Mês: fevereiro 2004

O gigante bom

Numa semana que a Itália certamente vai preferir esquecer (exceto os milanistas), depois do trauma da perda de Marco Pantani, o torcedor novamente tira os lenços do bolso. No sábado, depois de uma longa luta contra um câncer e o Mal de Alzheimer, morreu John Charles, centroavante da Juventus na linha de ataque mais famosa da história do clube, junto com Giampiero Boniperti e Omar Sivori.

O leitor deve estar se perguntando se é pertinente tratar com tanto destaque assim de um jogador que atuou em meados dos anos 50, e que a grande maioria dos contemporâneos não viu jogar. Esta coluna acha que sim. O galês Charles foi chorado talvez com maior intensidade na Itália do que no Reino Unido, tal era a devoção dos peninsulares pelo mito.

Esse mito começa a sua história no Leeds United, nos difíceis anos do poá-guerra. Entre 1947 e 1957, John Charles marcou 154 gols em 316 jogos pelo time de Elland Road. Em 57, Umberto Agnelli, então o presidente mais jovem da história do clube, com 21 anos, gasta 105 milhões de liras para levar Charles para Turim. O esforço se explicava pela performance incolor da Juve, que tinha levantado o último troféu seis anos antes, e amargara, de fila, dois nonos e dois sétimos lugares.

A linha Sivori-Boniperti-Charles fez história, com 77 gols e um ‘scudetto’ já na primeira temporada. Além da capacidade monstruosa de marcar gols, Charles ganhou o apelido de “Gigante Buono”, porque passou toda a sua carreira sem levar uma advertência (os cartões amarelos só apareceriam na década seguinte) ou ser expulso. Em seus cinco anos de Juve, levantou três títulos nacionais (entre eles o de número 10, que deu a primeira estrela ao clube piemontês), uma Copa Itália, marcando 105 gols em 178 jogos.

O 1m86 de Charles hoje parecem comuns, mas cinqüenta anos atrás justificavam plenamente o apelido de gigante. Excelente no jogo aéreo, entrava na área sob marcação cerrada dos adversários, mas se recusava a abrir os braços para atingi-los. E ainda assim, ganhava a parada, na maioria das vezes. Vestiu a camisa de Gales em 38 partidas.

Charles passou mal antes de participar de um programa de TV na Itália, no mês passado. No hospital, teve sua situação estabilizada, mas sabia-se da gravidade de sua situação. A Juventus pagou um avião-hospital para leva-lo de volta à Leeds, onde acabou falecendo no último sábado, e fazendo a ‘Vecchia Signora’ jogar de luto nos braços, contra o Bologna.

A afeição extraordinária do torcedor italiano pelo “Gentle Giant” foi tão sólida que fez com que ele fosse eleito pelos torcedores como o maior estrangeiro a ter vestido a malha ‘bianconera’. Isso, tendo a concorrência respeitabilíssima de nomes como Michel Platini, Liam Brady, Omar Sivori, Zinedine Zidane, só para citar alguns. No Leeds, é considerado o maior jogador de todos os tempos. Mesmo com um dos derbys de Milão mais espetaculares de todos os tempos, a semana ficou em tons de cinza.

Berlusconi, polêmicas e eleições

Logo depois da fantástica virada do Milan sobre a Inter, por 3 a 2, no sábado, o premiê italiano (e presidente do Milan), Silvio Berlusconi, deu uma entrevista que caiu como gasolina na fogueira. “Mandarei uma carta ao técnico do Milan dizendo que não podemos absolutamente jogar com um atacante só”. O tom feliz se misturou com uma ameaça velada à italiana, e muitos já conseguiram ver no episódio uma ameaça ao cargo de Carlo Ancelotti.

Menos. Berlusconi, que é uma espécie de Maluf italiano, dado seu caráter populista, não deu ponto sem nó. Mais do que repreender Ancelotti, o político quis é colocar seu nome na mídia num momento em que as eleições se aproximam e que a briga com a esquerda italiana vive um momento sangrento. O caso ficou tão sério que a presidente da RAI, Lucia Annunziata, interviu na transmissão da “Domenica Sportiva”, para dizer publicamente que Berlusconi não tinha o direito de fazer um “spot eleitoral gratuito”.

