Mês: julho 2004

Suspense Inzaghi

Primeiro, foi a decepção por não jogar a maior parte do campeonato em que o Milan conquistou seu ‘scudetto’ de número 17; segundo, uma operação feita às pressas para tentar voltar a tempo de ir à Euro 2004; terceiro, a não convocação para a própria Euro. Mas é possível que Filippo Inzaghi ainda esteja longe de poder voltar a sorrir.

Inzaghi viajou nesta semana com uma comitiva médica do Milan para os Estados Unidos, depois de visitar uma clínica especializada em Amsterdam. Tudo envolto em muito mistério. E de toda essa neblina, os boatos começaram a sair em velocidade máxima. Fala-se desde uma parada de mais dois meses do centroavante, até outros, catastrofistas, que falam num problema similar ao que tirou Marco Van Basten do futebol.

O Milan nega em peso que seja algo gravíssimo. Mas de qualquer forma, é fato que Pippo Inzaghi tem uma lesão que não é simples. Não deve ser à toa que o Milan foi buscar Hernán Crespo. A hipótese mais plausível é a de que a pressa com que o processo foi conduzido, visando deixar Inzaghi bom para a Euro, teve relevância no problema mal-resolvido.

Não se sabe ao certo, mas parece que Pippo teve duas lesões ao mesmo tempo. Uma delas, ligamentar, foi resolvida com a cirurgia feita meses atrás; mas dois corpos móveis estariam atrapalhando o funcionamento do tornozelo do atacante. O problema é que o Milan não fala nada sobre o problema, e deixa espaço para as especulações.

Mesmo com boas opções no ataque, o técnico Carlo Ancelotti não quer nem pensar na hipótese de não ter Inzaghi novamente por toda a temporada. Pippo é um dos favoritos da torcida milanista e seu aproveitamento é espetacular, ainda que ele não seja um grande craque, tecnicamente falando. Enquanto o corpo médico do Milan não apresentar um diagnóstico preciso, a torcida do campeão italiano vai seguir roendo as unhas. Com muita razão.

Napoli: é Série C

Até a publicação desta coluna, era praticamente oficial. O Napoli está rebaixado para a Série C1, junto com o Ancona, por não conseguir reunir as condições financeiras necessárias para garantir sua inscrição no campoenato da Série B da Itália. Ou seja: a quarta maior torcida da Itália deve ver seu time na terceira divisão, isso se não acontecer nada pior. Se Napoli e Ancona forem mesmo reprovados, Bari e Pescara podem pedir para subir à Série B, desde que tenham crédito suficiente na praça para honrar seus compromissos.

A odisséia napolitana é uma tragédia anunciada. Desde a saída de Maradona, o clube vem se desintegrando com gestões desastrosas, contratações erradas, e gerência estúpida. Ótimos técnicos e jogadores passaram pelo San Paolo na última década, mas o clube jamais tirou proveito disso.

Agora, com um oceano de dívidas, amarrado à uma grande salada onde se envolvem Máfia, torcidas organizadas, e diretoria dividida, o clube está amarrado e nenhum empresário quer assumir a bomba. O último deles, Salvatore Naldi, enterrou seu patrimônio no ralo napolitano. Para piorar, escãndalos com apostas e lavagem de dinheiro foram levantados pela polícia, com a Máfia por trás. Se manter na terceira divisão já será bom negócio para o Napoli, desde que consiga iniciar uma mega-reestruturação.

Emerson pressiona rumo à Juventus

A Roma, cheia de débitos, sorriu aliviada quando o Real Madrid bateu à porta de Trigoria com € 18 milhões. O clube ‘blanco’ queria levar o meio-campista Emerson, embrulhado para presente. O negócio estava fechado quando o brasileiro se virou e disse: “Não quero”.

A Roma berrou, esperneou chiou e gritou, mas Emerson quer mesmo é seguir Fabio Capello para a Juventus. Mais chiadeira da Roma, que exigia € 18 mi, mais o passe de Manuele Blasi (curiosamente, formado nas categorias de base da Roma) para liberar o “grosso” Emerson.

