Mês: junho 2004

Com seis anos de atraso

O ano era o de 1998. Luigi Di Biagio, então meia da Roma, bate o seu pênalti contra a França (futura campeã do mundo), e erra. Cai de joelhos. A Itália estava fora da Copa do Mundo, e o período de Cesare Maldini no comando da “Azzurra” estava igualmente encerrado.

Um nome sobre todos era apontado como o mais adequado técnico para a seleção italiana. Marcello Lippi, então treinador da campeã italiana, Juventus. Lippi tinha somente mais um ano de contrato, já era tido como um treinador de nível internacional, e tinha o apoio maciço do país.

O próprio Lippi, quando sondado, acenou positivamente. Mas a Juventus bateu o pé e disse que não liberaria seu treinador campeoníssimo antes do fim do contrato. Ali, a diretoria da “Vecchia Signora” estava cometendo um erro que penalizaria a todos: Lippi, a Itália e a própria Juve.

Desgostoso com a decisão da Juve, Lippi decidiu que deixaria a Juventus, e ainda em dezembro, anunciou que viria a ser treinador da Inter. O clima desandou no vestiário juventino, pois os jogadores perderam o temor reverencial que devem ter pelo técnico. Resultado: em janeiro, depois de uma goleada para o Parma, em casa, Lippi acabaria despedido, e a Juve terminaria aquele campeonato em 6o lugar, o pior posicionamento de lá para cá.

Para a Itália, a mixórdia foi semelhante. O técnico que cumpriu o mandato tampão de dois anos foi Dino Zoff. Mesmo tendo levado a Itália à final da Euro 2000, Zoff foi criticado duramente por muita gente, inclusive pelo premiê Silvio Berlusconi, que sugeriu a ele que se demitisse depois da derrota para a França. Zoff saiu fora.

Mas aí, Lippi era técnico da Inter, um projeto pelo qual nutria grande estima. Estava fora de cogitação. Capello estava na Roma, e bem (seria campeão naquele ano). O nome que acabou ganhando a parada foi o de Giovanni Trapattoni, que estava sem time e que tem grande história no futebol peninsular.

A indicação de Trapattoni foi até feliz, no início, mas a caminhada para a Copa de 2002 já dava sinais de vazamento de óleo. Com vitórias magras e sobre times nem sempre expressivos, sem convencer, a Itália chegou à Copa se iludindo sobre suas chances. Foi eliminada pela Coréia jogando uma pouca vergonha de futebol. Mas ainda havia a desculpa que o culpado pela derrota era o árbitro equatoriano Byron Moreno, que tinha expulsado Totti.

Fechando os olhos; batendo na parede

Os italianos se dividiram: uma parte, mais lúcida, achava melhor que Trapattoni se demitisse (ou fosse demitido); outra parte, defendia o ‘velho lobo’, dizendo que a Itália não tinha jogado mal, mas tinha sido roubada pela Coréia do Sul. E assim, quietamente, ‘Trap’ foi se segurando no cargo. Conseguiu finalmente garantir sua manutenção no posto ao classificar (não sem suar) a Itália para a Euro 2004.

Mas depois de uma campanha patética como a da Euro 2004, não dava mais para defender o treinador (embora ele mesmo tenha dito que “não sabe porque a Itália estava sendo criticada, já que não tinha perdido). Ainda em Portugal, o presidente da Federcalcio já anunciava que Trapattoni estava fora, e assumia a culpa por tê-lo mantido no cargo, erradamente, depois do fiasco de 2002.

É verdade: a Itália não perdeu nenhum jogo na Euro 2004, e terminou com o mesmo número de pontos que Suécia e Dinamarca (5). Mas ao contrário dos escandinavos, a Itália não jogou um único minuto de futebol aceitável. Como em 2002. E curiosamente, Totti também foi expulso. Foi a vez de Byron Moreno se vingar: “Estão vendo como é a Itália que joga mal e como Totti comete faltas de expulsão?”.

Voltando à Itália, Trapattoni deu algumas entrevistas, não criticou abertamente a federação, mas colocou a culpa em Vieri, Del Piero e Totti, dizendo que esperava mais dos três. Poderia também se lembrar que passou 4 anos sem dar um padrão de jogo à Itália, e fez um meio-campo paupérrimo (Zanetti e Perrotta) baseado na superstição, já que, com a dupla em campo, nunca perdeu.

Parece que agora vai

Marcello Lippi já deu indicações de que não fará revoluções na seleção. A começar pelo sistema de jogo. Deve ficar no mesmo 4-3-1-2 de Trapattoni, com Zambrotta híbrido de defensor e meio-campista. As alterações devem ser nos nomes, em decorrência principalmente da idade.

Lippi vai fazer o que Trapattoni deveria ter feito antes da Euro. Daniele Bonera deve gaanhar a vaga na lateral-direita. Christian Panucci já faz parte da velha guarda, e seu futebol jamais convenceu Lippi. Junto com Bonera, devem ganhar chances na seleção principal também Barzagli (Chievo) e Ferrari (Parma).

No meio-campo, Lippi fará o lógico e vai manter a dupla Gattuso-Pirlo, que dá tão certo no Milan. A terceira vaga pode começar ainda com Perrotta, mas deve ser disputada. Brighi, Maresca, Ambrosini, Tacchinardi, todos têm boas chances de disputarem as eliminatórias da Copa como titulares. Totti, o número “1”, é intocável.

No ataque, é bastante possível que Lippi sque Del Piero e Vieri de uma vez só. Cassano está praticamente garantido, depois do exccelente Europeu, e Vieri, com 32 anos, terá de jogar muita bola para não perder a vaga para Gilardimo, sensação italiana da temporada.

