Como era de se imaginar, uma semana em que morre um Papa de mais de 26 anos de pontificado não é normal na Itália. Mais do que isso: a Itália já parou na quinta-feira, quando a Igreja ainda anunciava que o Santo Padre estava vivo, mas agonizando, mas notícias circulavam dando conta que ele já estava morto. Não por coincidência, a rodada que deveria começar no sábado (quando o Papa ainda estava oficialmente vivo) foi cancelada por volta de 10 da manhã daquele dia.

Feito o parêntese, na Itália, tudo o que importa é o derby milanês. O campeonato, o resto da Liga dos Campeões, as eleições, tudo ficou em segundo plano diante de um jogo que é visto como uma chance de revanche pelos interistas. Os ingressos para a partida (cerca de 80 mil), acabaram em uma hora e meia. Todos os convites VIP foram suspensos e é certo que na primeira partida o estádio Giuseppe Meazza esteja entupido de gente.

No campo psicológico, a Inter é só agressão. O time de Appiano Gentile está com sede de vingança pela eliminação da LC, dois anos atrás, e todos os jogadores, comissão técnica e dirigentes só falam em vitória. Do lado milanista, o tom é mais sereno. Todo o elenco fala com calma do encontro. O fato do Milan ainda estar na luta pelo ‘scudetto’ e os títulos recentes deixam a Inter com a desconfortável obrigação de vencer.

O grande problema é que sob o ponto de vista técnico, quase todos os ângulos são favoráveis ao Milan. O time de Carlo Ancelotti recuperou Shevchenko, pode ter Inzaghi no banco, terá Kaká, Maldini e Stam descansados, além de ter um grupo que já joga junto e tem entrosamento.

Na Inter, Adriano é desfalque certo (como Recoba), Vieri é quase certo, e o ataque deve ser entregue a Julio Cruz e Martins, que não é uma alternativa que deixe o treinador Roberto Mancini muito animado. Tanto é que Mancini pensa num 4-5-1, para atrapalhar o meio-campo do Milan, infinitamente superior. E além disso, Mancini rompeu definitivamente com o volante Davids, depois de ter praticamente visto Emre dizer que deixa a Inter em junho.

O resultado do primeiro jogo (de mando do Milan) é fundamental na decisão da vaga. A Inter jogará com o time remendado, sem Adriano e num estádio com maioria milanista. Para piorar, a volta de Shevchenko significa um trio ofensivo com Kaká e Crespo que já fez 20 gols na Inter. Se ‘i nerazzurri’ segurarem um empate, preferencialmente com gols, sairão em vantagem, porque no segundo jogo, além de jogarem por um 0 a 0 (vale lembrar que há dois anos foi o saldo de gols marcados fora que decidiu a vaga), terão quase que certos os retornos de Adriano e Vieri.

Cassano-Roma; delineado o divórcio

O agente do jogador Cassano apresentou o pedido do jogador para renovar seu contrato com a Roma, que acaba em julho de 2006. Cassano quer quatro anos de contrato, ganhando € 4 milhões no primeiro ano e tendo um aumento progressivo, de modo que receba € 5,5 milhões no último. Teoricamente, o início da negociação poderia indicar uma evolução nas relações entre clube e jogador, mas é exatamente o contrário.

O pedido de Cassano é inviável para a Roma, especialmente porque o jogador, além do lauto salário, também quer garantias de que a Roma terá uma equipe forte. A pedida do genioso atacante é similar à de Totti,com uma diferença: Totti é um símbolo da cidade e do clube, enquanto Cassano já tem inimigos aos borbotões em Roma, inclusive, alguns de seus companheiros, que já avisaram que irão embora caso o ‘genietto di Bari Vecchia’ permaneça em Trigoria.

Com a proposta na mão, a Roma abriu as portas para propostas de possíveis compradores, com uma pedida inicial de € 30 milhões, um tanto quanto alta para um jogador que só tem mais um ano de contrato. Porém, como a clientela interessada em Cassano é bem rica (Real Madrid, Milan, Juventus, Inter), a possibilidade de um leilão não é de toda descartada. E além disso, a Roma aceitaria de bom grado a entrada de jogadores na negociação, desde que esses não tenham pretensões salariais muito nababescas.

Quem sai na frente é a Juventus, por árias razões: Capello tem estima por Cassano, e a recíproca é verdadeira; dirigentes juventinos de vários escalões já teceram elogios a Cassano (desde o diretor-geral Luciano Moggi até o futuro presidente do clube e neto de Gianni Agnelli, Lapo Elkann), e a vantagem de não ter de sair da Itália. O Milan corre por fora; o Real Madrid só tem chance se fizer uma proposta absurdamente alta e a Inter…bem, a Inter se interessa por qualquer jogador….

A próxima temporada será um divisor de águas na vida de Cassano. O jogador terá de aprender que seu talento não é nada com o comportamento que tem. Ou ele muda de atitude ou vai virar mais um talento jogado aos leões. Se for à Juventus (ou mesmo ao Milan), dois clubes onde a disciplina é vigorosa, sua carreira pode finalmente decolar. Real e Inter são clubes que dificilmente dariam conta de domar a fera. E no momento, ele precisa de alguém que o dome, pelo seu próprio bem.

– Se fala muito no nome de Michael Essien, defensor versátil do Lyon, para a Juventus da próxima temporada

– Outros dois nomes que certamente devem mudar de clube para a próxima temporada são do Lecce

– O atacante Vucinic e o lateral Cassetti (a pronúncia é ‘casséti’)

– Ambos negociam com clubes de Milão

– O Real Madrid voltou a sondar Emerson, e o jogador afirmou que iria, “desde que a Juventus concordasse”