Não há quem ainda consiga ver o atual campeonato como ‘aberto’. Na prática, a diferença de nove pontos entre Roma e Inter ainda é possível de ser tirada, especialmente porque mais cedo ou mais tarde a líder vai começar a perder alguns pontos. A questão é a vantagem estrutural que a Inter tem em termos de elenco.

A queda de qualidade da atual edição do Italiano é crassa: média de gols ligeiramente menor (2,61 contra 2,56), mas a quantidade de empates sem gols diz muito: foram 19 em 190 partidas, mais de 35% a mais do que no campeonato anterior – um resultado diretamente ligado à saída da Juve e de vários craques da Série A e das punições severas que sofreram Milan, Fiorentina e Lazio.

Contudo, há luz no fim do túnel. Se este torneio está perdido em termos de emoção e seriamente prejudicado em termos de qualidade, tudo aponta para uma temporada cheia de pretendentes no próximo torneio. Milan, Roma, Palermo, Fiorentina e a provavelmente promovida Juventus têm planos ambiciosos para questionarem o provável título da Inter.

A Juventus dá como certa a promoção. Um fracasso seria um golpe duríssimo nas finanças do clube, significaria a demissão de Didier Deschamps e certamente a saída da maioria dos astros do time. Tal é a certeza que a Juve já pensa em suas contratações visando a primeira divisão. Salihamdzic, do Bayern de Munique, já acertou. Faty, da Roma e Grygera, do Ajax estão encaminhados.

Outro titã a se mover deve ser o Milan. Não dá para falar em nomes, mas é certo que a falta de ambição nas contratações deste ano foi decidida para tirar o clube do foco do escândalo de maio. Berlusconi decidiu que preferia o Milan ‘low-profile’ para não fomentar novas acusações e de certa maneira, não desafiar a Inter. Contudo, o clube se prepara para pelo menos uma contratação de peso por setor. Além disso, até o treinador pode sair – amigavelmente – dando espaço a um nome de relevo mundial, como José Mourinho ou Marcello Lippi.

Na Roma, o planejamento é a palavra chave. O clube acaba de assegurar o contrato do técnico Luciano Spaletti até 2011 e cada vez mais o clube da capital deve apostar em sua divisão de base – a melhor da Itália. Se pode perder Mancini, a Roma não deve fazer menos de três contratações importantes em um time já bastante azeitado. O objetivo primário no próximo torneio é a classificação direta para a Liga dos Campeões – ou seja título ou vice-campeonato.

Fiorentina e Palermo também devem dar trabalho. A Fiorentina faz um campeonato de recuperação e o treinador Prandelli vem sendo criticado pela sua falta de ousadia. Mas ele já admitiu abertamente que seu jogo mais truncado se dá pela necessidade de livrar o clube do rebaixamento, por ter saído com -15 pontos. Assim como o Milan, a Fiorentina não foi buscar grandes nomes porque quis se afastar dos holofotes. Mas dinheiro há. Assim como em Palermo, onde o único desafio é saber qual o nível de bobagem que o presidente do clube pretende fazer em sua vocação descontrolada para demitir treinadores.

Saindo da ponta, também precisamos levar em conta o fato de que clubes relevantes dão a impressão de estarem voltando à Série A. Napoli, Piacenza, Bologna, Juventus e Genoa estão na parte alta da tabela. Uma subida eventual de Genoa, Napoli e Juventus significaria o retorno de duas torcidas imensas e uma terceira – a do Genoa – que também tem o seu peso.

Além disso, é claro, tem uma Inter que terá se livrado de (pelo menos parte) da ansiedade por um ‘scudetto’ vencido no campo e um elenco estelar e com mais um ano de entrosamento – além de certamente algumas contratações milionárias para um ano em que os ‘nerazzurri’ completarão cem anos.

“Então esse campeonato acabou?”. Para o título, sim. Agora, vagas européias e rebaixamento é que estão em aberto. “Mas a Inter não é a melhor?”. Sim, indiscutivelmente; a melhor em um campeonato sem a Juventus e com Milan e Fiorentina baqueados. “E o ano que vem será melhor?”. Tudo indica que sim. Até porque uma edição pior do que o atual certame é bem difícil.

