Mês: março 2008

Que Juve!

A queda de produção da Inter depois da eliminação na Liga dos Campeões é conhecida e era até esperada. A competição continental era o verdadeiro objetivo ‘nerazzurro’ na temporada. E o posterior episódio do pedido de demissão de Roberto Mancini (que depois voltou atrás) só serviu para desandar mais a maionese.

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Sinal amarelo

No clima pesado da entrevista coletiva depois da eliminação da Inter de Milão na Liga dos Campeões na última terça-feira, o técnico Roberto Mancini entrou de cara fechada. Era de se esperar. O que caiu como uma bomba foi o anúncio do técnico de Jesi que sairia do clube ao final a temporada. “Creio que estes sejam meus últimos dois meses e meio na Inter”, disse Mancini, antes de se retirar e deixar a imprensa em polvorosa.

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A casa caiu

Ao terceiro apito do árbitro Konrad Plautz, no fim de Milan 0 x 2 Arsenal, o semblante do time em campo era soturno – assim como nas arquibancadas do Giuseppe Meazza. Nas redações italianas e do mundo, o burburinho de uma “reformulação profunda” no clube estava com força total. No entanto, a torcida aplaudiu os jogadores, que retribuíram. Presidente e vice do clube desceram ao vestiário e agradeceram os jogadores (mesmo os reservas) e técnico, individualmente. Parece uma contradição?
Mais do que isso. Não há dúvidas de que o Milan fez o que pôde contra um Arsenal muito mais forte fisicamente e a temporada comprovou as limitações de um elenco carente. Haverá uma revolução? Tudo indica que não, ainda que os ‘bem-informados’ de plantão insistam no contrário.
A diretoria e comissão técnica certamente erraram na montagem do elenco para esta temporada – fato indiscutível. A um elenco de idade avançada, agregaram-se somente Alexandre Pato (a partir da metade dela) e Ba, um ex-jogador que provavelmente foi contratado por questões pessoais, a exemplo do holandês Esajas há alguns anos (que era amigo de infância de Seedorf). Ah, sim, também chegou Emerson, mas para azar do brasileiro, numa região do time em que o elenco não precisava de reforços.
A crítica mais comum ao Milan – a idade do elenco – é válida, mas não totalmente. O jogador mais velho do grupo, o lendário Paolo Maldini, foi um monstro nos últimos três jogos e deixou claro: se não tiver de atuar em 60 jogos no ano, ainda é um fora-de-série. E uma melhora nas condições de seu joelho o prontificaram a repensar a aposentadoria e cogitar mais um ano em ‘rossonero’.
Exaustão física, contusões e limitações de um grupo carente tecnicamente (leia abaixo) tiraram o Milan da briga domestica e internacionalmente. Contra o Arsenal, o cansaço do Milan foi claro nos dois jogos e não fosse o ‘bunker’ e a ausência de um artilheiro nato no time inglês, dois placares de 3 a 0 não seriam injustos, assim como os 18 pontos que separam Inter e Milan no campeonato também não o são.
O clima no elenco parece sereno e uma vaga na Liga dos Campeões (agora a um ponto de distância) está ao alcance. Com um jogo por semana, recuperando Seedorf, Jankulovski e Gattuso, apostar no Milan na quarta colocação da Série A em maio é seguro, ainda que o time não tenha um goleiro confiável, nem substitutos para a maioria das posições. Mais do que nunca, o time precisará de sua experiência. Felizmente para Kaká e companhia, isso sobra em Milanello.
Mercado mirado?