Há mjuito tempo que a “Azzurra” não tem um treinador com a capacidade de Marcello Lippi. O viareggino não joga para se defender, e tem um repertório tático à altura da fama da seleção italiana. Problemas? Sim. Lippi, como seus antecessores, precisa achar boas alternativas para as faixas laterais do campo, onde somente Zambrotta e Camoranesi são opções. Quando eles jogam mal, babau.

Curtas

A Juventus finalmente chegou a um acordo com o atacante David Trezeguet, que deve renovar por mais quatro anos

Trezeguet negocia duramente com o clube de Turim há pelo menos dois anos

A Inter, por sua vez, está mais perdida que cego em tiroteio

Depois de ter anunciado Roberto Mancini como treinador, a Lazio abriu o bico e disse que não vai deixar o treinador rumar para Milão

Claro, que, com algum dinheiro, a Lazio pode se tornar bem mais amistosa

Alguns jogadores também poderiam servir

E já pensando nisso, a Inter continua tão frenética no mercado de jogadores, que se esta coluna fosse listar todos os jogadores cujo nome é ligado ao clube, o servidor da Trivela entraria em pane

A Lazio precisaria mais do que nunca de jogadores, uma vez que já perdeu Corradi e Fiore para o Valencia

Nessa, o Milan, que estava de olho em Corradi, agora busca outro nome para ser o quarto atacante

Provavelmente será um nome de segundo escalão, como Cossato, exatamente o jogador que substituiu Corradi no Chievo

Grazie, Nike!

Depois do empate melancólico com a Dinamarca, que de certa forma começou a determinar a sorte da Itália na Euro, a torcida italiana poderia perfeitamente ter dito a frase que dá título a este excerto. Sim, a patrocinadora de nove entre dez dos maiores craques do futebol mundial, teve uma participação importante naquela partida. Infelizmente, para todos, negativa.

Quem assistiu à partida entre dinamarqueses e italianos, certamente não reconheceu o camisa 10 da Itália, Francesco Totti. O craque romanista vagou em campo como um zumbi, e não incidiu em nada. Aos 30min do segundo tempo, finalmente Totti saiu de campo, trocou de chuteira, e mais nada. Um jogo para se esquecer.

Logo depois do jogo, a esperada entrevista do craque foi surpreendentemente reveladora. “Não dava para jogar com aquela chuteira. Meus pés estão em carne-viva. Sei que há obrigações contratuais, mas a esta altura, talvez tenhamos de achar um acordo, porque assim não vai dar”.

A estupefação tomou conta do ambiente. Quer dizer que o maior jogador italiano não pôde jogar porque as suas chuteiras ultra-tecnológicas deixaram seu pé como uma brachola? Pois é. Totti usa uma Nike Air Zoom total 90 III, a terceira geração desta chuteira, e que deveria ser a vedete do Europeu, mas depois desta torrada de filme, provavelmente será esquecida em alguma gaveta.

A Nike respondeu duro. Mandou três especialistas do seu centro de desenvolvimento, que responderam mais duro ainda. “A culpa não é da chuteira, mas das meias”. Detalhe: as meias usadas por Totti na ‘Azzurra’ são feitas pela Puma, patrocinadora da Seleção. A Puma, por sua vez, respondeu o óbvio: entre os 23 jogadores, o único que teve problemas foi Totti, com a sua Nike Air Zoom total 90 III…

Naquele mesmo jogo, como já se sabe, Totti foi flagrado dando uma catarrada na cara do dinamarquês Poulsen, que lhe valeu três jogos de suspensão. Não dá para estabelecer um vínculo direto entre as bolhas de seus pés e a perda de calma do jogador, mas também não é um raciocínio assim absurdo imaginar que as labaredas que comiam seus pés ajudaram a perder a calma.

A concorrência não deixou por menos. Uma outra marca de material esportivo fez uma propaganda onde apareciam os pés de cinco de seus patrocinados (supostamente), que estão no Europeu, com uma frase, onde os mesmos se solidarizavam com as dores dos pés de Totti. Propaganda melhor, a Nike não poderia imaginar.

Então a culpa é da Nike?

Uma coisa precisa ficar bem clara. A empresa de material esportivo norte-americano é uma firma como outra qualquer. Quer lucro, faz ofertas (suntuosas) para ter craques carregando seus equipamentos, e assina quem quer. E não dá para ninguém lembrar de Totti reclamando dos € 700 mil anuais que vão para a sua conta, em decorrência deste contrato.

Claro que a culpa não é da Nike, mas mais uma vez, o espaço para a polêmica está aberto como uma rosa. Assim como quando o brasileiro Ronaldo se esfalfa para cumprir suas obrigações publicitárias, é provável que a empresa acabe sendo condenada pela imprensa e torcida como a responsável sobre a desgraça que se abateu sobre Totti (e, consequentemente, sobre a Itália).

Só que o caso é de pensar como, num evento que envolve centenas de milhões de dólares, ninguém, nem da patrocinadora da seleção, nem do patrocinador particular de Totti, nem da seleção italiana, se preocupou em dar tratos à bola. Aí, o cidadão teve de jogar com os seus pés como se estivessem num ralador de queijo.

“Que chuteira o escambau”, rebateu o ‘delicado’ Gattuso. “Os quenianos correm até descalços. O problema da Itália é de todos, não da chuteira de Totti”. O siciliano Gattuso não está de todo errado, só que, caso a Itália venha a ser desclassificada (hipótese nada improvável), o imbróglio da briga tosca entre patrocinadores jamais será esquecido como ingrediente no fracasso da seleção.

Totti foi condenadíssimo pela cuspida em Poulsen, com razão. Mas o “profissionalismo” do jogador também deveria levar em conta os milhões de italianos que querem vê-lo jogar bem, e não se está com a chuteira X, ou com a meia Y. Do episódio, bom seria que as empresas revissem suas estratégias de marketing. A concorrência jamais poderia esperar uma propaganda melhor do que a que rolou a custo zero.

