras de recorde seguidas nas compras, salários irreais e um time desafiando a lógica ao gastar centenas de milhões de euros enquanto outros – não menores – não têm um punhado de moedas.

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Mas o Corinthians…

…não era o melhor do mundo?

Da sub-21 para a seleção principal

O Guardian fez uma lista interessante nesta quarta. Aquela dos jogadores campeões europeus sub-21 que conseguiram chegar a defender as seleções principais de seus países. Tem bastante gente conhecida, mas também um monte de “flops” que ficaram no caminho. O rol é legal para se ver como o sucesso nas divisões de base (mesmo na seleção) está longe de ser uma certeza de sucesso devido à continuação do desenvolvimento físico e psicologico do jogador até pelo menos os 23 anos.Outros pontos interessantes são a ausência da Alemanha e de Portugal da lista de vencedores.

Iugoslávia (1978): Stojanovic, Vujkov, Zajec, Stojkovic, Bogdan, Krmpotic, Bosnjak, Halilhodzic (hoje treinador da Costa do Marfim), Klincarski, Desnica, Sliskovic, Obradovic, Savic.

União Soviética (1980): Tchanov, Kaplun, Baltacha, Darasselia, Susloparov, Bal, Khapsalis, Petrakov, Khachatryan (Armenia), Shengelia, Prudnikov, Novikov, Gassaev. (Tchanov, Baltacha, Darasselia, Bal, Shengelia, estavam na seleção que enfrentou o Brasil na Copa de 1982).

Inglaterra (1982): Thomas, Fenwick, Lee, Duxbury, Goddard.

Inglaterra (1984): Bailey, Sterland, Pickering, Stevens, Bracewell, Watson, Wallace, Hateley, Hodge, Thomas, Chamberlain.

Espanha (1986): Ablanedo, Solana, Sanchez Flores, Sanchis, Andrinua, Caldere, Francisco Llorente, Eusebio, Pardeza, Roberto, Olaya, Gallego, Juan Carlos, Vazquez.

França (1988): Silvestre (não, não é o do Man Utd), Despeyroux, Roche (PSG), Sauzee, Paille, Guerin (PSG), Cantona (Leeds e Man Utd), Martini, Passi, Dogon, Blanc (atual técnico do Bordeaux e campeão mundial em 1998).

União Soviética (1990): Kiriakov, Sidelnikov, Pozdniakov, Kanchelskis (depois jogador do Man Utd e Fiorentina), Shalimov (Inter de Milão, Udinese, Bologna e Napoli), Kobelev, Dobrovolski (Genoa e Atletico Madrid), Kolyvanov (Bologna), Mostovoi (Celta Vigo).

Itália (1992): Favalli (sim, o do Milan), Dino Baggio (Parma e Lazio), Melli (Parma), Albertini (também do Milan).

Itália (1994): Toldo (Inter de Mlão), Cannavaro (Parma, Juve, Real Madrid), Panucci (Milan, Inter, Roma, Chelsea, Monaco), Inzaghi ( Milan e Juventus).

Itália (1996): Panucci (Milan, Inter, Roma, Chelsea, Monaco), Nesta (Milan e Lazio), Cannavaro (Parma, Juve, Real Madrid), Tommasi (Roma), Totti (Roma).

Espanha (1998): Salgado (Michel, o que quebrou o brasileiro Juninho antes da Copa, hoje no Real Madrid), Garcia Calvo, Ito, Guti (a mala do Real).

Itália (2000): Abbiati (Milan), Grandoni (Lazio, Samp, Livorno), Ferrari (Roma, Everton, Inter), Gattuso (Milan, Salernitana, Rangers, Perugia), Baronio (Lazio, Reggina), Pirlo (Milan e Inter).

República Tcheca (2002): Cech (Chelsea), Jiranek, Vorisek, Grygera (Ajax, Sevilla e Juventus), Zelenka, Polak, Baros (Liverpool, Lyon), Vachousek, Pitak, Rozehnal (PSG e Lazio), Hubschman (Shakhtar), Skacel.

Itália (2004): Amelia (Livorno, Palermo), Bonera (Parma e Milan), Zaccardo (Palermo e Wolfsburg), De Rossi (Roma), Palombo (Samp), Gilardino (Parma, Milan e Fiorentina), Barzagli (Palermo, Wolfsburg, Chievo), Brighi (Roma, Parma), Mesto (Reggina).

Holanda (2006): Vlaar (Feyenoord), Emanuelson (Ajax), De Zeeuw (Wigan), Schaars, Hofs, Huntelaar (Real Madrid e Ajax), Castelen (Feyenoord).

Holanda (2007): Maduro (Ajax, Atletico Madrid), Drenthe (PSV, Real Madrid, Fiorentina?), Babel (Ajax e Liverpool).

Corinthians, o melhor do mundo…II?

Não tive tempo de escrever sobre a decisão da Copa do Brasil na semana passada. Mas a assisti. Não houve jogo. O Corinthians comandou o show e humilhou o Internacional, que é chamado (e auto-intitulado) de “o melhor time do Brasil” há três ou quatro anos. Não haveria modo mais crasso de desnudar a essência deste time do Inter. É um bom elenco, sem dúvida. Tem dois ou três ótimos jogadores, como Nilmar e D’Alessandro. Mas é o time mais sobrevalorizado do país desde o São Paulo de Kaká, o “Real Madrid do Morumbi”.