Falsas polêmicas à parte, Berlusconi não pode estar falando sério, porque realmente conhece futebol. Seu Milan faz a melhor campanha da história da Série A até o momento, está classificado na Liga dos Campeões, e consegue fazer proezas como as de sábado. Um ou dois atacantes? Depende do adversário. E até aqui, a gestão do ataque por Ancelotti tem sido ótima.

O 4-5-1 do Milan é tão ofensivo quanto o do Real Madrid, porque quatro dos cinco meio-campistas podem chegar ao gol, confundindo a defesa adversária. Além do mais, Tomasson (o segundo atacante), age tão próximo do meio-campo que às vezes passa por meio-campista. O time só se assume como tendo dois atacantes mesmo quando Shevchenko e Inzaghi estão em campo.

Europa num momento difícil

O retorno às competições européias vem num momento bem duro paa a maioria dos clubes italianos. Por razões variadas, todos os clubes da Série A estão às voltas com algum tipo de dificuldade, e apreciariam bastante se pudessem aguardar mais quinze dias antes de disputar euro-decisões que significam receitas importantes.

Para começar pelo começo, o Milan e a Juventus, os dois italianos que sobreviveram à primeira fase da Liga dos Campeões, olham com preocupação para seus compromissos. O Milan deu uma prova indiscutível de força aovencer a Inter, é verdade, mas tem boa parte de seu time sob exaustão. Os próximos 30 dias têm muitos compromissos duros, e jogadores como Kaká, Cafú e Shevchenko vão precisar, uma hora ou outra, de uma pausa. A boa nova é que a enfermaria está quase vazia – exceção feita à Nesta.

Na Juve, o drama é maior. Com um elenco curto de 22 jogadores, o técnico Marcello Lippi precisa reencontrar o brilho perdido de outrora. Diante de um adversário incômodo como o Deportivo La Coruña, a missão é de alto risco. Del Piero é a aposta para a força extra, e o jovem Maresca, a esperança de substituição à visível flexão de performance de Nedved. Tudo, é claro, sem perder o Milan de vista no campeonato.

Os italianos da Copa UEFA têm situações diferentes. A Roma é a única que respora com alívio, atravessando uma fase em que tem forças suficientes para bater um rival abordável, o Gaziantepspor (TUR). Inter e Parma se batem com problemas de ordem diferente. A Inter enfrenta sua eterna crise endógena, cheia de grandes nomes e pequeno futebol; o Parma, dilacerado por uma crise financeira, tem entusiasmo de sobra, mas é certamente um time mais fraco do que o de dezembro passado. Já o Perugia, vive uma realidade esquizofrênica, onde está com as malas prontas para cair, mas ainda vai bem na competição.

Curtas

O atacante da Roma, Antonio Cassano, deu um passo importante para garantir sua vaga na Eurocopa

Com sua primeira “tripletta” na Série A, Cassano, já igualou a marca de 9 gols da temporada passada

O maior concorrente de Cassano pela vaga é o juventino Miccoli

Dois centroavantes em destaque entre as equipes provinciais

O primeiro é Dino Fava Pássaro, que completou seu 13o gol na temporada

Fava estava na Triestina até Muzzi ir para a Lazio

O outro é Ernesto Chevantón, do Lecce, que dificilmente não segue para uma “grande” no fim da temporada

“Cheva” marcou seu 12o gol nesta Série A

A imprensa italiana segue impressionada com a forma esferica que Jardel se apresenta

O atacante brasileiro ainda não marcou

Quando Roque Júnior chegou ao Siena, depois de ter sido “injustiçado” no Leeds, o clube tiscano estava na décima posição

Quatro rodadas (com quatro derrotas) depois da chegada do brasileiro, o Siena escorregou para uma perigosa 13a. posição

Roque Júnior é um daqueles fenômenos que conseguem se manter em grandes clubes e na seleção sem jamais jogar bem

Depois de sua saída do Palmeiras em 2000, o zagueiro jamais teve uma seqüência de jogos onde não patinasse

A seguir, a seleção Trivela do Italiano na última rodada

Frey (Parma); Iuliano (Juventus), Nesta (Milan), Samuel (Roma); De Rossi (Roma), Baronio (Chievo), Cassetti (Lecce), Pirlo (Milan); Totti (Roma), Cassano (Roma) Chevanton (Lecce).

