Mês: abril 2008

O dérbi dos dérbis

Um dérbi sempre pára uma cidade. Mesmo se são dois clubes de níveis muito diferentes (como Bayern Munique x Munique 1860, Fulham x Chelsea, Barcelona x Espanyol), as cidades são tomadas por uma energia diferente. Mas nos dérbis entre grandes clubes, como o de Milão, isso transcende.

O “Dérbi da Madonnina” é o único encontro entre clubes da mesma cidade que já venceram a Copa dos Campeões. Juntos, os dois times têm 9 Copas dos Campeões, 32 ‘scudetti’, 10 Copas Itália, duas Recopas, três Copas Uefa (todas da Inter) e 7 Mundiais. Apesar de não haver nenhum ódio irracional entre as duas torcidas, certamente é uma partida que movimenta a cidade em qualquer circunstância. Mas o desta semana será especial.

O que faz o jogo de domingo assim tão especial é que jamais nenhum dos dois times se sagrou campeão vencendo o rival. A Inter garante o terceiro título consecutivo se bater o Milan; se ganhar, o Milan aumenta suas chances de ir para a Liga dos Campeões e mantém vivo o sonho da Roma de surrupiar um título impossível.

Milão já está tensa. Provocações – saudáveis – de parte a parte estão diariamente nos jornais e o presidente da Inter, Massimo Moratti, declarou que quer o título na partida com o rival. O atual campeão mundial rebate dizendo que o jogo não define nada, porque a Inter está com uma mão na taça e o Milan está muito longe na tabela.

Sob a ótica do ‘scudetto’, a Inter tem muito pouco com que se preocupar. Mesmo perdendo, ainda tem dois jogos para conquistar os três pontos necessários, contra Siena (fora) e Parma. Ou seja: o sucesso do Milan teria, de qualquer forma, só um gostinho de rivalidade, ainda que pudesse deixar a rival a uma derrota de perder o troféu.

Certamente é o Milan que tem mais motivações para o jogo: pode adiar o título em uma semana, precisa desesperadamente dos pontos para ir à Liga dos Campeões e vem reencontrando a sua forma num momento decisivo. Além disso, não vence desde 2006, quando Kaladze fez o gol da vitória.

Só que a Inter, mesmo sem a forma das últimas partidas do Milan, é a favorita. Liderou o torneio de ponta a ponta e apesar de várias intempéries, nunca foi realmente ameaçada. Ibrahimovic não deve fazer falta, especialmente com a boa fase dos meio-campistas e do injustiçado Júlio Cruz.

Clássicos têm uma aura diferente. Os jogos não se decidem só por qualidade técnica, mas por aquele time que sabe segurar os nervos. Este Milan x Inter (que já está com os 81 mil ingressos vendidos) tem tudo para ser épico, um jogaço. Mesmo sem uma disputa direta entre os dois, tem tudo em jogo. Os dois times sabem disso e deixam isso claro.

Estádio novo, bolso cheio

E o estádio da Juventus vai sair mesmo. E acredite ou não, a Juve ficará ainda mais rica com a construção. Mesmo sendo um time que tem um dos maiores orçamentos do futebol europeu (cerca de €200 milhões), um documento publicado na semana passada pelo clube anuncia que a expectativa é que a obra aumente a arrecadação em 15%.

O clube agora estuda propostas de empresas interessadas em dar nome ao estádio. Inicialmente esperava-se que a Fiat fosse participar da operação, mas a concorrência está aberta a interessados. Naturalmente, outras marcas automobilísticas estão descartadas. O contrato deve ter a duração de 12 anos.

O novo estádio da Juventus terá 41 mil lugares (com capacidade de ampliação), o que é mais do que suficiente para a média de público da Juventus (em torno de 21 mil pessoas por jogo), ficando pronto para a temporada 2011/12. A empresa que fará o estádio, a Sportfive, terá direito de vender o nome até 2023, metade da arrecadação com shows e a gestão da tribuna VIP. O custo previsto é de €100 milhões.

Leffe super, Bologna K.O.

A exemplo do que aconteceu no ano passado, a sorte parece não estar sorrindo para o Bologna. Depois de fazer uma Série B excelente, o time emiliano começa a por a língua para fora. E neste final de semana, uma derrota para o Albinoleffe pode ter sido o divisor de águas para o clube do Renato Dall’Ara.

