Milan em Lecce e a Juve recebendo o Treviso. Ah, que moleza, não? Vai nessa. Deixando de lado que até uma partida com a Igea Virtus é dureza se for pela Série A, os dois titãs italianos escorregaram no final de semana já pensando em ouvir a musiquinha da Liga dos Campeões. E com Henry e Juninho na cabeça de piemonteses e lombardos, a torcida da Puglia e do Veneto – regiões onde ficam Lecce e reviso – comemoraram. E seria este um sinal de fraqueza de Milan e Juventus? Não. Pelo menos não necessariamente.

A derrota para o Lecce no Via Del Mare não foi completamente surpreendente. O Lecce perdeu para Messina e Parma – mas jogando bem – e tinha vencido o Siena com autoridade antes de bater o Milan. O time misto do Milan tinha cinco jogadores que sofreram contusões recentes e ainda não tiveram uma seqüência definitiva de jogos (Cafu, Simic, Maldini, Ambrosini e Jankulovski).

Contudo, o resultado negativo no Italiano não abalou o Milan. Mais do que nunca, o time assumiu sua condição de “pretendente-ao-título-europeu-que-abriu-mão-do-nacional”. O risco é grande (se não der certo o elenco deve passar por uma reformulação). Mas até aí, a lembrança da temporada 2002-2003, quando o time também fatigava em casa e deslanchava na Europa, serve como alimento.

Em Turim, o ânimo é outro. A derrota para o Arsenal machucou o ego juventino. A resistência esquálida, as expulsões infantis e a estatística de zero chutes a gol no segundo tempo deram um murro na boca da ‘Velha Senhora’. A atmosfera no clube é um misto de amargor com sede de vingança – e receio. Sim, é a Juventus, capaz de reagir mesmo com jogos aparentemente perdidos. Só que a queda de produção das últimas semanas deixaram até os jogadores encucados em relação às reservas físicas do time.

Prognósticos: tanto a Juve quanto o Milan estão em busca de vingança. A Juve quer fazer o Arsenal pagar pela humilhação da semana passada; o Milan ainda quer exorcizar os fantasmas da derrota de Istambul. Marcello Lippi, técnico da seleção italiana, disse que acredita na classificação das três italianas para a semi-final. Torcida à parte, a tarefa juventina é a mais difícil. Mais do que nunca, a Juventus tem de ser Juventus.

Mazzone: cabeça a prêmio

“Estou envergonhado. Nunca tinha me acontecido de perder quatro partidas seguidas”. A frase foi dita pelo técnico Carlo Mazzone, na segunda-feira da semana passada. Depois de perder no último domingo mais uma vez – a quinta seguida – Mazzone alterou seu status psicológico de “envergonhado” para “mortificado”. E esta pode ser mesmo a sua situação no Renato Picchi.

O velho treinador assumiu a vaga no Livorno de uma maneira meio incômoda. Roberto Donadoni, o técnico anterior a Mazzone, fazia uma campanha excelente para todo mundo – exceto para o presidente do clube, Aldo Spinelli. Depois de uma entrevista em toma ameaçador dada por Spinelli, Donadoni pediu as contas. Mas o elenco estava – e ainda está – fechado com ele.

Spinelli pediu a Mazzone uam vaga na Copa Uefa. Mazzone disse que sim. Mas depois destas cinco derrotas, Spinelli vai ter de ficar contente se não chegar muito perto da zona de rebaixamento. A diferença é grande (16 pontos a mais que o antepenúltimo colocado, com seis rodadas para o final). Mas a vaga Uefa – que com Donadoni estava muito bem, obrigado – começa a virar uma miragem.

Depois da terceira derrota consecutiva (para a Juventus), Mazzone disse que o elenco estava fazendo corpo mole. Ali, provavelmente, ele selou seu destino. O capitão do time e mito ‘livornese’ Cristiano Lucarelli, disse que Mazzone estava errado e que os resultados tinham piorado por causa do modo do time jogar. De lá para cá, tudo piorou e o elenco já teria até tido uma conversa com o presidente Spinelli para assegurar que Mazzone seja demitido ao fim da temporada. Até o nome do substituto – Mario Berretta, atualmente no Parma – se terá definido.

