Mês: maio 2009

Marginais

Em toda a minha vida, só vi uma coisa mais surreal do que os protestos contra Paolo Maldini em seu último jogo em San Siro por parte ínfima da torcida, fprmada por degenerados, vagabundos e delinquentes: quando ouvi um protesto similar no Santos, onde mentecaptos gritavam “Fora Pelé!”.

Marginais. Nada além disso.

Uma seleção com cara de Bunga

Não sei ao certo se dá para dizer que faltou alguém na última convocação da Seleção, feita por Dunga na última quinta-feira. Dá, sim, para cravar que tem gente que não faz sentido na Seleção, como o lateral Kléber – mas isso não é novidade. o técnico parece atado ao jogador por um compromisso eterno. Em nenhum momento além de dois ou três meses no Santos de Luxa, Kléber demonstrou futebol para ser chamado.

Dá para questionar Gilberto Silva também. A imprensa “dunguista”, que não vira a casaca enquanto não há grita popular, alega que ele quer um jogador de experiência no setor, como se Gilberto Silva fosse o único volante com mais de 22 e menos de 70 anos disponível no mercado. Mas, vá lá: esse é o perfil de Dunga como técnico e essas polêmicas já são costumeiras. Já nos acostumamos.

O que não dá para se acostumar é com a idéia de que o Brasil vá jogar um futebolzinho encruado – e vai, contra quem quer que seja. Dunga faz uma convocação mediana (um treinador que cria caso com Kaká, Ronaldinho, Adriano e Ronaldo “Gordômeno” não pode estar fazendo a melhor chamada possível), mas peca feio mesmo é na hora de montar o time.

Um exemplo: o Brasil tem dois canhões na lateral-direita. Um é um trator no apoio (Maicon) e o outro é mais completo, mas menos forte fisicamente (Daniel Alves). Enquanto isso, não tem ninguém na lateral-esquerda (porque mantém sua negação em relação a Fabio Aurélio). Juan, André Santos, Kléber, Adriano (Sevilla) e outros me parecem a léguas de distãncia dos colegas da outra faixa.

Se não se tem dois laterais convincentes, porque não escalar um terceiro zagueiro e deixar Maicon à vontade para apoiar? Não faltam meio-campistas de qualidade pela esquerda para compensar a falta de um lateral ali e além do mais, resolveria um problema de cobertura crônico numa seleção onde os volantes sabem jogar e não resistem a tentar um golzinho.

Os volantes são outro ponto. Não me lembro de uma fase onde tenhamos tido tantos jogadores excelentes na posição. Lucas, Ramires e Hernanes (claro, o Hernanes de outrora), por exemplo, jogariam em qualquer seleção do mundo. Com Dunga, todos viram burocratas, preocupados em fechar a defesa que fica escancarada pela insistência de se liberar os dois laterais para o ataque.

Por fim, o ataque. Dunga pode tirar o cavalo da chuva se acha que tem alguma chance na Copa sem Kaká, Ronaldinho e Adriano. Os últimos dois parecem perdidos, mas ainda há alguma esperança e Kaká não pode se sentir diante de um técnico com má vontade para render o máximo. Além disso, precisa de um espaço no campo que veta a presença de outro armador (quando joga com dois atacantes) ou dois atacantes (quando joga com outro armador). Pato é excelente, mas jovem demais e Nilmar, Luis Fabiano e Robinho não têm o estofo necessário para carregar a seleção nas costas.

Seguindo a tradição, uma aposta

Quando o Milan indicou Fabio Capello para assumir o Milan, em 1991, a mesma desconfiança que cerca a (provável) chegada de Marco van Basten pairou em MIlanello. Capello não tinha experiência como treinador (só tinha comandado o time por seis jogos depois da saída de Nils Liedholm, em 1987) e o Milan já era um grupo lendário, com Gullit, van Basten, Rijkaard e companhia. A aposta do clube era em cima de seu passado milanista. Assim como agora deve ser com van Basten.

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Dois Corinthians

Hoje existem dois Corinthians

O primeiro é o que sempre esteve aí. Tem um estádio acanhado (mas tem) no Parque São Jorge, uma torcida alucinadamente apaixonada (mas manipulada mediaticamente) e uma tradição antiga: a de ter dois ou três grandes jogadores no elenco e oito cabeças-de-bagre que comem grama. Os rivais do Corinthians sabem que essa fórmula é a que dá medo.

