Verdade: não dá para acusar assim, com muita convicção, a seleção italiana de estar em uma situação desesperadora. Afinal, a Itália é a segunda colocada do seu grupo e tem até um confronto direto com a Escócia para poder decidir a vaga. Tudo estaria bem, não fosse um problema: o futebol ralo e escasso dos campeões mundiais.

Em Genova, a Itália cumpriu o seu papel no que tange o resultado. Fez um 2 a 0 seguro, jogou com um esquema supostamente ofensivo (três atacantes), manteve os georgianos longe de sua meta e ainda tiveram uma bola na trave mandada por Luca Toni.

Só que – como vem acontecendo – a Itália não convenceu. Em nenhum momento o selecionado ‘azzurro’ demonstrou poder matar o jogo, envolver o adversário ou verdadeiramente ditar o ritmo do jogo, como se espera que uma seleção que venceu a Copa há pouco mais de um ano faça.

Se Massimo Ambrosini mostrou-se mais uma vez uma peça confiável para a seleção, sobraram decepções. Quagliarella e Oddo estiveram fora da partida; o trio ofensivo não tinha nenhum entrosamento (jogava junto pela primeira vez nas Eliminatórias) e até o esquema tático estava meio esquecido: desde o jogo contra a Lituânia, há mais de um ano, a Itália não começava jogando com três avantes.

Por mais que se queira ser condescendente com Roberto Donadoni, é impossível negar a critica de que ele não tem um time. Não tem – nem time nem esquema. Mesmo as coisas que funcionam nos clubes (como a dupla Gattuso-Pirlo e os atacantes externos Di Michele e Quagliarella, por exemplo) rateiam quando estão de camisa azul.

Nessas, a Escócia vem empolgando e derrubando adversários (bateu a França duas vezes nestas Eliminatórias) e receberá a Itália no perigoso Hampden Park em novembro. Enquanto isso, a França tem de jogar com Lituânia e Ucrânia, ambas desclassificadas, confortavelmente assistindo Itália e Escócia se matarem.

“Então quer dizer que a Itália está com medo da Escócia?” Mais ou menos isso. Pode-se dizer que se uma seleção campeã mundial não consegue bater a Escócia, não merece mesmo ir ao Europeu. É verdade. E a sensação só ficou mais forte depois do futebol pálido de Genova. Marcello Lippi já não nega que possa voltar à seleção (se omite da resposta, o que já significa uma mudança). A batata de Donadoni está assando – e muito bem assada. Contra a África do Sul, na quarta-feira, a Itália escala um time reserva. Mas sinceramente é um jogo para o qual pouca gente dá algum valor.

Itália 2 x 0 Geórgia

Gols: Pirlo aos 44min e Grosso aos 39min do segundo tempo.

Itália (4-3-3): Buffon; Oddo, Barzagli, Panucci, Grosso; Gattuso, Pirlo, Ambrosini (Mauri); Quagliarella (Foggia), Toni, Di Natal. Tecnico: R. Donadoni.

GEÓRGIA (4-4-2): Lomaia; Khizanshvili, Shashashvili (Kenia), Asatiani, Salukvadze; Tskitishvili, Kirkvelia Menteshashvili, Kankava; Michedlidze (Siradze), Demetradze (Jakobia) (Makaridze, Kandelaki, Kvakhadze, Tatanashvili). Atécnico: K. Toppmoller

Um eterno mistério Ronaldo. Será

Brevemente, porque não há muito a se falar. Sim, Ronaldo passará mais uma semana no estaleiro. Isso significa algo muito incrível e enevoado, mais uma parte do esquema que roubou a Copa de 1998 do Brasil? Menos. Bem menos.

Ronaldo é, pela sua natureza física, um jogador-problema. Quando está em forma, não tem rivais e a treta é dos marcadores. Mas quando se contunde, sempre terá uma recuperação lenta e difícil, por causa das condições de suas articulações, que já passaram por uma lesão seríssima. Vale lembrar que todas as suas contusões musculares pós-1998 tiveram recuperação lenta e atribulada, mesmo quando eram muito leves.

Alem disso – e aí sim – bote-se na conta do papa um erro de diagnóstico do decantado MilanLab, que achava que ele tinha uma lesão e tinha outra. Ao invés de uma contraturinha boba, Ronaldo tinha uma distensão que gerou todo aquele diz-que-me-diz de dois meses atrás, quando ele veio ao Brasil se consultar com o medico da Seleção.

Aparentemente, não há mistério nenhum. Tanto não há que, no último verão, o Milan não saiu na captura de um atacante de peso. Como se acreditava que Ronaldo estaria em forma para pegar o Sevilla na Supercopa, já se dava a conta como fechada.

Su-Super Pisa

Depois de um ano dramático no Verona, rebaixado à terceira divisão, o técnico Giampiero Ventura esperava um ano menos sofrido. Talvez uma luta contra o rebaixamento, mas sem o desespero que passou no Bentegodi. Em Pisa, recém-promovido nos ‘playoffs’ da Série C, Ventura rezava por um ano sem agitação.

Mas depois de nove rodadas, o clube pisano encontra-se numa fabulosa situação: líder, com 21 pontos, arrebanhados em sete vitórias, cinco delas, fora de casa, onde o aproveitamento é de 100%.

No sucesso do Pisa, a dupla de ataque Kutuzov-Castillo é definitivamente o ponto-chave, com o veterano D’Anna comandando o meio-campo, mas de nome, o time pára aí. Não há nenhum jogador que possa ser chamado à baila como sendo de outro nível. Foi uma liderança momentânea, verdade (o Brescia joga sua partida da nona rodada só no dia 23), mas é brilhante. A torre está mais firme do que nunca.