“Albinoquem?”. Albinoleffe, para quem não conhece, é o segundo time de Bérgamo e o maior rival da Atalanta. Coser; Foglio, Gervasoni, Serafini, Peluso; Garlini, Del Prato, Carobbio e Cristiano; Cellini; Rupolo. O time que entrou em campo contra o Bologna certamente não é um “All Stars”, mas mesmo assim corre o “risco” de conseguir a vaga na Série A sem precisar de ‘playoff’.

O ponto é que o Bologna é um time sem fôlego. Está visivelmente extenuado e com a preparação física em queda. Contra o Albinoleffe, mesmo jogando em Bérgamo, teria condição de bater fácil o adversário. Exemplo: em todo o primeiro turno, o time tomou só nove gols, mas nas últimas seis teve a meta de Antonioli violada (a última vez que saiu sem tomar gol foi contra o Treviso, em 18 de março).

O ‘Leffe’ foi, junto com o Lecce, o único dos concorrentes à promoção que venceu na rodada. Brescia, Pisa e Chievo empataram – também porque já demonstram também um certo cansaço. Pode ser um bom sinal para o clube bergamasco que, a cinco rodadas, estaria classificado diretamente hoje.

Curtas

– Entre os 10 jogadores que podem deixar o Milan no próximo mercado, a média de presenças e gols deixa claro o “porquê” de suas possíveis saídas.

– Dida, Cafu, Digão, Simic, Serginho, Ba, Emerson, Gourcuff, Gilardino e Ronaldo jogaram, em média, 10 jogos e fizeram 1,2 gols cada um na temporada.

– Sem Gilardino, a média de partidas dos nove jogadores é de oito cada um durante todo o ano.

– O dérbi de Milão se chama “da Madonnina” em homenagem a uma estátua de Giuseppe Perego, finalizada em 1774, que fica em cima do Duomo de Milão, um dos símbolos da cidade.

– A Inter faz gol em partidas da Série A quando joga em casa há 56 rodadas.

– O recorde é do Torino: 76 partidas, na década de 50.

– Seleção Trivela, 35a rodada:

– Manninger (Siena); Santacroce (Napoli), Kaladze (Milan), Chiellini (Juventus) e Chivu (Inter); Camoranesi (Juventus), Pizarro (Roma) e Seedorf (Milan); Julio Cruz (Inter), Inzaghi (Milan) e Mutu (Fiorentina).

Roma perde Totti – e não só

Aos 37min do primeiro tempo do jogo contra o Livorno, Totti caiu no gramado do Olímpico, logo depois de uma conclusão contra a meta defendida por Amelia. Subitamente, comissão técnica, jogador e torcida pressentiram que não era uma coisa qualquer. Totti pediu atendimento médico e logo saiu de campo. E salvo uma grande reviravolta, acabou-se ali a temporada da Roma.

O capitão romanista será operado e deve ficar parado até setembro, mas até lá, a Roma ainda tenta uma desesperada cartada para conseguir o titulo (tem de tirar seis pontos de vantagem interista em quatro rodadas), disputa a Copa Itália (inclusa uma viagem a Catania na segunda partida da semifinal) e até mesmo tem de impedir que a Juventus lhe roube a classificação direta à Liga dos Campeões. Se for esse o caso, terá ainda de enfrentar as eliminatórias da próxima LC sem seu principal nome.

Duas abordagens dão medo na torcida romanista. A primeira e mais imediata é mesmo a série de decisões a que o time terá de se submeter sem o capitão; a segunda, é em relação à lesão mais séria que Totti já sofreu na carreira quando ele já tem 32 anos.

Sem Totti, a Roma – que se exibiu até hoje – não é capaz de reverter uma vantagem similar da Inter, ainda que a líder não esteja jogando um grande futebol. O esquema romanista é em função de Totti e sem ele, perde grande parte de sua eficiência. A mais perturbadora, porém, é em relação ao retorno do jogador. Ele voltará da mesma maneira? Quando?

A sensação no staff técnico romanista agora – e provavelmente do próprio Totti – é a de o arrependimento por uma aposta. O meia vinha jogando no sacrifício há várias semanas porque o time não podia prescindir dele, mesmo que sem seu melhor futebol. O clube não ganhou nada e pode perder muito na ótica da temporada seguinte.