Pegando-se o time base do Milan (Dida; Oddo, Nesta, Maldini e Kaladze; Gattuso, Pirlo, Seedorf e Kaká; Gilardino (Inzaghi) e Pato), só nos extremos – o gol e o ataque – é que há necessidade urgente de reforços. Já no banco de reservas, uma longa lista de dispensas seria conveniente (Cafu, Serginho, Gourcuff, Favalli, Fiori, Ba e um entre Simic e Bonera).
Aí que jaz o problema que trouxe o Milan abaixo na LC – a necessidade de rodízio. No elenco como um todo, vários adversários europeus como Manchester United, Real Madrid, Barcelona, e alguns domésticos, como Inter e até mesmo a Roma, têm reservas mais próximos da qualidade dos titulares. Sob esta ótica, sim, se deve falar em necessidade de uma ‘revolução’ no Milan.
Só que a navalha não deve cortar tão fundo. O ambiente em Milanello leva muito em conta os vínculos pessoais e sob este aspecto, é difícil imaginar uma demissão em massa acontecer. Renovações de contrato recentes, como (e principalmente) a de Kaká, até 2013, sugerem que o grupo sabe o que vai acontecer e está todo de acordo.
As contratações no Milan dividem-se entre as ‘urgentes’, as ‘necessárias’ e as ‘convenientes’, seguindo uma ordem de gradação. Na primeira categoria, sem dúvida, estão as de um goleiro e um centroavante. Dida não perdeu a posição por preconceito ou perseguição, como eventualmente se vê a mídia brasileira sugerir, mas porque não tem uma boa performance há tempos. Apesar da fase regular, Kalac dá, no máximo, um bom reserva. Na frente, Gilardino não dá conta do recado e Inzaghi, 34 anos, é ótimo para atuar em 30 jogos no ano, mas insuficiente para uma temporada, especialmente com Pato ainda amadurecendo.
Entre as ‘necessárias’, o Milan faria bem em investir em um zagueiro central jovem, além de alternativas (também jovens) para as laterais da defesa. A retaguarda milanista, mesmo com alta média de idade (quase 34 anos) é a segunda melhor da Série A e se mantiver a média de 0,7 gols sofridos por jogo, está ótimo. Só que é prudente pensar no futuro e um dia Nesta e até Maldini vão parar de jogar.
Na categoria ‘convenientes’, o clube poderia dar a Carlo Ancelotti mais uma alternativa de jogo pelas alas (fala-se insistentemente em Zambrotta, do Barcelona) e tentar encontrar alguém para cobrir o papel de Pirlo, mesmo que isso significasse maturar um jogador novo. O esquema do Milan é ‘Pirlo-dependente’ e quando o bresciano não atua, o time se ressente. Alternativas possíveis? Uma improvisação de Seedorf na posição ou a escalação de Kakha Kaladze ali – na verdade, sua posição de origem no Dínamo Kiev e Dínamo Tbilisi.
O internauta pode se perguntar: “ah, mas o Milan já não precisava disso tudo no ano passado?”. É, precisava. Mas em favor da diretoria de Via Turati, pode-se argumentar que Dida não estava tão mal, que Ronaldo dava sinais de uma recuperação definitiva e mesmo Gilardino tinha marcado seus golzinhos (16, na última temporada). Daí fica a dúvida sobre qual será a atitude no mercado. Se não agir como um clube grande, o próximo será ainda pior, com o time um ano mais velho, com a Juventus mais poderosa e com Inter e Roma mais reforçadas.
Risco Parma, Cagliari condenado

A demissão do sétimo treinador na Série A (Domenico Di Carlo, do Parma) dá uma dimensão de quão caótico é o ambiente do atual torneio. Cagliari, Empoli, Livorno, Palermo, Reggina e Siena também já alteraram o comando (alguns, mais de uma vez) e arriscaram-se a virar estatística. Com tudo, com tanta gente chutando o balde, demitir o técnico deixou de ser quesito pró-rebaixamento.
Di Carlo pagou um preço pelo qual tem uma parcela de responsabilidade. Embora tenha a base muito jovem, o time tem um elenco para estar numa posição melhor do que a atual. Com Cristiano Lucarelli no ataque e alguns dos mais promissores jovens italianos da Série A (Dessena, Cigarini, Paci, Moretti, Mariga), os resultados do Parma ainda são perigosamente inconstantes.
Os favoritos para assumir o cargo, Nevio Scala e Alberto Zaccheroni, têm cancha suficiente para reverter o quadro. Scala conduziu o Parma em uma das melhores fases de sua história (dirigiu o time na Liga dos Campeões) e Zaccheroni, entre altos e baixos, fez uma Udinese formidável em 1998.
Quem parece mesmo fadado a passar um ano sabático na Série B é o Cagliari. Depois de todas as presepadas de seu proprietário, Massimo Cellino, o time é uma âncora e a última colocação lhe pertence desde a 13a rodada, consecutivamente. De lá para cá, somente duas vitórias em 15 jogos.
Seis clubes, três vagas