Bate de cá, empurra de lá, grita daqui, e a Juventus parece estar conseguindo levar a coisa para onde deseja. O preço de Emerson já caiu para € 14 mi, sem Blasi. A Roma sabe que vai ter de ceder mais cedo ou mais tarde, até para poder comprar reforços e agradar o capitão Totti. O duro é ter de negociar com a Juventus.

O brasileiro é um tripé fundamental no meio-campo imaginado por Fabio Capello para a Juventus. Além de Emerson, é dada como certa a chegada de mais um atacante, depois da saída de Marco Di Vaio. Ideal? Gilardino, mas seu preço alto (€ 18 milhões), ainda não agrada à direção juventina. E aí, há a concorrência da Roma. A mesma que briga para não vender Emerson

Curtas

O Lecce comandado por Zdenek Zeman é uma das incógnitas da temporada

Zeman vai armar, como sempre, um time com três atacantes, deixando sempre espaço para o contra-ataque

Atenção: o trio ofenssivo do time pugliese (provavelmente com Bojinov, Konan e Pellé tem tudo para dar show

Jornais portugueses ligam Rui Costa ao Manchester United; o clube inglês, para variar, nega.

Superdefesa e superataque

Meses antes do último campeonato terminar, na Itália já se sabia que o Milan teria, na temporada 2004/05, um trunfo: uma defesa impenetrável. Não era segredo para ninguém que o holandês Jaap Stam tinha assinado contrato com o time de Via Turati, e que se agregaria a um setor que já dispunha de Maldini, Nesta e Cafu (além dos “reservas” Pancaro e Kaladze).

Com Stam, Carlo Ancelotti poderia até mesmo se dar ao luxo de montar uma defesa a três, com Maldini e Nesta. ‘Carletto’, no entanto, já avisou que sua defesa seguirá com quatro jogadores, onde muito provavelmente Stam será deslocado para a direita, com Maldini e Nesta formando a dupla de zaga. E as opções são muitas, com Cafu, Pancaro e Kaladze como alternativas quase titulares de tão seguras.

O que ninguém poderia imaginar é mais uma chegada de peso no ataque do Milan. O nome cotado de mais peso era o de Bernardo Corradi, ex-Lazio, que acabou indo para o Valencia. Outros nomes mencionados eram Jimmy Floyd Hasselbaink (ex-Chelsea, agora no Celtic) e até Jan Koller, do Dortmund.

Só que o quarto nome do atacque milanista é simplesmente Hernán Crespo, argentino pelo qual o Chelsea pagou € 35 milhões na temporada passada. Crespo vai passar um ano no Milan por empréstimo gratuito, aceitando reduzir seu salário, numa porcentagem não revelada.

Assim, o Milan passa a ter um ataque que nada deve ao do Real Madrid, considerado o mais famoso do mundo. Se o Real tem Ronaldo, Figo, Raúl e Portillo, o Milan tem Shevchenko, Inzaghi, Tomasson e Crespo. “Com quatro atacantes desses eu não tenho mais como escalar só um atacante”, disse Ancelotti, brincando com o “pedido-exigência” de Silvio Berlusconi, feito no fim do último campeonato, para que o Milan jogasse sempre com dois na frente.

Crespo foi revelado na Itália exatamente por Ancelotti, e não foi fácil. O argentino era xingado pesadamente em todos os jogos, quando cjhegou ao Parma, em 1997. “Quanto mais o xingarem, mais o escalarei como titular”, defendia Ancelotti. O tempo deu razão ao treinador milanista. Crespo deixou o clube, em 2000, como o maior artilheiro do clube na Série A.

E o clima no vestiário?

Agregar Crespo a um ataque tão rico tem um risco natural: a de criarem-se atritos na briga por posições. Tecnicamente, os titulares são Shevchenko e Inzaghi, mas como é possível chamar Crespo e Tomasson (especialmente depois da excelente Euro 2004) de reservas?