Como besteira pouca é bobagem, ao ser criticado na ‘Domenica Sportiva’ (a mesa redonda mais tradicional da Itália, com quatro décadas de existência), Mazzone ligoiu e exigiu satisfação do jornalista Giorgio Tosatti. “Você me respeite. Conquistei minha carreira com 39 anos de trabalho duro e não como você que tem que agradecer seu pai”. A observação pegou muito mal. Tosatti é filho de Renato Tosatti, que morreu no desastre de Superga, em 1949, quando morreu o lendário time do Torino de Valentino Mazzola. Os dois bateram boca até Mazzone ser cortado do ar, mas o clima azedou para o treinador na imprensa.

Mazzone tocou num ponto delicado para muitos jornalistas. De fato, é comum que filhos de jornalistas sigam as carreiras de seus pais na Itália, favorecidos por uma cadeia de contatos. Mas falar do pai de Giorgio Tosatti – um jornalista que tem uma carreira bem além da linhagem famosa – pegou muito mal, especialmente pela ligação com o desastre de Superga, que na Itália é tratado com uma reverência quase religiosa.

Por hora, o Livorno deve manter Carlo Mazzone no cargo, salvo golpes de cena. A campanha já está comprometida e o clube toscano está a três pontos de se salvar matematicamente, com dezoito para serem disputados. Mas a carreira do treinador parece na beira do abismo. Depois de rebaixar o Bologna na temporada passada, Mazzone não precisava se envolver num incidente tão gratuito.

Poulsen bateu tanto que foi contratado

“Poulsen é um covarde. Quando o árbitro vira as costas, ele faz a sua partida particular”. A frase é de Carlo Ancelotti, técnico do Milan, logo depois do empate do seu time com o Schalke 04 – time de Poulsen – na Alemanha. O dinamarquês tinha passado o jogo todo dando pontapés em Kaká sem ser advertido. Daí a fúria de Ancelotti, que normalmente é muito comedido e educado.

E como o destino é mesmo engraçado, Ancelotti deve ser o técnico de Poulsen na próxima temporada. Como o contrato do volante está acabando, ele se tornou um dos mais cobiçados “free transfer” deste verão europeu. E segundo o “L’Equipe”, já teria assinado com o Milan por quatro temporadas.

O volante dinamarquês é da mesma escola do peculiar Stig Tofting, o “buldogue” que impôs o terror na Copa passada. Poulsen costuma bater muito mais do que o necessário. Entretanto, quando quer jogar bola, tem recursos. Além de ser forte, tem um excelente passe e grande visão de jogo.

A história de Poulsen com a Itália vai até a Euro 2004. Na partida entre Itália e Dinamarca, o jogador bateu e provocou tanto o meia Francesco Totti que acabou levando uma catarrada na cara. Como Totti não tinha as habilidades de escamoteio que tem Poulsen, foi expulso, fazendo com que o seu marcador virasse uma espécie de “inimigo número” do futebol italiano. Agora, parece que Totti e Poulsen se encontrarão pelo menos duas vezes por ano…

– Se a contratação de Poulsen se confirmar, o Milan estará repetindo uma operação feita quatro anos atrás, coincidentemente.

– Antes da Copa de 2006, o clube contratou o dinamarquês Jon Dahl Tomasson a custo zero, assim como Poulsen.

– Não é só a Inter que tem um goleador em crise.

– Milan e Juve também sofrem com seus artilheiros longe das redes.

– Gilardino e Ibrahimovic não estão em suas melhores fases e o sueco da Juventus está até brincando com fogo.

– Depois de ser substituído contra o Treviso, o atacante deixou o campo xingando Fabio Capello descaradamente.

– Ninguém fez isso com Don Fabio até hoje e saiu impune.

– Não vamos falar de Henry, Inter e etc, porque o leitor já deve estar coma paciência bem cozida.

– Mas Chivu parece mesmo que deixa a Roma no fim da temporada.

– O clube precisa de dinheiro e não quer vender Totti sob nenhuma hipótese.

– Esta é a seleção Trivela da 32ª rodada:

– De Sanctis; Cufré (Roma), Castellini (Sampdoria),e Materazzi (Inter); Foggia (Ascoli), Pandev (Lazio), Solari (Inter) e Semioli (Chievo); Konan (Lecce), Cristiano Lucarelli (Livorno) e Amoruso (Reggina)