Pior: uma projeção de uma Roma sem Totti para o começo da próxima temporada força um planejamento de mercado para um time diferente de uma Roma completa. Sem o seu cérebro em campo, o técnico Luciano Spaletti precisa pensar em buscar reforços que compensem a ausência de seu craque. Por exemplo: o clube teria de pensar em contratar um meia e um atacante, bem como mudar o esquema de jogo para favorecer a criatividade de atletas como De Rossi, Pizarro e Perrotta. Mas se todas essas alterações forem feitas, o clube precisará sofrer novas mudanças quando o capitão voltar.

Uma possível dúvida do internauta seria: “Mas Vucinic não seria capaz de suprir a ausência de Totti?”. Tecnicamente, Vucinic é excelente, mas é mais atacante do que o camisa 10 romanista. J

Justamente por causa de sua característica de jogo peculiar é que o time foi montado no 4-2-3-1, onde ele tem a liberdade de atuar sem posição fixa. Vucinic joga melhor como um atacante fixo; Totti é mais eficiente que o montenegrino se o que se pretende é um meia com características de infiltração.

Quem suspira aliviada com a história é a Internazionale. Num momento de extrema turbulência interna, onde o técnico Mancini está visivelmente em xeque, ver a adversária sofrer tamanho golpe é reconfortante.

O tricampeonato da Inter esteve várias vezes ameaçado pela Roma e em nenhum a oportunidade dos atuais detentores da Copa Itália aproveitaram a chance, até porque não tinham seu capitão em plenas condições. Sem o líder, os ‘giallorrossi’ parecem ainda menos habilitados a uma grande virada, a menos que tenham um ás na manga. Agora, é a hora da Roma para baixar esse ás.

Del Piero super: Itália chama

Duas semanas atrás, Del Piero completou 553 jogos oficiais com a camisa da Juventus, atuando contra o Palermo. Naquele jogo, Del Piero jogou muito e recolocou em discussão a necessidade de sua convocação para a Eurocopa.

Neste final de semana, ‘Ale’ deu um novo golpe nos argumentos de quem acha que ele pode ficar fora do elenco. Contra uma Atalanta que faz um excelente campeonato, o atacante fez três gols e destruiu o time bergamasco, conduzindo a Juventus à sua melhor apresentação recente. E agora? Dá para deixa-lo de fora? Não, não dá.

Mesmo que não se deixe Di Natale e Quagliarella – titulares por merecimento da ‘Nazionale’ de Donadoni – em casa, o capitão juventino tem de ser chamado. Com Ranieri, Del Piero renasceu novamente, atuando na faixa de campo onde sabe atuar melhor. Fora isso, é um jogador cuja experiência certamente agrega ao grupo.

A princípio, o jogador é um problema para o técnico da seleção (não aceita o banco nem se encaixa no esquema mais utilizado pela ‘Azzurra’), mas vozes sensatas tem pedido a chamada de Del Piero em uma espécie de convergência, na qual o atacante se disporia a compor o grupo. Se treinador e jogadores cedessem e isso acontecesse, a seleção ganharia em experiência e ainda teria uma opção tática extra em caso de necessidade.

O receio de Donadoni em levar Del Piero é o de que o jogador se torne um entrave similar ao qual Roberto Baggio foi em 1998. Na ocasião, o próprio Del Piero era o titular, mas a torcida pressionava pela escalação do ‘Codino’, que normalmente saía do banco e decidia a partida, mas deixava o titular embaraçado.

Ainda há algumas semanas antes da Eurocopa e o rendimento do jogador pode cair e a questão se resolve sozinha. Caso contrário, o juventino irá à competição na marra. Se for assim, a Itália já sairá da sua concentração em Coverciano com o clima mais tenso do que o necessário.

Curtas

– Recorde negativo batido na 34a rodada.

– Nunca na história da Série A em grupo único 11 jogadores tinham sido expulsos num mesmo jogo.

– As ‘triplettas’ de Del Piero e Kaká foram a oitava e a terceira de cada um, respectivamente.

– Del Piero nunca tinha marcado três gols numa mesma partida fora de casa.

– O sucesso sobre a Udinese foi o 12o jogo em casa da Samp sem derrota dos ‘blucerchiati’.

– Aliás, a Sampdoria é a equipe que tem o melhor rendimento se comparado coma 34a rodada no ano passado, com 10 pontos a mais.

– A equipe que mais decaiu foi o Empoli, que tinha 20 pontos a mais do que os 30 de hoje.