Pela porta dos fundos; mas Firenze é Série A

Não foi o retorno que os torcedores mais sérios desejariam, mas a realidade é que a Fiorentina está de volta à Série A, somente dois anos depois de ter sido rebaixada à quarta divisão.Uma vitória em Perugia e um empate no Artemio Franchi recolocaram o time “viola” na elite do futebol italiano.

A festa foi estrondosa, mas não pára aí. Para o ano que vem, o clube, agora reforçado com o caixa do milionário Diego Della Valle, já pensa em reforços de peso para o time. Um entre todos atiça a imaginação dos torcedores: Gabriel Batistuta, que deixou o clube em 2000 para ser campeão em Roma. De volta do Qatar, “Bati” já disse que está disposto a jogar mais uma temporada na Fiorentina, lugar em que mantém sua casa, e jura, vai viver o resto da vida.

O espectro de contratações da Fiorentina não se restringe ao seu ídolo. Já há negociações com Lazio e Roma para se levar à Firenze o atacante Simone Inzaghi (Lazio), o meia Gaetano D’Agostino e o zagueiro Csare Bovo (ambos da Roma). Entre os nomes mais famosos, também está o de Hidetoshi Nakata, que o Parma não pode suportar pagar, e o Bologna não tem grana para comprar.

Na lista de boatos de possíveis contratações, ainda estão o zagueiro Barzagli (Chievo, recentemente campeão europeu sub-21), cribari (Empoli), o meia-atacante Di Natale (Empoli) e até o brasileiro Dudu Cearense, cuja performance pífia no pré-Olímpico, certamente não está na fita de “melhores momentos” que os dirigentes da Fiorentina receberam.

Técnico? Emiliano Mondonico guiou a reta final da Fiorentina, mas os dois nomes mais prováveis são os de Alberto Zaccheroni (recém-saído da Inter) e Serse Cosmi (rebaixado com o Perugia). Opinião desta coluna: Cosmi seria o ideal. É jovem, conhece futebol, sabe trabalhar com jovens e sem estrelas e poderia abrir um ciclo na Fiorentina. Ainda que de modo meio escuso, que seja bem-vinda de volta, a Fiorentina do mestre Claudio Carsughi.

Ânimos incandescentes na Casa Azzurra

Depois do empate na bacia das almas contra a Suécia (mais um resultado com a cara de ultra-mega-super-extra-cautela do técnico Giovanni Trapattoni – para não dizer medo), o leite azedou na ‘Casa Azzurra”, a concentração da Itália. A imprensa divulgou um suposto bate-boca entre Vieri e Buffon e o atacante da Inter ficou uma arara.

“Não falo mais com a imprensa neste Europeu. Vocês (a imprensa) não têm o direito de mentir assim. Sou muito mais homem do que vocês todos juntos”, berrou Vieri na sua última aparição na coletiva, antes de levantar da mesa e ir embora, deixando um clima incandescente atrás de si.

A realidade é que a Itália sabe que não depende mais de si para se classificar, e isso deixa todos ali com os nervos à flor da pele. Para piorar, além do “cuspidor” Totti, Trapattoni não poderá contar com Cannavaro e Gattuso, vitais para o sistema defensivo italiano. E, talvez, nem com Vieri, que está sentindo dores na perna, e Perrotta, que treina separadamente desde domingo.

Os reservas dos três devem ser Materazzi na zaga, Fiore no meio-campo e Corradi no ataque. Ok, Fiore e Corradi não são ruins, mas a Itália perde consideravelmente. Já com Materazzi, a perda é maior. Para quem se lembra, a Itália desabou defensivamente quando, na Copa de 2002, Materazzi entrou no lugar do contundido Nesta.

A Itália, contra a Suécia, não foi mal no primeiro tempo, graças, especialmente, às entradas de Cassano e Gattuso. Pirlo impôs um ritmo totalmente diferente ao jogo, mas só pode fazer isso porque tinha seu cão de guarda milanista ao seu lado. Os canhões agora estão virados para Del Piero, que ainda não deu o ar da graça na Euro. Se ele não for decisivo contra a Bulgária, é bem possível que Trapattoni não tenha nem mesmo que escolher se ele vai ou não para o banco no jogo seguinte. Isso porque não haverá jogo seguinte…

Curtas

O técnico tcheco Zdenek Zeman está de volta à Série A, comandando o Lecce

Zeman é conhecido pelo seu conceito ofensivo de futebol e pelas frases ácidas. Abaixo, estão algumas delas, selecionadas pela “Gazzetta Dello Sport”, na semana passada

“Todos se perguntam se eu venceria com o time de Capello; mas ninguém se pergiunta o que Capello faria com um de meus times”

“Às vezes os perdedores ensinam mais do que os vencedores; penso de ter dado algo mais e divertido a torcida”

“Se eu fosse pai de Del Piero, me preocuparia muito com meu filho” (quando insinuou o doping no futebol)

“Dificilmente minto. Por isso, me sinto tão sozinho; nesse mundo se mente a toda hora”

“A mentalidade não vence sem um esquema, como um esquema não vence sem a mentalidade”

“O 4-3-3 é o esquema mais racional de se cobrir os espaços do campo; e não há jogador que não possa desempenha-lo”

“Não importa o quanto você corre, mas para onde corre e por que corre”

“Arrumei muitos inimigos na minha carreira. Melhor assim. Eles reepresentam um estímulo”

“Quando eu era pequeno, e jogava em Praga, me disseram: ‘vá para aquela posição, e nunca naquele jogador’. Desde então, não mudei mais de idéia, e por isso, meus times só marcam por zona”

“Não é verdade que não gosto de vencer; é que eu gosto de vencer respeitando as regras”

