Mês: janeiro 2008

Juve-mercado

É janeiro. No futebol, significa: época das compras, ou uma espécie de Natal atrasado, especialmente para os torcedores daqueles times que ficaram com o departamento médico superpovoado ou onde os craques ficaram devendo e o time despencou na tabela.

Ler mais

Passo maior que a perna

Napoli e Genoa esquecem que voltaram da segunda divisão e tiram o sossego de seus treinadores

Se houvesse um “Manual para Times Recém-Promovidos”, no capítulo “Objetivos da primeira temporada na divisão máxima”, leríamos o seguinte: “Jamais um clube recém-promovido deverá almejar as primeiras colocações da tabela na sua primeira temporada, sob a penalidade de estremecer o ambiente no elenco, acabar demitindo o técnico e até mesmo correr risco de rebaixamento. Esta regra só não vale para clubes gigantes como Juventus e Milan”.

Essa regra é meio universal. A menos que seja um clube incrivelmente rico e que possa refazer o elenco de uma temporada para a outra, a troca de divisão representa uma impossibilidade de lutar por posições na ponta. O desnível entre as divisões normalmente é muito alto e a troca de quatro ou cinco atletas – por melhores que eles sejam – não é o bastante para fazer com que um time da Série B se equipare aos melhores da Série A.

Dois clubes italianos, Genoa e Napoli, estão ignorando esse capítulo do “Manual”. O primeiro não faz carnaval, mas em mais de uma ocasião, após uma derrota, o presidente do clube, Enrico Preziosi, deu entrevistas criticando seu técnico, Gian Paolo Gasperini. No dia seguinte, Preziosi se recompunha e prestigiava-o. Até renovou seu contrato, mas basta um mau resultado para começarem os resmungos.

Mas o Napoli parece estar cada vez mais arredio. Ainda que numa honrosas 10ª colocação, o clube partenopeu e seus dirigentes (em especial o presidente Aurelio De Laurentiis) ameaçam o técnico Edy Reja depois de maus resultados. No último fim de semana, o ‘mau resultado’ foi um empate em casa com a Lazio, clube que estava na Liga dos Campeões até semanas atrás.

Ainda no domingo, rumores de que Reja teria sido demitido começaram a circular. Os mesmos rumores tinham circulado durante a semana. Na segunda, De Laurentiis os demsentiu e reafirmou sua “confiança e amizade” a Edy Reja. Mas, convenhamos, não é muito reconfortante.

Reja não é um Rinus Michels. Longe disso. Seu Napoli joga bem mas tem problemas defensivos sérios, especialmente contra times que jogam com atacantes rápidos e capazes de encostar nas laterais. O 3-5-2 do treinador proporciona futebol bonito, mas nem sempre se acautela adequadamente.

Daí a exigir dele algo muito além de um 10º lugar é uma completa bobagem. Exceção ao excelente Hamsik, contratado junto ao Brescia, as maiores contratações do Napoli foram Lavezzi e Zalayeta – não por acaso no setor do time que menos precisa de reforços.

Tanto Napoli quanto Genoa ainda perdem partidas pela ingenuidade de seus elencos (que carecem de nomes de maior expressão e experiência). Contudo, os dois times conseguem eventualmente apresentar um futebol espetacular e ainda assim, não dão mostras de que estarão perto da zona do rebaixamento no final do torneio. Sinceramente: dá para exigir algo além disso de um recém-promovido? Se o torcedor acha que porque o time já foi campeão, não precisa seguir o ‘Manual’, deve tomar cuidado. Ou então pode ter de comprar outro título da mesma coleção: “Como evitar a Depressão Após o Rebaixamento”.

Pau que nasce torto

Não é mais novidade. Semana sim, semana não, a Itália volta às manchetes com algum tipo de problema ligado às torcidas organizadas. Nem a morte de um policial nem a suspensão de uma rodada inteira foram suficientes para que o país desse um jeito na questão. E na 19a rodada, a toada foi a mesma.

Marginais, travestidos de torcedores, vindos de Catania encontraram-se com criminosos vestindo camisas da Roma antes do jogo entre as duas equipes no último domingo, nas imediações do estádio Olímpico de Roma. O saldo, como sempre foi de alguns feridos. Um deles, em estado grave, foi para a UTI de um hospital romano.

O leitor há de se perguntar o que foi que aconteceu com as proibições do Observatório Nacional das Manifestações Esportivas, que vetava às torcidas visitantes de ir aos jogos. Na verdade, este colunista também se perguntou a mesma coisa, embora já intuísse a resposta. O rigor inicial passou e a Casa de Mãe Joana voltou a vigorar.

Nesta semana, o Observatório fará uma reunião para discutir o comportamento dos torcedores de Roma, Napoli, Atalanta, Verona, Inter, Juventus, Lazio, Salernitana e Juve Stabia. Só que desde já, é possível dizer que não é bom se esperar muita coisa. Uma ou outra declaração, algum dirigente fazendo declarações com cara de bravo. Depois, volta a mesma zona. Quando os públicos começarem a declinar, que ninguém estranhe.