O vice-presidente do Milan disse à imprensa que só concordou em levar Crespo ao Milan porque Ancelotti o conhece muito bem e é íntimo do atleta. “Se Carlo me pedisse para trazer um jogador que ele não conhecesse, eu não o faria, porque quatro jogadores desse nível no mesmo time são difíceis de gerenciar”. É isso.

Ancelotti quer ter cartuchos suficientes para poder jogar campeonato e Liga dos Campeões com um ataque devastador. Neste ano, o terá. A imprensa italiana comenta que a única combinação menos favorável é com Crespo e Inzaghi juntos, mas Crespo já jogou com Vieri e com Chiesa, dois jogadores que não são menos “de área” do que Superpippo.

Com um ataque onde três dos quatro jogadores já foram artilheiros da Série A pelo menos uma vez (só Tomasson não o foi), o Milan se credencia fortemente a lutar para manter o ‘scudetto’ e tentar reconquistar a Liga dos Campeões. Adversário principal? Juventus. A “Vecchia Signora”, Capello e uma defesa rejuvenescida vão fazer o Milan suar sangue.

A Inter deve ter uma boa temporada, mas como tem um time praticamente novo, é pouco provável que engate logo de cara (ainda que possibilidades existam, como o Milan campeão de Zaccheroni, em 1999); a Roma deve se ressentir das saídas de Samuel, Zebina, e talvez Emerson. Mas está muito longe de estar fora do páreo.

Lazio com dono novo. E salva

Dois anos de imbróglio, pavor, medo, incerteza e confusão depois, e a Lazio parece que, finalmente, está salva do risco de falência. Um empresário da região de Roma, Claudio Lotito, conseguiu finalmente tomar o controle acionário do clube, depois de adquirir cerca de 30% das ações ‘biancocelesti’, despendendo uma soma de € 21 milhões. Lotito estava disputando com Piero Tulli, que já é presidente da Lodigiani, a compra das ações. O acordo pendeu para Lotito.

“Bom, e o que muda?”, poe perguntar o internauta. Basicamente, muda muito e nada ao mesmo tempo. Muda muito porque a Lazio deixa de ser um clube com risco de falir, e logo, as ações devem subir de preço, os credores devem ficar menos ansiosos, e nenhum outro jogador de peso deve deixar o elenco do time.

Não muda naada no sentido em que a Lazio deve disputar uma temporada modesta, apesar da entrada de um ricaço no seu comando. A diretriz principal é a de reorganizar as finanças do clube, que estavam desgraçadamente confusas desde a saída de Sergio Cragnotti, ex-dono da Lazio e do grupo Cirio.

A maior prova desta falta de pujança é a lista de contratações da Lazio até agora. Apesar de já ter vendido Stam, Fiore, Corradi, Favalli e Collonese, o único novo jogador em Formello é o atacante macedônio Pandev. Dino Baggio e Christian Manfredini também são rostos novos em relação ao ano passado, mas voltam de empréstimo.

Além disso, a Lazio não sabe quem será o seu treinador. Os nomes cotados não são muito entusiasmantes. Se fala em Dino Zoff, Gianluca Vialli e Adamo Gregucci. Nomes de baixo custo, e que não vão exigir contratações. Das três, a menos pior parece ser Zoff, que, ao menos, já tem familiaridade com a casa.

Curtas

Embora com ainda mais uma semana de prazo, Siena, Napoli, Reggina, Torino e Ancona não conseguiram as suas inscrições em decorrência de problemas financeiros

Exceção feita ao Napoli, os presidentes dos outros clubes garantem que foram somente problemas burocráticos

Baggio se aposentou, como se sabe

Mas o técnico do Bologna, Carlo Mazzonne, está falando diariamente com o atleta para tentar convencê-lo a jogar mais uma temporada no seu time

Pirlo conseguiu convencer o treinador do Milan, Carlo Ancelotti, a deixá-lo participar dos Jogos Olímpicos, como um dos três jogadores com mais de 23 anos

Ancelotti tem duas opções para o seu lugar

A primeira é Ambrosini; a segunda é o recém contratado Dhorasoo

Durante a primeira semana de treinamentos, o novo nome que mais se destacou na Juventus foi o de Olivier Kapo, ex-Auxerre, contratado a custo zero

A Juve ainda quer mais um zagueiro para fechar seu elenco

Cannavaro (Inter) e Ujfalusi (Hamburgo) encabeçam a lista.