Atrás das grades

Se alguém contasse esta estória há dois anos, seria chamado de louco, e provavelmente, ganharia um processo criminal daqueles bem carnicentos. Mas a verdade é que os dois maiores empresários do setor de laticínios na Itália até bem pouco tempo, Calisto Tanzi e Sergio Cragnotti, estão neste momento, atrás das grades.

Tanzi já está preso desde 18 de janeiro; Cragnotti foi encarcerado na semana passada, com direito a mãos algemadas e tudo mais. Na verdade, o crime de ambos é similar: acusação de bancarrota fraudulenta, ou seja, sumiço de dinheiro de uma empresa, com benefício de alguns credores em detrimento de outros.

A cadeia italiana não deve estar vazia, porque junto do ex-dono da Lazio, muitos outros executivos foram para o xilindró, todos no mesmo escândalo. Aliás, os dois casos são bastante interligados, porque a derrocada da Parmalat tem muito a ver com a queda da Círio (empresa de Cragnotti). Calisto Tanzi, semanas atrás, disse que a Parmalat se enterrou em dívidas após ser forçada a comprar várias fábricas da Círio a preços super-faturados, visando tirar a corda do pescoço dos credores daquela empresa.

A tramóia deve ser bem maior do que imaginamos nós, reles assalariados. Outra coincidência entre os dois casos, além das prisões, do ramo dos laticínios e dos clubes de futebol é que tanto Tanzi quanto Cragnotti viraram suas acusações para grandes bancos da Itália, especialmente a Capitalia, do poderoso Cesare Geronzi. Geronzi teria sido o pivô da quebra dos dois grupos, manipulando ativos e passivos com a força de quem é o maior credor de ambos. Ou melhor, era, porque os credores de Círio e Parmalat certamente não estão em situação tão vantajosa.

Para os gramados, a repercussão será menos aguda. A Lazio já teve sua situação crítica afastada (ainda que tenha recebido favores poçíticos para seguir em frente), e mesmo que não tenha o poder econômico de outrora, já caminha sozinha. O Parma ainda está no olho do furacão, mas dá sinais de ter passado o pior. Não deve cair para a Série B, e com alguma sorte, consegue vagas européias para bombar o cofre.

Pena que o rigor da Itália não se estenda até aqui. As cadeias não teriam mais vagas.

Sob o fantasma do doping

O leitor assíduo de Trivela há de estranhar, mas o fato mais importante desta semana é a morte de um ciclista. Sim, o site continua tratando do mesmo assunto, futebol, e não pretende alterar o seu foco. Mas o falecimento de Marco Pantani, talvez o maior ciclista italiano desde Fausto Coppi, tem tudo a ver com futebol.

A morte de Marco Pantani por “causas naturais” joga um galão de aguarrás na fogueira da discussão sobre o doping. “Il Pirata”, único ciclista italiano capaz de vencer o Giro D’Italia e o Tour de France (as duas provas mais importantes do ciclismo) na mesma temporada, desde o mítico Coppi (1949-1952), teve sua carreira destroçada após ter sido pego num exame anti-dopagem. Pantani teria usado eritropoietina, ou EPO, substância sintetizada pelo organismo, mas utilizada em larga escala por atletas de esportes de fundo, que precisam de resistência.

A perda do ídolo, mais a assustadora morte de Marc Vivien Foe, há menos de um ano, somada a de Miklos Feher há poucas semanas, nem mesmo o ‘establishment’ esportivo, voluntariamente cego, pode continuar a deixar de lado um fato: o esporte profissional, que todos os anos vende milhões de chuteiras, camisetas e bicicletas, está assassinando seus maiores protagonistas. Sob as vistas e com a conivência de todos.