Esse Corinthians é treinado pelo Mano Menezes. Tem alguns jogadores interessantes como André Santos, Dentinho e Elias e vários jogadores muito limitados, como Cristian, Alessandro e Wellington Saci, que se fossem jogar em outro clube, com a técnica que tem, no máximo estariam num Paraná Clube (com todo o respeito), no Fortaleza ou no Juventude. Mas no Corinthians, são outra coisa.

E existe um outro Corinthians. Ele se chama Ronaldo.

Hoje, o Corinthians passou a ser o time de Ronaldo, e não o contrário. No mundo inteiro, pouca gente conhece o Corinthians, mas nas últimas semanas, passou a conhecer.

O primeiro Corinthians vai, no máximo, lutar por uma vaga na Libertadores. Isso se mandar muito bem. Se se desdobrar – como costuma fazer quando tem a fórmula dois bons jogadores + oito dando a alma. O segundo Corinthians luta pelo título brasileiro, artilharia do campeonato e vaga na Copa de 2010. E arrasta o primeiro Corinthians junto.

Quando Ronaldo se contundiu no Milan, comentaristas de TV e rádio cravaram, no mesmo dia: “sua carreira acabou”. Na época, escrevi no antigo site no qual trabalhava (e fundei), que essas pessoas eram oportunistas, irresponsáveis e ignorantes. Houve quem reagisse à minha resposta – os oportunistas, irresponsáveis e ignorantes, claro. Imbecis que avaliavam a contusão de um jogador a 5mil km de distância, sem nenhum conhecimento médico (às vezes até com conhecimento médico, mas com a ética de um traficante de drogas). Os oportunistas, irresponsáveis e ignorantes, agora, incensam Ronaldo como um craque fora de série, que ele nunca deixou de ser.

Mas há um problema: ele – Ronaldo – ainda tem uma situação clínica complexa. Não pode jogar com a mesma sequencia que um jogador comum. Sua capacidade de se recuperar da fadiga causada pelos jogos é muito menor que a normal e isso não é uma observação nele (porque não sou médico nem vi seus exames), e sim, a regra para qualquer atleta com histórico de lesões.

O primeiro Corinthians sabe que precisa do segundo ou está fadado a ter de diminuir suas metas. E está arriscando ao fazer Ronaldo jogar mais e mais. É uma aposta. Especialmente porque o atacante não quer deixar de aproveitar a volta do sucesso. Da tutela de Ronaldo depende o sucesso do Corinthians. É como a galinha dos ovos de ouro: a pressa e a ambição podem colocar tudo a perder.

Rebaixamento na Inglaterra

Eu sou simpatizante do Middlesborugh na Inglaterra. Sim, confesso. Quis o destino que eu tivesse um grande amigo lá e ele é fanático por futebol. Visitas à feia cidade ás margens do Tees me fizeram torcer pelo Boro, não obstante tenha sido lá que eu vi a pior partida de toda a minha vida (contra o Charlton Athletic).

O rebaixamento na Inglaterra está definido. O West Brom já está condenado. Boro e Newcastle se enfrentam neste final de semana e quem perder também estará, de uma vez por todas. O empate já sela os dois destinos de uma vez.

O Boro já está condenado porque, mesmo que vença duas das suas três últimas partidas (Newcastle, West Ham e Aston Villa), passando assim da média de 0.88 pontos por jogo (que detém neste campeonato) para 2 pontos por jogo (o que é muito improvável), precisa que Hull e Sunderland, os dois times mais próximos na tabela (com 35 e 34 pontos), diminuam a média de praticamente um ponto por jogo que apresentaram em todo o campeonato.

Para piorar (para o Middlesbrough), os calendários de Hull e Sunderland são muito mais simples. O Hull pega Bolton, Stoke e Manchester United (ok, uma pedreira). O Sunderland enfrenta Bolton, Portsmouth e Chelsea (outra pedreira). A diferença é que qualquer jogo é pedreira para o Middlesbrough é o único time na Inglaterra que tem 38 partidas muito difíceis.

A verdade é: se cair, merece. Porque certamente não há time NO MUNDO que jogue mais feio que o Middlesbrough e não caia.

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