O céu é o limite

Todo ano, a briga pelo título na Itália é sangrenta. Até às últimas rodadas (às vees até à última), os titãs italianos se esmurram para poder tecer o ‘scudetto’ na camisa do ano seguinte. É, isso sempre acontece. Mas nesta temporada, tudo indica que vai haver mais luta, mais disputa, mais sangue.

A conclusão é óbvia, porque as campanhas de reforços de Juventus, Milan e Inter foram simplesmente peso-pesado. Nenhum dos três times ficou olhando o sol se por no horizonte. Jogaram dinheiro em cima da mesa, caçaram na Europa e abriram um pequeno hiato em relação à Roma, e um maior em relação à Lazio.

Comecemos pela Juventus. A Juve é sempre favorita em qualquer torneio que entrar. Agora, se aliou à Fabio Capello. Juntou a fome e a vontade de comer. Para reforçar a sua defesa (maior problema na última temporada), arregimentou Zebina (ex-Roma), Chiellini (ex-Livorno e jogador promissor) e repatriou Bonnefoi (que estava emprestado ao Messina).

Para compensar a saída de Davids (outro fator de desequilíbrio na temporada passada), a Juve repatriou Blasi e Brighi (jovens, mas já experientes), e se esforça para contratar o brasileiro Emerson, o único jogador do mundo tratado como inválido em seu país, mas disputado por Juventus e Real Madrid. No ataque, Capello está seguro, com Trezeguet de contrato novo, Miccoli e Del Piero, e ainda a possibilidade de ter mais um nome.

Inter e Milan: derbys inesquecíveis por vir

O Milan já saiu em vantagem sobre os adversários. Tinha a base mais sólida da Itália, e não perdeu nenhum nome relevante. Como se não bastasse, contratou o gigante Jaap Stam (que deve formar a defesa mais forte do mundo com Cafu, Nesta e Maldini), o meio-campista Dhorasoo (ainda subvalorizado, mas jogador impotantíssimo do Lyon tricampeão francês), além de obter de volta de empréstimo os jovens Sarr e Aubemayang.

Para completar, o Milan está muito próximo de acertar com Hernán Crespo, (ex-Chelsea, Lazio e Parma). Crespo foi lapidado por Ancelotti no Parma, e os dois são muito próximos. Dessa forma, o Milan teria um setor ofensivo formado por Shevchenko, Inzaghi, Tomasson e Crespo. Mais aquele meio-campo que todo mundo já conhece, com os “mammasantissime” Seedorf, Pirlo, Gattuso, Kaká, Rui Costa…

A Inter foi a que mais gastou (puxa, que novidade!), para montar mais uma vez um time novinho. Contratou um treinador a peso de ouro (Roberto Mancini, a € 2,5 milhões por ano), e praticamente refez o time. Na defesa, o lateral Favalli e o central Burdisso; no meio-campo, Cambiasso (ex-Real Madrid), Davids e Verón (sem esquecermos que Stankovic já tinha chegado em janeiro). No ataque, Adriano e Vieri, com uma fila de reservas que dá a volta em Milano Centrale.

A Roma investe num técnico que trabalha com jovens e, basicamente, em jovens de sua divisão de base. Bovo, Ferronetti (defensores), Aquillani (meio-campista), Tulli, Sturba (atacantes), são alguns deles, além do defensor parmigiano Ferrari. E ainda tenta Gilardino (que só deve ser contratado caso Emerson vá embora). Tudo com a regência de Cassano e Totti. E a Lazio teve de ceder à sua crise, se desfazendo de nomes como Fiore, Stam, Favalli e Corradi, buscando alternativas baratas como o macedônio Pandev.