Muito líder, sem esforço

No final de semana, a Internazionale bateu o Parma e manteve sete pontos de vantagem para a Roma. Mas não merecia vencer. O Parma foi mais incisivo, procurou mais o jogo e vencia a partida até o árbitro marcar um pênalti de Fernando Couto (que custou a sua expulsão), o que desequilibrou de vez o jogo.

O ponto a ser notado é que a Inter ganha mesmo quando joga mal. E quando joga mal, dá a sensação de que não decide a partida porque não quer, tal é a superioridade – especialmente individual – de sua equipe. Um cinismo que Juventus e Milan cansaram de ter nas últimas décadas. O campeonato ainda está aberto, mas nenhuma análise que não leve em conta alguma grande mudança de rota pode mostrar o troféu indo parar em outro lugar além de Via Durini.

Pela primeira vez em muitos anos, a Inter tem um time sólido, a ponto de mesmo com entradas de jogadores como “Zé Costela” Materazzi não façam a casa vir abaixo. Os três volantes no meio-campo (contra o Parma eram Maniche, Cambiasso e Javier Zanetti) proporcionam tanto equilíbrio que os jogos interistas são uma questão de tempo até o golpe final – mesmo que a Inter quase nunca tenha um futebol empolgante.

Roma, Milan e Juventus, os únicos três teoricamente capazes de uma reação (ou pela tabela ou pelo elenco), não seguem o passo. A Roma empolga, mas às vezes patina. A Juventus paga o preço de um elenco em contrução (embora faça algumas seqüências interessantes de jogos). O Milan? Bem, o Milan parece já ter admitido que se contentará com o quarto lugar na Série A e que o verdadeiro objetivo é mesmo a Liga dos Campeões.

Depois de 200 partidas no comando da Inter, o técnico Roberto Mancini pode reclamar parte do mérito do sucesso de seu time. Mancini tem mexido na escalação do time frequentemente sem perder, gerencia um elenco milionário e resiste ao caldeirão que é o clube. Não é pouco. Para o ‘scudetto’ da Inter, no entanto, calar os críticos, o time precisa convencer mais no seu jogo. Até agora, os resultados empolgam mais do que o jogo.

Curtas

Já se decidiu que a partida da Copa Itália, entre Sampdoria e Roma, não poderá ter torcedores da Roma, visitante.

Seleção Trivela da 19a rodada:

Amelia (Livorno); Bonera (Milan), Zapata (Udinese), Galante (Livorno) e Pasquale (Livorno); Hamsik (Napoli), De Rossi (Roma), Locatelli (Siena), e Giuly (Roma); Brienza (Reggina); Gilardino (Milan)

Pataquê patacolá

Não há uma lembrança de tanta expectativa para a estréia de um jogador de 18 anos, com pouco mais de 50 partidas nas costas do que a que foi despejada em cima de Alexandre Pato. Técnico, companheiros, diretores, todos no Milan só fizeram aumentar a cobrança da torcida. Um desastre se anunciava. Conseguiria Pato fazer o que se esperava dele ou iniciaria-se uma “fritura” de talentos?

Ler mais

Análise do Campeonato – Parte II

Napoli

Destaque: Marek Hamsik (Napoli-ESL)
Ponto forte: rendimento em casa
Precisa melhorar: rendimento ofensivo
Tendência: Copa Uefa

Ler mais

Análise do Campeonato – Parte I

Atalanta
Destaque: Adriano (ala-BRA)
Ponto forte: Disposição tática
Precisa melhorar: aproveitamento fora de casa
Tendência: Zona Uefa

Os bons prognósticos do início da temporada vão se confirmando, mesmo com as atitudes selvagens de parte da torcida. O técnico Del Neri fez um 4-4-1-1 tão ofensivo que, quando Doni não joga, o time se arma num 4-3-3. O brasileiro Adriano é o melhor externo do campeonato e está se fixando cada vez mais como atacante. Apesar do meio-campo sólido (destaque para Tissone, marcador incansável), fora de casa a Atalanta ainda bobeia demais.

Cagliari
Destaque: Foggia (meio-campista)
Ponto forte: nenhum
Precisa melhorar: tudo
Tendência: rebaixamento.

Tudo está errado no clube da Sardenha. A direção de Massimo Cellino é tão devastadora quanto poderia ser. O elenco está rachado, dois técnicos foram demitidos e chamados de volta (um deles, Marco Giampaolo se recusou a voltar), não há nenhum jogador se destacando e não parece haver dinheiro em caixa para uma revolução. Com um técnico demitido ainda no comando do time, o Cagliari terá de se livrar da lanterna. Difícil.