Uma derrota do Pisa e empates de Lecce Bologna e Chievo mergulharam a Série B numa corrida emocionante novamente, favorecendo o Brescia (numa reação considerável) e o líder improvável Albinoleffe. Cinco pontos separam o sexto colcado Pisa do líder de Bérgamo.
E são exatamente esses dois times – Pisa e Albinoleffe – que se enfrentam na partida mais interessante da próxima rodada. Na Arena Garibaldi, de Pisa, o clube que despontou como sensação do campeonato ateará fogo na disputa caso vença o ‘Leffe’, que nesse caso poderá ser ultrapassado por Bologna e Chievo (que recebem Piacenza e Ascoli). O Lecce visita o Spezia (que derrubou o Verona na última temporada) e o Brescia viaja a Mantova, um perigoso adversário, que está na ponta do ‘segundo bloco’ da tabela.
Curtas

– O clube de Appiano Gentile completou um século numa das melhores fases de sua história. E as comemorações foram merecidas.
– Leia o ‘Conheça o Clube’ feito por Dassler Marques, sobre um dos maiores clubes do mundo.
– Júlio César (Inter); Loria (Siena), Grygera (Juventus), Maldini (Milan) e Radu (Lazio); Ambrosini (Milan), De Rossi (Roma) e Camoranesi (Juventus); Kaká (Milan); Totti (Roma) e Pandev (Lazio).