Profundezas

Enquanto a Inter nada de costas na Série A, as divisões inferiores do futebol italiano vêm tendo campeonatos bem disputados e movimentados, com aumentos de afluência de público

Na Série B, apesar da diferença técnica que a Juventus impõe ao torneio, quem lidera até a 19ª rodada é o não menos popular Napoli. O time campano faz uma temporada muito boa em termos de pontos, baseados em uma defesa de aço (somente 11 gols sofridos em 19 jogos).

No ataque, contudo, o Napoli vai mal (somente 20 gols, pior do que todos os candidatos ao título) e tem uma Juventus feroz no seu encalço (somente três pontos atrás), e entre os dois, outros quatro clubes: Piacenza, Rimini, Mantova e Bologna. Ou seja: boas chances de times tradicionais voltarem à Série A.

Na Série C1-A, quem vem voltando das profundezas é o Venezia, que foi falido por Maurizio Zamparini (hoje dono do Palermo), tendo derrocado às divisões inferiores.Sassuolo, Pisa e Lucchese seguem todos numa distância de quatro pontos dos venezianos. Na Série C1-B, mesmo penalizado, o Avellino ponteia com Ravenna e Foggia no seu vácuo. Dado curioso é a presença do Martina na zona do rebaixamento. Quando a Fiorentina foi guindada da C1 para a Série B, numa virada de mesa vergonhosa, roubou o lugar exatamente do pequeno time do Martina. E um andar abaixo Os líderes dos três grupos da C2 são Nuorese, Rovigo e Sorrento.

Suazo

Para começar esse texto com um clichê desgastado, ‘poucos jogadores são tão injustiçados como’ o atacante do Cagliari David Suazo. Com 80 gols em sete temporadas na divisão mais difícil do mundo, o hondurenho tem seu nome mencionado aqui e ali, mas raramente é equiparado aos colegas mais ricos. Mas deveria.

Suazo basicamente carrega o Cagliari nas costas nas últimas cinco temporadas. Não que o time do Cagliari não tenha o seu valor, mas é o atacante que faz a balança pesar a favor dos sardos quando a coisa fica feia. No começo da temporada, Suazo estava cotado para ir ao Milan, que optou por Ricardo Oliveira – mais caso e até agora, infinitamente menos eficiente.

A desculpa dada por Carlo Ancelotti é razoável. Segundo ele, Suazo é um jogador que precisa de contra-ataque para poder dar o seu melhor e o Milan não joga assim. Contudo, ao invés de ter de depender de Oliveira e Borriello, o Milan poderia hoje ter uma opção de jogo diferente para Gilardino e Inzaghi.

O que é notável no hondurenho é que apesar de ele não ser pequeno (1m82), ele tem um porte físico que lhe dá possibilidade de se bater com os marcadores além de uma velocidade incrível, que lhe capacita a quase sempre ganhar do rival na corrida.

É verdade que Suazo precisa de um jogador que lhe sirva em profundidade, mas certamente qualquer time italiano de ponta tem essa figura: Kaká (Milan), Totti (Roma), Stankovic (Inter) ou Mutu (Fiorentina). Se fosse italiano ou inglês, Suazo custaria US$ 20 milhões. Mas não é. Seu passe vale menos da metade.

– Tudo, mas tudo mesmo indica um acordo que levaria Ronaldo ao Milan.

– O jogador já se acertou com o clube italiano e agora está pressionando o Real Madrid, que já o descartou a pedido de Fabio Capello.

– Uma eventual saída de José Mourinho do Chelsea em junho poderia afetar diretamente os clubes italianos.

– Na dança da troca de treinadores seriam envolvidos Marcello Lippi, Carlo Ancelotti, e Rafa Benítez.

– Emerson poderia fazer uma espetacular volta à Juventus em junho.

– Amelia, do Livorno, deve deixar o clube. Seu novo clube está diretamente ligado à permanência ou não de Buffon na Juventus.

– A Reggina vendeu o bom Leon ao Genoa, por € 3 milhões.

– E esta é a seleção Trivela da 19ª rodada:

– Frey (Fiorentina); Maicon (Inter), Parisi (messina), Raggi (Empoli) e Jankulovski (Milan); Seedorf (Milan), Donati (Atalanta), Cozza (Siena), Doni (Atalanta); Suazo (Cagliari) e Ibrahimovic (Inter).