Mês: abril 2004

Domingo é a final

A torcida do Milan até que acreditava, mas só na base da fé. O Milan poderia ter saído deste final de semana com o título na mão, mas o improvável precisava acontecer. A Roma teria de perder em casa para o Empoli (hoje na zona de rebaixamento) e o Milan teria de superar o difícil campo de Udine, onde somente quatro vezes os friulanos foram batidos.

Deu a lógica, e a decisão ficou adiada, por pelo menos mais uma semana. Mas assim, o embate entre Milan e Roma, no Giuseppe Meazza, no domingo que vem, ganha ares de decisão. Para seguir sonhando, a Roma tem de vencer de qualquer modo. No caso de um empate, o Milan passa a precisar de um ponto nos dois últimos jogos. E se os milanistas saírem vitoriosos, levantam a taça diante de sua torcida.

A comparação histórica dá larga vantagem ao Milan. Das 68 partidas disputadas em Milão entre as duas equipes, a Roma venceu apenas oito, sendo que a última, em 1987. Na comparação global, nos 136 jogos entre Milan e Roma (ida e volta), o Milan ganhou 64 e perdeu 32, com uma vantagem de 61 gols. Um motivo a mais para os milanistas não relaxarem, pois a sorte adora derrubar a estatística.

No jogo de ida, em Roma, a vitória do Milan, em 6 de janeiro, começou a provar que o time de Carlo Ancelotti era mais sólido do que o de Fabio Capello. Sob o aspectodos desfalques, outro empate. Nenhum dos dois times têm jogadores suspensos, mas ambos têm três atletas na enfermaria. O Milan não deve contar com Kaladze, Inzaghi e Pancaro; a Roma está privada de De Rossi, Zebina e Montella.

Nesta não vai acompanhar a seleção no amistoso contra a Huingria, mas provavelmente só por precaução, assim como De Rossi deve acabar tendo condição de jogo (embora Dacourt dificilmente perca a vaga). Mas como é que os dois treinadores tentarão a cartada decisiva?

Na Roma, não há mistério: Totti é quem decide. Anulado, a Roma não tem para onde correr, embora Cassano e Emerson sejam ótimos jogadores. Capello sabe disso, e deve apostar em Mancini para aproveitar as suas descidas, bem como usar D’Agostino como o meia-armador para municiar Totti.

No Milan, parece superada a bobagem da obrigação de jogar com dois atacantes. Ancelotti certamente fará marcação especial em Totti, escalará Kaká ao lado de Rui Costa, com Shevchenko mais adiantado. Quem pode acionar a máquina milanista é Pirlo. Se o mediano jogar sem marcação, causará estragos, porque terá uma infinidade de opções. Capello está ciente disso.

A vantagem territorial, na tabela e histórica aponta para o Milan como favorito. Mas o fato do jogo ser praticamente uma final é um fator que equilibra as coisas. A Roma era apontada, precipitadamente, no primeiro turno, como favoritíssima, e o Milan venceu. Se não houver mais desfalques, o bom senso colocaria o Milan com um favoritismo levíssimo, mas não mais que isso. Mesmo assim, segue com a faca e o queijo na mão para ganhar o título.

Juventus assina a demissão de Lippi

Marcello Lippi, o treinador da Juventus, já vinha cambaleando depois da desclassificação na Liga dos Campeões. O próprio já admitira, no passado, que pararia se não vencesse esta edição do torneio. Depois vieram as derrotas para a Roma, Milan e Lazio, na Copa Itália. Agora, perder em casa para o Lecce, foi a gota d’água. Na temporada que vem, só um milagre mantém o viareggino no Delle Alpi.

Lippi e seu time estavam secos por uma vitória, e acharam que o pobre Lecce poderia servir de “judas”. Tanto é que Lippi escalou uma defesa a quatro com Zambrotta lateral-esquerdo, um meio campo com Tudor, Appiah e Di Vaio (!), mais Nedved atrás de Miccoli e Trezeguet.

Quando o marfinense Konan (sem trocadilhos engraçadalhos) fulminou Buffon aos 30min do primeiro tempo, virando o jogo (Trezeguet abrira o placar aos 3min e Franceschini igualara aos 23min), Lippi jogou a toalha e admitiu que tinha mandado uma Juventus pessimamente escalada. A oficialização da capitulação de Lippi veio aos 35min, quando ele sacou Di Vaio, mandando Pessotto a campo, recompondo um meio-campo esbugalhado.

Era tarde. Konan estava mesmo numa tarde extraordinária, superou Buffon mais uma vez, ainda no primeiro tempo, e Chevantón, preciso como um relógio suíço, fechou questão aos 7min da segunda etapa. Maresca e Del Piero ainda diminuíram a distância, mas os quatro gols sofridos pela Juve já tinham feito o estrago. A mesma quantia de gols que encerraram a primeira passagem de Lippi pela Inter, em 1999, numa derrota também em casa, mas diante do Parma.

Lippi não será demitido imediatamente porque não haveria motivo. O clube juventino, apesar de tudo, ainda pode sonhar com o segundo posto (acesso direto à Liga dos Campeões), e mandar o técnico embora só conturbaria o ambiente. Contudo, seu futuro, que estava selado, mas nos bastidores, agora está abertamente decidido, com a Juventus já contatando possíveis substitutos. Os nomes mais cotados: Didier Deschamps (Monaco), Cesare Prandelli (Parma) e Luigi del Neri (Chievo). Outra certeza: a defesa juventina sofrerá mudanças radicais para a próxima Série A.

O ‘scudetto’ é o quarto posto

Ainda há uma briga considerável pelo título na Itália, na medida em que uma vitória romanista, domingo, pode deixar as duas últimas rodadas eletrizantes. Também é verdade que a luta na parte de baixo da tabela, também é sangrenta. Nenhuma, porém, é mais indefinida do que a luta pelo quarto lugar, o último que dá vaga para a Liga dos Campeões.

Internazionale (53 pontos), Lazio e Parma (ambos com 52) travam uma briga de foice, e, se há algumas rodadas, era possível dizer que este time ou aquele tinham vantagem, agora, se alguém tem vantagem, mínima, é a Inter, com um ponto a mais que os rivais.

