Mês: março 2009 (Page 1 of 2)

Galvão e outras passagens

Curioso. Hoje, a passagem mais sensata que eu escutei foi uma vida de – acredite – Galvão Bueno. Em meio às críticas feitas à Seleção – sobre o excesso de jogar com três volantes, sobre não ter futebol alegre e outras besteiras – Galvão, num raro momento de lucidez (não, Galvão não é lúcido – ele é, segundo ele mesmo, um apaixonado), criticou a atitude da Seleção como o maior problema. É verdade que minutos depois, ele foi querer fazer um ensaio sobre o modo como os italianos chamam o homem de ligação (“Trequartista”), dizendo que Zagallo já tinha inventado isso “muitos anos atrás”. Só se Zagallo inventou isso nos anos 20.

Mas o assunto aqui não é o olhar apaixonado do Galvão. E sim a análise. Ele tem razão total. Jogar no ataque ou na defesa não é errado ou certo. O São Paulo é criticado por ser defensivista há anos, mas sempre tem um dos melhores ataques. Exemplos assim vão longe.

O problema é jogar ou não. O Brasil não joga. Quando os atletas estão motivados por um grande desafio – tipo uma Itália ou Portugal – eles jogam o futebol brasileiro: puramente intuitivo e muito individual. Talento, eles têm de sobra. O problema é que Dunga não faz treinamentos. Quem já assistiu um de perto pode dizer isso. Não há treinos de jogada ensaiada, de posicionamento, de marcação, nada. No máximo, uma jogadinha ensaiada de bola cruzada na área na diagonal e faltas. Por isso, quando falta o entusiasmo, o time fica perdido.

Aos colegas que pedem três meias e três atacantes, eu sugiro uma reflexão: quem pegará a bola? Porque com abola no pé, certamente Kaká e Ronaldinho sabem o que fazer. Mas para esta bola estar nos pés deles, é preciso de homens combativos. Não precisamos de nenhum brucutu, mas não dá para abrir mão de Hernanes, Ramires, Lucas para – com todo respeito – Thiago Silva, Robinho, Ronaldinho Gaúcho e outros, a menos que se jogue só com um atacante.

Outra saída é tentar jogar com laterais mais estáticos. Mas com trinta meias e vinte atacantes, não rola.

Aliás, o que realmente não rola é uma seleção que não treina.

Post do mês (de um torcedor da Inter de Milão)

Segue abaixo a tradução de um post sensacional de um leitor no site Calciomercato.Mais um craque milanista

“AC ‘Mais Cadáveres no Milan’ já anunciou aos seus maravilhosos torcedores quais serão as contratações para a próxima temporada:

– Cannavaro, um jovem promissor.

– Renovação de contrato de Favalli, outro jovem promissor

– Panucci. Sim, Panucci, que por meio de seu empresário Damiani, se ofereceu para ir ao Milan dos mortos-vivos.

– Kanouté, 32 anos, mas no Milan Lab, garantem que são só 12. Um meninão. É uma pena que ninguém na Europa o queira.

– Mexés. A Roma quer entre €15 e €20 milhões. Na minha opinião, é muito caro. Porque não trocá-lo por Alexandre Pato mais um dinheiro?

– Todos os jogadores da Inter, menos os bons: Figo, Vieira, Crespo e Adriano.”

K9 e Hernanes: Europa em junho

Não adianta ninguém dizer que não, porque só não vê quem não quer. Keirrison e Hernanes serão vendidos com certeza em junho e muito provavelmente terão a mesma destinação: Barcelona. Um emissário do Barça está no Brasil para observar Hernanes e o diretor do clube, Txiki Beguiristain já admitiu interesse em Keirrisson.

Demorou muito, até. Os dois estão um nível acima dos demais. Perda maior para o Palmeiras, que não tem substituto para K9, enquanto o São Paulo se cobriu – embora não dê para não sentir uma perda como a do volante.