“Jamais mudei. As coisas que dão certo não devem mudar”

“No Napoli, não tínhamos nem bolas para treinar”

“Fiquei preocupado com o Napoli quando, para o meu lugar, chegou um treinador (ndr, Emiliano Mondonico), que, meses antes, tinha sido definido pelo diretor do Napoli como ‘o pior do mundo’

“É, é a carne que tem a nandrolona que aparece nos exames anti-doping. Vamos continuar a culpar os porcos…”

“Nos meus times não jogam atletas dopados”

“Se joga há tanto tempo com marcação por zona. A marcação homem a homem não é usada por ninguém; alguns treinadores marcam por zona e não sabem”

“Falei com Totti, Nedved e Nesta para eles virem a Salerno; estou aguardando uma resposta…” (quando treinou a Salernitana, na Série B)

“Não consigo dividir o conceito de jogar bem e de vencer; se você jogar pior do que o seu adversário, como pode pensar em vencer?”

“Se meu time perde 30 jogos, mas eu vejo que os jogadores estão dando o máximo, fico tão contente quanto se tivéssemos vencido”

“Os cinco melhores jogadores italianos? Totti, Totti, Totti, Totti e Totti”

Itália campeã…sub-21

Nesta semana, todos os olhos na Itália passaram para Portugal. A Itália tenta repetir o feito de 1968, conquistando a Eurocopa. Tensões e dúvidas à parte, o grupo italiano tem condições de lutar pelo primeiro lugar, e o italiano, que vai do pessimismo ao ufanismo em oito décimos de segundo, verá novamente seu humor variar de acordo com as performances da “Azzurra”.

Mas já na semana passada, a Itália estava comemorando. E quem não estava, deveria. É que a seleção sub-21 conquistou a “Euro” da categoria, carimbando também o passaporte para as Olimpíadas. E que ninguém se engane: não foi nem de longe uma zebra. Das últimas sete edições, a Itália chegou a cinco finais, vencendo todas, e comprovando que é força maior na categoria.

Os “azzurrini” de Claudio Gentile são um grupo com recursos em todos os setores. Poderiam ter sido ainda mais fortes se tivessem contado com o talento de Cassano, cujo gênio irascível foi a mola mesta de sua exclusão. Mesmo assim, se trata de um time muito forte e que prova que a Itália pode ter uma seleção competitiva pelos próximos dez anos, se quiser.

Os bons goleiros italianos já são uma tradição. A equipe campeão em 2004 não foi diferente. Marco Amelia (Parma) e Carlo Zotti (Roma) podem vir a ser goleiros de nível internacional. Amelia deve acabar lutando pela vaga de titular no Parma, se Frey for vendido, enquanto Zotti deve ter de sair da Roma, porque Pelizzoli só sai em caso de contusão. O terceiro goleiro, Agliardi, do Brescia, também é muito bom.

Entre os defensores, os destaques ficam para quatro nomes: Bonera (Parma), Barzagli (Chievo), Moretti e Zaccardo (Bologna). Bonera esteve cotado para ser até titular da seleção principal, mas teve uma contusão no fim da temporada que tirou-lhe o ritmo de jogo. Barzagli foi a revelação da defesa na última Série A.

Zaccardo é disputado a tapa por Juventus, Roma e Inter, e Moretti conseguiu no Bologna o espaço que muito raramente um jovem consegue na Juventus, clube a quem pertencia. Na reserva, Bovo (Lecce, formado nas categorias de base da Roma), Gamberini (Bologna) e mais dois nomes do Parma: Paolo Cannavaro (que não foi titular por causa de uma contusão) e Potenza. Uma rápida olhada nesta lista mostra que Bologna e Parma estão com a nata das esperanças italianas no setor.

Meio-campo e ataque: ainda mais opções

Se a defesa tem opções, o meio-campo é ainda mais rico. Palombo (Sampdoria), Donadel (Milan), Pinzi (Udinese), De Rossi (Roma) e Matteo Brighi (Juventus), são todos nomes que o internauta mais atento deve ter visto com freqüência na Série A. Palombo, De Rossi e Donadel são centrais marcadores, mas com bom passe e posse de bola; Brighi é um pouco mais ofensivo, enquanto Pinzi prefere jogar pela direita (embora atue no meio em seu clube). Simone Del Nero (Brescia) foi a revelação do Europeu; atacante de origem, pode jogar atrás dos atacantes ou pela ala-direita.

No ataque, os nomes são ainda mais conhecidos. Alberto Gilardino (Parma) já é uma estrela, tendo batido várias marcas nesta temporada, colocando-se como o sexto maior artilheiro da história do campeonato com menos de 21 anos; ao seu lado, Giuseppe Sculli (Juventus, estava emprestado ao Chievo), foi seu parceiro mais constante. Gilardino é centroavante nato, enquanto Sculli tem vocação para as laterais.

Andrea Caracciolo é uma revelação bresciana que está na órbita Milan, e só não foi titular porque Gilardino teve uma temporada espantosa. D’Agostino (Roma) é meia em seu clube, mas é o vice-Sculli deste time. O último nome do setor é o de Floro Flores, escola Napoli, atualmente na Sampdoria. Flores teve poucas chances mas deve jogar bem mais nesta temporada que virá.

Vendo um elenco tão recheado assim, a perguinta é óbvia. Se a Itália é tão forte na categoria, o que acontece que a seleção principal não vence nada desde 1982? A resposta está no excesso de estrangeiros do torneio. Quando se trata de “importar” um Kaká, um Chivu, ou um Stam, não há o que se questionar. Mas será que no lugar das legiões de estrangeiros de Inter, Udinese ou Perugia, não existiria lugar para que promessas como Caracciolo, Donadel e Bovo tivessem mais espaço?

