Mês: março 2004

A vida por uma vaga

A luta contra o rebaixamento na Itália sempre foi acirrada. Com um regulamento que torrifica quatro entre dezoito participantes, desde sempre os clubes pequenos (e às vezes alguns grandes) sentiam a água no pescoço para não precisar contar com a sorte na última rodada.

Imaginava-se que este campeonato seria diferente. Afinal, somente três devem cair diretamente para a segunda divisão, enquanto o 15º joga a permanência contra o sexto colocado da Série B, numa espécie de desempate. Mas o que estamos vendo não é nada disso.

Nada menos do que oito dos dezoito times estão na região quente da tabela. Ancona, Perugia, Empoli, Modena, Reggina, Lecce, Siena e Brescia não medem esforços para não cair, até porque, a partir do ano que vem, somente três times subirão a cada temporada, e a Série B italiana é carne de pescoço.

O Ancona já se acostumou à idéia do rebaixamento. Com sete pontos em vinte e sete rodadas, provavelmente deve estabelecer a nova marca histórica negativa na Série A. Realmente ameaçados estão Perugia (que vive uma temporada turbulenta desde o início), com 22 pontos.O Empoli, graças a um péssimo início de temporada, é o terceiro favorito para cair, mas tem melhorado bastante.

Numa região intermediária estão o Modena (25 pontos, dois a mais que o Empoli), a Reggina, com 27, e o Lecce, com 28. O Modena está na descendente (até demitiu o técnico Alberto Malesani), e precisa achar um coelho para tirar da cartola. A Reggina agarra-se à sua torcida fanática e à Nakamura; o Lecce já demonstrou que tem credenciais para se salvar, com a segunda melhor campanha de 2004, atrás somente do Milan.

Siena (30 pontos) e Brescia (31 pontos mais Roberto Baggio), ainda sofrem ameaças, mas têm como gerenciar a vantagem. Em especial, o Brescia, pois além do “Codino”, tem quatro confrontos contra concorrentes diretos (com dois deles em casa). A desvantagem do Siena é que tem uma tabela duríssima, com Lazio, Bologna e Modena (fora) e Samp, Milan, Juve e Brescia em casa.

No presente momento, tudo leva a crer que a tabela não se altera; caem Ancona (praticamente rebaixado), Perugia e Empoli, com o Modena disputando a vaga com a sexta colocada (atualmente, a Ternana). Só que não se engane: a luta até a 34ª rodada promete muito derramamento de suor.
Quem tem garrafas para vender?

No início do Italiano, todo mundo costuma apostar nos times grandes para vencer o ‘scudetto’. Juve, Milan e Inter, e dependendo da forma, Roma e Lazio. É fácil. Uma aposta em um dos maiores cinco clubes é uma barbada. Mas sem fazer profecia, a liga que agora aponta cada vez mais um Milan campeão, dava sinais ainda em junho. O ‘anormal’, se é que se pode chamar assim, é de a Juve ter jogado a toalha a oito rodadas do fim. E mesmo isso, se explica.

As primeiras partidas da temporada já demonstravam Milan, Juventus e Roma com mais fôlego, dando até à Roma uma “vantagem” de não disputar a Liga dos Campeões, que consumiria energias importantes em março/abril. Contudo, os detalhes estavam lá, indicando um favoritismo de Juve e Milan.

Os dois times mais fortes da Itália tinham, indiscutivelmente, um elenco mais completo do que a Roma. O time titular de Capello é tão forte como os de Marcelo Lippi e Carlo Ancelotti. Só que o banco de reservas faz uma diferença sensível, além da mega dependência da Roma em relação a Francesco Totti.

Durante o campeonato, a Roma lutou enquanto pôde, chegando até a manter seis pontos de vantagem sobre os milaneses, em janeiro. E exatamente em janeiro, o Milan botou na mesa as suas reservas físicas, vencendo todas as seis partidas disputadas, quatro delas pelo campeonato, (três contra a Roma – uma pelo campeonato e duas pela Copa Itália). No mesmo período, a Roma começava a dar sinais de fadiga.

A forma milanista manteve-se em fevereiro e março, com os ‘rossoneri’ perdendo somente quatro pontos, empatando com Lecce (segundo melhor time de janeiro para cá) e Chievo. Já a Roma, alternou bons resultados (como o 4 a 0 sobre a Juventus) e a derrota para o Bologna, em casa. Nocaute técnico, salvo um milagre de proporções bíblicas.

“E a Juventus?”. De fato, da Juve se esperava uma forma melhor no bimestre dezembro-janeiro. Mas cabe lembrar que o clube piemontês iniciou a pré-temporada vinte dias antes do que faz usualmente. A idéia era atingir o ápice da forma em maio, na final da Liga dos Campeões, onde os juventinos tinham certeza de estar. A primeira conseqüência foi uma largada arrasadora do time do Delle Alpi.

O preço a se pagar foi a péssima forma no bimestre dezembro-janeiro. Isso, somado à contusão de Alessandro Del Piero e a partida de Edgar Davids (cuja importância foi sub-avaliada pela comissão técnica), foi o suficiente para o golpe final na temporada da Juve. O time teve na defesa o seu trunfo para suas últimas conquistas. Neste ano, a defesa juventina é a sexta melhor, superada por times como Udinese e Chievo.

No pingue-pongue: quem vence o ‘scudetto’? O Milan, salvo um milagre inacreditável. Quem fica em segundo? A Juventus, porque a tendência é que os ‘bianconeri’ subam de produção. O Milan tem chances na Liga dos Campeões? Todas, desde que não subestime Deportivo (ainda falta um jogo) e o Porto (provável rival na semi-final). Para a Juve, é quase certa uma reformulação considerável; a Roma do ano que vem deve perder sua espinha dorsal (Capello, Samuel, Emerson e Totti), caso não seja comprada por quem possa injetar dinheiro em Trigoria.

Vox Populi: Maldini de volta

“Do jeito que ele está jogando, não podemos deixar que a Itália não o tenha no Europeu. Vou convencê-lo a aceitar a convocação de Trapattoni”. A frase é do premiê italiano Silvio Berlusconi (também dono do Milan), e o jogador em questão é Paolo Maldini, recordista de participações com a camisa da ‘Azzurra’, e que, de fato, nos dois últimos anos, tem sido um dos três melhores defensores da Europa.