Catania
Destaque: Martinez (atacante-URU)
Ponto forte: meio-campo
Precisa melhorar: rendimento fora de casa
Tendência: permanência na Série A

Para todo mundo que apostava num “agora vai” para o rebaixamento do Catania, mais uma vez, uma surpresa. Confortavelmente no meio da tabela, o técnico Silvio Baldini fez feio ao dar um chute na bunda do técnico do Parma, mas montou um time certinho. Os três volantes no meio-campo realmente fecham a defesa e nessas, o time vai se safando de um rebaixamento antes dado como certo. O uruguaio Martinez já chama a atenção de clubes maiores.

Empoli
Destaque: Raggi (defensor)
Ponto forte: quantidade de jovens com potencial
Precisa melhorar: defesa
Tendência: rebaixamento ou permanência suada

Com a vaga na Copa Uefa, o Empoli deixou-se levar pelo entusiasmo e não pôs na conta o sacrifício que uma competição européia traz ao clube. Mesmo com vários bons jovens, o Empoli neste ano é muito irregular. A chegada do técnico Alberto Malesani parece ter dado fôlego ao time e nomes como Raggi, Marzoratti, Buscé e Giovinco ainda podem render mais. É do crescimento dessas promessas que depende a temporada dos toscanos.

Fiorentina
Destaque: Adrián Mutu (atacante)
Ponto forte: ataque
Precisa melhorar: Pazzini (atacante)
Tendência: vaga na Copa Uefa ou LC

A Fiorentina não mostrou ainda o que se espera de um time com tanto talento. A vaga na Liga dos Campeões ainda está ao alcance dos toscanos, mas só virá se a defesa parar de tomar tantos gols e se rivais pela vaga (como Milan e Lazio) não melhorarem. A morte da mulher do técnico Prandelli afetou de verdade o elenco, muito ligado a ele. O romeno Mutu está em grande fase, mas além da defesa, os ‘viola’ precisam que o centroavante Pazzini venha a ser o matador que todos esperam.

Genoa
Destaque: Borriello (atacante)
Ponto forte: entrosamento
Precisa melhorar: ataque
Tendência: permanência na Série A

O primeiro ano após voltar da Série B é sempre duro e talvez o Genoa achasse que fosse ter mais facilidade. Leon e Borriello estão jogando muito bem, mas a média de gols do ataque é de menos de um tento por partida – mesmo jogando num 3-4-3. O time tem dificuldade de manter a posse de bola e sofre muito jogadas pelas laterais. Di Vaio ainda está devendo, assim como Lucho Figueroa.

Juventus
Destaque: Trezeguet (atacante)
Ponto forte: ataque
Precisa melhorar: profundidade do elenco
Tendência: lutar pelo título

Sem Europa, a Juve tem a melhor temporada para poder se readaptar à Série A. O elenco juventino ainda está se refazendo e se percebe: com as lesões dos titulares Grygera e Jorge Andrade, o técnico Ranieri teve de rebolar para manter a defesa em pé. Por outro lado, o ataque é devastador. Trezeguet, Iaquinta e o capitão Del Piero se revezam mas nunca deixam as redes adversárias em branco.

Inter
Destaque: Ibrahimovic (atacante)
Ponto forte: Tudo
Precisa melhorar: nada
Tendência: vencer o título

Se a Internazionale for congelada hoje, chega em junho campeã. Todos os setores estão jogando muito bem, o banco de reservas é muito sólido e até meninos da divisão de base (como Balotelli e Pelé) estão entrando e dando conta do recado. Se Roberto Mancini ainda não conseguiu fazer um omelete sem ovos, pelo menos com os ovos ele está fazendo até mais de um.

Lazio
Destaque: Pandev (meio-campista)
Ponto forte: alternativas de ataque
Precisa melhorar: não tem goleiro
Tendência: Copa Uefa, se tiver sorte

A Liga dos Campeões matou o começo de temporada da Lazio. O talento do macedônio Pandev não foi o suficiente para dar conta da maratona de jogos, Rocchi não está com o faro do ano passado e o time não tem goleiro (Ballotta é um ex-jogador e Muslera enterrou o time no jogo contra o Milan). A Lazio tem de comprar um goleiro de nível para não acabar em desastre. Além disso, tem de fazer com que Rocchi, Mauri e Ledesma voltem ao seu melhor nível. Boa surpresa é o lateral De Silvestri, uma prata-da-casa.

Livorno
Destaque: Tavano (atacante)
Ponto forte: entrosamento do elenco
Precisa melhorar: marcar mais gols
Tendência: se escapar do rebaixamento, será no grito.

Depois de um começo de torneio tenebroso, o Livorno contratou um técnico capaz de mudar mesmo as coisas: Alberto Camolese. O time melhorou e o atacante Tavano passou a ser um perigo para os adversários. Só que o setor ainda tem muito o que melhorar, com Tristán, Rossini e Bogdani passando a mandar para as redes. É candidato ao rebaixamento, mas já mostrou que tem como se safar – se quiser.

Desenvolvido em WordPress & Tema por Anders Norén

Top