Mês: fevereiro 2006

De um a onze

Ganhar duas partidas seguidas não é fácil. Na Série A, menos ainda. Mas esta Roma, uma Roma muito menos badalada do que a do ano de Batistuta, Emerson e do ‘scudetto’, conseguiu o sucesso em onze rodadas consecutivas. Um recorde absoluto em mais de um século de competição.

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Cinco anos de angústia

O internauta pode estranhar que na semana onde o jogador mais importante da Itália quebra a perna, a manchete é de um georgiano. Mas há um porquê. Na semana passada, o FBI concluiu as investigações sobre o seqüestro do irmão do defensor milanista Kakhaber Kaladze após confirmar que um corpo encontrado nove meses atrás numa vala comum em Tbilisi era o de Levan Kaladze.

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Record-breaker

A cobrança de falta de Alessandro Del Piero que originou o gol da vitória sobre a Inter – seu 190º com a camisa juventina – praticamente sacramentou o 29º título italiano do clube. A Inter agarrava-se desesperadamente à chance de trazer a Juve para seis pontos de distância, mas terminou a partida com o dobro disso.

Além da óbvia leitura relativa ao primeiro lugar, o gol de Del Piero também colocou mais um tijolo na construção de uma conquista que pode ser histórica. A Juve já assegurou o título de inverno com quantia recorde de pontos (52). O time de Fabio Capello pode vencer este campeonato também com uma cifra recorde.

Se mantiver o aproveitamento que tem até aqui (2,64 pontos por jogo ou 88% dos pontos conquistados), a Juventus chegará à 38ª rodada com três dígitos na tabela. Capello, que é o único treinador a ter vencido um ‘scudetto’ de forma invicta (1992, com o Milan), provavelmente terá escrito seu nome na história do torneio como o maior técnico de todos os tempos na Série A.

Perguntado sobre questões do tipo, Capello desconversa numa frágil tentativa de parecer humilde. O friulano alega que o importante é vencer o campeonato, que o trabalho do grupo é vital, etc, etc. Contudo, se houvesse um poço de vaidade, Fabio Capello estaria nele. E a perspectiva de entrar para a história certamente não o aborrece.

Seu histórico de conquistas claramente impressiona. Quantos técnicos podem dizer que foram campeões em três países diferentes e venceram títulos por todos os clubes que passaram – levando-se em conta de que os clubes em questão são Milan, Real Madrid, Roma e Juventus? Quando a Juve fez as pazes com Capello no começo da temporada passada e o levou para o Delle Alpi, poucos duvidavam que uma era estava começando.

A pergunta que fica no ar é: o que Capello pretende fazer no final desta temporada? As vozes na Itália que dão como certa a sua saída não são inconsistentes. Uma aventura na Inglaterra combina com o tipo de desafio que o treinador gosta, mas só terá lugar se for com o plano certo – leia-se dinheiro para montar um time imbatível.

A Espanha também pode estar nos planos de ‘Don Fabio’, cuja passagem pelo Real Madrid deixou saudades – mas também polêmica. O estilo cauteloso de Capello teve uma enxurrada de críticos em Madrid, e sua temporada no Bernabeu foi cheia de rusgas com a imprensa. Se voltasse ao clube, Capello exigiria dinheiro à vontade e carta branca para fazer o que quisesse – leia-se expurgar jogadores que pagam de gatinho.

E se a atual temporada acabar com um título da Liga dos Campeões? O técnico abandonaria Turim assim mesmo? Deixaria para trás um time montado e engrenado para arriscar seu currículo noutro país, onde certamente não é uma unanimidade?

A essa altura ainda é difícil responder. De qualquer maneira, mesmo que ainda não seja possível dimensionar o tamanho do lugar de Capello na história, já dá para dizer que o capítulo reservado a ele certamente será bem grande.

Milan, recorde de gols

Não fosse a fragilidade da retaguarda milanista nesta temporada, o clube de Milão poderia estar fazendo frente até mesmo à Juventus épica que Capello conduz ao bicampeonato. Nas últimas duas partidas, o time de Carlo Ancelotti jogou o melhor futebol da temporada até aqui. E como conseqüência, marcou nove vezes, sofrendo um gol. Assim, o Milan chegou aos 57 gols, fazendo uma média de 2,28 por partida, seis a mais do que a líder Juventus.

A prova de que a campanha milanista não é ruim no geral é o fato de que com 25 rodadas, o time tem o mesmo número de pontos que tinha depois de 25 rodadas no ano passado – 54. A diferença é que a Juventus conseguiu 12 pontos a mais, a Inter tem 11 a mais, a Roma 10 a mais e a Fiorentina inacreditáveis 24 pontos a mais.

Se Kaká teve suas partidas opacas, na semana passada as compensou. O futebol do brasileiro é um alento e desperta grandes esperanças no ano de Copa do Mundo. Quando joga o que sabe, Kaká não tem rivais. A forma hesitante do Milan nesta temporada certamente pesa sobre a sua forma individual, mas mesmo com o time vacilando, Kaká encontra espaço para fazer chover de vez em quando.