– Seleção Trivela da 34a rodada:

– Frey (Fiorentina); Loria (Siena), Legrottaglie (Juventus), Vargas (Catania), Kolarov (Lazio); Barreto (Reggina), Palombo (Sampdoria), Konko (Genoa); Kaká (Milan), Bellucci (Sampdoria); Del Piero (Juventus)

O show dos veteranos

A menos de 60 dias da estréia na Eurocopa, o técnico da Itália, Roberto Donadoni, ainda não fechou a sua lista de convocados. É verdade: ela está praticamente pronta, colm uma ou duas vagas ainda em aberto. E as incertezas do ex-jogador de Milan e Atalanta, quem diria, são causadas justamente por dois jogadores que eram dados como cartas fora do baralho para depois do Mundial de Berlim.

Alessandro Del Piero e Filippo Inzaghi, companheiros por quatro temporadas na Juventus, de 1997 a 2001, não obstante a idade (33 e 34 anos) têm sido fundamentais para seus clubes nesta temporada. Del Piero está conduzindo a Juventus à vaga seguda na Liga dos Campeões e se não fosse por Inzaghi, mesmo uma vaga na Copa Uefa estaria fora dos planos do Milan.

Del Piero, recordista de partidas oficiais com a camisa da Juventus (554), é o segundo maior artilheiro em atividade na Série A (atrás somente de Francesco Totti). Com 35 jogos e 17 gols na temporada, voltou a ser o homem decisivo da Juventus quando ela precisou. Nas duas últimas partidas, três gols e melhor em campo na duas. Além do ótimo momento, tem experiência de sobra: três Mundiais e três Europeus.

O que conta contra Del Piero é a sua preferência por jogar como segundo atacante no 4-4-2 que a Juve utiliza – diferente da Seleção, onde o esquema não foi utilizado. De ‘Azzurro’, Ale tem de atuar como externo na linha de 3 do 4-2-3-1 ou como armador atrás do atacante no 4-1-4-1. O juventino não se sente à vontade como meio-campista e já deixou claro isso no passado, quando teve de substituir Totti na seleção ou Zidane na Juve, em ambos os casos por contusão dos mesmos.

Filippo Inzaghi terá quase 35 anos durante a Euro. Não faltam boas alternativas para o ataque – Quagliarella, Luca Toni, Iaquinta, Del Piero, Di Natale, Borriello – nem nomes teoricamente mais aptos a uma vaga no grupo, como Gilardino ou Cassano. Mas Donadoni – e a Itália inteira – sabem que Inzaghi é uma ave de rapina, e tê-lo no banci para um momento difícil é quase a segurança de que aquele gol chorado num jogo difícil vai sair no fim. Além disso, Inzaghi – ao contrário de Del Piero – aceita bem o banco. Nesta temporada, começou jogando 15 vezes e marcou 12 gols.

Contra Inzaghi estão a já citada idade e o excesso de alternativas. Quagliarella, Toni, Iaquinta e Di Natale não podem ficar fora da lista. E como não convocar o artilheiro do campeonato, Marco Borriello, 19 gols em 30 jogos da Série A? Isso desconsiderando Gilardino e Cassano que, por motivos diferentes, devem perder o trem para o Europeu.

A dúvida de Donadoni é pertinente. Em relação a Del Piero, é em relação ao esquema. O técnico dificilmente trocará o sistema para ter o juventino, porque no 4-4-2 clássico, a Itália tem dificuldades em equilibrar marcação e criatividade, além de ficar sem jogadas pelas pontas. Com Inzaghi, o ponto é quem deixar de fora: Borriello é artilheiro do campeonato, mas quem já mostrou – inúmeras vezes, por clube ou seleção – que decide no aperto, é o milanista.

Tendo um esquema virtualmente de três atacantes (no 4-2-3-1 o homem atrás do centroavante é normalmente Perrotta), seis nomes na lista não seriam um exagero absoluto, mas obrigariam Donadoni a ficar com nomes contados na defesa e lesões em algum dos coringas (Panucci, Zambrotta, Chiellini) poderiam ser perigosas. Normalmente, uma aposta em dois jogadores com mais de 30 anos seria uma temeridade. No caso de Pippo e Ale, talvez seja o risco que Donadoni tem de correr para se vingar de seus críticos.

Resultados aumentam profundidade da mudança no Milan

A derrota do Milan para a Juventus poderia ter sido mais trágica para as ambições milanistas. Com um pouco de sorte, o insucesso ‘rossonero’ foi amainado por causa de derrotas de Fiorentina, Udinese e Sampdoria. E assim, a vaga na Liga dos Campeões ainda permanece a somente quatro pontos, com mais cinco rodadas na tabela.