A jornada de número 32 é claramente favorável ao Parma. O time ‘gialloblú’ (que precisa mais do que ninguém da injeção de dinheiro da LC) pega o rebaixado Ancona em casa, enquanto a Lazio recebe a ameaçada Reggina no Olímpico, e a Inter faz uma viagem duríssima a Lecce (melhor time do segundo turno, depois do Milan).

Na penúltima rodada, provavelmente a partida que decide a vaga. O encontro direto entre Inter e Parma, em Milão. Não que a Lazio tenha um jogo mole (vaià Brescia, pegar um Roberto Baggio que ainda pensa sim em Seleção), mas uma vitória na partida de San Siro seria quase que definitiva.

Na 34a rodada, somente o Parma tem um compromisso teoricamente difícil. Recebe a Udinese, em busca de pontos para a Copa UEFA, no Ennio Tardini, enquanto a Lazio recebe um Modena ascendente, e a Inter viaja a Empoli para enfrentar um time que a humilhou dentro do Giuseppe Meazza.

Como se vê, os resultados de cada rodada podem tirar times da briga ou colocá-los como favoritos na corrida. À parte o embate Inter x Parma, o que parece mais plausível é que a equipe que desperdiçar menos pontos contra os “pequenos”, é a que fica com a quarta vaga. Mas nessas últimas três rodadas, e fugindo do rebaixamento, esses pequenos vão se agigantar.

A nostálgica “Azzurra” de Trapattoni

Giovanni Trapattoni decidiu fazer uma homenagem a dois veteranos da “Azzurra” e pode acabar criando uma dor de cabeça. Na sua convocação para o amistoso contra a Hungria, nesta quarta, no estádio Marassi, em Genova, os nomes incomuns foram os de Roberto Baggio e Angelo Peruzzi.

A homenagem vem até num momento em que muitos dos titulares de Milan e Roma (Totti, Nesta, Gattuso) sentiram “repentinas” dores, que só serão curadas na quinta de manhã. Não querem arriscar a partida de domingo entre as duas equipes, crucial na ótica do título.

A grande questão é: se Roberto Baggio fizer chover (e ele SABE fazer chover), poderá Trapattoni deixá-lo de fora da convocação para o Europeu, mesmo depois de ter se arrependido de fazer isso em 2002? E quem seria sacrificado?

Genova dá sorte à “Azzurra”. Em 22 partidas, a Itália só perdeu duas vezes, sendo que a última foi há 80 anos (4 a 0 para a Áustria, em jogo amistoso). A última vez em que o selecionado italiano se apresentou na capital da Ligúria, foi com uma vitória sobre Portugal, na estréia de Luiz Felipe Scolari como treinador, em fevereiro de 2003. Os convocados:

Goleiros: Buffon (Juventus), Peruzzi (Lazio);
Defensores: F. Cannavaro e Materazzi (Inter), Favalli e Oddo (Lazio), Ferrari (Parma), Legrottaglie e Zambrotta (Juventus), Panucci (Roma)
Meio-campistas: Ambrosini e Pirlo (Milan), Diana (Sampdoria), Fiore (Lazio), Nervo (Bologna), Perrotta (Chievo)
Atacantes: R. Baggio (Brescia), Corradi (Lazio), Di Vaio (Juventus), Miccoli (Juventus), Vieri (Inter)

Curtas

Os 76 pontos conquistados pelo Milan no empate em Udine já são um novo recorde para os campeonatos de três pontos por vitória

Maldini passou a ser o 5o jogador com maior número de presenças na Série A, 532, junto com o goleiro Albertosi. O próximo a ser atingido é Roberto Mancini, com 541

O recoordista absoluto é Dino Zoff, com 570

Também na partida contra a Udinese, Maldini passou Baresi, em partidas de campeonato pelo Milan, com a diferença que Baresi jogou algumas delas na Série B, enquanto Maldini só jogou na divisão máxima

Recorde negativo para a Juventus, que há 10 anos não sofria 40 gols em uma temporada da Série A

Na trágica derrota para o Lecce, David Trezeguet completou 100 jogos de Série A pela Juve, com 63 gols anotados

Esta é a seleção Trivela desta 31a rodada

Peruzzi (Lazio); Stam (Lazio), Kroldrup (Udinese) e Mihajlovic (Lazio); Franceschini (Lecce), Ledesma (Lecce), Tedesco (Reggina) e Blasi (Parma); Totti (Roma); Konan (Lecce) e Chevánton (Lecce)

A centrífuga Inter

Frey (Parma); Simic (Milan), Ferrari (Parma), Silvestre (Manchester United); Brocchi (Milan), Pirlo (Milan), Di Biagio (Brescia) e Seedorf (Milan); Roberto Baggio (Brescia); Mutu (Chelsea) e Vieri. Esta escalação é mais uma licença poética do que outra coisa, pois é um tanto quanto desequilibrada. Só que, inegavelmente, é composta de jogadores que são, na sua maioria, titulares absolutos em alguns dos maiores times da Europa. O ponto em comum? Todos foram escorraçados da Inter, ou vendidos a preço de banana.

O internauta atento há de se perguntar: “Mas o Vieri não está na Inter?”. Está. Ainda. Mas depois do último final de semana, é bem possível que Bobo Vieri, que outro dia completou 100 gols com a camisa interista, seja mais um bom jogador a deixar Appiano Gentile, “mandado embora”.

Quando soube que não seria titular contra o Bologna, Vieri simplesmente disse que não ia ficar no banco. Sua justificativa era a de que preferia ficar treinando em Appiano Gentile para melhorar a sua forma. Disse também que não devia satisfação ao treinador Alberto Zaccheroni, pois só falava com o presidente (na verdade, o ex-presidente Massimo Moratti).

Indiscutivelmente, Vieri foi um poço de arrogância no episódio, só que pela enésima vez, algo dentro da Inter consegue fazer com que seus melhores nomes acabem sendo expurgados praticamente como párias. Note o internauta que, na lista acima, esta coluna nem inclui o nome de Ronaldo, que certamente sentiu o mal-estar de que falamos, mas deixou a Inter porque quis. E ponto.