Maldini decidiu abandonar a seleção depois da Copa de 2002. Seu argumento era que se baseava na experiência de Franco Baresi, que ia parar depois de 1994, acabou aceitando uma convocação para uma partida contra a Eslovênia, e se arrependeu. “Não quero chegar a um ponto de ter de ser suportado”, disse Maldini, ainda em 2000.

Só que justamente neste período, jogou como nunca no Milan. Poderia ter ganho a Bola de Ouro que foi para Nedved, foi campeão europeu, e parece ter 20 anos. Não que a Itália tenha poucos defensores, mas estamos falando aqui de um daqueles que poderia ser considerado o melhor.

Maldini tem receio de “roubar” o lugar de alguém que tenha participado de toda a (dura) campanha da Itália pela vaga na Euro-2004, o que pegaria bem mal. Quem ficaria de fora? Não se sabe. Mas o técnico Giovanni Trapattoni diz, e já faz tempo, que quer Maldini. E pela primeira vez, na semana passada, Maldini disse que “espera um telefonema do técnico para discutir o assunto”. Trapattoni já confirmou que vai ligar para Maldini, da mesma maneira que já tinha anunciado que Roberto Baggio também passa por seus planos (este, como falamos na semana passada, uma polêmica ainda maior)

Enquanto negocia-se a volta do “Capitano” da Itália, Trapattoni tem praticamente sua equipe titular acertada. Entre os convocados para o jogo contra Portugal, em Braga, não estarão Nesta (Milan), Zambrotta (Juve) e Cristiano Zanetti (Inter). E quem sabe, Maldini. Se não tivesse ninguém machucado, e com Maldini aceitando, a Itália seria: Buffon; Nesta, Maldini e Cannavaro; Camoranesi, C. Zanetti, Perrotta e Zambrotta; Totti; Del Piero e Vieri.

A lista de convocados para o amistoso:

Goleiros: Buffon (Juventus), Pelizzoli (Roma)
Defensores: Adani (Inter), Birindelli (Juventus), Favalli (Lazio), Ferrari (Parma), Oddo (Lazio), Natali (Bologna), Pancaro (Milan) e Panucci (Roma)
Meio-campistas: Ambrosini (Milan), Camoranesi (Juventus), Fiore (Lazio), Gattuso Milan), Nervo (Bologna), Perrotta (Chievo), Pirlo (Milan)
Atacantes: Corradi (Lazio), Di Vaio (Juventus), Miccoli (Juventus), Totti (Roma), Vieri (Inter).

Curtas

Três jogadores atingiram marcas importantes nesta rodada

Favalli, da Lazio, completou 395 partidas pela Série A, e comemora sua marca sendo convocado para a seleção

Outro foi Simone Perrotta, ex-Juventus e Bari, atualmente no Chievo, que completou 150 jogos pela Série A, também sendo chamado por Giovanni Trapattoni

Um ex-astro da ‘Azzurra’, Gianluca Pagliuca, jogou, contra a Roma, sua partida de número 700 como profissional

Fabio Liverani (Lazio), chegou à quota 100 em jogos na divisão máxima; Bresciano (Parma), Flachi (Sampdoria) e Sussi (Bologna), bateram na marca dos 50

Os 32 gols marcados nesta 27ª rodada são um recorde para esta temporada, igualado somente pela primeira jornada

A média de gols por partida, de 3,65, é maior do que a média do campeonato, que é de 2,62, até o presente momento

O Bologna teve uma semana de ouro

Depois de três derrotas consecutivas, conseguiu, nos últimos sete dias, somar nove pontos

Brescia, Lazio e Roma foram as três vítimas

Como o vergonhoso projeto “Salvacalcio” foi vetado pela União Européia, a Federcalcio já está imaginando alternativas

A EU não admite subsídios de nenhuma natureza, e o projeto da cartolagem era, basicamente, um perdão fiscal

A idéia da patota agora seria a de fazer com que os times “tradicionais” (seja lá o que for isso), desceriam uma categoria, mas teriam de mudar de nome.

Assim, se o Parma, por exemplo, fosse rebaixado, iria para a Série B com o nome de Atlético Parma Cálcio

Que imaginação!

Esta é a seleção Trivela da Série A, nesta 27ª rodada

Toldo (Inter); Gamarra (Inter), Stam (Lazio) Barzagli (Chievo); Barone (Chievo), Perrotta (Chievo), Maresca (Juventus) e Fiore (Lazio); Baggio (Brescia), Shevchenko (Milan) e Gilardino (Parma)

Mas então quem foi?

De todos os clássicos na Itália, nada é parecido com Lazio e Roma. Milan e Inter têm um clima de rivalidade, mas respeito; Juventus e Torino não são mais times do mesmo naipe para sustentar uma rivalidade tão acirrada. Sampdoria e Genoa, o mesmo. Mas entre Lazio e Roma é guerra. E é assim sempre.

Sempre uma das duas torcidas tem 70% do estádio (e sempre foi assim). Ou seja: o “visitante” tinha de respeitar o mandante, em muito maior número. Fora da Olímpico, a atmosfera de guerra civil está no ar , que pode-se cortar com uma faca. Torcedores brigam entre eles, com a polícia, e se pudessem brigar consigo mesmos, tipo “Clube da Luta”, o fariam.

Contudo, o derby romano de número 152, acabou de uma maneira insólita. Depois de um primeiro tempo relativamente normal (além dos confrontos entre torcedores e policiais fora do estádio), na volta do segundo tempo, um clima funesto dominava as arquibancadas. As duas torcidas juntas gritavam “assassinos” para os policiais. O motivo é que tinha se espalhado a notícia de que um carro de polícia tinha atropelado e matado um menino.

O árbitro Rosetti começou a confabular com os capitães das duas equipes, dirigentes de Lazio e Roma e agentes da segurança. As fontes oficiais garantiam que nada tinha acontecido, mas três líderes de torcida, aos berros, chamaram Totti e juravam que tinham visto o carro atingir o garoto, e exigia: “France(sco), não se pode jogar esta partida. Um telefonema para uma emissora de rádio corroborava a informação e alertava: “se o jogo continuar, vamos entrar em campo e parar tudo à força”. A tragédia se avizinhava.

