A Itália não está fazendo muita força para melhorar a sua imagem depois que o escândalo do ‘calcio’ refez todos os maus preconceitos sobre o país. Antes mesmo de sair o relatório da Federcalcio (a federação italiana) sobre o assunto, já veio um parlamentar com uma solução que tem mesmo cara de politico: vamos anistiar todo mundo.

O nome do excelentíssimo é Maurizio Paniz, que é, coincidentemente, juventino e do partido de Silvio Berlusconi, a Forza Italia. Para Paniz, se a Itália vencer a Copa do Mundo, poderia se considerar uma anistia geral, que passaria a velha borracha em cima da lama toda e ninguém seria enquadrado. A proposta é cômica de tão obscena. A idéia espertalhenta do parlamentar dá uma idéia de como o ‘Calciocaos’ é extensor e como deve ferrar muita gente.

Felizmente, até a reação do mundo politico não foi favorável. Mesmo outros partidos de direita repudiaram a possibilidade. Um senador juventino, Piergiorgio Stiffoni, rejeitou a idéia e pediu uma punição draconiana. “Ao contrário do colega Paniz, caso se evidenciem as irregularidades, quero uma punição severa para meu clube do coração”.

Aparentemente, ninguém deve dar muita bola para a anomalia sugerida por Paniz, que é típica de países com aristocracia e sem tradição democrática – o que não é necessariamente o caso da Itália. A pizza está no forno e tem gente interessada. Seria a vergonha final para o país.

Del Piero contestado em mais uma Copa

Na Copa de 2006, quando Marcello Lippi decidiu escalar três atacantes em Florença, no amistoso contra a Alemanha, o juventino Del Piero comemorou. Afinal, com Totti machucado e com Toni e Gilardino intocáveis, essa seria a sua única chance de jogar esta Copa como titular.

Mas para seu desespero, pouco antes do jogo contra Gana, Totti sentiu-se firme e Lippi mandou-o a campo. Del Piero reclamou publicamente e disse – com razão – que ele estava 100% fisicamente (uma alusão a um Totti a meio-pau) e que deveria ser o titular na estréia.

Na verdade, Del Piero só está repetindo a sua triste sorte em Copas do Mundo. Em 1998, jogou como titular ao lado de Vieri, mast eve de aguentar a sombre de Roberto Baggio no banco, cujo nome era pedido pela torcida freneticamente. Quatro anos depois, perdeu a vaga para Totti no ataque com Vieri. E em 2006? Quase a mesma coisa.

Del Piero é o ídolo que todos adoram odiar na Itália. Embora seja capitão do maior clube do país desde a saída de Didier Deschamps em 1999, sempre que a Juve joga mal arruma-se uma pedra para malhar o atacante. O camisa 10 do time de Tudim precisa matar um leão por final de semana, e nem assim vira unanimidade.

O problema do atacante é que, mesmo ele sendo fundamental para a Juve – e sendo um ótimo jogador – ele é cobrado como se fosse um Zidane – coisa que ele não é. Del Piero é um ótimo segundo atacante para atuar com um goleador e tem grande presença no grupo, só que dele se exige o céu.

Também não ajuda o fato de ele jogar na Juventus, um time que tem de vencer todo ano (como Luciano Moggi tentava provar). O nível de crítica dos torcedores juventinos para com ele é altissimo e dos não-juventinos é estratosférico. E isso afeta seu desempenho.

A seleção italiana pode ter em Totti um titular mas, aceitemos os fatos, ele vem de uma contusão séria, enquanto Del Piero está em plena forma. Além do mais, em nenhuma partida com o 4-3-1-2 a Itália jogou bem como com três atacantes. E para finalizar, Del Piero fecha no meio-campo como um quarto homem quando não tem a bola, coisa que Totti não faz.

O dilema de Lippi é determinante para a sorte da Itália na Copa. Se insister em Totti, precisa que o romanista tenha performances de um nível que nunca teve com a ‘Azzurra’, puxando o meio-campo para cima do ataque e ajudando na marcação ao perder a bola.

Contudo, o que parece é que a menos que uma contusão definitive tire o romanista de combate, Del Piero deve continuar a ter uma vida desgraçada na seleção italiana, mesmo sendo o jogador mais confiável da Juventus.

Nesta semana – como na anterior – a coluna ‘Palonetto’ não sera atualizada.