Passa o tempo e cada vez há menos razões para se lembrar da atual temporada. Na semana passada, a dose de ‘alto astral’ veio do Ministério do Interior italiano, que revelou que, além do declínio dos públicos, teve um aumento da violência.

O principal problema enfrentado pela Digos, a divisão da segurança italiana responsável pelos estádios foi o aumento de partidas de risco. No campeonato passado, eram 211 os jogos que a polícia já previa encrencas de antemão. Nesta temporada, são 298.

Um fator que incrementou o número de confrontos de risco foi a presença do microscópico Catania. Mesmo com um time que está muito mais acostumado às divisões inferiores, o Catania tem uma torcida terrível, notória por depredar trens, fazer emboscadas para torcedores rivais e, é claro, fechar o pau dentro do estádio.

Além disso, também cresceu o número de prisões (prisão mesmo, com cadeia, processo e tudo, e não as prisões-fantoche que acontecem no Brasil, onde o torcedor vai preso por arruaça e é solto depois do final do jogo) e o número de denúncias. Até aqui, já são 1,4 mil torcedores que foram proibidos de acompanhar os seus times nos estádios por determinação judicial.

O dado positivo é que por causa de uma maior pressão da Digos e por um aumento de 4% no número de policiais em ação nos dias de jogos, diminuiu o número de feridos em 7%, embora os incidentes onde policiais saem feridos tenham aumentado mais de 40%.

Você não passa de uma…valorização!

A Gazzetta Dello Sport publicou na semana passada uma matéria muito interessante sobre jogadores que vocé jamais ouviu falar, mas certamente soube de suas transferências. Pelo menos quando seus times conseguiam aprovar suas contas para poder jogar a temporada seguinte.

Os dois clubes em questão são Inter e Milan que faziam a jogada entre si. Para poder fechar o balanço com tantos gastos, os dirigentes dos dois clubes inventaram a seguinte moda: pegavam um atleta das divisões de base e “inventavam” que ele valia um determinado valor. Depois, o transferiam para o outro clube, que o colocava no balanço dizendo que ele era um patrimônio que valia milhões de euros.

Os casos citados pela Gazzetta são de chorar. Os goleiros Marco Varaldi e Simone Brunelli pertenciam a Inter e Milan quando foram trocados. Apesar de continuarem com seus salários de 2 mil euros por mês, entraram para as contabilidades dos dois clubes como valendo mais de 3 milhões cada um. E eles não são os únicos. Pelo menos oito “ex-promessas” estão no limbo das chamadas “plusvalenze” (o termo em italiano para valorizações artificiais).

Varaldi hoje é reserva do Lecco, da quarta divisão e Brunelli foi forçado a parar de jogar por causa de uma contusão mal-resolvida no ombro. O seu caso é ainda mais dramático porque ele não consegue receber o seguro pelo fim de sua carreira, uma vez que a Inter não “admite” que ele não pode mais jogar, porque senão, seu balanço não fecha.

Brunelli e Varaldi foram ouvidos pela Justiça italiana que está investigando a falcatrua dos clubes milaneses. O primeiro alega que jamais assinou contrato nenhum para passar à Inter e que sua assinatura foi falsificada. Varaldi admite que assinou e que à nepoca, achou que a transferência pudesse ser legítima. “Agora, ninguém consegue me contratar porque o valor que o Milan pede é despropositado”, disse Varaldi à Gazzetta.

Como se a desgraça fosse pouca, Varaldi ainda conta que tem de ouvir xingamento dos torcedores, que os chamam de “plusvalenza”. “Eles sabem que eu não posso ser comprado nem vendido”, lamenta-se o goleiro, ex-companheiro de Marco Amelia, campeão mundial na Alemanha, nas seleções de base da Itália. Quando alguém perguntar por que razão Milan e Inter jamais revelam jogadores nos seus times de base, você já tem uma dica…

– O Milan fechou a contratação do defensor Massimo Oddo, da Lazio, por  €7,5 milhões mais o passe do ala Foggia, já emprestado ao clube de Roma.

– Quanto a Ronaldo, parece que seja só uma questão de tempo. O Real já disse (ainda que informalmente) que não o quer mais e ele não quer mais o Real.

– Além disso, disse que aceita o Milan e só o Milan – único clube da elite no qual surgiu uma possibilidade de transferência.

– Eis a seleção Trivela da 20a rodada:

– Dida (Milan); Portanova (Siena), Comotto (Torino), Materazzi (Inter) e Mesto (Reggina); Grella (Parma), Buscé (Empoli), Doni (Atalanta); Giuseppe Rossi (Parma), Adriano (Inter), Iaquinta (Udinese).