Itália precisa de Pirlo. E talvez não só

A estréia italiana na Euro foi quase decepcionante. Se a Itália tivesse perdido, já seria uma tempestade, porque no nível do jogo, o grupo de Trappatoni foi amplamente dominado pela Dinamarca, tendo de se agarrar às individualidades para criar algumas chances.

Só que o buraco mais vistoso é a falta de um homem com capacidade de pensar o jogo e aciona-lo com velocidade. No espaço em que estavam Zanetti e Perrotta, quase nada disso foi feito. E no banco, ‘Trap’ deixou um certo Andrea Pirlo observando agoniado a sua Itália viver de lampejos.

Pirlo é um jogador que seria titular em qualquer seleção do mundo (inclusive a brasileira). Sua visão de jogo, técnica e passe apurados foram o rotor que levou aos dois anos de conquistas do Milan de Carlo Ancelotti. Pelos pés do jogador bresciano, passa todo o jogo do Milan. Tanto que, para um time não ser dominado pelos atuais campeões italianos, a primeira obrigação é bloquear o volante.

Perrotta e Zanetti são jogadores regulares, mas não têm capacidade de injetar a criatividade que a Itália precisa no setor. Sua entrada solicitaria um reforço defensivo (talvez com o sacrifício de Zanetti e Camoranesi em prol de Fiore e Gattuso, por exemplo), mas é um risco que Trapattoni precisa correr se não quiser ver outra partida opaca como a que a Itália apresentou.

Outra nódoa a ser eliminada é no ataque. Del Piero está sendo forçado a exercer papéis defensivos que o prejudicam, em prol do esquema de Trappatoni. Para jogar como está jogando, é melhor deixa-lo no banco. Claro, o melhor mesmo seria alterar o esquema para deixa-lo à vontade com Vieri, ajudados por Totti (que em momentos decisivos, com a Itália, ainda não deixou sua marca). Também nesta mexida seriam exigidos novos reforços para a defesa.

Uma possibilidade seria a manutenção da defesa como está (Panucci, Nesta, Cannavaro e Zambrotta), mas com um meio-campo onde Gattuso fosse o ferrolho, caidno mais para a direita, com Pirlo no meio, auxiliado por Perrotta; à frente deles, Totti jogaria livre com Del Piero e Vieri. Sim, o time ficaria mais vulnerável, mas teria chances de fazer o jogo ao invés de ter de gerenciar os avanços adversários. Possibilidades de isso acontecer: remotas, muito remotas…

E adivinhe: a Inter vai trocar de técnico

A Inter de Milão é mesmo uma fonte de sofrimento para seus torcedores. Por pressão de Massimo Moratti, que era presidente do time, renunciou, mas continua mandando, o clube de Via Durini deve anunciar nesta semana a contratação de Roberto Mancini para o lugar de Alberto Zaccheroni, cujo tapete foi sordidamente puxado.

A presepada é tamanha no clube que, para que o “presidente” oficial, Giacinto Facchetti, herói interista da década de 60, não tenha de renunciar, Zaccheroni está sendo convencido a “se demitir”. Isso porque Facchetti apoiou Zaccheroni publicamente e disse que a sua própria continuidade da presidência estava ligada à manutenção do técnico de Cesenatico.

Vale lembrar que a Inter ainda mantém sob contrato o treinador Hector Cúper (claro, ganhando cerca de € 7 milhões anuais). Todo este rebosteio tem a mão de Massimo Moratti, que é a prova viva de que um torcedor não pode ser dirigente, ou pelo menos, não pode ser torcedor na hora de tomar decisões.

A contratação de Mancini, pelo menos, evita que a Inter mande Vieri “embora”, e ainda para a Juventus. O treinador da Lazio já exigiu sua permanência como condição e vai fazer a 134a lista de reforços da Inter nos últimos vinte minutos. O frenesi de mercado interista deve continuar, e agora os nomes da vez são Davids (sem clube, última temporada na Juventus e Barcelona), César (Lazio), Oddo (Lazio) e até o estegossauro Mihajlovic (?!?), também da Lazio.

Se é que dá para tirar alguma coisa positiva do enésimo rocambole azul-e-preto, é que pela primeira vez desde 2000 a Inter vai tomar a decisão de trocar de técnico antes da temporada começar. A última vez que esse “detalhe” de planejamento aconteceu foi quando Moratti quis de qualquer jeito arrancar Hector Cúper do Valencia. Mancini é um excelente técnico, mas que ninguém se assuste se ele estiver na fila do seguro-desemprego antes de junho de 2005.

Curtas

O destino do “pobre” Zaccheroni pode acabar sendo a Fiorentina, que vai disputar nesta semana a promoção contra o Perugia

Firenze seria uma boa chance para o treinador romagnolo de relançar sua carreira, prejudicada por uma demissão no Milan, mais duas temporadas “fracassadas” na Lazio e Inter

O substituto de Luigi Del Neri no Chievo é Daniele Beretta, uma “aposta” para o clube do Veneto

No rebaixado Modena, o novo treinador é Stefano Pioli

A Atalanta confirmou as previsões e garantiu a última vaga entre as promovidas para a Série A

Dança dos técnicos, ainda: o Siena anunciou Luigi Simoni, primeiro treinador de Ronaldo na Itália

Por último, pratcamente oficializada a volta do polêmico Zdenek Zeman à Série A, agora com o Lecce

O Milan precisa de um jogador para a faixa esquerda, para não correr risco com Kaladze e Pancaro, ambos se refazendo de contusões

Mauri (Modena) e Pieri (Udinese) são as opções a custo contido que o clube analisa

Na semana passada, Totti deixou no ar a possibilidade de ir para o Milan, caso a Roma não contratasse pelo menos 5 ou 6 jogadores

A pressão deve dar resultado: a Roma negocia exaustivamente para obter Ferrari e Gilardino, do Parma

Os dois eram dirigidos pelo novo técnico da Roma, Cesare Prandelli, também vindo do Parma

Eterno caldeirão

Talvez a explicação seja astrológica, esotérica, mística ou sei lá o que. O fato é que alguns clubes parecem jamais ter paz. Até quando as coisas vão bem, a coisa ferve. Em todo o mundo é assim. Em tais lugares, a crise sempre aguarda atrás da esquina; a agitação está a um passo da glória.