Um silêncio incomum povoava o Olímpico, permeado por murmúrios. Totti discutia com Rosetti e Mihajlovic. Cassano não se conformava em parar a partida, mas a maioria dos jogadores sentia o bafo da torcida na garganta. O locutor do estádio anunciou para a torcida que a morte da criança era boato. Um aplauso tímido e mais tensão. Um telefone celular começou a passar de mão em mão (saber-se-ia depois que era o presidente da Lega Calcio, Adriano Galliani). Depois de falar com Rosetti, Fabio Capello, Totti e com o agente de segurança, todos dando o mesmo parecer (pela interrupção do jogo), Galliani decidiu: suspenda-se o jogo. O medo de uma invasão de marginais disfarçados de torcedores venceu.

Mas afinal, o que aconteceu? Aventou-se uma possibilidade de que tudo era um “complô” do Milan para prejudicar os times romanos (hipótese, salvo provas em contrário, para dementes acreditarem); as forças de segurança já deram uma possibilidade mais cabível: torcedores organizados teriam orquestrado a farsa para dar uma mostra de força. O fato é que agora, um inquérito vai determinar o que aconteceu.

O surreal de toda a situação é que uma das maiores partidas de futebol da Europa foi suspensa por uma mentira, somada por um clima de delinqüência que domina os dias que antecedem os clássicos. Uma lei draconiana é necessária para jogar na masmorra mais gélida todos os marginais que criam um clima de guerra antes de um jogo de futebol. Ou então, se quisermos voltar às competições romanas de dois mil anos atrás, façamos estádios onde as pessoas possam se matar à vontade, mas sem colocar em risco que só quer ver futebol.

Baggio joga contra a Espanha. E depois?

A Itália já está comemorando a decisão. É que o CT da “Azzurra”, Giovanni Trappatoni, vai convocar Roberto Baggio para um “amistoso de despedida” da Seleção. Uma justa homenagem para aquele que é o maior craque do futebol italiano nos últimos 20 anos, e que anunciou o fim da sua carreira para junho próximo.

A justiça da decisão de Trappatoni tem, no entanto, um risco sério. Não é nada difícil (aliás é bem provável), que Baggio entre no jogo, acabe com a partida, e reacenda o desejo popular por sua presença no time que vai disputar o Europeu. E aí, meu amigo. Segura, que a pressão é grande.

O caso de Baggio não é o mesmo de Romário. Baggio, aos 37 anos, ainda joga muita bola. Sofre com lesões nos tornozelos, é verdade, mas aceita ficar no banco como “arma secreta”. E quando entra em campo, não raro, inventa alguma que arrasa os adversários.

Tudo estaria bem se o grupo de jogadores da seleção italiana (praticamente formado na cabeça de Trappatoni) não gostaria muito de ter Baggio indo para Portugal. Primeiro, porque a briga por um posto no ataque já é muito acirrada (Inzaghi, Del Piero, Vieri, Delvecchio, Corradi, Miccoli, Cassano, todos para prováveis quatro vagas).

Segundo porque Baggio transforma todos, mas todos mesmo, em coadjuvantes. A popularidade do “Codino” é infinitamente maior do que a de todo o resto, e ficaria ainda mais acentuada caso, numa partida, entrasse e realizasse uma de suas magias. Como sabemos, o pecado capital da vaidade é um dos prediletos dos jogadores.

Para a Itália, como seleção, seria ótimo. Uma opção como Baggio no banco é daquelas que todo técnico são quer. Tudo depende de como ele jogar nesse amistoso. Se ele jogar metade do que sabe. ‘Trap’ terá arrumado uma baita sarna para se coçar.
Copa Itália: a pá de cal na Juve de Lippi

O primeiro jogo da final da Copa Itália, que terminou 2 a 0 para a Lazio, foi a terceira derrota consecutiva da Juventus bicampeã italiana. Também foi o momento que marcou o nocaute juventino numa temporada em que partiu como uma das favoritas, mas que foi se traindo com pequenos erros.

O rescaldo é radical. A Juve deve mudar de treinador, com Marcello Lippi torcendo para Trappatoni não fazer uma campanha tão legal assim com a Itália na Eurocopa. Candidatos? Cesare Prandelli, do Parma, ex-jogador da Juve, Luigi Del Néri, do Chievo, e Didier Deschamps, outro ex-jogador da Juve, atualmente no Monaco.

As pistas levam a acreditar em chances maiores para Deschamps. Por que? Porque a Juve já teria acertado a contratação do meia-atacante Olivier Kapo, do Auxerre, estaria acertando também com Phillipe Mexes (também do Auxerre), Benoit Pedretti (do Sochaux) e Sébastién Squilacci (nada a ver com o artilheiro italiano da Copa de 90).

Dirigentes da Juve já admitiram que estão tendo contatos freqüentes com Deschamps, e que estão mesmo atrás dos reforços citados acima. Além do mais, a Juve foi aconselhada a contratar Mexes e Kapo pelo próprio Guy Roux, treinador do Auxerre desde que recebeu o comando do reino franco das mãos de Pepino, o Breve.

Além das novas aquisições (que terão um apoio financeiro da família Agnelli), tornarão à Juve jogadores como Matteo Brighi (emprestado ao Brescia), Manuele Blasi (outro meio-campista emprestado, mas ao Parma, e que recentemente foi punido pelo uso de doping). Ainda são alvos preferenciais da Juve o atacante do Ajax, Zlatan Ibrahimovic, e os zagueiros Ferrari e Bonera, do Parma. Nomes das divisões de base como Bartolucci, Palladino, Paro, Chiumiento e Boudianski ou serão agregados ao elenco principal, ou serão emprestados para ganhar experiência.

A defesa deve ser o setor com maior número de mudanças. Com partida provável estão Lílian Thuram, Igor Tudor, Mark Iuliano, e, talvez, Paolo Montero, ale, do volante Antonio Conte. De acordo com o diário espanhol “As”, está vendido para o Barcelona por 27 milhões de euros, e Pavel Nedved, caso receba uma oferta infamemente alta do Chelsea, como se comenta, também seria liberado.

Certos mesmo estão o capitão Alex Del Piero, o goleiro Buffon, o zagueiro Legrottaglie, o meia-defensor Zambrotta e o meio-campista Maresca. Outros, como Tacchinardi, Miccoli, Pessotto, Birindelli, Appiah e Di Vaio, estariam com a situação bem incerta. Curioso é imaginar que tal revolução possa acontecer no time que é o atual bicampeão italiano e vice-campeão da Liga dos Campeões.