A casa caiu
Ao terceiro apito do árbitro Konrad Plautz, no fim de Milan 0 x 2 Arsenal, o semblante do time em campo era soturno – assim como nas arquibancadas do Giuseppe Meazza. Nas redações italianas e do mundo, o burburinho de uma “reformulação profunda” no clube estava com força total. No entanto, a torcida aplaudiu os jogadores, que retribuíram. Presidente e vice do clube desceram ao vestiário e agradeceram os jogadores (mesmo os reservas) e técnico, individualmente. Parece uma contradição?
Mais do que isso. Não há dúvidas de que o Milan fez o que pôde contra um Arsenal muito mais forte fisicamente e a temporada comprovou as limitações de um elenco carente. Haverá uma revolução? Tudo indica que não, ainda que os ‘bem-informados’ de plantão insistam no contrário.
A diretoria e comissão técnica certamente erraram na montagem do elenco para esta temporada – fato indiscutível. A um elenco de idade avançada, agregaram-se somente Alexandre Pato (a partir da metade dela) e Ba, um ex-jogador que provavelmente foi contratado por questões pessoais, a exemplo do holandês Esajas há alguns anos (que era amigo de infância de Seedorf). Ah, sim, também chegou Emerson, mas para azar do brasileiro, numa região do time em que o elenco não precisava de reforços.
A crítica mais comum ao Milan – a idade do elenco – é válida, mas não totalmente. O jogador mais velho do grupo, o lendário Paolo Maldini, foi um monstro nos últimos três jogos e deixou claro: se não tiver de atuar em 60 jogos no ano, ainda é um fora-de-série. E uma melhora nas condições de seu joelho o prontificaram a repensar a aposentadoria e cogitar mais um ano em ‘rossonero’.
Exaustão física, contusões e limitações de um grupo carente tecnicamente (leia abaixo) tiraram o Milan da briga domestica e internacionalmente. Contra o Arsenal, o cansaço do Milan foi claro nos dois jogos e não fosse o ‘bunker’ e a ausência de um artilheiro nato no time inglês, dois placares de 3 a 0 não seriam injustos, assim como os 18 pontos que separam Inter e Milan no campeonato também não o são.
O clima no elenco parece sereno e uma vaga na Liga dos Campeões (agora a um ponto de distância) está ao alcance. Com um jogo por semana, recuperando Seedorf, Jankulovski e Gattuso, apostar no Milan na quarta colocação da Série A em maio é seguro, ainda que o time não tenha um goleiro confiável, nem substitutos para a maioria das posições. Mais do que nunca, o time precisará de sua experiência. Felizmente para Kaká e companhia, isso sobra em Milanello.
Mercado mirado?
Pegando-se o time base do Milan (Dida; Oddo, Nesta, Maldini e Kaladze; Gattuso, Pirlo, Seedorf e Kaká; Gilardino (Inzaghi) e Pato), só nos extremos – o gol e o ataque – é que há necessidade urgente de reforços. Já no banco de reservas, uma longa lista de dispensas seria conveniente (Cafu, Serginho, Gourcuff, Favalli, Fiori, Ba e um entre Simic e Bonera).
Aí que jaz o problema que trouxe o Milan abaixo na LC – a necessidade de rodízio. No elenco como um todo, vários adversários europeus como Manchester United, Real Madrid, Barcelona, e alguns domésticos, como Inter e até mesmo a Roma, têm reservas mais próximos da qualidade dos titulares. Sob esta ótica, sim, se deve falar em necessidade de uma ‘revolução’ no Milan.
Só que a navalha não deve cortar tão fundo. O ambiente em Milanello leva muito em conta os vínculos pessoais e sob este aspecto, é difícil imaginar uma demissão em massa acontecer. Renovações de contrato recentes, como (e principalmente) a de Kaká, até 2013, sugerem que o grupo sabe o que vai acontecer e está todo de acordo.
As contratações no Milan dividem-se entre as ‘urgentes’, as ‘necessárias’ e as ‘convenientes’, seguindo uma ordem de gradação. Na primeira categoria, sem dúvida, estão as de um goleiro e um centroavante. Dida não perdeu a posição por preconceito ou perseguição, como eventualmente se vê a mídia brasileira sugerir, mas porque não tem uma boa performance há tempos. Apesar da fase regular, Kalac dá, no máximo, um bom reserva. Na frente, Gilardino não dá conta do recado e Inzaghi, 34 anos, é ótimo para atuar em 30 jogos no ano, mas insuficiente para uma temporada, especialmente com Pato ainda amadurecendo.