O desfecho do campeonato milanista pode, no entanto, ocasionar mudanças mais profundas no clube. Segundo o diário italiano La Repubblica, Gennaro Gattuso estaria cogitando a hipótese de deixar o clube por novos desafios no exterior. Bayern de Munique e Manchester United estão prontos para atender suas solicitações, assimo como as do Milan, caso o siciliano decida deixar a Itália. A reflexão de Gattuso ocorre por causa do que ele considera ser o final de um ciclo.

Alessandro Costacurta, zagueiro até a temporada passada e hoje assistente de Carlo Ancelotti, já trabalha politicamente para conseguir uma chance de suceder o “amigo” Ancelotti. Seu nome cresce de cotação no caso de uma troca de treinador. E o Milan se inscreveu até mesmo para disputar a Copa Intertoto, caso as coisas dêem muito errado e nem uma vaga na Uefa esteja disponível – situação na qual uma reformulação no elenco seria inevitável. No mais, o leitor da Trivela já sabe: Ronaldinho Gaúcho é o alvo número um, com Shevchenko (Chelsea), Flamini (Arsenal), Zambrotta (Barcelona).

– Na Itália, o gol de mão de Lavezzi contra a Atalanta provocou 1% da celeuma do que foi anotado por Adriano no fantástico Paulistão.

– “Gol irregular de Lavezzi, mas o Napoli mereceu a vitória”, disse o técnico da Atalanta, Luigi Del Neri.

– Juventus negocia Amauri (Palermo); Inter atrás de Drogba (Chelsea)

– Seedorf já sentiu sua batata assando no Milan e mandou recado a Ronaldinho:

– “É bem-vindo, mas a camisa 10 é minha”.

– A discussão de Panucci com Doni depois do gol da Udinese contra a Roma deixou o técnico Luciano Spaletti alucinado com os dois, que tomaram uma comida de rabo sensacional no vestiário.

– Totti mandou o árbitro Rizzoli àquele lugar e teve sorte: ganhou só um amarelo e uma multa.

– Os presidentes de Livorno e Cagliari, Aldo Spinelli e Massimo Cellino, juram de pé junto: deixam seus clubes em junho.

– Esta é a seleção da Série A – 33a rodada:

– Frey (Fiorentina); Cirillo (Reggina), Loría (Siena), Burdisso (Inter); Salihamdzic (Juventus), Vieira (Inter) Sissoko (Juventus), Taddei (Roma); Del Piero (Juventus), Inzaghi (Milan), Miccoli (Palermo)

Ronaldinho Gaúcho: destino Milão

Tudo bem: é verdade que o internauta não agüenta mais ouvir falar de uma possível saída de Ronaldinho Gaúcho do Barcelona. A novela era a mesma quando Shevchenko estava no Milan, Ronaldo na Inter ou qualquer outro grande jogador. Parte da imprensa não sobrevive sem rumores – que em 100% dos casos são fomentados pelos agentes dos mesmos e dirigentes, de olho em transferências, comissões e afins. O caso de Ronaldinho não é diferente. A posição ambígua de seu empresário e irmão Roberto Assis sempre foi pensada, porque ele sabe que não se fecha esse tipo de porta no futebol.

Desta vez, parece mesmo sério: Ronaldinho Gaúcho não deve voltar a jogar pelo Barcelona. Seja a lesão diagnosticada pela equipe médica do clube verdadeira ou não, o que parece certo é que o clube catalão já dá sua saída como certa a ponto de autorizar os dirigentes do Milan a negociar com Assis (foram vistos num restaurante em Milão na semana passada).

Na verdade, a negociação vai além do encontro entre empresário e diretores. O acordo entre Milan e Barcelona teria sido acertado na temporada passada, quando o brasileiro vinha de uma temporada irregular no Camp Nou. O ponto é que a diretoria ‘blaugrana’ ainda sabia que enfrentaria muita resistência por parte da torcida. A falta de vontade de Ronaldinho nesta temporada faria mais sentido, caso fosse verdade que ele já sabia que iria para a Itália no verão europeu de 2008.