Na Itália, este clube é a Inter. Claro, os 15 anos sem títulos acentuaram o problema. Só que o “caldeirão” de Appiano Gentile tem uma tendência “histórica” para a entropia, para o caos, para o litígio. Nesta temporada, a discussão, acreditem ou não, gira em torno de Christian Vieri, o homem que fez 106 gols em cinco anos de Inter.

Em qualquer clube do mundo, Vieri seria preservado como um Boticcelli em um museu imponente. Mas na Inter, Vieri é contestado por parte da torcida, pelo treinador, pela diretoria, por todo mundo. Tanto que, segundo a imprensa local, a Inter está fazendo de tudo para conseguir se desfazer de seu jogador número 1.

É bem verdade que se livrar de pagar o salário de € 7milhões anuais seria um alívio para os cofres do clube. Mas um clube que paga € 4,5 mi por ano para Recoba, não tem direito de querer economizar justamente no seu único jogador capaz de definir as partidas, e que arrasta a Inter quase sozinho.

Para “interizar” ainda mais a situação, o clube ‘nerazzurro’ está negociando justamente com a Juventus. A Inter quer Di Vaio e Blasi em troca de Vieri, que segundo consta, já teria até entrado em acordo com o time de Turim. O negócio não estaria fechado porque a Juve considera a pedida alta demais, e aceita somente dar Di Vaio.

Marco Di Vaio é um ótimo jogador, mas Vieri, mesmo não sendo um prodígio de técnica, é um fabuloso goleador, e em qualquer campeonato. Entrega-lo para uma Juventus que terá Fabio Capello no comando é quase pedir para tomar na cabeça. Exatamente o que está acontecendo.

Vieri está sendo somente mais um capítulo da gestão Massimo Moratti, onde os craques chegam à Inter, não jogam nada, são dispensados, e viram craques de novo, como aconteceu com Pirlo, Seedorf e tantos outros. Moratti pode amar a Inter, mas sua gerência de elenco é desastrosa. E visivelmente manipulada por empresários gulosos.

O problema do “excesso de paixão” de Moratti parecia ter sido superado com a indicação de Giacinto Facchetti para a presidência do clube. Os últimos meses, porém indicaram claramente que é Moratti que manda e desmanda, e a entropia interista segue aumentando.

Quando se fala de mercado de jogadores na Itália, dificilmente a Inter não é uma das “interessadas”. Renovando o elenco como se precisasse de uma transfusão de sangue, o clube nunca forma um time, jamais respalda um treinador e sempre tropeça nos próprios cadarços. Se ceder Vieri à Juventus, vai fazê-lo mais uma vez. E aí, no próximo “Derby d’Italia”, Vieri vai se vingar da Inter com uma fúria incrível.

Pronta!

Se o técnico Giovanni Trapattoni não tiver nenhum contundido antes do início da Eurocopa, o seu time titular ‘ideal’ será mesmo aquele que se imaginava , antes da convocação. Trapattoni aprovou em bloco o desempenho de seus jogadores e tomou cuidado para evitar a casca de banana que era deixar Del Piero no banco.

‘Trap’ teve um único incidente com Angelo Peruzzi, goleiro da Lazio, de 34 anos, que se sentiu mal, achando que estava sendo relegado incondicionalmente à posição de terceiro goleiro. Mas cuma conversa com o técnico parece ter esclarecido tudo. Até porque Buffon é titular até numa seleção mundial…

Na verdade, mesmo Peruzzi sendo um excelente arqueiro, convoca-lo foi um erro. Isso porque dificilmente o jogador da Lazio ganharia a posição de Buffon e Toldo (titular na última Eurocopa). E assim sendo, a experiência indica que para o papel de goleiro “3”, é sempre melhor convocar um jogador novo, que possa ganhar experiência para futuras competições. Nesta caso, Pelizzoli, da Roma, era o mais indicado.

Digressão feita, voltando à escalação, já supondo Buffon no gol: Panucci, Cannavaro, Nesta e Zambrotta; Camoranesi, Perrotta e Cristiano Zanetti; Totti; Del Piero e Vieri. Este é o time que, segundo Trapattoni, deve começar a partida contra a Dinamarca. E Trap deu boas explicações para isso.

Uma das dúvidas era entre Cassano e Del Piero. A imprensa de Roma, principalmente, queria Cassano por causa de sua excelente temporada. Mas Trappatoni deu uma dentro ao manter Del Piero. Segundo ele (‘Trap’), o time ficava muito desequilibrado com Cassano. Isso sem falar que o juventino agrega uma experiência muito maior.

Outra dúvida era uma possível utilização de Fiore no lugar de Camoranesi. Só que o jofador da Lazio, além de estar numa forma física pior do que a do juventino, também não oferece ao time as incursões à linha de fundo proporcionadas por Camoranesi. E assim, as dúvidas foram praticamente dissipadas.

Cassano, Fiore, Pirlo, Gattuso e Di Vaio são os “quase titulares”, ou seja, aqueles que podem ganhar uma vaga de acordo com os acontecimentos. É umbanco excelente. Mas o internauta atento já percebeu. Apesar de ter uma dupla de zaga espetacular, a zaga central é a única posição onde Trappatoni não tem opções à altura. O negócio é torcer para Cannavaro e Nesta não sentirem nem uma dor de barriga.