Curtas

Depois de Baggio ter chegado aos seu 200º gol, outro veterano italiano vai se aproximando da marca

Beppe Signori, marcou, pelo Bologna, seu gol de número de 187

Paolo Maldini já é o sexto jogador com mais presenças na Série A italiana, com 527 jogos

Maldini chegou à mesma marca de outro mito milanista, Gianni Rivera

O Perugia, nas últimas cinco rodadas, comseguiu fazer onze pontos, sendo superado somente pelo Milan, que venceu todas

A média de gols por partida desta temporada é praticamente igual à da temporada passada, com 2,58, contra os 2,57 do último certame

Com seu 19º gol no campeonato (seu 112º com a camisa milanista), Shevchenko segue sendo o terceiro melhor artilheiro do Milan, na média de gols por partida

Na frente dele, ninguém menos que Gunnar Nordahl (0,824), do lendário trio Gre-No-Li (com Gren e Liedholm) e Marco Van Basten (0,612)

Sheva tem uma impressionante média de 0,597 gols por partida da Série A

Logo atrás de Sheva, vem o brasileiro Altafini, que tem a média 0,585

Eis a seleção Trivela desta rodada no Italiano

Antonioli (Sampdoria); Cafu (Milan), Natali (Bologna), Maldini (Milan) e Pancaro (Milan); Nervo (Bologna), Brienza (Perugia), Gattuso (Milan) e Kaká (Milan); Tomasson (Milan) e Di Michele (Reggina).

Para entrar para a história

Se não fosse a derrota para o Boca Juniors na final da Copa Intercontinental, em Tóquio, em dezembro, a temporada do Milan até aqui teria sido rigorosamente perfeita. Carlo Ancelotti conseguiu montar um time que marca gols e se defende á beira da perfeição, e os números de sua campanha comprovam isso.

O time ‘rossonero’ tem uma escalação titular: Dida, Cafu, Nesta, Maldini e Pancaro; Pirlo, Gattuso, Kaká e Seedorf; Shevchenko e Tomasson. Pelo menos é essa a conclusão que se tira em relação ao tempo dos jogadores em campo. Talvez aí esteja boa parte do segredo do time.

“Na manga”, Ancelotti tem nomes como Ambrosini, Rui Costa, Inzaghi, Kaladze, Serginho e o “highlander” Costacurta. O curioso é que alguns dos titulares, como Tomasson e Pancaro, ganharam a vaga pelas contusões dos “titulares”, fato pelo qual o Milan ainda tem reserva técnica para a reta final das suas competições.

O técnico Carlo Ancelotti foi acusado de tudo: retranqueiro, preconceitusoso (“persegue Rivaldo”), limitado taticamente, e “muito amigo dos jogadores”. Mesmo assim, conseguiu inventar um atacante como primeiro volante (Pirlo), conciliar uma defesa sólida à italiana com um ataque ofensivo à espanhola, gerenciar um grande número de craques no banco de reservas, chegando às quartas-de-finais da Liga dos Campeões com uma confortável vantagem de sete pontos no campeonato, que faz realmente possível o inatingível objetivo da conquista das duas competições.

Um aliado de inestimável valor do Milan é o MilanLab, que até poucos meses vinha sendo contestados por alguns gênios, que entendem tanto de medicina esportiva quanto de física nuclear (ou de futebol). O fato é que, enquanto Roma, Inter e Juve têm as enfermarias mais ou menos cheias, Carlo Ancelotti só não pôde contar com Brocchi e Redondo para o jogo contra a Juventus.

No final de semana que vem, o Milan tem tudo para dar o golpe final na conquista do torneio. Se vencer o Parma no Giuseppe Meazza, os ‘rossoneri’ torcem para que a Lazio em boa forma bata a Roma, retribuindo a derrota do primeiro turno. Aí, só um milagre histórico tira o ‘scudetto’ de Milão.
Duzentos!

Roberto Baggio ganhou, neste final de semana, uma vaga num clube seletíssimo. Com seu 200º gol na Série A italiana, Baggio passou a ser o quinto jogador da história a ter feito mais gols na competição. O gol era esperado há semanas, e tanto seus companheiros e torcedores, como adversários, pararam para a plaudir aquele que é o maior jogador italiano dos últimos 20 anos.

Alguns podem argumentar que um entre Franco Baresi, Gaetano Scirea, ou Dino Zoff mereça este título. Mas é em vão. Baggio é o esportista italiano mais conhecido na Itália e no mundo. Joga com 37 anos um futebol de primeiríssima classe, e só não chegou a esta marca mais cedo porque teve diversos atritos com treinadores ao longo de sua carreira.

À frente de Baggio, só lendas. Com 216 gols, Giuseppe Meazza, craque que se notabilizou na Inter, mas também jogou por Juventus, Milan e Atalanta, e José Altafini, piracicabano que brilhou no Milan, Juve e Napoli; 225 gols é a marca de Gunnar Nordahl, maior atacante da história do Milan, que também atuou pela Roma; e Silvio Piola, com 274 gols, divididos entre Pro Vercelli, Lazio (maior atacante da história do clube), Juventus e Novara (passou pelo Torino mas não chegou a jogar).

A dificuldade que Baggio teve com os técnicos foi em decorrência de seu estilo. O craque sempre precisou de espaço e liberdade para atuar, e nem todos os seus comandantes estavam dispostos a tanto. Com Marcello Lippi, criou uma inimizade profunda; com Arrigo Sacchi, fez as pazes anos depois.

Mas a grande verdade é que a Itália ama Roberto Baggio e pede encarecidamente a ele que não pare de jogar no fim desta temporada, como ele se diz determinado. Seu tornozelo aflito por lesões é a maior causa da decisão; seus gols e jogadas espetaculares são os maiores motivos para que ele siga adiante. Tomara que ele siga adiante. Feliz definição foi a do técnico do Perugia, Serse Cosmi: “Não dá para não dar os parabéns a um jogador que marcou um número ignorante de gols. Tenho inveja de quem pôde ter a honra de treina-lo”.

