Mês: junho 2009 (Page 1 of 3)

A Juve de Ferrara…até agora

Com algum atraso, entrego aos visitantes uma olhada em como seria a Juventus de hoje.A principal diferença em relação ao time de Claudio Ranieri é a alteração do fluxo de ataque. Com Ranieri, a Juve era um time que buscava insistentemente as jogadas pelas laterais, tendo o centro do meio-campo fechado por uma dupla de ferrolhos (Sissoko e Zanetti), num 4-4-2 tradicional.

A chegada de Diego altera isso completamente. O cerne da armação passa a ser no brasileiro, que tentará dar á Juventus um pouco mais de técnica no setor, apoiado por trôlantes hábeis na retenção e proteção da bola. Marchisio é o que tem um pouco mais de liberdade para avançar, especialmente pela direita. Isso porque a faixa destra do time tem em Zebina um zagueiro que se arrisca pouco, enquanto na esquerda, seja com Molinaro, seja com Grosso (caso seja contratado), a idéia é a de um “fluidificante” (nome dado pelos italianos aos laterais que descem ao ataque) que componha o meio-campo e chegue à linha de fundo. No ataque, dois jogadores fortes fisicamente, com presença de área, mas que também têm velocidade e sabem se mexer.

A defesa juventina é que ainda inspira cuidados. Zebina não é o jogador menos atrapalhado do mundo; Cannavaro e Chiellini, como se viu na Copa das Confederações, não passam por seus melhores momentos e Molinaro ainda não atendeu às expectativas, além de estar se recuperando de uma lesão séria. Verdade, ainda há Buffon. Para sorte da Juve, pelo menos o novo técnico, o ex-zagueiro juventino e “azzurro” Ciro Ferrara, conhece a posição.


PS: Todos os esforços serão feitos para analisar a Internazionale nesta quarta…

Sem Muricy, com Leco

Eu sei que é notícia velha, mas o tempo impediu que eu comentasse o assunto antes. Finalmente, depois de três anos de luta (nos quais Muricy ganhou três títulos brasileiros), o diretor Carlos Eduardo Barros e Silva, o Leco, finalmente conseguiu o que queria: sacar o treinador do São Paulo unica e exclusivamente para provar o seu poder.

Não é preciso dizer que o clube vai se arrepender da decisão, assim como a parte da torcida que queria a cabeça do tricampeão. Não só porque Muricy certamente vai para o Internacional (onde será tetracampeão com toda certeza), mas também porque a aposta em Ricardo Gomes é perdida desde o minuto zero. Ricardo teve uma temporada boa na carreira, no Bordeaux, em 2007. Antes e depois disso, fracassou retumbantemente.

Leco é um remanescente da política tricolor anterior à chegada de Juvenal Juvêncio. Era o diretor de futebol do presidente Marcelo Portugal Gouveia e como não demonstrou a menor competência para o cargo, foi substituído pelo próprio Juvenal que, posteriormente, viria a ser o presidente. Os argumentos e Leco em relação a Muricy sempre foram dignos de dó. É impossível acusar um treinador tricampeão (que não é tetra porque comprovadamente o Corinthians ficou com um título forjado na corrupção) de qualquer coisa ligada à incapacidade. Muricy não tem o perfil de jogar bem torneios de mata-mata, é verdade. Mas num time como o São Paulo, que não é brilhante, jogadores como Hernanes, Jorge Wagner, Dagoberto e Miranda despencam de produção, não existe possibilidade de que não se decline. Ademais, todos os clubes apresentam momentos de reorganização depois de sequencias vitoriosas. Esse ano seria o do São Paulo.

Mas não será. Isso porque Ricardo Gomes – salvo um grande engano da minha parte – não chegará ao final do Brasileiro. Ele não tem nem fibra para suportar a pressão nem inventividade tática para rearrumar o time O elenco é razoável para os padrões brasileiros (nada além disso), jogadores como Washington claramente criaram uma cisão no grupo e o motor do time nas últimas três temporadas, a defesa impenetrável, ruiu. O São Paulo perdeu as jogadas pelas laterais e por isso, Washington virou um jogador burocrático. Nomes fundamentais do elenco, como Richarlyson, Dagoberto, Zé Luis, além dos já citados Hernanes e Jorge Wagner, estão jogando com 10% da capacidade. Borges encerra seu contrato em dezembro e ao que parece, não há uma grande sequencia de contratações para chegar ao Morumbi. Leco pode ir dormir tranquilo. Conseguiu fazer com que o São Paulo retornasse aos padrões gerenciais falimentares de sua gestão. Pode até ser que, graças à sua incrível visão e perspicácia, o São Paulo consiga uma vaga na Copa Sulamericana. Já será um grande feito, dados os seus limites.