Eu, sinceramente acho que o Inter será campeão brasileiro. Não, não é uma contradição. Não acho que o Inter seja “o melhor time do Brasil”, mas tenho certeza de que é um dos elencos capazes de lutar pela ponta. Além dissom tem dinheiro e está focado. Só precisa fazer algumas coisas que insiste em não fazer há anos, como tomara real consciência da qualidade de seus jogadores, aprender a jogar defensivamente também e se desfazer da quantidade industrial de reservas no grupo.

Exemplo: Guiñazu é um ótimo jogador para o futebol brasileiro. Na Itália, poderia atuar no Livorno ou no Parma. Na Espanha, no Deportivo. Na melhor das hipóteses, disputaria posição no Porto, em Portugal. Kléber é um lateral razoável, só que não consegue ser vendido nem com toda a boa vontade do mundo para um clube do exterior – nem esses nos quais Guiñazu jogaria. Taison, Walter, Tales Cunha, Andrezinho e Giuliano têm potencial, mas o clube deveria escolher um ou dois e apostar mesmo neles – juntos no elenco, jogando muito de vez em quando, nenhum deles vai vingar.

A negação colorada é um resquício da conquista do Mundial. O Inter venceu o Barcelona, mas assim como o São Paulo, que venceu o Liverpool, não era nem de longe o melhor time do mundo. Pior: era um bom time com um técnico risível (Abel Braga) que tinha ganho a Libertadores com um time montado por Muricy. O Inter tem tudo para abrir um ciclo de dominação, assim como fez o São Paulo, mas precisa descer do salto e colocar os pés na lama.

Muricy, aliás, seria o nome fundamental para o ciclo. Ele é respeitado, entraria no Beira-Rio com moral e poder e faria o time colorado parar de pensar que é o Real Madrid. A vitória do Corinthians foi sobre esse Internacional, um time que bom que se acha sensacional. Para azar de Mano Menezes, agora, também corintianos estão certos de que têm um time imbatível. A Copa do Brasil é corintiana com méritos, Não foi colorada por culpa única de sua autoconfiança doentia. A liderança no Campeonato Brasileiro não é acaso, mas só será colorada na 38a. rodada se a arrogância diminuir.

Muricy no Palmeiras…

O que Leco fará para convencer o São Paulo e os sãopaulinos que fez um grande negócio ao demitir Muricy para ele ir ao Palmeiras? Especialmente depois da fantástica partida do Tricolor “francês” contra o Coritiba?

Corinthians…o melhor do mundo?

Ontem, casualmente, meu dial do rádio do carro passou pela Jovem Pan. A mesa discutia um assunto relevantíssimo: se o Corinthians era o melhor time do Brasil. Flavio Prado afirmava que sim. Ia além: ele tinha dúvidas se o Corinthians não venceria o Barcelona, tal era a sua fase. A ponderação sensata, como sempre veio de Claudio Carsughi, o mestre (mesmo, e não “mais um” mestre). “Num jogo seco, não é impossível. Num campéonato de pontos corridos, ficaria atrás do Barcelona, com muitíssima distância.

Excitado, Flavio Prado foi além: o time do Corinthiand de hoje, segundo ele, é muito melhor do que o Real Madrid que jogou o Campeonato Espanhol. Assim, no mínimo, ficaria em segundo lugar – e com pouca distância. Foi quando desliguei o rádio.

Ainda que respeitando a opinião de Flavio Prado (afinal, é um direito inalienável de qualquer um), acho que esse tipo de observação é um desserviço ao ouvinte. Depois de uma conquista (merecida), é claro que o entusiasmo com o Corinthians aumente, mas comparar o time do Mano com Barcelona, Real Madrid ou qualquer grande europeu é uma piada, desconhecimento de causa ou má fé.

Pode ser piada, porque não há nenhum jogador no Corinthians que tenha nível para jogar no Real Madrid (nem no do Campeonato Espanhol bem em nenhum outro). Cabe lembrar que exatamente o mesmo Ronaldo – de muitíssimo longe o melhor corintiano do elenco – não conseguia jogar num Real Madrid pior do que o da última temporada.

Pode ser desconhecimento, porque não é impóssível que um comentarista se informe melhor sobre um campeonato do que outro. Como sei que Flavio Prado é um profissional ocupado, é possível que ele não acompanhe de perto a Liga. assim, saberia que Sneijder é melhor do que Wellington Saci, que Huntelaar tem mais mercado que Jorge Henrique e que Diarra é consideravelmente melhor do que Cristian.

Má fé, sinceramente, eu prefiro não acreditar. Flavio Prado não é um jornalista que precise fazer uso de artimanhas para conseguir ibope com torcedores. Já é conhecido o suficiente. Há casos que, outros “jornalistas” sabem que estão falando asneira mas preferem assim porque aumentam o seu prestígio. Me lembro agora de um comentarista de um canal de TV a cabo que tem duas bandeiras: defender a CBF e Dunga e falar sempre bem de Flamengo e Corinthians. Assim, ele garante a sua “simpatia” com todo mundo. Ele certamente está politicamente bem no mercado, mas é um negligente de último nível com a sua responsabilidade, que é a de dizer a verdade.

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