Morte em Turim

Agora, nem mesmo a ‘grinta’ juventina deve bastar. A derrota para o Milan no Delle Alpi, na mesma semana da desclassificação da Liga dos Campeões, foi o golpe de misericórdia na temporada ‘bianconera’. Agora, a Juve se agarra à uma Copa Itália que, até pouco tempo, era desprezada.

O desastre juventino não começou nesta semana. Começou, provavelmente, em junho, quando Lippi e a comissão técnica decidiram antecipar o início da pré-temporada, visando poder chegar na final da Liga dos Campeões no ápice da forma, com uma prevista queda de rendimento no final de 2003. Tal decisão explica o início turbinado dos piemonteses nas primeiras rodadas, e o declínio natalício. Lippi esperava poder gerir esta queda, mas não contava com alguns obstáculos.

O primeiro deles foi o não-inserimento de Nicola Legrottaglie na sua defesa. O ex-atleta do Chievo até que começou bem, mas logo começou a sentir os efeitos de uma pubalgia que não o abandonou mais. Some-se a isso um Tudor que está há dois anos na enfermaria, um Paolo Montero visivelmente em declínio e um Ciro Ferrara que segue como o mais confiável defensor, mas já com 37 anos.

Outro entrave sério foi o capítulo Davids. O volante holandês era vital para a Juventus, e Stephan Appiah não está à sua altura. Com Davids indo para o Barcelona, o meio-campo juventino jamais teve a mesma solidez, enquanto o catalão mudou da água para o vinho, e o time do Nou Camp volta a competir por uma vaga na Liga dos Campeões.

O ataque do time também não colaborou. Del Piero teve pelo menos três contusões (a últiam delas, aos 5’ da partida contra o Deportivo), e Trezeguet jamais conseguiu nesta temporada manter uma série de partidas seguidas. Marco Di Vaio e Fabrizio Miccoli sentem-se desprestigiados, e isso é nítido. Ah, sim: Zambrotta também está KO, com uma lesão muscular.

O último problema foi mesmo um erro da diretoria. Com um elenco já curto, a Juve liberou Olivera, Fresi e Zalayeta em janeiro. Não que os três fossem tecnicamente espetaculares, mas era absolutamente necessário que viessem reforços. Falou-se muito em Fiore, Stam, Corradi, Ibrahimovic e Stankovic, mas ninguém foi apresentado como reforço. Não à toa, a Juve tem jogado todas as partidas com pelo menos três ou quatro jogadores das divisões de base.

A grande pergunta agora é se Lippi permanece como treinador para a próxima temporada. O próprio técnico já admitiu que o jogo contra o Deportivo pode ter sido o seu último pela Liga dos Campeões. É uma deixa para assumir a Itália depois do Europeu. Trappatoni só fica se vencer a competição. Herdeiros para Lippi? Vamos deixar esta especulação para mais para frente.
Como se não faltassem problemas…

A Roma sabia que não podia patinar. O Milan embalado não dá sinais de que vai fraquejar. Totti joga com dores no joelho e púbis há mais de quarenta dias justamente por isso. E aí veio o empate com a Reggina, uma das últimas colocadas do Italiano. Um balde de água gelada em todo mundo.

O time de Capello pressionou o tempo todo, mas não passou por um bem-organizado meio-campo do time calabrês. Ademais, ficou claro que Montella, recuperando-se de contusão, ainda precisa de tempo para voltar a seu melhor. Tempo este, que a Roma não tem.

Para o jogo contra a Lazio, que está numa fase melhor, O treinador Capello perdeu de uma vez só o zagueiro Zebina (terceiro cartão amarelo) e o defensor Panucci. Quando ordenado por Capello para se aquecer para entrar no jogo, simplesmente respondeu: “Você não quis me colocar desde o começo, agora quer que eu entre? Não vou”. Um atônito Capello custou a acreditar, mas sem perder a compostura, disse. “Não, fique aí. Parabéns”. Apesar de Capello afirmar que está tudo Ok, é quase certo que a história do defensor no time esteja encerrada.

Uma última observação: com o ‘scudetto’ praticamente nas mãos do Milan, o melhor que Capello poderia fazer é mandar Totti ao departamento médico, para que ele pudesse se recuperar adequadamente para a Euro 2004. Mas um palpite diz que a Roma vai arriscar, e a Itália vai pagar um preço alto por isso.

Curtas

A respeitável revista francesa “France Football” noticiou na última segunda-feira que o atacante Olivier Kapo, do Auxerre, assinou contrato com a Juventus, para a próxima temporada.

Se isso se confirmar, é sinal de que um entre Trezeguet, Miccoli e Di Vaio, deverá deixar Turim

Giuseppe Favalli, da Lazio, completou neste final de semana sua partida de nùmero 350 na Série A; 200 participações para Vincenzo Montella

Para Alessandro Costacurta, 600 jogos com a malha do Milan

Milan recordista: só a Inter de Trapattoni tinha conseguido igualar a marca de 64 pontos em 25 rodadas

Na verdade, a Inter de ‘Trap’ tinha tido a mesma campanha (20 vitórias, 4 empates e uma derrota), mas somente 44 pontos, pois o regulamento ainda previa dois pontos por vitória

Até aqui, a média do Milan é a de 2,56 pontos por jogo

Capítulo Inter: dois pontos nas últimas seis jornadas

Cada vez mais, a cova de Zaccheroni parece aberta

Já se fala até em Trappatoni para sucedê-lo

O clube de Appiano Gentile parece mesmo num eterno inferno astral

Tanto que, Adriano, que comia a bola no Parma, na Inter parece um reserva do Guapira

Esta é a seleção Trivela desta rodada

De Sanctis (Udinese); Cafu (Milan), Barzagli (Chievo), Maldini (Milan), Diana (Sampdoria); Jorgensen (Udinese), Mauri (Brescia), Barone (Chievo), Seedorf (Milan); Baggio (Brescia), Cipriani (Sampdoria)

Vida ou morte

Se os nervos de Juventus e Milan serão testados em algum momento desta temporada, certamente será nesta semana. Os dois clubes vão passar por duas provas definitivas em relação aos seus objetivos, e não podem, absolutamente, falhar. Para aumentar a dramaticidade, no próximo domingo, os dois se enfrentam, como um ‘gran finale’ de filme épico.