Já Foi

PS: o aparente cancelamento da contratação de Cissokho não invalida o post abaixo; fica claro que o Milan quer um fluidificante (defensor lateral que apoia o ataque) e não um homem de contenção como Chiellini era antes da Eurocopa, por exemplo. Pirlo disse que não sai, mas essa história ainda terá outros capítulos…

Aos torcedores do Milan que temiam pela saída de Andrea Pirlo, pêsames. O mediano – o melhor do mundo na posição – vai para o Chelsea, ainda que não haja oficialidade e que Chelsea e Milan estejam aguardando alguns dias depois da reação à saída de Kaká da Itália. As declarações do meio-campista sobre “essa ser a hora certa de uma mudança” são significativas o suficiente. Mas se a coisa parece definida,não terá sido por uma razão só.

Pirlo é certamente o cerne de jogo do Milan – até mais do que Kaká era. O brasileiro representava o craque decisivo nos 30 metros finais do campo, mas a organização do jogo era feita pelo italiano. Mesmo com toda essa importância, é preciso entender que o Milan, por decisão de seu dono, Silvio Berlusconi, decidiu que Ronaldinho é o novo homem chave. Assim, como Pato não é físico o suficiente para reger um ataque sozinho, o Milan passa a ter um esquema 4-3-3 quase que por obrigação.

O problema é que no 4-3-3, é fundamental ter três medianos forte fisicamente para compensar a leveza dos atacantes. Scolari tentou fazer isso no próprio Chelsea para onde Pirlo deve ir, com Essien suportando Ballack e Lampard e fracassou fantasticamente. Com Pirlo, um desses três já fica ocupado e mesmo com Gattuso, o setor já fica frágil demais – especialmente para quem não tem uma defesa impenetrável.

Aparentemente, a venda de Pirlo já está decidida há mais tempo do que parece. A contratação de Cissokho é uma prova disso. O 4-3-3 desse novo Milan fortalecerá o miolo do meio-campo para liberar os laterais. Um meio-campo com Gattuso, Flamini e Seedorf (ou Ambrosini) é bom o suficiente, ainda que não mais o setor ‘world class’ que venceu a Liga dos Campeões.

Além disso há o fator econômico. Raciocinando com a lógica de recuperar o prejuízo financeiro do Milan, uma oferta de €30 milhões por um jogador de 30 anos, por melhor que ele seja, é irrecusável.

Um último fator é a reformulação “teórica” do time. É claro e notório que Leonardo foi imposto por Berlusconi contra a vontade dos “senadores” Pirlo, Gattuso, Maldini e companhia. Sem Pirlo, é um homem a menos do regime anterior para causar possíveis instabilidades.

No novo formato, o jogo do Milan diminui sua dependência do jogo de passes no meio-campo, baseados unica e exclusivamente na habilidade dos seus craques, para criar jogadas pelas laterais, possibilidade de uma marcação mais asfixiante, avanço da linha defensiva, tudo girando o comando do jogo para Seedorf e Ronaldinho, com um centroavante na área (Dzeko e Borriello) e Pato buscando as laterais. É um bom time? Sem dúvida, mas como disse Maldini, não o suficiente para figurar como candidato à LC. Outra coisa: é um time de difícil manipulação tática. Tenho minhas dúvidas da capacidade de Leonardo em gerenciar esse desenho em sua primeira aventura no banco.


PS: Amanhã, tempo permitindo, este blog traz alternativas para Juve e Inter com as contratações até agora.

A fatura de 2006

Nem parece a Itália. Enquanto espanhóis e ingleses fazem a feira comprando os melhores jogadores, os italianos (exceção feita à Inter) precisam se esfalfar para conseguir um jogador ainda em ascensão como Dzeko (Wolfsburg). O que aconteceu?

90% da crise italiana não é resultado da crise financeira e sim do escândalo de 2006. Milan e Juventus foram alijados à época. A Juventus caiu e muito mais passou por baixo do pano do que a simples punição de alguns pontos ao Milan (um acordo de cavalheiros entre dirigentes fez com que o clube não caísse mas com restrições de outra ordem). Tirar os dois maiores clubes de circulação (e diminuir as suas receitas) fez com que todo o “sistema Calcio” fosse enfraquecido. Os grandes não podiam comprar jogadores dos clubes menores, que ficavam com menos dinheiro e assim vai.

Outro problema foi a vitória na Copa – o que é um paradoxo. O sucesso deu cacife para a cartolagem poder colocar embaixo dos panos todo o escândalo de 2006. Ninguém foi preso. Envolvidos no caso como o ex-árbitro Carlo Longhi, o “jornalista” Enzo Biscardi e os vários dirigentes de Lazio, Fiorentina e Milan passaram em branco. A estrutura se manteve – podre e ineficiente – e a liga acelerou a decadência.