Favoritos? Milan e Juventus, com a Inter logo atrás, no vácuo. O time ‘nerazzurro’ deve perder algum tempo para se acertar, ao passo que a Juve tem uma base relativamente acertada e o Milan não vai mexer em praticamente nada. Sem sombra de dúvida, a Série A deve ter o torneio mais duro entre as grandes ligas européias.

Brasileiros, depressão e contratos rasgados

Dois anos atrás, o brasileiro Jardel inventou um presépio para sair do Sporting. Apresentou-se no clube com “depressão”, dizia-se de cama, sofrendo a separação da esposa. Todos sabiam, à época, que o que o atacante queria mesmo era uma transação para outro clube, mas era impedido pelo seu contrato.

Agora, é Emerson, um de seus companheiros no Grêmio de Luis Felipe Scolari, que parece estar sendo atacado pela mesma “depressão”. O brasileiro não se reapresentou à Roma na data marcada, enviando um atestado médico, segundo o qual também estaria com “depressão”. Curiosamente, Juve e Roma travam um braço-de-ferro pelo seu futebol. A Juve quer comprar, mas a Roma só vende sob suas condições (Blasi mais uma soma equivalente a € 10 milhões em dinheiro vivo).

Um fato curioso é que Blasi cresceu nas divisões inferiores da Roma, foi emprestado ao Lecce e depois comprado pelo Perugia. Agora, a Roma se dispõe a pagar pelo jogador que dispensou, cerca de € 6 milhões (o valor de Emerson estaria sendo cotado em € 16 mi).

Um outro fato, este, absolutamente desagradável de se constatar, é como os jogadores de futebol (em particular, os brasileiros – embora o hábito seja internacional) enxergam os contratos que assinam. Para eles, aquele pedaço de papel lhes garante somente que seu salário milionário será pago em dia, mas jamais que, através do mesmo termo, o atleta se compromete a prestar seus serviços ao seu clube, se somente ao seu clube.

Edmundo tentou fazer presepada similar em 1998, na Fiorentina, não se apresentando e dizendo que “queria ser vendido”. O então presidente do clube, Cecchi Gori, retrucou: “bem, então ele pode considerar a carreira dele encerrada, porque pagarei todos os seus salários, mas ele não jogará por nenhum outro time através desta chantagem”. Edmundo enfiou o rabo entre as pernas e ponto. Cecchi Gori acertou na profecia. Nunca mais Edmundo jogou bola. Mas isso é outra história.

Ao dar ouvidos aos conselhos de agentes ávidos por uma gorda transferência, Emerson só está maculando a sua ficha profissional. Se tem contrato com a Roma, tem a obrigação de cumpri-lo até que entre em acordo com o clube. Espetáculos teatrais com atestados médicos servem bem pouco para melhorar a atmosfera do episódio. E, é claro, são tratados com o devido (pouco) respeito.

Crise Lazio; abismo Napoli

Com a aproximação da data final para a regulamentação dos clubes junto à Federcalcio, aqueles times que estão mais na pindaíba começam a ter ter calafrios na espinha, porque clubes com débitos que não se encaixam nos balanços não têm o registro aceito. Ou seja: vão para o saco.

Entre os grandes clubes italianos, pelo menos dois estão com a situação no vermelho (contas no vermelho, quase todos estão, mas esses estão BEM no vermelho). O primeiro é a Lazio, engolfada dois anos atrás pela crise de sua empresa mantenedora, a Cirio. A Lazio teve dois anos bons dentro do campo (na medida do possível), mas o rombo ainda é bem arregaçador.

Para que o time de Formello consiga se inscrever no torneio da Série A, precisa levantar nada menos do que € 33 milhões, entre débitos particulares ou com o governo. A data final é 19 de julho. Até lá, o clube procura incessantemente um novo dono, um novo empréstimo ou um milagre qualquer. Sem o registro, a coisa vai para o buraco.