A saída da Inter na Copa UEFA deve custar a cabeça de Alberto Zaccheroni, mais um entre tantos técnicos que foram dizimados pela mesma máquina que queima jogadores. Se a Inter se classificar pela Liga dos Campeões, deve manter ‘Zac’. Se o fizer, estará condenando mais uma temporada, porque sua posição é fraca, e salvo um milagre, não conseguirá ter força para moldar um time competitivo.

Qual a razão de tanta instabilidade? Ninguém sabe ao certo. Porém, a convivência promíscua entre agentes de jogadores, dirigentes, funcionários do clube de longa data, e eminências pardas, certamente cria espaço para que fungos e bactérias ganhem terreno. Daí, jogadores tratados como refugo pela Inter, como Mutu, Pirlo e Seedorf, tenham ganhado status de mega-astros em outros clubes (para azar da Inter, boa parte deles, no arqui-rival Milan).

O destino de Vieri parece estar traçado, especialmente depois da chegada de Adriano, cujas características são similares às de Vieri. Em qualquer clube, daria-se sangue para colocar os dois em campo a qualquer custo. Na Inter, os “corneteiros” dão um jeito de inventar uma crise e mandam um embora. Se a projeção se concretizar, no ano que vem, Vieri vai estar enchendo as redes de gols. Se bobear, serão as redes do time em que ele joga hoje.

A decisão do ‘scudetto’. E não só.

A ponta da tabela é do Milan. O clube lombardo tem vantagem de pontos e de forma, e é favorito para ser campeão na Itália. Nesta semana, contudo, um jogo realizado em Roma pode ser o fiel da balança na decisão pelo título italiano desta temporada. O ‘replay’ de Lazio x Roma, é quem merece os holofotes da semana.

Só para relembrar: Lazio e Roma jogavam o derby, três semanas atrás, quando marginais da torcida organizada espalharam a notícia de que a polícia tinha matado um garoto torcedor da Roma. A torcida se enfureceu, o clima de pânico tomou conta do estádio e a partida foi suspensa.

Nesta quarta, o jogo mais quente da Itália, ganhou proporções de decisão, para os dois times, e também para Milan, Inter, Juventus e Parma. É que, dependendo do vencedor, o título pode ficar com o Milan, ou pode manter a Roma com esperanças matemáticas. Logo, a parte rubro-negra de Milão vai vestir a camisa da Lazio. Da mesma forma, a Juventus ‘seca’ a Roma, de olho no segundo lugar, que dá acesso direto à Liga dos Campeões.

A vitória da Lazio a coloca na quarta posição, a última que concede vaga à Liga dos Campeões. Desta forma, Parma e Inter querem mais é que a Lazio se enterre; os ‘gialloblú’ e a Milão ‘nerazzurra’ vestem as cores da Roma, de olho na luta pela mais prestigiosa competição européia.

Com o estádio com pelo menos 70% vestido de azul, o time de Roberto Mancini claramente priorizou o ‘derby’, quase perdendo para o Ancona em casa, mas ficando com alguns titulares no banco. A Roma jogou contra o Modena com o time titular, e não fez nenhuma alteração, usando todos os mesmos atletas por 90 minutos. A Lazio talvez não tenha Stam, com uma lesão sofrida contra o Ancona. Previsão em ‘derby’? Este colunista sabe bem que isso é para pedir para errar.

Perugia quer se salvar com “factóides”

Você se lembra da virada de mesa da Série B? Pois é. O vértice da palhaçada foi o Catania, comandado pela família Gaucci. O Catania teve um time ridículo por toda a temporada passada, caiu merecidamente, e conseguiu se manter na segunda divisão num tapetão sujo e cheio de bigatos, que causou conseqüências para Deus e o mundo.

Os Gaucci mostram que têm gosto pela coisa. Agora, com 30 rodadas de campeonato disputadas, Luciano Gaucci, ‘capo’ do time da Úmbria, disse que os “griffoni” não jogam mais nesse campeonato. “Estamos sendo roubados e não vou permitir mais que isso aconteça”.

As perguntas que ficam são: somente depois de 30 rodadas, Luciano Gaucci conseguiu ver o plano malévolo para prejudicar seu time? Será que ele não se lembra que o seu próprio técnico, Serse Cosmi, disse que o elenco se enfraquecera no mercado de janeiro? Ou quando Gaucci veio com a presepada de contratar uma mulher para jogar no time, Cosmi disse que o que o Perugia precisava eram “jogadores de verdade”? E o episódio macarrônico da contratação de “Gheddafinho”, um milionário filho de ditador da Líbia, que tem nível, no máximo, para se exibir no Tabajara FC?

O Perugia vai cair por várias razões. Primeiro, porque fez a besteira de participar da Copa Intertoto e ganhar uma vaga na Copa UEFA. O preço, em termos de preparação física, é altíssimo; segundo, porque o elenco é fraco, e como se isso não bastasse, Gaucci comprou e vendeu jogadores como se estivesse numa feira livre, deixando no ‘Renato Curi’, somente as frutas mais pisoteadas. Terceiro, porque a competição neste ano é acirradíssima.

Serse Cosmi é um excelente treinador, e deve encontrar guarida num time de porte ao menos médio na próxima temporada, mas não é o suficiente para compensar uma gerência estilo Eurico Miranda. O Perugia ainda não caiu, mas se cair, terá sido merecidamente. E pena que não haja justiça suficiente para que o Catania também não seja re-rebaixado. Um feito que até hoje, só o Fluminense conseguiu.