A Juve começa sua via crucis já na terça. O time de Marcello Lippi precisa se libertar do momento cinzento que dá tom às suas performances e bater o Deportivo La Coruña, em Turim, por dois gols. Se não o fizer, coloca em risco sua permanência na Liga dos Campeões. E, vale lembrar, o técnico Marcello Lippi jurou, no início desta temporada, que, caso não vença a competição européia, vai encerrar sua carreira como técnico.

Não faltam obstáculos. Com uma defesa que já tomou 27 tentos nesta temporada, a Juve não sabe como se acertar depois da partida de Edgar Davids. Para complicar, Lippi não vai poder contar com Iuliano, Birindelli, Zambrotta, Maresca e Trezeguet, contundidos, mais Tudor, eternamente no entra-e-sai da enfermaria. O Deportivo é um adversário hostil, que já despachou a Juve da LC no passado. De boa notícia, a aparente recuperação de Pavel Nedved, que teve uma semana de férias para eliminar o estresse.

Em Milanello, na teoria, o Sparta Praga é um compromisso menos espinhoso. Só na teoria. O time checo é cheio de bons jogadores, e nesta Liga dos Campeões, sempre jogou melhor em casa do que fora, pois aposta no contra-ataque. Os campeões europeus terão um time completo para receber o Sparta, e gozam de um momento de tranqüilidade. Mas estão cientes que uma vitória tcheca ou um empate com gols são resultados totalmente possíveis

Ancelotti deve usar dois atacantes contra o Sparta, com Tomasson-Shevchenko na frente de Kaká (ou Rui Costa). Defesa titularíssima de ponta a ponta, com Cafu, Nesta, Maldini e Kaladze, e Pirlo na cabine de comando do time. O Milan deve manter a posse de bola o mais possível para conter o Sparta em seu campo. Pippo Inzaghi deve entrar no decorrer da partida.

No domingo, o encontro entre Juve e Milan é uma final. Se a Juve vencer, zera as vantagens de Milan, e Roma na corrida pelo título, deixando os três numa diferença de três pontos (contando que a Roma bata a Reggina). Mas se o Milan sair vitorioso, a Juve dá adeus à competição. E se perderem Roma e Juve, o Milan praticamente assegura o título.

Quem é favorito para domingo? Prognóstico impossível. Primeiro, porque o resultado da Liga dos Campeões é fundamental para o ânimo de ambos; segundo, porque não se sabe quantos titulares contundidos cada time terá; e terceiro, porque num clássico de tais proporções, as vantagens técnicas, físicas e psicológicas são quase zeradas. Um fim de semana ímpar, que pode determinar o destino do campeonato.
O ás na manga de Trapattoni

Algumas grandes discussões circundam a lista de nomes (não a de Pelé, por favor!) que Giovanni Trapattoni quer levar para o Europeu de 2004. Na defesa, Cannavaro e Nesta são certezas, com mais uma vaga em aberto (Bonera?); no ataque, o trio Totti-Vieri-Del Piero também soa indiscutível, e as disputas ficam pelo banco de reservas (com Filippo Inzaghi, Corradi, Miccoli e Cassano na competição).

Contudo, a decisão mais importante que Trapattoni pode tomar é no meio-campo. É dado como certo que o técnico irá entregar a armação de seu time para Perrotta e Cristiano Zanetti, dois bons jogadores que foram bem quando juntos. Se o fizer, ‘Trap’ estará abrindo mão de ter em seu time (e no setor mais problemático da última década) um dos melhores registas do mundo, o milanista Andréa Pirlo.

Pirlo acabou no Milan praticamente desprezado pela Inter. Atacante de origem, surgiu no Brescia, e foi contratado pelo time de Via Durini ainda com 17 anos. Na Inter, jogou como atacante ou meia-atacante, mas nunca teve um rendimento regular. Por isso, foi emprestado à Reggina (onde virou herói, junto com o laziale Baronio – hoje emprestado ao Chievo), depois ao Brescia, e enfim, confinado ao terceiro time interista.

No Milan, chegou junto com Rui Costa, e já foi olhado de lado, como “o reserva de Rui Costa”. Só que em rubro-negro, foi automaticamente titularizado, enquanto Rui Costa não se adaptava. Aposentou a versão atacante, e passou a jogar como meio-campista puro. E no ano seguinte (2002), atendendo aos pedidos do técnico Carlo Ancelotti, fez uma experiência para atuar como primeiro volante, abrindo espaço para Rui Costa jogar mais avançado.

Ancelotti descobriu um pote de ouro no final do arco-íris. Recuado, Pirlo desenvolveu sua capacidade de marcação, e se tornou um gigante como regente. O bresciano de 25 anos é o cérebro do Milan, comandando todas as ações ofensivas, mas de uma posição recuada. Capaz de fazer lançamentos de quarenta metros com precisão milimétrica, Pirlo também pode aproveitar as incursões de Shevchenko, Inzaghi, Tomasson, ou Kaká (como fez no jogo contra a Samp).

No seu primeiro ano como mediano, tinha uma falha grave. Não sabia sair da marcação. Na partida entre Juve e Milan, em Turim, Marcello Lippi acabou com o Milan ao colocar um Nedved de seis pulmões para sufocar Pirlo. O Milan sucumbiu naquela partida (2 a 1 para a Juve, pela Série A). Só que a experiência fez com que Pirlo aprendesse a lidar com a marcação. Hoje, deixá-lo livre é praticamente um suicídio.

Se tiver alguma ousadia, Trapattoni tem obrigatoriamente de dar a Pirlo a vaga de Zanetti. Não que o interista não seja bom jogador, pelo contrário. Mas é que Pirlo é capaz de dar ao ataque italiano a fantasia que não tem há anos, fazendo com que a gama de opções de ataque seja infinita, tanto pelos lançamentos longos, quanto pelas infiltrações de Totti, tabelas entre Del Piero e Vieri ou descidas dos laterais Zambrotta e Camoranesi. Zanetti é excelente na contenção, mas uma sombra diante do talento de Pirlo. A bem da verdade, de Totti, Del Piero e Pirlo chegarem a Portugal no ápice de suas capacidades, a Itália é a única concorrente a afrontar Portugal e França de igual para igual.

O 3-4-3 sem polêmica

Enquanto a Inter come o pão que o diabo amassou com o 3-4-3 de Alberto Zaccheroni (campeão no Milan, quatro temporadas atrás), um outro time colhe frutos excelentes usando a mesma impostação tática nesta temporada. A Udinese, time destinado a evitar o rebaixamento e nada mais, corre forte por uma vaga na Copa UEFA e ainda sonha, ainda que não assumidamente, com uma vaga na Liga dos Campeões.