No Napoli a situação é pior. As dívidas são bem piores do que as da Lazio (na relação dívidas-patrimônio), o empresário Salvatore Naldi já torrou o que tinha e teve de pedir água, e o único pirilampo que apareceu querendo “salvar” o Napoli é Luciano Gaucci, que acaba de rebaixar o Perugia. A raposa querendo tomar conta do galinheiro.

Às pressas, as autoridades da cidade convocaram alguns homens de negócios para poder formar uma “holding” que fosse capaz de inscrever o Napoli na Série B. O primeiro nome é o de Francesco Floro Flores, presidente do Capri (cidade famosa por suas praias), ao qual se juntariam pelo menos mais três empresários. Dá para salvar? Não se sabe. Só dá para dizer que o Napoli é a quarta torcida da Itália. Isso dimensiona bem a gravidade da questão.

Curtas

Poucas horas antes da publicaçãop desta coluna, estourou o milésimo escândalo na Itália.

O MP italiano, depois de investigações sobre apostas, fraudes e resultados comprados, indiciou dois árbitros da Série A, Marco Gabriele e Luca Palanca

Os dois teriam “dado uma força” para que o Messina subisse de divisão.

E pelo que parece, num primeiro momento, as provas contra os dois iriam além da tradicional choradeira

A Roma dá como certa a transferência de Philippe Mexés, do Auxerre, mas a Federação Francesa entrou com um pedido de anulação da transação

O clube italiano apelou para a FIFA

O mediano Andrea Pirlo, do Milan, tinha sido escolhido pelo treinador Claudio Gentile como um dos três jogadores acima da idade de 23 anos que iriam com a Itália às Olimpíadas

Ao saber disso, o técnico do Milan, Carlo Ancelotti, disse que faz questão de Pirlo com o time, para a pré-temporada

Ainda não se bateu o martelo, mas é quase certo que Pirlo não vá para Atenas

Tarefa inglória – Nicola Pozzi (2004)

A Itália enfrenta um problema sério. Com o desembarque dos melhores jogadores do mundo em seu campaonato, o país vê as suas maiores promessas relegadas a um segundo plano, e raramente, se desenvolverem. Apesar da Itália ter sido campeã européia Sub-21 em cinco das últimas sete edições, não consegue conquistar nenhum título com a seleção principal há 24 anos.

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Chorando o leite derramado – A história do Parma

Nestes anos de abalos sísmicos gigantescos no mundo das finanças, o futebol não passa incólume. Dois anos atrás vimos a Fiorentina agonizar e afundar, vitimada por uma gerência ruinosa de seu dono; assistimos diversos clubes pequenos da Europa (como o Airdreonians, o Lommel e o Molenbeek) desaparecerem do mapa futebolístico (ou quase), e até poucas semanas atrás, sentíamos estarrecidos as notícias que davam conta da gravidade da situação do Leeds, na Inglaterra, não somente pela presença de Roque Júnior em sua defesa, mas também pela dívida assustadora contraída nos anos insanos do ‘boom’ do esporte.

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Salvem a Itália!

Não são todos os italianos que se deram conta que algo tem de mudar. Mesmo com o papel de “decepção da Euro 2004”, boa parte da imprensa viu mais defeitos na Euro do que na ‘Azzurra’. Segundo Giorgio Tosatti, respeitadíssimo colunista do Corriere Della Sera, este foi o “Europeu mais horroroso jamais visto”, onde a Grécia venceu “aplicando um futebol defensivista que éramos condenados por usar”.

Bem, não sei que Europeu o sr. Tosatti assitiu, mas não deve ter visto partidas como Rep. Tcheca x Holanda, Portugal x Inglaterra, Dinamarca x Suécia e França x Inglaterra, só para citar algumas das partidas mais eletrizantes da competição. Isso, para os brasileiros, que não tinham representação no torneio.

Felizmente, boa parte da Itália resolveu abrir os olhos e tentar fazer alguma coisa para que a seleção deixe de ser um remendão de jogadores para se transformar num time. A primeira medida foi a de nomear um treinador de peso. Marcello Lippi, que pode dar à seleção um vigor que Trapattoni jamais deu. ‘Trap’ foi um grande zagueiro e um bom técnico, mas seu ápice já se foi.