Curtas

Gianluca Pagliuca, veterano goleiro do Bologna, completou 527 partidas pela Série A, igualando o mito Gianni Rivera

A Juventus já prepara um passeio no mercado da bola para este verão europeu

Nomes cotados de verdade: Gilardino (Parma), Kapo (Auxerre), além de uma possibilidade concreta de que Didier Deschamps inicie um novo ciclo em Turim

O goleiro Dino Zoff, aquele que negou a Copa de 1982 ao Brasil, foi o italiano melhor colocado no ranking dos 50 maiores jogadores europeus de todos os tempos, no quinto posto

Paolo Maldini, Franco Baresi, Alessandro Nesta, Alessandro Costacurta e Gianni Rivera (Milan), Marco Tardelli (Juve e Inter), e Roberto Baggio (Brescia) são outros italianos que figuram

O milanista Marco Van Basten (quarto) também entrou no rol, assim como o juventino Michel Platini (nono)

Os três primeiros serão anunciados em Abril

Na segunda-feira, dia de fechamento desta coluna, mau dia para as ações dos clubes italianos

Estabilidade para os papéis da Lazio, enquanto os da Juve caíram 0,51% e os da Roma variaram –6,71%

E esta é a seleção Trivela da 30a rodada do campeonato italiano

Castelazzi (Brescia); Fernando Couto (Lazio), Cannavaro (Inter) e Falcone (Sampdoria); Appiah (Juventus), Gattuso (Milan), Brighi (Brescia) e Totti (Roma); Chevantón (Lecce), Gilardino (Parma), Adriano (Inter).

Segurando a ponta

A derrota dos campeões europeus para o Deportivo la Coruña, a semana passada, não foi só um resultado chocante. Foi também uma pancada no moral de um elenco que já se acreditava semi-finalista. O Milan era favorito para a conquista, CONTANTO que não subestimasse os adversários. O Depor jogou tudo, o Milan nada, e 4 a 0 foi justo. O drama, então, passava a ser a Série A. Mas quão grande é a crise milanista?

Falar em crise já é exagero. O Milan vinha de duas semanas com dois jogos em cada uma (onde empatou com Modena e Chievo, além de eliminar o Sparta e destroçar o Deportivo em Milão). Some-se a isso os jogos das seleções, que levaram praticamente todo o time titular do Milan para longas viagens, dando direito, inclusive, a um Shevchenko sem dois dentes.

Resultado: o estresse físico, mais o cansaço psicológico de uma temporada que já ultrapassou os sessenta jogos, e mais a sensação nítida que os espanhóis eram carta fora do baralho causaram um desastre, tão grande, que até Nesta e Maldini, a melhor dupla de zaga da Europa, jogou como uma dupla de peladeiros.

Voltando à Série A: o Milan precisava bater o Empoli. Teoricamente, uma baba, afinal eram os campeões da Europa contra um time que está para ser rebaixado. Só que o mesmo Empoli já tinha dado uma trabalheira danada no primeiro turno (jogo decidido com uma invenção de Kaká), além de ter batido, no mesmo estádio Giuseppe Meazza, a Inter, semanas atrás. E todo o ‘background’ físico e psicológico já descrito.

O Milan venceu, mas com um gol de pênalti, a quatro minutos do final. A vitória foi merecida, pois o time de Carlo Ancelotti atacou do início ao fim e Dida quase não viu a bola. O preço foi um adicional de desgaste físico e psicológico. Quanto isso vai custar ao elenco é que é a dúvida.

A “vantagem” de ter saído da Liga dos Campeões é que, se o Milan vai deixar de receber pelo menos US$ 20 milhões, pelo menos poderá treinar durante toda a semana, diminuindo o desgaste. Filippo Inzaghi está visivelmente fora de forma, assim como Serginho; Pancaro está exausto, mas Ancelotti ainda não tem Kaladze. Kaká também parece ter iniciado a descendente física, depois de praticamente um ano e meio jogando a níveis inacreditáveis, sem férias.

O caminho mais crível para Ancelotti é o de recuperar Kaladze, dar ritmo de jogo a Inzaghi e Simic, dar espaço a Ambrosini e Rui Costa, fazendo descansar Gattuso e Kaká, e chegar na partida contra a Roma com pelo menos seis pontos de vantagem (já descontado o derby romano interrompido). Mais importante do que treinar, até o fim do torneio, é recuperar energias. O torneio ainda está completamente nas mãos dos milanistas, e por ora, só um milagre salva Roma ou Juve.

Lippi e Juventus próximos do divórcio?

Se você perguntasse a Marcello Lippi, técnico da Juventus, há dois meses, qual era o seu destino na próxima temporada, ele responderia: “Tenho contrato até 2005, e pretendo cumpri-lo”. Na semana passada, pela primeira vez, questionado sobre o mesmo assunto, respondeu: “Meu futuro? É um assunto sobre o qual falaremos logo, agora não é o momento, mas lhes farei uma bela surpresa”, disse Lippi à Gazzetta Dello Sport, deixando os jornalistas setoristas do clube de Turim em polvorosa.

Vamos por partes: a única coisa certa no episódio é que o técnico de Viareggio já sabe o que fará depois de junho de 2004. Ele segue na Juve? Não é impossível, mas tudo leva a crer que seu futuro está na seleção italiana.

Até poucos meses atrás, imaginava-se que Lippi seria um sério candidato ao posto de Giovanni Trapattoni na “Azzurra” no caso do escrete italiano fazer feio na Eurocopa. Contudo, estaria já circulando uma possibilidade conciliatória: ‘Trap’ passa a ser coordenador técnico, enquanto Lippi assume o comando do time. Mais ou menos o que Zagallo e Parreira faziam em 1994 (sim porque hoje, o cargo de Zagallo é muito mais simbólico do que naquela época).

Se Trappatoni aceitasse esta alternativa, tudo estaria bem para todos. Marcello Lippi poderia comandar a Itália, um seu sonho confesso, a Juventus poderia arrumar outro treinador, depois de uma temporada decepcionante, Trapattoni continuaria na esfera de poder do ‘calcio’ italiano. Lindo.

Os indicadores para uma saída de Lippi da Juve ficaram mais intensos, depois que ele admitiu que tem conversado bastante ao telefone com Didier Deschamps, técnico do Monaco semi-finalista da Liga dos Campeões, e preferido da diretoria ‘bianconera’ para o cargo. Além de Deschamps, outros nomes como Luigi Del Neri (Chievo), Cesare Prandelli (Parma) e Gianluca Vialli (atualmente sem clube), também soam como opções plausíveis.