Mas por que razão o mesmo esquema têm resultados tão diversos? Resposta: Luciano Spaletti montou em Udine um time dentro de suas possibilidades, e tem controle do que se passa no seu elenco. Zaccheroni (que com o mesmo 3-4-3 quase chegou à Liga dos Campeões em 1998, na mesma Udinese) herdou um grupo montado para um 4-4-2, cheio de vaidades e jogadores desmotivados.

Mas falando da Udinese: o bom desempenho do time, como sempre, começa na defesa. O goleiro Morgan De Sanctis, reserva de Buffon nas seleções juvenis da Itália, é seguramente um dos mais regulares do torneio. A regência da defesa fica nas mãos no ‘nonno’ Sensini, 38 anos, mas uma performance de ‘star’, que controla os companheiros Bertotto, 14 anos no clube, e a revelação Kroldrup, ex-Bari, que é uma das revelações do campeonato no setor.

O meio-campo friulano tem nomes cobiçados por todos os grandes da Itália. David Pizarro é o arquiteto do time. Rápido, técnico e forte, Pizarro é o melhor jogador da geração chilena. Como se contundiu, Pizarro tem sido substituído pelo jovem italiano Pazienza e pelo também jovem Muntari. O primeiro promete boas coisas; o segundo já parece pronto para uma grande. Menos técnico que Pizarro, é forte como um touro e coloca pressão no setor. Pinzi, titular certo da Itália sub-21, é o marcador central, talvez o mais forte da sua idade no país.

Mas os astros do meio-campo são os externos Jorgensen e Jankulovski. O primeiro, dinamarquês, é praticamente um armador clássico, que dita o ritmo do jogo e costuma cair pelo meio, como um “10”; o segundo, tcheco, é jogador de faixa, que impinge velocidade e profundidade à jogada, fazendo com que a Udinese acione seus atacantes com grande facilidade.

Falando em atacantes, os dois fixos são Iaquinta e Dino Fava. Iaquinta faz a referência na área, e Dino Fava, artilheiro da Série B da Triestina na última temporada. Jorgensen e Jankulovski alternam-se no ataque, fazendo do esquema de jogo um misto de 3-4-3 com 3-5-2. O nome do esquema não importa, e sim sua versatilidade. (9 dos 11 titulares já marcaram gols nesta temporada). Dificilmente o time de Udine não acaba esta temporada com a missão mais do que cumprida.

Curtas

O defensor Marcelo Castellini chegou a 200 partidas pela Série A neste final de semana

Prova de que esta temporada está muito mais dura na luta pelo título, é o fato de que a Juventus, na temporada passada, tinha feito um ponto a menos do que nesta, até a 24ª rodada, mas mesmo assim, está duas posições atrás da do ano passado, quando era líder

Até aqui, 897 cartões amarelos foram dados na Série A, com média de 4,1 por partida, segundo dados da Gazzetta Dello Sport

Rui Costa é o alvo maior do Benfica para a próxima temporada

A notícia parece real, porque todos ficariam felizes

O Benfica teria de volta seu maior jogador dos últimos anos, o Milan receberia uma boa verba em dinheiro por um atleta que só tem mais um ano de contrato, e Rui Costa atuaria como estrela maior em Lisboa.

Esta é seleção Trivela do Italiano desta semana

Dida (Milan); Montero (Juventus), Kroldrup (Udinese), Ferrari (Parma), Maldini (Milan); Mancini (Roma), Pirlo (Milan), Baronio (Chievo), Dacourt (Roma); Cassano (Roma) e Inzaghi (Milan)

Vai faltar espaço na cadeia

Nos últimos anos, o futebol italiano foi um verdadeiro viveiro para tudo quanto é praga, mais ou menos criminosa. Agentes inescrupulosos, falsificadores, médicos irresponsáveis, dirigentes pilantras, todos tiveram espaço para fazer escândalos. E não foram poucos. Doping (médico e administrativo), passaportes falsos, falência de clubes, virada de mesa…

Mas pode ser que, finalmente, esteja na hora da ratatulha ir para a cadeia. Na última quinta, policiais e agentes da ‘Guardia di Finanzia’ (uma espécie de polícia tributária) invadiram as sedes de todos os clubes da primeira e segunda divisão, e alguns da terceira, além da Lega Calcio. Toneladas de documentos foram apreendidas e estão sendo minuciosamente vasculhadas. Para horror dos cartolas.

Basicamente, as suspeitas são de corrupção, bancarrota fraudulenta e falsificação de balanços. Quase trinta inquéritos estão sendo conduzidos, entre os quais, o dos passaportes, doping, cartas de garantias falsas, falências da Círio e Parmalat, abuso de poder da Capitalia, entre outros. Potencialmente, pode envolver o primeiro escalão do poder na Itália. De uma maneira geral, o assalto da GDF foi bem visto, especialmente por aqueles que pediam clareza nas finanças de clubes como Roma e Napoli, desde sempre beneficiados por favores dos “co-irmãos”.

De cara, já se sabe que o que mais vai aparecer são as chamadas ‘plusvalenze’, uma artimanha que os clubes faziam. Trocando jogadores de valores similares, os clubes alteravam seus balancetes para cobrir prejuízos. Um jogador era comprado por mil dólares e vendido por dez milhões, semanas depois. Isso aconteceu milhares de vezes, sabida e assumidamente. Lembram-se das trocas de jogadores entre Inter e Milan? Entre Roma e Parma? Pois é.

O grupo que está encarregado de passar o pente fino nas finanças dos clubes é da maior competência, e parece determinado a colocar tudo às claras. Todos os personagens do futebol italiano estão mais ou menos envolvidos com as negociatas, e embora haja uma certa calma, tudo indica que a chapa vai ferver para muita gente. Esta é uma investigação que não se sabe onde pode acabar.

Русские исчезли!