O choque na Itália ainda não permitiu este tipo de reflexão, porque lá, Pantani é um astro de primeira grandeza. Contudo, o raciocínio óbvio é o de pensar aos inúmeros casos de doping no futebol, ao processo que a Juventus sofre em Turim (e que a incomoda barbaramente), às mortes contínuas de ex-jogadores nos últimos anos pelo Mal de Gehrig (uma espécie de esclerose que suspeita-se possa ter maior incidência pelo uso de ‘medicamentos’).

A complacência com que as autoridades futebolísticas (FIFA inclusa) têm com os casos de dopagem é não menos responsável do que o receituário das drogas por médicos inescrupulosos. Alguns esportes, como o próprio ciclismo, estão infestados até a alma pela praga, mas finge-se que se trata da minoria. E quando se arruma um bode expiatório como Pantani, dá-se lugar a uma inquisição mediática. O ciclista foi consumido por essa inquisição, e isolado como um Lázaro, foi dilacerado por uma depressão pavorosa.

Claro, outro motivo para relacionar a morte de Pantani com o futebol era a sua fé futebolística. Milanista “doc”, Pantani ia a jogos do clube sempre que possível, e o time jogou de luto no empate em Lecce. A Itália chora a morte de um ídolo, e vê na morte do ciclista, a agonia do futebol. Um jornalista italiano disse que foi a “crônica de uma morte anunciada”. Podemos colocar a frase no plural, pois a crônica continua.

Parma versão Ajax

As tetas da vaca da Parmalat estão mais secas do que o deserto de Góbi. Agora é a hora em que o Parma vai ter de mostrar se pode ou não pode seguir como protagonista. Sem dinheiro, a criatividade toma lugar. E o modelo a ser seguido, segundo o dirigente Luca Baraldi, é o dos holandeses do Ajax.

A teoria de Baraldi é a seguinte: grandes contratações não terão mais lugar no futebol contemporâneo, e especialmente, num clube com problemas financeiros como o Parma, sediado numa cidade de pouco mais de 170 mil habitantes. As divisões de base passam a ter então um papel vital, onde os jogadores são criados para ter uma identidade com o clube. A idéia é a de ser reconhecido como um clube onde surgem grandes jogadores.

Outra preocupação do clube é a de se colocar de acordo com as regras da UEFA para a temporada que vem, onde os débitos terão de estar obrigatoriamente adequados às despesa e não se serão admitidos salários atrasados nem dívidas com o fisco e previdência.

O Parma tem estrutura bastante adequada para se transformar num clube de ponta no segundo escalão da Europa, lutando por Copa UEFA e eventuais vagas na Liga dos Campeões, somente na base da boa gerência. O furacão empresarial que sacudiu o clube veio num momento em que a circunstância pôde ser administrada, e talvez esta tenha sido a grande sorte.

Trapattoni peita os grandes clubes

Giovanni Trapattoni resolveu dar um murro na mesa. Depois de semanas sendo “ameaçado” pelos técnicos dos grandes italianos (Milan, Roma, Juve, Inter e Lazio), o CT italiano contra-atacou, sem medo. Os técnicos reclamavam que não queriam ver seus maiores astros convocados para amistosos da “Azzurra”. Trapattoni deu de ombros.

Numa semana onde a Juve vai visitar um crescente Bologna, a Lazio viaja até Verona, para pegar o Chievo, a Roma hospeda o Siena e Milan e Inter se enfrentam num derby milanês, ‘Trap’ chamou simplesmente 15 atletas entre os 22 que jogam em um dos cinco. O recado de Trapattoni é claro: a seleção não é um ajuntado de quinta categoria e quem quiser ir para a Euro-2004 vai ter de ralar a bunda.