Entre as ‘necessárias’, o Milan faria bem em investir em um zagueiro central jovem, além de alternativas (também jovens) para as laterais da defesa. A retaguarda milanista, mesmo com alta média de idade (quase 34 anos) é a segunda melhor da Série A e se mantiver a média de 0,7 gols sofridos por jogo, está ótimo. Só que é prudente pensar no futuro e um dia Nesta e até Maldini vão parar de jogar.
Na categoria ‘convenientes’, o clube poderia dar a Carlo Ancelotti mais uma alternativa de jogo pelas alas (fala-se insistentemente em Zambrotta, do Barcelona) e tentar encontrar alguém para cobrir o papel de Pirlo, mesmo que isso significasse maturar um jogador novo. O esquema do Milan é ‘Pirlo-dependente’ e quando o bresciano não atua, o time se ressente. Alternativas possíveis? Uma improvisação de Seedorf na posição ou a escalação de Kakha Kaladze ali – na verdade, sua posição de origem no Dínamo Kiev e Dínamo Tbilisi.
O internauta pode se perguntar: “ah, mas o Milan já não precisava disso tudo no ano passado?”. É, precisava. Mas em favor da diretoria de Via Turati, pode-se argumentar que Dida não estava tão mal, que Ronaldo dava sinais de uma recuperação definitiva e mesmo Gilardino tinha marcado seus golzinhos (16, na última temporada). Daí fica a dúvida sobre qual será a atitude no mercado. Se não agir como um clube grande, o próximo será ainda pior, com o time um ano mais velho, com a Juventus mais poderosa e com Inter e Roma mais reforçadas.
Risco Parma, Cagliari condenado
A demissão do sétimo treinador na Série A (Domenico Di Carlo, do Parma) dá uma dimensão de quão caótico é o ambiente do atual torneio. Cagliari, Empoli, Livorno, Palermo, Reggina e Siena também já alteraram o comando (alguns, mais de uma vez) e arriscaram-se a virar estatística. Com tudo, com tanta gente chutando o balde, demitir o técnico deixou de ser quesito pró-rebaixamento.
Di Carlo pagou um preço pelo qual tem uma parcela de responsabilidade. Embora tenha a base muito jovem, o time tem um elenco para estar numa posição melhor do que a atual. Com Cristiano Lucarelli no ataque e alguns dos mais promissores jovens italianos da Série A (Dessena, Cigarini, Paci, Moretti, Mariga), os resultados do Parma ainda são perigosamente inconstantes.
Os favoritos para assumir o cargo, Nevio Scala e Alberto Zaccheroni, têm cancha suficiente para reverter o quadro. Scala conduziu o Parma em uma das melhores fases de sua história (dirigiu o time na Liga dos Campeões) e Zaccheroni, entre altos e baixos, fez uma Udinese formidável em 1998.
Quem parece mesmo fadado a passar um ano sabático na Série B é o Cagliari. Depois de todas as presepadas de seu proprietário, Massimo Cellino, o time é uma âncora e a última colocação lhe pertence desde a 13a rodada, consecutivamente. De lá para cá, somente duas vitórias em 15 jogos.
Seis clubes, três vagas
Uma derrota do Pisa e empates de Lecce Bologna e Chievo mergulharam a Série B numa corrida emocionante novamente, favorecendo o Brescia (numa reação considerável) e o líder improvável Albinoleffe. Cinco pontos separam o sexto colcado Pisa do líder de Bérgamo.
E são exatamente esses dois times – Pisa e Albinoleffe – que se enfrentam na partida mais interessante da próxima rodada. Na Arena Garibaldi, de Pisa, o clube que despontou como sensação do campeonato ateará fogo na disputa caso vença o ‘Leffe’, que nesse caso poderá ser ultrapassado por Bologna e Chievo (que recebem Piacenza e Ascoli). O Lecce visita o Spezia (que derrubou o Verona na última temporada) e o Brescia viaja a Mantova, um perigoso adversário, que está na ponta do ‘segundo bloco’ da tabela.
Curtas
– O clube de Appiano Gentile completou um século numa das melhores fases de sua história. E as comemorações foram merecidas.
– Leia o ‘Conheça o Clube’ feito por Dassler Marques, sobre um dos maiores clubes do mundo.
– Júlio César (Inter); Loria (Siena), Grygera (Juventus), Maldini (Milan) e Radu (Lazio); Ambrosini (Milan), De Rossi (Roma) e Camoranesi (Juventus); Kaká (Milan); Totti (Roma) e Pandev (Lazio).