Tudo parecia estar arranjado. A Roma finalmente conseguiria sair de sua sinuca de bico. O clube de Trigoria tem uma dívida impagável de cerca de € 350 milhões, e para não seguir a rota de Parma e Lazio (ou pior – Fiorentina), o dono do clube achou uns russos endinheirados na mesma onda do milionário que comprou o Chelsea. A Nafta Moscou pagaria a Franco Sensi cerca de € 400 mi, e todos ficariam contentes – torcida incluída, pois não só não perderia Totti, Emerson e outros, como “corria o risco” de ver chegarem Davids, Vieri e mais alguns medalhões.

O verbo está no passado porque ia bem, mas não vai mais. Os milionários russos se borraram de medo quando viram a polícia invadindo as sedes de todos os clubes, e pensaram: será que nós não estaríamos entrando numa roubada? Na dúvida, suspenda-se tudo. A Roma volta à estaca zero.

A semana passada se desenhou macia para a negociação romanista, e numa hora em que a grana dos petroleiros russos viria bem à calhar. Agora, sem a grana dos Urais, o presidente do clube, France Sensi, só tem uma saída. Entrar em acordo com um grupo de empresários de Roma que tinha topado substitui-lo à frente do clube. O problema é que eles não querem as dívidas do clube, ou pelo menos exigem que o valor seja abatido da negociação. Sensi não aceita.

Moral da história: o furacão fiscalizatório do governo italiano acabou ferrando Sensi, que vai ter de ceder, mais cedo ou mais tarde. A gestão do clube sob suas mãos foi ruinosa. Por bem pouco, não se teria causado conseqüências para a torcida. Como última tentativa, a Roma subiu seu capital para 130 milhões de euros. A medida visa melhorar a situação financeira do clube e tentar atrair os russos de volta.

Ah, e mais uma coisa: o título desta matéria deveria ser “Os russos sumiram!”. Caso algum internauta letrado em russo ache alguma imperfeição na tradução (feita num tradutor automático), aguardamos correções.
Inter, o inimigo íntimo

A Inter é o clube que não precisa de inimigos. Ninguém sabe fazer mais mal à equipe de Via Durini do que ela mesma. Na derrota para o Brescia em Milão, de virada, ficou provada irrefutavelmente a fraqueza psicológica do elenco interista, somada a uma sensível lacuna técnica.

A crise interista é tão feia que já se considera certo que Alberto Zaccheroni não fica para a temporada que vem. Mais: novas derrotas podem fazer com que o técnico romagnolo perca o emprego ainda nesta ano. Zaccheroni deve acabar pagando o pato pelos eternos problemas do clube. Injustamente.

Sabe-se que a diretoria finalmente resolveu fazer um expurgo em junho, onde diversos nomes podem tomar o caminho da roça. Por hora, a medida adotada foi um retiro do elenco, que está em regime de concentração permanente, para treinos e lavagem de roupa suja ‘ad infinitum’.

Em campo, o grande drama da Inter segue sendo não ter um comandante no meio-campo. É incrível como a Inter consegue desnaturar jogadores comprovadamente bons, como Lamouchi ou Dejan Stankovic. O time não tem um jogador que consiga ordenar a manobra, e assim, depende de lampejos dos atacantes. E como a bola queima o pé dos meio-campistas, a defesa acaba sempre ficando no mano-a-mano, e sempre perdendo. Até Toldo, um dos três melhores goleiros do mundo, está jogando incrivelmente mal.

A saída de emergência parece improvável. O ideal seria umafaxina imediata, limando TODOS os jogadores que estejam fazendo parte da turma do chinelinho. Por sorte da Inter, nenhum dos outros aspirantes à quarta vaga para a Liga dos Campeões (Parma, Lazio, Udinese) venceu nesta rodada, mas este posto parece difícil, pois a Inter é o mais irregular dos quatro. Para pegar uma vaga-UEFA, a Inter não precisa de nenhum medalhão, e a mensagem estaria dada aos jogadores: o couro vai comer se ninguém se mexer.

Lecce turbo, rebaixamento duríssimo

O mês de fevereiro foi tudo o que o Lecce esperava. Um dos rebaixados virtuais na virada do ano, o time do Via Del Maré fez um mercado excelente e transformou-se na sensação do torneio. Basta dizer que nas últimas cinco partidas, o ‘giallorosso’ do Salento fez 13 pontos, concedendo somente um empate, contra o Milan.

E qual a varinha de condão usada? Nenhuma. O Lecce se reforçou nos setores certos. De maior relevância, a chegada do colombiano Bolaño no meio-campo, e a explosão da dupla Bojinov-Chevantón no ataque. O uruguaio marcou nas últimas cinco partidas e tem transferência garantida para o próximo campeonato.

Mas além da turbinada do Lecce, outros times que lutam contra o rebaixamento também reagiram. O Empoli já vem de uma melhoria desde a virada do ano, com a consolidação a dupla Rocchi-Tavano e a consistência dos meias Di Natale e Vannucchi. Esta coluna cravou que o Empoli já tinha reservado a vaga no rebaixamento, mas a reação surpreendente reabilita o time toscano para seguir sonhando. A vitória contra a excelente Udinese é prova disso.

Não é só. O Perugia finalmente conseguiu uma seqüência de duas vitórias, e ainda segue favorita para cair, mas voltou a ter chances de pensar em se manter (mesmo com chances reduzidíssimas). Reggina, Siena e Modena perderam terreno e já estão na área perigosa da tabela. Na verdade, nove pontos separam o 17º e o 10º colocados. O Ancona é o único que está irremediavelmente comprometido.

Curtas

Zambrotta fez, contra o Ancona, a sua 200ª partida pela Série A

O meio-campista fez 141 jogos pela Juventus e 59 pelo Bari

Aliás, o Ancona que perdeu para a Juve de Zambrotta, deve estabelecer um novo recorde negativo nesta temporada

Já são 17 derrotas até aqui

Frey (Parma) e Torrisi (Reggina), completaram 150 partidas na divisão máxima

Um jornal de Brescia ventilou que o Anderlecht quer Baggio para a Liga dos Campeões do ano que vem

O time belga, que nega o interesse, daria condições especiais de treino para o craque veterano, que jogaria somente a competição européia

E esta é a seleção Trivela do Italiano neste final de semana

Antonioli (Sampdoria); Mancini (Roma), Vargas (Empoli), Barzagli (Chievo) e Maldini (Milan);Seedorf (Milan), Codrea (Perugia), Emerson (Roma), Vannucchi (Empoli); Totti (Roma); Cassano (Roma)

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