Assim como sua permanência na Juventus não seria uma surpresa, também não seria chocante se Lippi decidisse passar a próxima temporada descansando, ou quem sabe, até, se aposentasse (vale lembrar que ele disse que se não vencesse a Liga dos Campeões desta temporada, penduraria a chuteira).

Quem será o melhor da Série A?

Ainda faltam cinco rodadas para o término do campeonato, mas já é possível fazer suposições sobre quem será o melhor jogador do torneio. A avaliação é normalmente feita através das notas concedidas pela Gazzetta Dello Sport ao longo das 34 rodadas. E quem você acha que são os prediletos?

Pois bem: se a Série A terminasse hoje, haveria um empate técnico entre Francesco Totti (Roma) e Alessandro Nesta (Milan), e em terceiro lugar estaria o veterano genial, Roberto Baggio, do Brescia.

A avaliação é justa. Totti é a Roma, quase sozinho. Há outros grandes jogadores, como Samuel, Cassano e Chivu, mas foram pouquíssimas as partidas em que a Roma jogou bem e venceu, nesta temporada, sem o seu capitão. Totti não só arma as jogadas, mas também arremata (é o artilheiro do time, com 16 gols), e dá segurança para todos os seus colegas.

No Milan, Nesta não é tão indispensável quanto Totti, mas consegue a proeza de se impor entre os melhores do campeonato, jogando na defesa, o que é quase um milagre. O zagueiro é completo, sob todos os aspectos, marca e desarma bem, além de excepcional posicionamento e cabeceio. Outra coisa: Nesta é o único defensor a figurar entre os dez melhores jogadores, segundo a lista da Gazzetta.

A surpresa fica para Roberto Baggio. Não se imagina que um jogador de 37 anos consiga ficar entre os três melhores da liga mais difícil do mundo. Baggio consegue. Mas não é só. O faz enchendo os olhos do público bresciano, fazendo assistências milimétricas e gols sensacionais. Isso para não mencionar a marca ultrapassada de 200 gols na Série A.

Nomes que estiveram muito bem na temporada passada, como Nedved, Maldini e Vieri, ainda estão muito bem, mas com menos regularidade. Nedved teve um começo de temporada ainda arrasador, mas ficou exausto, como tinha de acontecer uma hora; com Maldini, a temporada é muito boa, mas não assombrosa como a anterior, e Vieri paga o preço de estar num clube tão desorganizado quanto a Inter.

Ainda na lista dos melhores, figuram De Rossi e Emerson (Roma), Pirlo e Shevchenko (Milan), e dois atacantes que certamente serão alvos de transações entre os clubes: Gilardino (Parma) e Chevantón (Lecce).

Curtas

Caso Cláudio Ranieri seja demitido do Chelsea, pode acabar treinando um time da Itália

Muito se fala da saída de Roberto Mancini da Lazio, e nesse caso, Ranieri encabeça a lista

Claro, desde que não queira ganhar um salário “abramovichesco”

Vamos à seção “caça-boatos”

Astros da Itália que podem acabar em outros campeonatos (mas podem mesmo!)

Trezeguet (Juventus), Vieri (Inter), Samuel e Emerson (Roma), Cláudio López (Lazio) e Rui Costa (Milan)

Astros da Itália que só saem por verbas irreais (tipo a que tirou Zidane da Juventus)

Seedorf e Tomasson (Milan), Nedved (Juventus), Totti e Cassano (Roma)

Jogadores cuja “possível transação” é balela

Pirlo, Shevchenko e Kaká (Milan), Del Piero e Buffon (Juventus), Adriano (Inter)

Só por curiosidade: Maldini entrou em campo com seu filho, Christian, que já joga nas divisões de base do clube e promete ser a terceira geração da família em Milanello (foto)

Esta é a seleção Trivela da 29ª rodada, no Campeonato Italiano

Pelizzoli (Roma); Ferrari (Parma), Bonera (Parma), Bertotto (Udinese) e Bettarini (Sampdoria); Camoranesi (Juventus), Jankulovski (Udinese), Pirlo (Milan); Gilardino (Parma), Baggio (Brescia) e Iaquinta (Udinese)

A Inter emocional

Bater a Juventus eleva o moral até de um defunto com missa rezada. Isso não é novidade. Os 3 a 1 cravados pela Inter de Milão na Juve, mais uma vez, terão o efeito de uma vitória de Pirro nos planos de Via Durini para a próxima temporada. Aliás, como sempre.

Por quê? Porque o clube azul-e-negro confirmou Alberto Zaccheroni com o resultado, e provavelmente voltou a se sentir feliz com o seu elenco. Exatamente igual aos finais de campeonatos que a Inter teve na era Pré-Cúper.

Zaccheroni não é ruim. É um bom técnico, que privilegia contra-ataque e obediência tática, ou seja, não agrada brasileiros. Mas o que a Intre precisava para a próxima temporada era uma reformulação daquelas que arranca as raízes mais profundas, e como não se faz há tempos.

A Inter tem um grupo viciado, acomodado, e onde os jogadores, segundo avaliação do mito interista Beppe Bergomi, “têm muitos álibis” quando jogam mal. Sem falar que o clube faz um mercado, ano após ano, frenético e desgovernado. Não à toa, é possível ver a Inter em 70% dos rumores de mercado.

Exemplos? A Inter precisa de um armador, mas vive anunciando nomes de novos zagueiros (provavelmente o setor mais bem coberto da equipe); chegou a mencionar que poderia abir mão de Toldo para ter Frey, enquanto Toldo ainda é um gigante, que a Inter teria de agarrar com correntes de aço.

Lamentavelmente, para os interistas, tudo indica que a entropia do clube não deve ser extirpada à ferro e fogo como necessário. E vale lembrar para os críticos de Cúper: mesmo sem um estilo de jogo, com jogadores e dirigentes jogando contra, e sem as peças que tinha pedido, o técnico argentino conseguiu fazer os melhores resultados dos últimos anos através da disciplina. Não é coincidência.
Crise? Macché crise???