Tirando o duo de goleiros Buffon-Toldo, que só não vai para Portugal se estiver machucado, Trapattoni chamou somente três debutantes. Na defesa, Bettarini, da Sampdoria, 31 anos e nove clubes na carreira. A idéia é fechar um setor que tem opções satisfatórias, e onde Cannavaro não consta por contusão.

Os outros dois debutantes são no meio-campo. Volpi (Sampdoria) e Barone (Parma) tentarão convencer Trapattoni numa posição onde somente Perrotta convenceu. Trapattoni espera na recuperação de Cristiano Zanetti, mas o interista está numa espiral de contusões e o técnico não pode ter certeza que, depois de quase um ano de entra-e-sai na enfermaria, Zanetti estará bem para o Europeu.

Se optar por um 4-4-2, o ataque é Totti-Vieri, com certeza. Mas caso escolha o 3-4-1-2, sistema que deu as melhores respostas até agora, Totti deve figurar atrás de Del Piero-Vieri, com Cassano correndo por fora. Trap também deve acabar levando Filippo Inzaghi, se o milanista se recuperar da ciranda de lesões.

Eis os 22 convocados para a partida desta semana contra a República Tcheca de Pavel Nedved:

Goleiros: Buffon (Juve) e Toldo (Inter)

Defensores: Adani (Inter), Bettarini (Sampdoria), Ferrari (Parma), Legrottaglie (Juve), Nesta (Milan), Oddo (Lazio), Pancaro (Milan), Panucci (Roma)

Meio-campistas: Barone (Parma), Di Natale (Empoli), Fiore (Lazio), Nervo (Bologna), Perrotta (Chievo), Pirlo (Milan), Volpi (Samp)

Atacantes: Cassano e Totti (Roma), Corradi (Lazio), Del Piero (Juventus), Vieri (Inter).

Curtas

No domingo, faleceu mais um jogador, vítima do Mal de Gehrig

É o defensor Minghelli, do Arezzo, clube onde foi treinado pelo técnico Serse Cosmi

Minghelli tinha somente 31 anos

O artilheiro do campeonato, Andriy Shecchenko, fez contra o Lecce, a sua partida oficial de número 200 com a camisa do Milan

Shevchenko, curiosamente, também estreou pelo Milan contra o Lecce, no mesmo estádio Via Del Mare, também marcando um gol, e também num empate, mas pelo placar de 2 a 2

Fabio Pecchia, da Juventus, completou 300 jogos pela Série A, divididos em 6 equipes: Sampdoria, Juventus, Napoli, Como, Bologna e Torino

Daniele Adani (Inter) e Fernando Couto (Lazio), completaram 150 partidas na divisão máxima, enquanto Siviglia (Lecce) chegou à 100a

O Perugia não vence uma partida na Série A há 26 rodadas

A última foi contra a Atalanta, no campeonato passado, por 1 a 0

Esta rodada, a de número 21, foi a mais magra da temporada, com somente 18 gols em 9 jogos

Eis a seleção Trivela desta semana no campeonato Italiano

De Sanctis (Udinese); Natali (Bologna), Nesta (Milan) e Stam (Lazio) ; Pizarro (Udinese), Bolaño (Parma), Bresciano (Parma) e Doni (Sampdoria); Chevantón (Lecce), Amoruso (Modena) e Baggio (Brescia)

A vigésima maldita de Turim

Os 4 a 0 que a Juventus sofreu para o Parma na noite deste domingo em Roma remeteram imediatamente a uma outra derrota em que os piemonteses levaram quatro gols. O ano era 1999, a rodada, curiosamente, era a de número 20, o adversário era o Parma. Foi um 4 a 2 que forçou Marcello Lippi a pedir demissão, prontamente aceita.

Dos juventinos que estavam em campo na goleada do Olímpico, Montero, Tacchinardi, Tudor, Conte e Buffon (então no Parma) também testemunharam o desastre de 1999, E certamente devem se lembrar que uma derrota dessas proporções não passa incólume. Não na Juventus.