Mas a medida que promete causar mais reboliço é a adoção de um “limite de estrangeiros” por time. Se os planos do comitê olímpico italiano derem certo, a partir da temporada 2005/2006, todos os times da Itália terão de ter um número mínimo de jogadores italianos (os primeiros dados falam em seis). E “italianos” não se refere a cidadãos europeus ou pessoas com passaporte-fantoche, mas sim, atletas em condição de jogar pelo selecionado do país.

O projeto, apelidado de “Salva-Vivaio” (‘vivaios’ são as divisões de base dos clubes), é quase uma unanimidade. A idéia é fazer com que a Itália passe a dar chances aos seus talentos jovens, coisa rara, uma vez que comprar um sul-americano ou africano é sempre mais barato.

A idéia faz muito sentido. A seleção italiana sub-21 chegou em cinco finais do Europeu da categoria, nas últimas sete edições, vencendo cinco títulos. Pouco antes da Euro, venceu mais uma vez. Mas dificilmente, promessas como Brighi, Blasi, D’Agostino, Ferrari, Gilardino, Borriello, Sculli e Barzagli serão titulares em seus times imediatamente, com o espaço fechado por estrangeiros.

Para citar um exemplo: na Euro sub-21 de 2000, a dupla Pirlo-Baronio era a viga mestra do meio-campo. Pirlo ficou enclausurado na Inter, sendo emprestado (jogou no Brescia e Reggina) para não ocupar espaço. Deu a sorte de encontrar Ancelotti no Milan e virar um dos maiores do mundo na posição; Baronio mofou no banco da Lazio, também sendo emprestado seguidamente (chegou a jogar na Reggina com Pirlo), mas, somente nesta temporada, já com 25 anos, é que teve um pouco mais de chances, e no modesto Chievo.

A idéia é linda, mas, de cara, tem três inimigos em potencial: o primeiro é a União Européia, cuja constituição legal proíbe esse tipo de ‘discriminação’; o segundo, são os presidentes de clubes menores, como Udinese e Perugia, que fazem um bom dinheiro com o ‘mercado de gente’. O terceiro são os agentes dos jogadores, que sabem que a mamata de dinheiro fácil vai diminuir bastante caso passe uma lei do gênero.

A favor da lei, pode pesar o papel da UEFA, que está interessada em fazer uma legislação similar em todo o continente. A negociação é política, e mexe em muitos interesses. Tecnicamente, é uma lei que fará bem a todos: a Itália criará mais craques, os países ‘exportadores’ como Brasil e Argentina vão acabar mantendo mais bons jogadores em seus campeonatos, e o frenesi de transferências vai diminuir. Quem vai pagar o pato são os cabeças-de-bagre que jogam na Europa por influência de empresários. Pensando bem, estes que se danem…

Inter nova. De novo.

A Inter nem se parece com um clube que já foi campeão europeu. Parece mais com uma republiqueta de um continente perdido, onde golpes de estado são dados com freqüência quase cardíaca, e no final das contas muda tudo e não muda nada, ao mesmo tempo.

Novamente, nesta temporada, a Inter ‘revoluciona’. Já mandou o treinador Alberto Zaccheroni embora, e contratou Roberto Mancini (depois de aliciar a Lazio, que precisa de dinheiro a qualquer preço). Para Mancini, o clube prepara um elenco praticamente novo, e alguns jogadores como Cannavaro, Kily Gonzalez e van der Meyde, comprados a peso de ouro, podem acabar indo para o Varejão das Fábricas.

Caso sejam consistentes os boatos que parecem se confirmar a cada instante, a Inter deve ter pelo menos 2/3 de seu time renovado para esta temporada. Além dos já contratados Verón, Favalli e Cambiasso (sem falar em Stankovic, contratado em janeiro), o clube de Via Durini estaria preparando as chegadas de Davids e Mihajlovic (?). Ou seja: mais um elenco que foi comprado a peso de ouro sendo mandado embora, provavelmente para brilhar em algum outro lugar.