No papel, era uma partida fácil, de três pontos. Mas o Milan não foi além de um empate em um gol contra o Modena. Na Itália, já se fala em “decadência do preparo físico”, “queda de rendimento”, e “preocupação com a aproximação da Roma”. Não qie o Milan não tenha acusado o golpe de tantas partidas importantes em seqüência, mas vamos relembrar este caminho milanista.

O Milan está saindo da sua parte mais delicada do campeonato. Enfrentou, nas últimas semana (desde 15 de fevereiro, para ser mais exato), Lecce, Inter, Lazio, Sampdoria, Juventus, Parma, Chievo e Modena, perdendo seis dos 24 pontos disputados. E ainda fez três partidas, pela Liga dos Campeões, contra Sparta Praga e Deportivo.

Nos últimos quinze dias, ainda teve de ver seus craques pegando o Deportivo num jogo duríssimo contra o Deportivo, além dos empates contra Modena e Chievo, Adicione-se aí, os amistosos das seleções, onde muitos dos titulares se exauriram. Seedorf, Kaká, Gattuso, Pirlo, Rui Costa e Tomasson jogaram nos amistosos de suas seleções. Shevchenko nem entrou em campo porque tomou uma pancada e perdeu dois dentes.

No elenco milanista, dois nomes têm como indispensável condição o bom preoparo físico: Nesta e Inzaghi. Nesta até que se avizinha ao suficiente, mas Inzaghi, visivelmente fora de forma (só jogou 900 minutos nesta temporada, contra 2100 de Sheva e 1270 de Tomasson), têm perdido muitos gols. Mas tudo indica que entrará em forma na reta final. Pelo menos é o que esperam os preparadores do time.

O biorritmo do time mostra uma grande regularidade, e depois da partida desta quarta, em La Coruña, poderá respirar mais aliviado. Deixar Inzaghi, Nesta, Kaladze em 100%, e recuperar Shevchenko, Kaká e Rui Costa (cansados neste fim de semana), são objetivos possíveis e vtais. Isso acontecendo, é um time com poucos rivais para olhar de igual para igual.
Calcio em crise; Roma vendida?

A água bateu na bunda. O projeto “Salvacalcio” não vai ser aprovado, e as equipes que têm megadébitos (encabeçadas pela Roma) já se deram conta de que vão ter de se desfazer de seus craques. A certeza veio depois que o ministro do trabalho, Roberto Maroni, disse que “o governo não pode fechar os olhos, mas abri-los bem”, adicionando que deve-se aplicar aos clubes de futebol a “mesmíssima rigidez fiscal que se aplica a todo o resto da sociedade”.

Ponto final. Não tem mais volta. Tanto é que, o presidente da Roma, Franco Sensi, num gesto inimaginável para a cartolagem brasileira, vendeu 49% de suas empresas petrolíferas, de família, para a Capitalia, maior credor do clube (PS: e cujo Conselho é presidido por Franco Carraro, presidente da federação italiana). Assim, Sensi pode sanear as finanças romanistas e passar adiante o clube.

O gesto foi de uma decência incomum, e ao que tudo indica, de um apego caloroso ao clube por parte de Sensi. A Roma voltou a ser um bom ativo para ser comprado, mesmo que ainda tenha dívidas comprometedoras. A operação foi a seguinte: A Capitália deu à Roma dinheiro vivo suficiente para conseguir a inscrição na temporada seguinte da UEFA (mais ou menos € 40 milhões).

A Capitalia passa a ser dona de 49% da Italpetrolio (que pertence à família Sensi), e a Italpetrolio passa a ser acionista majoritária (cerca de 95%) do time de futebol. A Roma 2000, pessoa jurídica que controlava a Roma, fica somente com 5% das ações. O que é de se perguntar é se os débitos ficam para a nova ou para a velha empresa.

Por sua vez, a vivaldina Capitalia procura um comprador para a Roma (em cuja negociação deve levar uma boa grana), que deve ser um empresário romano (ou um grupo deles). Se assim for, não haverá necessidade de venda de grandes jogadores, mas Franco Sensi passa a ser carta fora do baralho, ou, na melhor das hipóteses, peça figurativa.

A situação da Lazio é um pouco menos grave, mas mais complicada. Os últimos dois anos sanearam bastante as finanças do clube, só que não há um mecenas disposto a adquiri-la. Indispensável para a Lazio é vender bem seus jogadores mais caros e de salários altos, investindo em promessas. A licença UEFA deve ser obtida depois do aumento de capital da empresa, aprovado na semana retrasada.

Ele vai parar?

Assim com o rockstar inglês Ozzy Osbourne, ele também já ameaçou parar com o futebol em mais de uma oportunidade. Só que desta vez, segundo o próprio, “é para valer”. Roberto Baggio, o futebolista italiano mais talentoso e genial de sua geração, promete que pendura as chuteiras ao final desta temporada.

O anúncio é sério para a Itália, que como sabemos, são deveras sentimentais. Mesmo que não o fossem, há mesmo razão para consternação quando o quinto maior goleador de todos os tempos da Série A (somente Silvio Piola, Gunnar Nordahl, Giuseppe Meazza e José Altafini estão à sua frente). E olha que Meazza e Altafini, empatados em terceiro com 216 gols, estão só a 13 tentos à frente do craque veterano.

Baggio foi o tipo de jogador que, nessas 203 conversões (só na Série A), fez gols de todas as maneiras. Foram 82 gols com o pé direito, 25 com o pé esquerdo, 68 cobrando pênaltis (recorde absoluto, com a melhor marca percentual da história – quase 90% de acerto), 19 em cobranças de falta e somente seis gols de cabeça. O internauta atento deve notar que a soma dá 200, o que faz supor que, três dos 203 gols de Baggio na Série A são “inclassificáveis” dentro dos critérios adotados (de “barriga”, de “queixo, etc). Adicionando também os gols convertidos na Copa Itália, Copas Européias, e Seleção Italiana, Baggio chega à marca de 302 gols válidos por uma competição oficial.