A decisão da cúpula catalã ainda dependia de mais um fator: a afirmação de Messi como um possível substituto para a importância de Ronaldo no elenco do clube. Nesse sentido, as coisas foram tão bem que até um substituto para Messi apareceu no processo. O sérvio-espanhol Bojan já veste a camisa de “próximo craque do Barcelona”, ainda que falar em sucessão para um jogador de 20 anos seja bastante ridículo.

O sonho de Silvio Berlusconi era o de ir à reapresentação do Milan para a pré-temporada em julho passado de braços dados com os dois Ronaldos e Kaká e apresentá-los como o “trio dos sonhos” do Milan. O presidente do clube sabia do peso mediático que um evento do gênero teria e que isso não faria mal à suas atividades políticas.

Com Ronaldo lesionado, o sonho de Berlusconi, além de adiado em um ano sofreu uma alteração. A entrada planejada pra julho passado deve ocorrer neste ano, mas ao invés de Ronaldo, deve contar com Pato e Shevchenko – que muito provavelmente retornará a Milanello depois de uma desastrosa experiência no futebol inglês.

“Então Ronaldinho está assinado com o Milan?”. Bem, não há nenhum jornalista na redação da Trivela que tenha conversado com Silvio Berlusconi na última semana e tido tal confirmação. Mas não é imprudente afirmar que ele vai para Milão. A Internazionale tenta atravessar a negociação milanista e corre por fora, assim como o Chelsea.

Quanto o Milan pagará por Ronaldinho? Difícil dizer. Sua cláusula rescisória é impagável (€150 milhões) mas uma regra da Fifa autorizaria o jogador a conseguir sua liberação por €17 milhões. Como as relações entre os dois clubes são amistosas, o provável é que um acordo fosse encontrado pouco acima do valor mínimo. O Milan não deve arriscar o azedamento das relações com os catalães porque Zambrotta deve fazer o mesmo roteiro de Ronaldinho.

Scudetto: Roma não é a Juve

O título italiano segue aberto, sim. Mas nas duas últimas semanas, a Roma deixou claras as suas limitações tanto técnicas como de personalidade. A vitória romanista no sábado, sobre o Genoa, não foi justa e só aconteceu graças a um pênalti tolo de Borriello sobre Taddei.

Na semana passada, quando a Inter empatou o jogo com o Empoli, a Roma tinha perdido pontos diante do Cagliari. É verdade que os sardos estão em recuperação, mas um time que quer ser campeão precisa obrigatoriamente vencer um adversário do gênero.

O preço pago pela Roma ainda é o de um elenco em maturação. Sem Totti (lesionado), o time sentiu o baque da lição imposta pelo Manchester United na LC. No final de semana, o time de Luciano Spaletti fez um primeiro tempo excelente, mas morreu no segundo tempo. Sem Totti e poupando Aquilani para o jogo de Manchester, a Roma teve de colocar quase todos os titulares em campo. O esforço cobrará seu preço em Old Trafford.

A sorte interista está exatamente aí: no momento em que o elenco ‘nerazzurro’ caiu de produção (o que é compreensível), seus perseguidores não são nem Juventus nem Milan. Fosse um time do mesmo porte, o ‘scudetto’ da Inter estaria muito mais ameaçado. Para a Roma, agora é necessária uma façanha, daquelas que mudam um time de “status”. Se a Roma quer sua entrada no “Trio de Ferro”, tem de mostrar suas cartas agora.

Série B: Chievo recorde

Na próxima temporada, a Série A deverá receber dois clubes que agregarão bastante. Chievo e Bologna venceram seus jogos e estão nas duas primeiras colocações da Série B e com campanhas irretocáveis. No final de semana, mais duas apresentações de gala.

O Chievo, líder do torneio, foi a Messina, saiu na frente, tomou a virada mas acabou vencendo e quebrando recorde (leia nas curtas). Jogando com três atacantes, o clube vêneto manteve a tradição recente de um futebol ofensivo (melhor ataque da Série B, com 62 gols) com um elenco que é quase o mesmo que estava na Série A, pagando a aposta num projeto de promoção imediata.

O Bologna não fica atrás. Nesta semana, recebeu o Modena no dérbi emiliano e não tomou conhecimento do time do Alberto Braglia. Com a segunda melhor retaguarda do torneio (23 gols sofridos, pior só que a do Lecce, com 22), o elenco de Roberto Colombo é devastador. Com alguns ajustes, pode subir à primeira divisão com tranqüilidade.