Curtas

A Roma está chorando na rampa, mas deve acabar vendendo o brasileiro Emerson para a arqui-inimiga Juventus

O meio-campista quer continuar sob a batuta de Capello, e na Juve, os dois sabem que podem fazer parte de um time histórico

Se Emerson sair, a primeira opção da Roma é Perrotta, do Chievo

Uma curiosidade: Perrotta já foi da Juventus.

Seu passe, no entanto, foi dado ao Bari como parte do pagamento pela contratação de Zambrotta, em 1999; depois disso, o meio-campista foi para o Chievo

Perdido Samuel para o Real Madrid, e Zebina para a Juventus, a Roma deve apostar em Philippe Méxes, zagueiro do Auxerre

Outra opção é Matteo Ferrari, do Parma

Certo mesmo é que a Roma vai contratar um zagueiro para ser titular

O Chelsea teria feito uma oferta de US$ 50 milhões mais o passe de Hernán Crespo por Shevchenko

O Milan e o Chelsea negam, mas se foi verdade, Sheva, que acabou de renovar com o clube de Milão até 2009, pode se sentir MUITO querido, porque é grana pra c….

Ainda em Milão: a contratação de Verón, por empréstimo, é a primeira acertada em muito tempo, supondo-se que o argentino volte a jogar o que sabe

Neste final de semana, mais um time meridional conquistou vaga para a Série A

Se trata do Messina, da cidade de mesmo nome

A Atalanta também está praticamente promovida

Só não sobre se perder sua última partida e a Fiorentina vencer a sua

Daí, invertem papéis, com a Atalanta (e não a Fiorentina) pegando o Perugia num playoff

Mais Juventus, mais Capello

Estupefata. Assim amanheceu a metade ‘giallorossa’ de Roma na manhã de quinta-feira, quando chegaram os primeiros rumores de que Fabio Capello estaria deixando o clube para ir para a arqui-rival Juventus. A mesma Juventus para a qual Capello jurara jamais retornar, resquício da mágoa pela maneira como foi dispensado, ainda jogador.

Capello venceu três ‘scudetti’ em Turim, como jogador. E a menos que algo inesperado aconteça, deve vencer mais do que isso nessa sua nova empreitada. O acerto entre Juve e Capello tem uma mira bem precisa. A Juve tem de voltar a ser Juve – ou seja – voltar a vencer muito, e rápido. Capello também quer retomar o cetro de melhor técnico do mundo. E sabe que em Turim, terá mais condições para isso do que em qualquer outro lugar.

Ambos arriscam muito na jogada. Capello sabe que o clube exige sucessos imediatos, e além disso, deixou uma legião de inimigos em Roma, depois de sua “traição”. E a Juventus resolveu bancar o técnico mais caro possível para fugir de apostas. Um trato bem maquiavélico, italiano. Um acordo entre dois gigantes.

Tanto pior para a concorrência. A especialidade de Capello é a de fazer defesas impenetráveis, exatamente o ponto fraco do time ‘bianconero’ nesta temporada. ‘Don Fabio’ já deu suas indicações para a diretoria. Já contratado o zagueiro Zebina, e acertados os retornos de Blasi e Brighi para o meio-campo, o técnico quer um homem para a parte direita da defesa (Thuram jogará como central).

Se a Juventus conseguir o brasileiro Emerson, prioridade total de Capello (mas que parece destinado ao Real Madrid), fica apenas a dúvida sobre quem será companheiro de ataque de Del Piero, já que a ruptura entre Trezeguet e o clube parece irreversível. Esquema? Quase certamente um 4-4-2, onde Nedved volta a jogar como ala-esquerda, Camoranesi na direita, e Appiah tenta tirar a vaga de Tacchinardi.

Em tudo há risco, e, mesmo numa união aparentemente impossível de dar errado, as duas partes podem se dar mal. Mas é difícil. É duro imaginar que uma dupla de jogadores tão habituados à vitória como Juve e Capello acabem em outra coisa que não um novo ciclo de sucessos. A Juventus já é favorita para a próxima temporada. Dependendo de como for o seu mercado de reforços, pode virar até uma aposta certa.

Sinais de vida inteligente na “Azzurra”

A Itália estava um pouco apreensiva com o amistoso contra a Tunísia. Muitos jogadores contundidos, alguns extenuados pelo campeonato, outros ainda em postos em que pairavam dúvidas, com a número um atendendo pelo nome de Alessandro Del Piero, que é sempre contestado quando veste a camisa italiana.

É certo que a Tunísia campeã africana jogou desfalcada, mas o 4 a 0 da Itália sobre a equipe de Roger Lemerre, o último técnico campeão europeu, mostraram que os italianos têm todas as condições de fazer um torneio buscando o título.

A defesa italiana comprovou sua eficiência com a dupla Nesta-Cannavaro, eximindo este último de suspeitas, devido à sua temporada irregular. Zambrotta, como lateral-esquerdo, apoiou o quanto pôde, e Buffon, salvo este colunista se engane, estará no gol da Itália na Euro, como titular.

O técnico Trappatoni começou com sua dupla de volantes Perrotta-Zanetti, que até não foi mal, mas o duo milanista Gattuso-Pirlo surpreendeu e criou uma bela dúvida na cabeça do técnico. Pelo que Pirlo joga, não pode ficar fora do time; se ele joga, precisa de Gattuso como seu escudeiro, pois nem Perrotta nem Zanetti são tão fortes na defesa.

O ataque tem já escalados Totti como armador e Vieri como centroavante. E o segundo atacante? A vaga oscila entre Del Piero e Cassano, já que Corradi é considerado opção à Vieri. Cassano jogou melhor do que Del Piero neste domingo, e o jogo pode induzir ‘Trap’ à dúvida.