Unindo o ridículo ao desagradável

O futebol brasileiro, como todas as coisas passionais, tem momentos ridículos. Exemplo: o Flamengo indicando Washington Rodrigues para ser treinador. Eurico Miranda invadindo o campo em um jogo do Vasco para intimidar o árbitro. O Cruzeiro chamando 2003 de “Tríplice Coroa” porque ganhou o poderoso campeonato mineiro (assim, com minúsculas mesmo). A tal da estratégia da “Conversão Tricolor” para fazer pessoas mudarem de time. Patético.

Contudo, acho que o Palmeiras, com apoio de Santos, Botafogo, Bahia e Fluminense, conseguiram uma nova marca em presepadas ao propor que se unifiquem os títulos brasileiros aos de competições pré-1971. Concordo com a argumentação de Mauro Cezar Pereira feita aqui, onde ele desqualifica a unificação, mas vou além. As diretorias desses clubes estão rebaixando a sua história ao tentar uma “equiparação” com outros times.

Digamos que, da noite para o dia, o Botafogo e Bahia passassem a ser bicampeões brasileiros. Ou o Santos a ser octacampeão (nossa, que impressionante)?. O que mudaria na atual situação desses dois clubes além das estrelas na camisa? O Botafogo se livraria da sua dívida astronômica de mais de R$ 200 milhões e contrataria Gerrard e Mourinho? O Santos encamparia o Manchester City para levar Robinho de volta à Vila Belmiro? O Bahia retornaria à primeira divisão e a Fonte Nova não teria matado os torcedores em 2006? Não. Além do discurso digno de pena dos dirigentes, que iriam arrotar aos quatro cantos que “conseguiram mais tantos títulos para seus clubes”, nada mudaria.

O primeiro título inglês – o mais antigo em modelo de liga no mundo – foi conquistado com 22 jogos, em 1889 e todos os times filiados à liga inglesa participaram. Para se ter uma idéia de como a iniciativa é digna de pena, as cinco conquistas da Taça Brasil que o Santos quer igualar aos títulos brasileiros foram conquistados com um total de 24 jogos (ao todo)– pouco mais de um turno do atual Brasileirão.

Como argumenta Mauro Cezar Pereira, a Taça Brasil é muito mais parecida com a Copa do Brasil. Por exemplo: entre os participantes da primeira edição estavam Auto Esporte-PB, Ferroviário-MA, Manufatora-RJ e Rio Branco-ES, mas só o Vasco da Gama dos times do Rio. No ano seguinte, Capelense-AL, Santa Cruz-SE, Paula Ramos –SC, Fonseca-RJ e Estrela do Mar-PB competiram, mas nenhum grande clube além de Grêmio, Fluminense e Palmeiras (o Cruzeiro ainda engatinhava em Minas). Esses times pequenos são parecidos com os Pirambús, Rondonópolis e Corinthians-AL que a Copa do Brasil tem hoje. Em relação ao Robertão, a unificação ainda é controversa e ao meu ver, inadequada. De qualquer maneira, o bi do Palmeiras e os títulos de Santos e Fluminense pelo menos tiveram uma quantidade de partidas menos absurda para a conquista do Brasileiro: 19 ou 20 jogos. Além disso, era disputado quase só por times grandes. Curiosamente, como o Brasileiro de hoje, também não tinha final.

A proposta é um engodo. Se falou que há um dossiê de 200 páginas defendendo sua adoção, mas vindo de quem vem, certamente se trata de lixo jurídico. Por trás dessa tentativa esdrúxula, não há nada de esportivo: é cartolagem. E cartolagem baixa.

Bélgica novata é interessante.

Jogo interessante o da Bélgica contra a Bósnia pelas Eliminatórias da Copa do Mund: nem tanto pela partida em si (ainda que fundamental para os belgas) , mas pela chance de afirmação (ou não) de toda uma nova geração considerada muito promissora: Witsel e Defour (Standard Liége), Eden Hazard (Lille-FRA), De Sutter (Anderlecht) e Mirallas (St Etienne-FRA). Para saber mais detalhes dê uma olhada aqui.

Miranda no Milan?