O resultado se vê agora. Milan, Juventus e Inter não são mais os clubes “grandes” para comprar. Quem compra é a Inter e ainda assim por causa do bolso de Massimo Moratti e da sua companhia. petrolífera Saras. Se o Real Madrid vai atrás de Kaká, digamos, o Milan tem como ir atrás de Marcelo ou Felipe Melo, para pegar elementos da mesma seleção. Para 2010, a Lega Calcio anunciou o início de uma gestão profissional. Essa gestão só funcionará se for realmente profissional e não só da boca para fora.

Caminhos perigosos

Quando Michel Platini, presidente da Uefa, pede por transparência e equilíbrio no mercado de transferências e na propriedade dos clubes, ele não está falando de ideais: está falando de mercado. O espiral econômico que clubes como o Manchester City e o Real Madrid estão impondo ao mercado não tem base na economia real e mais cedo ou mais tarde, a casa vaio cair.

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Qual é o Real de Kaká?

Passadas as favas contadas, contados os contos de carochinha (de que Kaká “não queria” ir para o Real) e de olho numa temporada estranha, o Real Madrid prepara seu time para Kaká brilhar. Mas que time será esse? Teremos uma reedição do brilho mediático inconsistente dos “Galácticos” ou uma tentativa real de equiparar o clube de Madri ao Barcelona?

Florentino Pérez já deixou claro quais são seus próximos alvos: Cristiano Ronaldo (Man Utd), Villa e Silva (Valencia). Escolhas de quem realmente conhece. Os três são excelentes e tendo Kaká como pivô, podem sim fazer um time lendário no futebol europeu. A chegada desses três nomes pode alterar a escalação, mas dificilmente altera o esquema.

Sid Lowe, correspondente do jornal The Guardian na Espanha, fez uma observação em sua coluna: Manuel Pellegrini quase nunca jogou fora do 4-4-2, e assim, é possível imaginar Kaká adiantado, como atacante e duas linhas de quatro, onde Gago e Diarra teriam de carregar o piano, com Silva e Cristiano Ronaldo (ou Robben e Sneijder, se a feira do Real parar em Kaká) abrindo pelas pontas e Villa (ou Huntelaar) prendendo os zagueiros.

Lowe tem razão quanto ao histórico do chileno Pellegrini, mas é difícil (não impossível) imaginar Kaká como um atacante puro. Um espaço “a la Zidane” é o mais provável, o que nos desenharia um 4-2-3-1 (ou, com menos detalhismo, um 4-4-1-1).

Ofensivamente o esquema tende a funcionar bem, até porque os homens de frente não se furtam a correr atrás da bola. Ainda assim, restam dúvidas sobre a capacidade de Diarra e Gago conseguirem fechar o setor sozinhos. Dependerá muito da defesa. Com Pepe e Metzelder, pode tirar o cavalinho da chuva. Os dois são bons, mas não tão bons para suportarem a defesa na raça. Um segundo meio-campista mais forte fisicamente (como Yaya Touré, do Barcelona, por exemplo, para não falar no óbvio Gerrard) seria uma opção mais crível a Gago, bem como um defensor central mais completo do que Metzelder. Mas lembremos: o Real Madrid não compra defensores.


PS: o porque da temporada “estranha”? Numa época em que o mundo passa o pires, os endividamentos só crescem e ocorrem transações de milhões de dólares, leva à certeza. Vai dar bisna…

O Milan de Leonardo, até agora

Imaginando que Kaká não faz mais parte do Milan (até agora, segunda de manhã, não tinha sido anunciada a venda), e sem as contratações que devem chegar ao clube com a saída do brasileiro, o neotécnico Leonardo terá que montar um time “berlusconiano”: tração dianteira, laterais no apoio e controle de bola. Tem gente para fazer isso no atual elenco? Tem, contando que Nesta possa jogar. O time é bom? É razoável (para os padrões de quem quer ganhar Liga dos Campeões e ‘scudetto’), com duas carências – não tem centroavante nem goleiro. Fosse Inzaghi 5 anos mais novo e a carência na frente não existiria. Abbiati é razoável, mas nada além disso. Um 5,75.

Uma linha de quatro muito técnica na defesa: Flamini, adaptado à função de lateral-direito (já jogou várias vezes assim no Arsenal), seria o quinto homem de meio-campo com a bola no pé. Na verdade, o sexto, porque Zambrotta também apóia bastante. Crucial é a inserção de Thiago Silva: o brasileiro tem o vigor necessário para suprir a deficiência física de Nesta. Se Thiago não der conta ou Nesta não jogar, um abraço. Kaladze, Bonera e Favalli não têm condição de serem titulares.