Quais as reais chances de Mancini ser campeão logo na sua primeira temporada? Mínimas. Não que o seu time seja ruim, ou que ele seja um técnico de segunda, mas é que, além de ter de enfrentar um Milan azeitado e reforçado, uma Juventus com Capello e uma Roma ainda com Totti, a Inter terá de suar muito para poder fazer conviver Vieri e Adriano no ataque. Uma tarefa possível, sim (totalmente). Mas que exigirá tempo. Mais do que simplesmente alguns treinos durante a pré-temporada.

Juventus se prepara em silêncio

Quando anunciou-se a união entre Fabio Capello e Juventus, os adversários engoliram em seco. Já se sabia que era uma combinação fadada a dar certo. E o modo como a Juve começou a sua pré-temporada só faz aumentar a fé de que o time ‘bianconero’ virá com uma sede na garganta que vai ser difícil de aplacar.

Nenhum anúncio, nenhuma apresentação de jogadores, poucas entrevistas. A Juve contratou o meia-atacante Kapo (Auxerre), o zagueiro Zebina (Roma) e o defensore Chiellini (Livorno), considerado uma promessa. Além disso, recuperou de empréstimos os meias Blasi (Parma) e Brighi (Brescia), só para citar os que devem ficar. Ah, sim. E praticamente renovou o contratro de Trezeguet. Mas o silêncio impera em Villar Perosa, o que, segundo opinionistas mais rodados, é indício de que a Juve ainda vai apresentar uma bomba qualquer.

Ainda é difícil desenhar a Juventus de Capello, mas é quase certo de que será um 4-4-2 tradicional, com Nedved e Camoranesi nas laterais do meio-campo, Del Piero e Trezeguet no ataque, e um miolo, muito provavelmente formado por Blasi e Tacchinardi ou Maresca (salvo supresas).

A dúvida é sobre qual será a zaga juventina. Thuram será titular, mas como lateral ou central? Zebina começa o ano como titular? Chiellini será a aposta de Capello? A velha guarda (Ferrara, Montero e Pessotto) terá que prioridade? Legrottaglie, depois da má temporada que se encerrou, começa jogando ou não. Tudo interrogação. O único nome certo é o de Zambrotta, que deve ser o lateral-esquerdo, a exemplo da seleção.

Mas se preparem: é muito improvável que a Juventus passe um ano em branco. “Ah, mas porque a Inter não deve vencer no primeiro ano e a Juve deve ganhar logo de cara?”. Porque a Juve é a Juve, e agora, ainda tem Capello. Um técnico que se gosta ou não, mas indiscutivelmente, vence.

Curtas

Giovanni Trapattoni, como um bom político, acabou conseguindo uma colocação de respeito

‘Trap’ irá comandar o Benfica, que perdeu seu técnico Camacho para o Real Madrid

O que vai dar essa combinação, não se sabe. São dois nomes de passado glorioso que tentam provar que ainda são elite

O Milan sonda dois nomes do Ajax para seu planejamento a médio prazo

O zagueiro John Heitinga e o ala-atacante Wesley Sneijder poderiam ser até negociados, mas ficar mais um ano em Amsterdam

Heitinga garantiria a renovação da defesa; Sneijder seria o substituto de Serginho

Ainda no Milan, Kaladze recusou uma transferência para o Bayern de Munique

E mais: uma hipótese louca di Chelsea liberar o atacante Hernán Crespo de graça está sendo bastante comentada

Só Abramovich para fazer uma folia dessas com dinheiro

Crespo seria o quarto atacante do Milan, mas conta com uma simpatia e amizade totais de Carlo Ancelotti, técnico que o lançou na Itália

Más notícias para o Napoli: a falência do clube é uma hipótese real

Pior ainda: o novo dono pode ser Luciano Gaucci, que este ano, rebaixou o Perugia

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