Para a decisão do playoff da terceira vaga, é praticamente certo que Albinoleffe, Lecce, Brescia e Pisa (o Pisa, sexto colocado, está 11 pontos à frente do sétimo, o Rimini). Na rodada, nenhum dos quatro prováveis participantes do playoff perdeu: Lecce e Albinoleffe venceram e Pisa e Brescia empataram.

– Segundo a imprensa italiana, o megainvestidor George Soros estaria interessado em comprar a Roma.

– Campeonato “Primavera” (o “aspirantes” da Itália): Sampdoria, Udinese e Ascoli lideram os grupos A, B e C, respectivamente; Juventus, Inter e Catania são os vice-líderes.

– Com a 11a vitória consecutiva, o Chievo bateu o recorde de sucessos consecutivos da segunda divisão italiana.

– Esta é a seleção Trivela da 32a rodada:

– Fontana (Palermo); Bonera (Milan), Paci (Parma), Vargas (Catania) e Dossena (Udinese); Vieira (Inter), Sissoko (Juventus), Montolivo (Fiorentina); Del Piero (Juventus), Inzaghi (Milan) e Amauri (Palermo)

Temporada estilhaçada

“As desculpas se acabaram. Essa partida é para ser esquecida”. Essa foi a frase do técnico Carlo Ancelotti, referindo-se a um dos resultados de Série A mais sentidos pelo Milan nas últimas temporadas. O 1-2 imposto pela Atalanta (última vitória bergamasca fora de casa contra o Milan desde 1991, quando Evair fez o gol do 1-0) não foi um resultado de azar, embora de fato o árbitro tenha anulado um gol legítimo e não marcado uma falta clara que invalidaria o primeiro gol atalantino. Não há mais desculpas. A crise está aberta e agora Milanello calcula como será a próxima temporada.

É difícil fazer uma crítica do Milan diante da Atalanta porque não há setores ou jogadores menos culpados. Exceção feita a Ambrosini, que comeu a grama por 90 minutos, fez um gol e sofreu uma penalidade máxima (desperdiçada por Pirlo). Todo o resto teve uma performance indefensável.

O discurso do clube de que não haverá revoluções para a próxima temporada caiu por terra. Não é possível imaginar um Milan no próximo campeonato sem que haja uma série de contratações, dispensas e mudanças no elenco. Até mesmo Carlo Ancelotti, confirmado pelo clube mesmo na possibilidade de não-classificação para a Liga dos Campeões, começa a correr riscos.

O irônico é que Ancelotti é certamente o menos culpado pela forma terrível do Milan 2007/08. Com um time titular excelente, mas de idade média alta, Ancelotti teve de disputar quatro torneios com um elenco no qual há pouco mais de cinco alternativas realmente válidas no banco de reservas. Jogadores como Ba (zero presenças na temporada), Digão (três jogos), Simic (quatro aparições), Serginho (10), Cafu (13) não são alternativas válidas para quem quer ganhar títulos. Mesmo assim, é a cabeça do técnico de Reggiolo que pode entrar no rolo.

Os rumores cercando o treinador ainda são inconsistentes, mas a atual forma não deixará alternativa à diretoria. O campeão mundial Marcello Lippi é o substituto ideal, com Luciano Spaletti, José Mourinho (aparentemente mais próximo da Inter – leia abaixo) e Roberto Donadoni bem cotados na bolsa de apostas.

Além disso, há jogadores de primeira linha cujo rendimento está muito abaixo da média, por questões técnicas ou físicas. Ronaldo devia ser o principal atacante do Milan na temporada, mas fez só oito jogos. Gilardino não marca gol pela Série A em San Siro há mais de um ano. Inzaghi limitou-se a 19 partidas (5 gols) por causa de lesões seguidas. Casos semelhantes acontecem com Jankulovski (11 jogos na Série A), Emerson (20 aparições, a maioria entrando no segundo tempo) e até o legendário ‘capitano’ Maldini (17 jogos).

Sem nenhum exagero, é possível afirmar que o Milan não tem como entrar na próxima temporada sem ao menos oito reforços: um goleiro, dois zagueiros, um lateral, dois meio-campistas e dois atacantes. Muito? Não, se levarmos em conta que os destinos de Gilardino (a caminho de Florença), Gourcuff (provável empréstimo para o Ajax), Ba e Simic já parecem claros, enquanto os de Cafu, Serginho, Ronaldo e Emerson sugerem divórcios iminentes.