O craque pode até mesmo ter decidido parar, mas há uma boa chance do “Codino” estar tentando manipular a opinião pública para que Trapattoni o leve à Euro 2004. Um amistoso contra a Espanha é praticamente certo, e se Baggio fizer chover, como não raro, imagine se o velho ‘Trap’ vai conseguir segurar a pressão da massa.

Baggio ainda tem futebol para pelo menos mais uns dois anos, caso não sofra nenhuma contusão grave, Seu futebol, desde que chegou ao Brescia, há quatro temporadas, não piorou em nada. É bem possível que nesta temporada, Roberto faça o seu recorde de gols pelo clube lombardo). Logo, sem comparações toscas com craques da mesma idade, mas sem o mesmo futebol. Tomara que, como Ozzy Osbourne, Baggio também só esteja fazendo um charminho, O futebol precisa dele dentro de campo.

Curtas

Os dados sobre os gols de Baggio em sua carreira foram tirados, em parte, de uma excelente pesquisa da Gazzetta Dello Sport.

Novamente igualado o recorde da temporada de gols numa única rodada

Com os 32 gols do fim de semana, a média da 28a rodada foi de 3,55 gols por jogo e elevou a média da temporada para 2,65, praticamente um décimo maior do que a da temporada passada

Esta temporada também tem uma média maior de cartões vermelhos e amarelos, em relação à precedente

Curiosamente, tem menos pênaltis concedidos, com somente 82 dados até agora

O Ancona segue batendo recordes…negativos

Com a derrota para a Samp, o time anconetano conseguiu a proeza de estar rebaixado a seis rodadas do fim, fato que só o Brescia tinha atingido, em 1995 (depois da introdução dos três pontos por partida)

Neste fim de semana, o mediano Massimo Ambrosini chegou a 200 partidas com a malha do Milan, mas mais uma vez, saiu contundido

Andy Van der Meyde deve ser o enésimo bom jogador que a Inter vai vender, depois de sub-utilizar

A Ájax, da Holanda, antigo clube de Van Der Meyde, já confirmou interesse

Esta é a seleção Trivela desta rodada, no campeonato Italiano

Balli (Empoli); Diana (Sampdoria), Samuel (Roma), C. Zenoni (Sampdoria) e César (Lazio); Cozza (Reggina), Emerson (Roma), Stankovic (Inter); Fava Passaro (Udinese), Gilardino (Parma) e Iaquinta (Udinese)

Mais Juventus, mais Capello

Estupefata. Assim amanheceu a metade ‘giallorossa’ de Roma na manhã de quinta-feira, quando chegaram os primeiros rumores de que Fabio Capello estaria deixando o clube para ir para a arqui-rival Juventus. A mesma Juventus para a qual Capello jurara jamais retornar, resquício da mágoa pela maneira como foi dispensado, ainda jogador.

Capello venceu três ‘scudetti’ em Turim, como jogador. E a menos que algo inesperado aconteça, deve vencer mais do que isso nessa sua nova empreitada. O acerto entre Juve e Capello tem uma mira bem precisa. A Juve tem de voltar a ser Juve – ou seja – voltar a vencer muito, e rápido. Capello também quer retomar o cetro de melhor técnico do mundo. E sabe que em Turim, terá mais condições para isso do que em qualquer outro lugar.

Ambos arriscam muito na jogada. Capello sabe que o clube exige sucessos imediatos, e além disso, deixou uma legião de inimigos em Roma, depois de sua “traição”. E a Juventus resolveu bancar o técnico mais caro possível para fugir de apostas. Um trato bem maquiavélico, italiano. Um acordo entre dois gigantes.

Tanto pior para a concorrência. A especialidade de Capello é a de fazer defesas impenetráveis, exatamente o ponto fraco do time ‘bianconero’ nesta temporada. ‘Don Fabio’ já deu suas indicações para a diretoria. Já contratado o zagueiro Zebina, e acertados os retornos de Blasi e Brighi para o meio-campo, o técnico quer um homem para a parte direita da defesa (Thuram jogará como central).

Se a Juventus conseguir o brasileiro Emerson, prioridade total de Capello (mas que parece destinado ao Real Madrid), fica apenas a dúvida sobre quem será companheiro de ataque de Del Piero, já que a ruptura entre Trezeguet e o clube parece irreversível. Esquema? Quase certamente um 4-4-2, onde Nedved volta a jogar como ala-esquerda, Camoranesi na direita, e Appiah tenta tirar a vaga de Tacchinardi.

Em tudo há risco, e, mesmo numa união aparentemente impossível de dar errado, as duas partes podem se dar mal. Mas é difícil. É duro imaginar que uma dupla de jogadores tão habituados à vitória como Juve e Capello acabem em outra coisa que não um novo ciclo de sucessos. A Juventus já é favorita para a próxima temporada. Dependendo de como for o seu mercado de reforços, pode virar até uma aposta certa.

Sinais de vida inteligente na “Azzurra”

A Itália estava um pouco apreensiva com o amistoso contra a Tunísia. Muitos jogadores contundidos, alguns extenuados pelo campeonato, outros ainda em postos em que pairavam dúvidas, com a número um atendendo pelo nome de Alessandro Del Piero, que é sempre contestado quando veste a camisa italiana.

É certo que a Tunísia campeã africana jogou desfalcada, mas o 4 a 0 da Itália sobre a equipe de Roger Lemerre, o último técnico campeão europeu, mostraram que os italianos têm todas as condições de fazer um torneio buscando o título.

A defesa italiana comprovou sua eficiência com a dupla Nesta-Cannavaro, eximindo este último de suspeitas, devido à sua temporada irregular. Zambrotta, como lateral-esquerdo, apoiou o quanto pôde, e Buffon, salvo este colunista se engane, estará no gol da Itália na Euro, como titular.

O técnico Trappatoni começou com sua dupla de volantes Perrotta-Zanetti, que até não foi mal, mas o duo milanista Gattuso-Pirlo surpreendeu e criou uma bela dúvida na cabeça do técnico. Pelo que Pirlo joga, não pode ficar fora do time; se ele joga, precisa de Gattuso como seu escudeiro, pois nem Perrotta nem Zanetti são tão fortes na defesa.