Zalayeta-Gol, a Roma respira

Quem diria? O eterno coadjuvante Zalayeta, juventino por toda uma vida, inesperadamente, reabriu as contas de um campeonato que já parecida com o caixão pregado a favor da Inter. E por uma pequena circunstância – o gol de Javier Zanetti no confronto direto entre Inter e Roma – esta segunda-feira não amanheceu com ares de terror para um time ‘imbatível’ até duas semanas atrás.

Mais do que uma boa partida do Napoli (onde um meio-campo onipotente destruiu as parcas ambições interistas), o que parece seguro afirmar é a existência de uma crise em Appiano Gentile. Antes que o internauta um pouco mais ‘nerazzurro’ possa dizer “Ih, olha lá o corneteiro”, que fique claro: não se trata de uma crise de resultados nem uma crise (ainda) interna, e sim uma crise de jogo.

Exceção feita a alguns trechos de partidas contra adversários mais frágeis e o período do jogo contra a Roma no qual os ‘giallorossi’ estavam com um homem a menos (Mexès tinha sido expulso), a Inter não mostra um jogo fluido durante toda uma partida há tempos. É preciso voltar a 09/12 (Inter 4 x 0 Torino) para se encontrar um jogo no qual a bicampeã italiana justificou o seu pedigree.

Não se pode contudo, falar em crise de resultados para um time que não perdia na Série A há 26 jogos. Em 2008, foram cinco vitórias, três empates e a derrota para ao Napoli. Os seis pontos de vantagem são uma folga considerável – mais ainda se a Inter for eliminada da Liga dos Campeões (as casa de apostas dão preferência de 75% para o Liverpool passar o turno).

A questão psicológica, no entanto, é mais delicada para a Inter. Se, depois de uma derrota que quebrou um tabú de 26 jogos, o time for eliminado da Europa, é difícil saber como o grupo reagirá. A história recente da Inter sugere sempre um clube que entra em ebulição por qualquer razão. Nesta temporada, o objetivo principal do clube é a Liga dos Campeões e uma eliminação teria um peso sensível.

‘Ah, então quer dizer que a Roma vai alcançar a Inter?’. Essa é uma outra questão, porque alem da Inter ter um elenco muito mais extenso e versátil do que a Roma, também o time de Trigoria tem o desafio da Liga dos Campeões. A permanência – ou não – dos ‘giallorossi’ na LC será fundamental para saber quanto o técnico Luciano Spaletti vai medir esforços no campeonato. Se a Inter sair e a Roma não, a líder terá uma competição só para se dedicar, e o inverso também é verdade.

O que não há como negar é que a Inter sofreu dois golpes importantes e a partida contra o Liverpool em San Siro ganhou uma importância extra. Toda a segurança que a Inter tinha até duas semanas atrás pode ir por água abaixo e mesmo o tricampeonato pode acabar sem ter o valor merecido. E se o tri não viesse, então, aí sim, Appiano Gentile pode vir abaixo como os castelos de areia.

Ulivieri demitido; Reggina ‘nei guai’

No momento em que a Reggina decidiu demitir o treinador Massimo Ficcadenti, na 10a rodada da Série A, estava dando um grande passo rumo ao rebaixamento, uma vez que história da Série A mostra que os times que degolam técnicos aumentam suas chances de cair. E quando anunciou o seu substituto, Renzo Ulivieri, deu mais um.

Assim, a demissão de Ulivieri pode até ser a correção de um erro, mas aproxima a Reggina ainda mais de um rebaixamento. Agora, já são 26 rodadas passadas e até a demissão de Ulivieri conta negativamente. A indicação de Nevio Orlandi, olheiro do clube, para o lugar do técnico toscano, soa como um certo ‘conformismo’ do clube calabrês.

Para usar uma imagem cunhada aqui na redação pelo jornalista Ricardo Espina, a Reggina já escorregou na casca de banana, mas a imagem foi congelada antes do choque no chão. Parece que a queda é certa, mas ainda não rolou – pelo menos no papel.

Che Fiore!

O gol de Gobbi contra a Juventus deixou os torcedores da Fiorentina animados, mas a virada juventina no Comunale teve um suspiro de ‘eu já sabia’ por parte das duas torcidas. “Da Juventus, em Turim, não se ganha” (a última vitória da Fiorentina lá tinha sido há 20 anos). Não?