‘Calciomercato’ de verdade

Alguns nomes são dados como certo pelos bons órgãos de imprensa da Itália. Didier Drogba era desejado pela diretoria milanista, mas um pedido de €8 milhões anuais de salário afugentaram o clube. Outro ‘Chelsea-boy’, o filho pródigo Shevchenko já estaria certo com o clube, segundo o La Repubblica e a Gazzetta Dello Sport. Sem Gilardino, até um segundo nome poderia chegar.

Para o gol, o franco favorito é o francês Frey, da Fiorentina, com o polonês Boruc bem-avaliado. Mexés (Roma), Barzagli e Zaccardo (Palermo) fazem parte da lista para a zaga, enquanto o francês Flamini (cujo contrato com o Arsenal acaba em junho) é o único meio-campista citado de maneira mais sólida.

Claro, e tem Ronaldinho Gaúcho. A fase macabra do brasileiro no Barcelona tornam uma tranferência sua muito mais viável para o clube catalão do que há um ano e sua chegada seria muito cômoda para o elenco, uma vez que ele tanto pode atuar como atacante quanto na posição de Kaká, para que o ‘Ballon D’Or’ possa descansar quando necessário.

O verão europeu deste ano deve ser o primeiro desde 2000 no qual o Milan investe pesado. Naquele ano, chegaram Pippo Inzaghi e Rui Costa num custo conjunto de €60 milhões. Se o clube for atrás do que realmente precisa (mesmo sem nenhum exagero), não debe gastar menos do que isso. A auto-suficiência do clube ao sempre achar que o elenco estava perfeito nas últimas temporadas ia fazer com que um preço fosse pago mais cedo ou mais tarde. Agora é a hora.

Inter-Mourinho: dado como certo

No domingo passado, o respeitável dominical britânico The Observer publicou em matéria que José Mourinho estava acertando detalhes de sua contratação pela Inter e que estaria em Milão para tanto. Os dois negaram, mas o agente do técnico confirmou o encontro, embora tenha dito que se tratava de “outro assunto”. Nesta semana, outra reunião entre treinador e dirigente aconteceu, desta vez em Paris. E para surpresa de todos, soube-se que na verdade teria sido a terceira conversa – a primeira fora em Portugal.

Não há mais na Itália quem creia na permanência de Roberto Mancini depois do fim desta temporada, com ou sem ‘scudetto’. O atrito criado pelo técnico com sua “demissão” depois da eliminação na Liga dos Campeões azedou o ambiente de uma tal forma que seu desligamento só não aconteceu imediatamente para não colocar em risco um título virtualmente ganho.

O entrave no acerto Mourinho-Inter está na condição número um imposta pelo português: controle total sobre o futebol interista, indo de preparação física a contratações, passando pelo setor médico. Mourinho sabe da fama que a Internazionale tem de ser uma grande reunião de feudos e que isso já derrubou muita gente boa (como Marcello Lippi e Hector Cúper, por exemplo). O presidente Massimo Moratti hesita em dar tal liberdade a Mourinho. Moratti gosta de ter poder nas contratações e por isso as confia a tarefa a Marco Branca e Gabriele Oriali – seus braços-direitos.

Para a Inter, Mourinho seria uma contratação fantástica. É um treinador muito capacitado, disciplinador e que não tem medo de meter o pé no balde que estiver atrapalhando. Certamente é o que Roberto Mancini gostaria de ter tido há quatro anos.

– Mais um torcedor morreu no final de semana na Itália, como se sabe e o jogo entre Juventus e Parma foi adiado por causa disso.

– A pergunta muito pertinente feita por Ubiratan Leal na redação da Trivela foi:

– “Por que razão se deve-se adiar uma partida por causa de um membro de uma torcida organizada que estava caçando outra em um posto de beira de estrada?”

– Alberto Malesani caiu depois da derrota do Empoli para a Sampdoria; em seu lugar, retorna Luigi Cagni.

– Para a partida entre Fiorentina e PSV pela Copa Uefa, a polícia de Florença proibiu avenda e consumo de bebidas alcóolicas das 12h às 20h na cidade e das 17h às 21 nas imediações do estádio Artemio Franchi.

– Seleção Trivela da 31a rodada:

– Manninger (Siena); Lukovic (Udinese), Mexès (Roma), Konko (Genoa), Adriano Ferreira Pinto (Atalanta); Tissone (Atalanta), Inler (Udinese), Hamsik (Napoli); Quagliarella (Udinese), Floccari (Atalanta), Rosina (Torino)

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