Miranda no Milan? Possível, mas difícil

Sobre os rumores de uma contratação de Miranda pelo Milan, no meio do ano, O brasileiro tem futebol de sobra para jogar na Utália, mas devemos lembrar da legião brasileira que já está lá (além de Thiago Silva e Felipe Mattioni, que não estão registrados). Um zagueiro extracomunitário só faria sentido com a saída de algum dos conterrâneos. Podemos dar como certa a saída de Dida e provável a de Ronaldinho. Ao todo, hoje, são sete os extracomunitários no clube. Todas as outras opções (Agger, do Liverpool, Clichy, do Arsenal, Kjaer, do Palermo, e Bruno Alves, do Porto) não têm este problema de passaporte.

E agora?

O São Paulo foi crucificado porque não quis dar mais de 10% dos ingressos à torcida corintiana. Crucificado. Se disse que era um clube elitista, com diretores imbecis, que não se preocupavam com o povo. O Corinthians? Se comportou como parte lesa, ofendidíssimo. “Enquanto eu for presidente, o Corinthians não joga no Morumbi como mandante”, disse Andres Sanches. E agora, como se justifica a cota de 6% dos ingressos dada aos santistas?

Ao contrário da maioria, acho que a assunção de que não dá para ter duas torcidas num clássico é correta. Mas só é correta se for adotada como um paliativo para mudanças maiores. Boa parte da mídia desceu a boca no projeto de carteirinhas para os torcedores (que, de fato, está longe do ideal), mas ninguém celebra o aparente fim da letargia do governo. Assim como as carteirinhas, impedir a divisão dos estádios não me parece a melhor solução no momento. Infelizmente, me parece a única.

O ponto crucial do problema está em como abordá-lo. Enquanto os encarregados do combate à marginalidade uniformizada forem como o promotor Fernando Capez, que usou o assunto como trampolim político, a coisa não anda. O problema da violência nos estádios vai desde a questão social geral do país até a legislação que impede a polícia de manter preso o vagabundo que causa arruaça no estádio, passando pela irresponsabilidade criminosa dos dirigentes que, por razões políticas, sustentam as facções organizadas. E, claro, no fornecimento de um serviço decente ao torcedor com higiene, segurança, lugares numerados, facilidade de acesso e todas as coisas óbvias a qualquer entretenimento.

A Inglaterra resolveu seu problema da violência endêmica unindo três itens: responsabilização dos promotores do evento pelas conseqüências do mesmo, punições draconianas aos bandidos que fingem torcer para um time como meio de saciar seus desvios sociais e abertura de linhas de crédito (vejam bem, não se trata de “doação” e sim “empréstimo”) para os clubes e empresas que quisessem investir em estádios segundo as normas necessárias de segurança. Em uma frase: TODOS os envolvidos têm de assumir as conseqüências dos seus atos.

Para a resolução do problema, o Brasil tem dois grandes, imensos obstáculos. Primeiro, a legislação é vaga e flácida no que diz respeito a responsabilizar cartolas e assim, qualquer crime cometido por um cartola passa em branco. Alberto Dualibi só caiu em desgraça no Corinthians porque parou de pagar os proxenetas (e muitos deles ainda estão no poder).

Segundo, um projeto do gênero pede um grande peso político. Apesar do presidente Lula ter uma origem “libertária”, digamos assim, ele sabe que sem a oligarquia ignorante e corrupta, não se faz nada no Brasil. E nessa oligarquia nojenta a cartolagem deita e rola na lama, exatamente como porcos se divertindo num dia de sol. Enquadrar os marginais que se sentem machos nos estádios é muito mais fácil do que os porcos .

Neymar (só para encerrar)

O que mudou com a partida pífia de Neymar no clássico? Nada. Rigorosamente nada. Ele continua sendo o menino de 17 anos, muito promissor e que, pela primeira vez, enfrentava um jogo de futebol profissional de verdade.

Minto. Talvez algo mude. Nesta segunda-feira, a comparação com Pelé ficou convenientemente esquecida…

Page 1 of 2

Desenvolvido em WordPress & Tema por Anders Norén

Top