Elogios feitos ao ataque, as dúvidas ainda permanecem em relação à defesa. É certo que o clube contratará um ou dois nomes de peso para o setor para o próximo torneio, mas também cogita um volante que possa ajudar Gattuso numa partida mais física – se fala em Diarra do Lyon e em Plasil, do Monaco – caso Vogel não mantenha a forma que mostrou contra o Treviso.

Roma, recorde de vitórias

“O Milagre de Roma”. A série de nove sucessos consecutivos do time da capital já inspira poesias e crônicas dos literatos romanistas, que voltaram a ver em Francesco Totti um jogador descomunal. Mas o sucesso da Roma vai bem além do bom futebol de seu capitão.

Para começar, a Roma se livrou de uma dor de cabeça resolvendo a novela Cassano. O atacante do Real Madrid é um craque, mas em Roma, sua presença causava mal-estar para todos – ele incluso. O elenco ficou mais coeso, não há mais divisão e Luciano Spaletti não se sente mais obrigado a escalar ou não o jogador conforme a necessidade do clube.

Spaletti em si é outra chave para a consolidação romanista. O técnico fez o time compreender o que ele queria, e sem uma enfermaria lotada, conseguiu dar conjunto onde Chivu e De Rossi são a chave defensiva e Totti joga como atacante, sem a presença de um centroavante fixo como Montella.

Com o capitão avançado, Taddei e Mancini ganharam carta branca para jogar ofensivamente e aproveitam ao máximo as suas qualidades. Spaletti deu consistência à Roma porque povoou o meio-campo e o time mantém a bola. Quando ataca, praticamente passa a um 4-3-3 mas consegue se recompor rapidamente.

Todos erram; Cosmi paga

No começo desta temporada, a Udinese surgia como uma possível dor de cabeça para clubes maiores. Desclassificou o Sporting Lisboa na Liga dos Campeões e apresentava um elenco bastante capaz, apesar de não ter gasto nenhuma fortuna com reforços. A sua estréia na fase de grupo da competição européia – um sonoro 3 a 0 sobre o Panathinaikos – reforçou a sensação positiva.

Logo depois do jogo contra os gregos, a diretoria do clube fez a sua primeira presepada: afastou o atacante Iaquinta (autor dos três gols contra o Panathinaikos) porque o jogador não quis renovar seu contrato (que se encerra em 2007). Serse Cosmi, o treinador do time, ficou bastante irritado, mas se conformou.

O problema é que depois do incidente (sem Iaquinta a Udinese empatou uma e perdeu outra, antes do atacante der reintegrado), a Udinese jamais voltou a encontrar a sua forma. E ainda que a diretoria não tenha feito mais nenhuma presepada do gênero, a relação com o técnico foi se desintegrando. E no elenco, aqueles que não gostavam de Cosmi foram fazendo o velho ‘corpo mole’.

Pois bem: depois de perder para a Reggina em casa, finalmente o clube pos o prego no caixão do técnico e o demitiu. Contra a Lazio, o time já foi comandado pelo assistente técnico Loris Dominissini e pelo zagueiro Sensini, que pendurou as chuteiras para assumir um lugar no banco de reservas.

Jogadores de futebol naturalmente não vão admitir, mas a queda de Cosmi tem o cheiro acre da traição. Cosmi é um dos melhores treinadores da nova geração da Série A e certamente tem condições de atender às exigências de um clube como a Udinese. Como é impossível se demitir todo o elenco ou a diretoria, Cosmi pagou o pato. Agora, com sorte, a Udinese se arruma uma vaga na próxima Copa Uefa. No máximo.

– O Milan negocia com Giovanni Trapattoni para tê-lo no comando de suas divisões de base.

– Segundo o brasileiro Mancini, como seu atual técnico na Roma, Luciano Spaletti, se trabalha muito mais a parte tática do que com Fabio Capello.

– Bastou a derrota contra a líder Juventus para Massimo Moratti já colocar água na sopa da Inter.

– O dono do clube fez ironias dirigidas ao técnico Roberto Mancini sobre o fato de Recoba jogar pouco.

– A Juve acertou a compra de Marchionni, do Parma, para junho.

– A imprensa italiana mais sensacionalista noticiou que o Milan teria oferecido €20 milhões pelo brasileiro Cris, do Lyon, de acordo com publicações na França.

– Provavelmente seria a contratação mais bizarra da história.

– Luis Figo não mediu palavras depois da derrota da Inter para a Juventus.

– Sugerindo que a Juve é favorecida pela arbitragem, o português disse que é “vergonhoso” o que acontece na Itália e que todos deveriam “sair de férias”.

– Luciano Moggi, dirigente juventino, devolveu na mesma moeda, dizendo que Figo deveria “calar a boca”.

– Esta é a seleção Trivela da 25ª rodada:

– Amelia (Livorno); Mancini (Roma), Samuel (Inter), Barzagli (Palermo) e Balzaretti (Juventus); Paredes (Reggina), De Rossi (Roma) e Camoranesi (Juventus); Kaká (Milan); C. Lucarelli (Livorno) e Filippo Inzaghi (Milan).

Na marca do pênalti

À primeira vista, o leitor pode achar que esta coluna vai sugerir que um nome do Milan está na berlinda. Errado. No Milan, poucos são os que estão com a corda fora do pescoço. E sim, estão inclusas estrelas como Pirlo, Seedorf, Dida e Filippo Inzaghi.

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