Jogando com uma determinação ‘juventina’, sem Adrian Mutu, com uma escalação nada empolgante no papel (Ujfalusi, Kroldrup, Gamberini, Gobbi na linha defensiva, por exemplo), a Fiorentina obteve um resultado espetacular vencendo a Juve por 3 a 2 e justificando a confiança de Cesare Prandelli, que disse no fim do jogo: “Esse é um time de futuro”.

Alguém pode argumentar que, exceção feita a Zebina, toda a defesa juventina teve algum tipo de blecaute no domingo. Só que os méritos ‘viola’ vão bem alem disso. Prandelli conseguiu jogar só com um volante (Donadel), um meia adaptado à lateral (Gobbi) e um trio de ataque bem ofensivo. O centroavante Pazzini esteve em péssimo dia, mas provavelmente, só ele. O resto da Fiorentina foi digno de aplausos.

E teve também Papa Waigo. A sua jogada no gol de empate mostrou um faro de gol que os jogadores tem ou não tem – não dá para aprender. O senegalês ex-Cesena se desmarcou de Molinaro e arrematou sem chances para um frustrado Buffon, que deu uma bronca imensa no seu lateral. O Guerin Sportivo já aclamou o atacante e cravou em manchete: ‘Viva il Papa!’, o novo herói de Florença.

Cassano, l’Animale, pela enésima vez…

Numa fase em que está jogando muita bola, mas uma vez – a milésima – Cassano se enfia numa confusão por causa de seu comportamento. Depois de uma falta erradamente marcada pelo árbitro Pierpaoli, Cassano reclamou selvagemente e recebeu um amarelo – o segundo – e foi expulso. Para não bater no juiz, Cassano teve de ser contido pelo meio-campista Barone, do Torino.

“Cassabo acaba de perder sua chance de jogar a Euro”, disse o técnico Eugenio Fascetti, o homem que o descobriu em Bari. “Ele precisa entender que certos comportamentos não são aceitáveis. Se eu fosse seu treinador, estaria furioso”, disse Fascetti. “Cassano não é um grande jogador. Ele precisa entender que mesmo com nossa ajuda, corre o risco de ter sua carreira condicionada por atos assim”, afirmou Beppe Marotta, diretor de futebol da Sampdoria e um dos maiores defensores do jogador em Genova.

É realmente uma pena ver um jogador com tamto talento chegar aos 26 anos sem ter conquistado nada. Ele podia ser o herdeiro de Totti na Roma e ter ajudado a Roma a ter um segundo jogador fora-de-série, mas ao invés disso, perdeu um ano e meio em Madri, ganhou o apelido de gordo e não tem a confiança de quase ninguém. Se a Samp quer mesmo recupera-lo, precisa manda-lo a um psicólogo com urgência. O comparativo com Edmundo se faz cada vez mais concreto.

Curtas

A renovação de Kaká com o Milan é bem sintomática de como está o humor do elenco.

Mesmo com o time na 5a colocação, o craque renovou até 2013, o que revela sem dúvidas uma certa confiança nos planos da direção para o futuro.

Do time titular do Milan, o único jogador com contrato a vencer antes de junho de 2010 é Paolo Maldini, que encerra a carreira em três meses.

A Lega Cálcio anunciou que trabalha com as hipóteses de novos horários de jogos para o Italiano seguindo o modelo inglês.

Ou seja: partidas nas noites de segunda-feira e ao meio-dia de domingo.

Dados os problemas defensivos no setor esquerdo da Juventus, começa-se a pensar em alternativas para a temporada que vem.

Além de mais um central (Legrottaglie e Grygera estão ameaçados), é quase certa a chegada de um lateral: Pasqual (Fiorentina) e Taiwo (Olympique-FRA) estão cotados.

Esta é a seleção Trivela da 27ª rodada:

Kalac (Milan); P. Cannavaro (Napoli), Portanova (Siena), Canini (Cagliari); Santacroce (Napoli), Hamsik (Napoli), Aquilani (Roma), Dossena (Udinese); Lavezzi (Napoli), Diamanti (Livorno) e Papa Waigo (Fiorentina)

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