O ataque tem já escalados Totti como armador e Vieri como centroavante. E o segundo atacante? A vaga oscila entre Del Piero e Cassano, já que Corradi é considerado opção à Vieri. Cassano jogou melhor do que Del Piero neste domingo, e o jogo pode induzir ‘Trap’ à dúvida.

É certo que Cassano seja um grande jogador e que mereça sua vaga no grupo. Mas abrir mão de Del Piero seria burrice, a menos que ele esteja caindo pelas tabelas. ‘Ale’ é o parceiro ideal para Vieri, tem técnica e muito mais experiência do que Cassano.

A nova espera de Trappatoni agora é para começar o Mundial sem contundidos, fato quase impossível, uma vez que historicamente, nunca a primeira lista vai completa para o torneio. Espaço para surpresas? Difícil. O técnico é teimoso como uma mula e se alguém sair, deve preferir um coadjuvante a uma nova estrela que possa romper o equilíbrio do grupo.

Roma, na mosca: é Prandelli

De todas as possibilidades que a Roma tinha para substituir Fabio Capello, nenhuma era melhor do que a que foi adotada. Com um orçamento mais curto, sem Capello nem Samuel (já vendido ao Real Madrid), o clube da capital optou por fechar com Cesare Prandelli, treinador que segurou a barra de um Parma devastado nesta temporada.

Prandelli não pede jogadores renomados, trabalha excepcionalmente bem com jovens, e monta times de verdade, preparados para jogar impondo o seu ritmo. Fez isso no Parma deste ano, reforçando o nome de uma baciada de novatos, entre eles, alguns que podem segui-lo para a própria Roma, como o atacante Alberto Gilardino, o meio-campista Simone Barone e o zagueiro Matteo Ferrari.

Ferrari, aliás, é o predileto para ocupar a vaga de Samuel, que foi embora deixando US$ 30 milhões nos cofres do clube. A maior parte vai para pagamento de dívidas, mas ainda sobra o suficiente para uma reposição à altura do que Prandelli exige. Se também sair Emerson, outro caminhão de verbas diminui o déficit romanista, e chega outro reforço, onde os mais indicados são Simone Perrotta (Chievo) e Pizarro (Udinese).

Sob o comando de Prandelli, prepare-se para ver o brasileiro Mancini jogando no meio-campo, quase como ponta, ao lado de Totti e Cassano. O centroavante? Como Montella não dá segurança na parte física, é possível que a Roma faça outra aquisição importante. Os nomes em voga são os de Caracciolo (Brescia), Morientes (Real Madrid) e Hossam “Mido” Hassam, do Olympique Marselha. Destes, o único viável financeiramente é Caracciolo, ainda uma incógnita para um time de Liga dos Campeões.

Mais “Mezzogiorno” na Série A

O último final de semana definiu três participantes da “Coppa Giovanni Havelange”, ou Série B, que vão jogar a primeira versão da Série A com 20 clubes, depois que o torneio em dois grupos foi abolido, no fim da década de 20. O Palermo de Francesco Guidolin, o Livorno de Silvano Bini, e o Cagliari de Edoardo Reja já garantiram as suas vagas.

A festa em Palermo foi como uma final de Copa do Mundo. O time calabrês volta à Série A depois de 30 anos, para uma platéia fanática, como a do estádio Renzo Barbera, ou “La Favorita”. O clube trocou de treinador durante a competição e foi uma das raríssimas exceções onde a mexida deu certo.

Nos últimos torneios a região do “Mezzogiorno”, o sul da Itália, estava quase que completamente alijado da competição. Duas temporadas atrás, chegou-se ao ponto de Roma e Lazio serem as duas equipes mais ao sul da Série A. Agora, com a volta de Palermo e Cagliari (e provavelmente, também o Messina), o sul volta a ter representatividade, fazendo um grande bem ao tão maltratado (pelos dirigentes) ‘calcio’.

Pelas outras duas vagas de promoção direta, lutam Atalanta e Messina (com 73 pontos a duas rodadas do fim do torneio), e a Fiorentina, com 70. O Piacenza, com 67, tem chances matemáticas, mas são basicamente estatísticas. A verdadeira luta do time piacentino será com a Fiorentina, pela sexta posição, que dará uma vaga num playoff contra o Perugia. Para este posto, a Ternana também ainda tem chances (65 pontos), mas só é beneficiada pela matemática.

A Série B deste ano tem de tudo para ser esquecida. Começou com uma virada de mesa sórdida, teve confrontos entre polícia e torcida durante toda a temporada, e até um morto no jogo Avellino – Napoli. É muito bom que clubes importantes como Palermo e Atalanta voltem à Série A, mas além deles, bem pouca gente vai se lembrar desta temporada com boas memórias.

Curtas

O bom atacante Luca Toni, com 28 gols, é o novo recordista de gols numa única temporada pelo Palermo

É bastante provável que Toni seja sondado por times da Série A, tal a sua performance na série ‘cadetta’

A Juventus estava acertando a compra de Chevantón, do Lecce, por € 8 milhões, mas o insolente Palermo ofereceu € 9 mi, num leilão meio irreal

Sem Chevantón, a Juve trabalha com os nomes de Vieri (Inter), Gilardino (Parma), ou Ibrahimovic (Ajax), claro que, todos, com perfis bem diversos

Praticamente certa a contratação de Zdenek Zeman pelo Lecce

Uma boa nova para a Série A

Se a Juve fizer uma proposta por Vieri, deve colocar Di Vaio como forma de torna-la mais interessante

Vale recordar que Di Vaio interessava à Inter há dois anos, quando a Juventus se antecipou, obrigando a Inter a pegar Hernán Crespo

O Milan está bastante imóvel neste início de mercado

Além de Stam e Dhorasoo, já contratados, o nome do clube de Via Turati só é mencionado quando se fala de Corradi, da Lazio

Segundo um agente do Real Madrid, Roma e os “Merengues” já se acordaram pelo passe de Emerson

Claro que, usualmente, declarações de empresários são tão confiáveis quanto um castelo de cartas

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