É certo que Cassano seja um grande jogador e que mereça sua vaga no grupo. Mas abrir mão de Del Piero seria burrice, a menos que ele esteja caindo pelas tabelas. ‘Ale’ é o parceiro ideal para Vieri, tem técnica e muito mais experiência do que Cassano.

A nova espera de Trappatoni agora é para começar o Mundial sem contundidos, fato quase impossível, uma vez que historicamente, nunca a primeira lista vai completa para o torneio. Espaço para surpresas? Difícil. O técnico é teimoso como uma mula e se alguém sair, deve preferir um coadjuvante a uma nova estrela que possa romper o equilíbrio do grupo.

Roma, na mosca: é Prandelli

De todas as possibilidades que a Roma tinha para substituir Fabio Capello, nenhuma era melhor do que a que foi adotada. Com um orçamento mais curto, sem Capello nem Samuel (já vendido ao Real Madrid), o clube da capital optou por fechar com Cesare Prandelli, treinador que segurou a barra de um Parma devastado nesta temporada.

Prandelli não pede jogadores renomados, trabalha excepcionalmente bem com jovens, e monta times de verdade, preparados para jogar impondo o seu ritmo. Fez isso no Parma deste ano, reforçando o nome de uma baciada de novatos, entre eles, alguns que podem segui-lo para a própria Roma, como o atacante Alberto Gilardino, o meio-campista Simone Barone e o zagueiro Matteo Ferrari.

Ferrari, aliás, é o predileto para ocupar a vaga de Samuel, que foi embora deixando US$ 30 milhões nos cofres do clube. A maior parte vai para pagamento de dívidas, mas ainda sobra o suficiente para uma reposição à altura do que Prandelli exige. Se também sair Emerson, outro caminhão de verbas diminui o déficit romanista, e chega outro reforço, onde os mais indicados são Simone Perrotta (Chievo) e Pizarro (Udinese).

Sob o comando de Prandelli, prepare-se para ver o brasileiro Mancini jogando no meio-campo, quase como ponta, ao lado de Totti e Cassano. O centroavante? Como Montella não dá segurança na parte física, é possível que a Roma faça outra aquisição importante. Os nomes em voga são os de Caracciolo (Brescia), Morientes (Real Madrid) e Hossam “Mido” Hassam, do Olympique Marselha. Destes, o único viável financeiramente é Caracciolo, ainda uma incógnita para um time de Liga dos Campeões.

Mais “Mezzogiorno” na Série A

O último final de semana definiu três participantes da “Coppa Giovanni Havelange”, ou Série B, que vão jogar a primeira versão da Série A com 20 clubes, depois que o torneio em dois grupos foi abolido, no fim da década de 20. O Palermo de Francesco Guidolin, o Livorno de Silvano Bini, e o Cagliari de Edoardo Reja já garantiram as suas vagas.

A festa em Palermo foi como uma final de Copa do Mundo. O time calabrês volta à Série A depois de 30 anos, para uma platéia fanática, como a do estádio Renzo Barbera, ou “La Favorita”. O clube trocou de treinador durante a competição e foi uma das raríssimas exceções onde a mexida deu certo.

Nos últimos torneios a região do “Mezzogiorno”, o sul da Itália, estava quase que completamente alijado da competição. Duas temporadas atrás, chegou-se ao ponto de Roma e Lazio serem as duas equipes mais ao sul da Série A. Agora, com a volta de Palermo e Cagliari (e provavelmente, também o Messina), o sul volta a ter representatividade, fazendo um grande bem ao tão maltratado (pelos dirigentes) ‘calcio’.

Pelas outras duas vagas de promoção direta, lutam Atalanta e Messina (com 73 pontos a duas rodadas do fim do torneio), e a Fiorentina, com 70. O Piacenza, com 67, tem chances matemáticas, mas são basicamente estatísticas. A verdadeira luta do time piacentino será com a Fiorentina, pela sexta posição, que dará uma vaga num playoff contra o Perugia. Para este posto, a Ternana também ainda tem chances (65 pontos), mas só é beneficiada pela matemática.

A Série B deste ano tem de tudo para ser esquecida. Começou com uma virada de mesa sórdida, teve confrontos entre polícia e torcida durante toda a temporada, e até um morto no jogo Avellino – Napoli. É muito bom que clubes importantes como Palermo e Atalanta voltem à Série A, mas além deles, bem pouca gente vai se lembrar desta temporada com boas memórias.

O bom atacante Luca Toni, com 28 gols, é o novo recordista de gols numa única temporada pelo Palermo

É bastante provável que Toni seja sondado por times da Série A, tal a sua performance na série ‘cadetta’

A Juventus estava acertando a compra de Chevantón, do Lecce, por € 8 milhões, mas o insolente Palermo ofereceu € 9 mi, num leilão meio irreal

Sem Chevantón, a Juve trabalha com os nomes de Vieri (Inter), Gilardino (Parma), ou Ibrahimovic (Ajax), claro que, todos, com perfis bem diversos

Praticamente certa a contratação de Zdenek Zeman pelo Lecce

Uma boa nova para a Série A

Se a Juve fizer uma proposta por Vieri, deve colocar Di Vaio como forma de torna-la mais interessante

Vale recordar que Di Vaio interessava à Inter há dois anos, quando a Juventus se antecipou, obrigando a Inter a pegar Hernán Crespo

O Milan está bastante imóvel neste início de mercado

Além de Stam e Dhorasoo, já contratados, o nome do clube de Via Turati só é mencionado quando se fala de Corradi, da Lazio

Segundo um agente do Real Madrid, Roma e os “Merengues” já se acordaram pelo passe de Emerson

Claro que, usualmente, declarações de empresários são tão confiáveis quanto um castelo de cartas

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