O meio-campo ainda é bom, com Pirlo-Seedorf capazes de ditar o ritmo o jogo e com Ronaldinho com toda a liberdade necessária. na verdade, o brasileiro passa a atuar como um “flutuador” entre meio e ataque, podendo vir para o meio ou buscar as laterais. Mas ele precisa de qualquer maneira de uma referência no centro da área para que o zagueiro não possa sair na sua captura sem se preocupar. Pato recompõe o equilíbrio na direita, com mais velocidade que Ronaldo e olhando mais para o gol, enquanto o “Dentone” (como se referem a ele na Itália) ocupa uma posição mais criativa.

O problema de Leonardo está na eventualidade de contusões. Entre os titulares acima, todos tiveram algum tipo de lesão. Se isso acontece, o MIlan não tem substitutos. Ambrosini no lugar de Gattuso ( ou até de Pirlo, no caso de se passar para um 4-3-1-2 com Ronaldinho último homem de meio-campo) é a única alternativa válida. Flamini no meio-campo seria uma possibilidade caso Felipe Mattioni se inserisse mais rápido que o imaginado, assim como Alberto Paloschi, um promissor herdeiro de Pippo Inzaghi. Mas aí já é o campo da aposta. E no gol, com Dida e Kalac na reserva, nem a fé pode salvar…

Ainda não é, mas pode ser

Pode ser estranho – eu pelo menos acho -vir elogiar a Argentina depois de um final de semana em que o Brasil fez sua melhor partida na Era Dunga e o time de Maradona não passou de um mísero 1 a 0 sobre a Colômbia. É estranho, mas não é fora do normal.

O Brasil passeou. É verdade que o Uruguai é um time limitado e que sem Lugano e Cristian Rodriguez sofreu a beça. Mas também é verdade que, mesmo ainda não tendo lateral-esquerdo (não, Kleber não é o suficiente – aliás, nem para o Internacional), encontrou o módulo ideal para o momento: livre da presença de um Ronaldinho perdido, com três meio-campistas fortes (onde Gilberto Silva ainda está sabe-se lá porque, mas pode dar lugar a Lucas), com Kaká livre atrás dos atacantes.

É exatamente neste setor que está a diferença que pode dar à Argentina uma vantagem potencialmente decisiva na Copa. Luis Fabiano não é ruim, longe disso, mas Robinho é visivelmente um confeito. Tem talento de sobra, mas não sabe jogar (pode parecer contradição mas não é). E além disso, é uma negação no primeiro combate.

Uma das características do ataque do Barcelona de Guardiola foi uma determinação dada pelo espanhol aos avantes: marquem desesperadamente assim que vocês perderem a bola. E assim foi feito. Até o genial Messi, do alto do seu metro e meio, joga-se à bola como um faminto num prato de comida. Outro argentino do ataque de Maradona, Carlos Tévez, é ainda mais obcecado por tirar a bola do adversário. E detalhe: estamos falando de dois jogadores fora-de-série.

O ataque da Argentina para a Copa está prontinho – e é melhor que o brasileiro, mesmo com que Kaká esteja no seu melhor (sim, Kaká é um atacante hoje – um atacante que recua, mas um atacante). Com a presença de Milito na área mais Tévez e Messi, os argentinos têm um setor espetacular e que sufoca o adversário ainda na própria área.

Pode-se argumentar que a defesa brasileira é melhor. Mesmo com Dunga e seus treinos nonsense (antes de xingar o colunista por sua oposição ao técnico, favor comparecer a um treino da seleção em Teresópolis), a retaguarda brasileira é melhor. O vão na lateral-esquerda é um problema, bem como a incapacidade do time de coordenar descidas dos laterais, mas perto de Maradona, Dunga é Rinus Michels. A defesa argentina tem menos nomes de qualidade e nenhum desenho tático. Mesmo assim, com o Brasil melhor , há na Argentina material para se fazer uma defesa sólida.

Se alguém convencer Maradona que ele não precisa chamar seis atacantes para seu grupo (mesmo jogando com três), os argentinos só terão de resolver como jogar pela ala direita, uma vez que nem Zanetti nem Verón (que era teoricamente o jogador da posição contra a Colômbia) têm como dar a profundidade pedida. O time tem a tração dianteira nos trinques e se está jogando mal é pelo desarranjo no resto. O Brasil tem como tirar a diferença? Claro, mas não com Robinho – ou pelo menos não com o Robinho ziriguidum. Na África, ganhará o time que marcar mais acima no campo. Deixar jogar é colocar a viola no saco.

Ah, sim, outra vantagem dos argentinos: não terão seu país saqueado em 2014.

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