A Roma jogou um bom futebol, é verdade, mas a voracidade dos números se deve muito mais a uma flacidez inaceitável da Juve do que a um jogo espetacular da Roma. Totti e Cassano jogaram excepcionalmente, mas a defesa juventina era um espectro do setor impenetrável que há quatro temporadas é o melhor do torneio. Como disse o próprio Buffon, o desempenho do setor, ele incluso, “não é digno da Juventus”.

Marcello Lippi deu uma entrevista no pós-jogo bem mais serena do que a de 1999, onde sua cabeça estava colocada a prêmio, mas o abatimento era evidente. Na expulsão de Montero (15o cartão vermelho do uruguaio na Itália, recorde absoluto), Lippi meneou negativamente com a cabeça, jogando a toalha inconscientemente. E para o campeonato, não é muito diferente, embora o treinador insista no contrário.

A dificuldade a ser superada pela equipe de Turim não é nem tanto pelos oito pontos de distância do líder Milan, mas pela falta de recursos aparentes no atual elenco, curto de 22 jogadores, e sem nomes que possam, teoricamente, fazer a diferença nesta reta final de campeonato. Del Piero, há três meses machucado, é o único ‘bianconero’ capaz de injetar gás num time que parece sem disposição. É pouco.

Um exausto Nedved e um Trezeguet de contrato novo também soam como improváveis candidatos a carregar esta Juve nas costas, num momento em que o time parece necessitar de estrelas defensivas, exatamente como Davids (recém-partido para o Barcelona), ou Stam, cuja contratação junto à Lazio foi adiada para junho, já que o batavo não pode jogar na Liga dos Campeões.

Líquida e certa é uma reação por parte da diretoria e da comissão técnica. Com a Liga dos Campeões se aproximando, a Juve não pode nem pensar em falar de crise. Marcello Lippi já disse mais de uma vez que se aposenta se não vencer esta edição do torneio continental e a diretoria juventina não poderia admitir um ‘flop’ nas contas do clube, que tem ações na Bolsa de Valores.

Resta a pergunta: O que fazer? Lippi já tinha se decidido a encerrar o ‘rodízio’ de jogadores que visava dar uma folga para os craques mais importantes, mas talvez tenha de reconsiderar. Nedved perdeu o brilho de três meses atrás, visivelmente fatigado, Del Piero ainda não encontrou tal brilho, e a defesa, principalmente, precisa achar quem vai fazer o papel do Davids da vez. Para Appiah, pode ser um momento-chave: ou se revela um juventino, ou mostra que é um craque de início de campeonato. Detalhes disponíveis nas próximas semanas.

Vieri-Adriano: a Inter se inventa um novo problema

Incapaz de desfrutar alguns momentos de bem-estar, a Inter volta a exercitar a sua mania quase botafoguense de se auto-flagelar. Agora que conseguiu jogar bem duas partidas seguidas, a discussão que se avizinha a Appiano Gentile é sobre a impossibilidade de colocar Adriano e Vieri para jogarem juntos, ou seja, que Vieri está de saída.

O hábito não é recente, nem italiano, nem interista. Basta lembrar que Shevchenko não poderia jogar com Inzaghi no Milan, assim como Rui Costa não poderia jogar com ninguém (nem Albertini, nem Kaká, nem Rivaldo), Zidane não poderia jogar com Figo no Real Madrid, e Nedved não poderia jogar com Davids e Del Piero na Juventus.

Discussões como esta só deixam claro duas coisas: a primeira é que a mídia consegue inventar pelo em ovo para vender jornal; a segunda é que a Inter de Milão precisa, antes de qualquer outro craque, de se deitar urgentemente num divã de psicólogo, e recuperar o seu amor-próprio.

Alberto Zaccheroni, treinador do time Lombardo, tem a seu dispor, dois dos melhores atacantes do mundo. Se fossem dois cabeças-de-bagre da mesma posição, ou a Inter tivesse grandes craques em outras posições, até se colocaria a dúvida sobre as chances de sucesso de ambos. Não se trata de nenhum dos casos.

Este colunista tinha sim, uma dúvida sobre se Crespo (ótimo jogador, mas inferior a Adriano) poderia jogar com Vieri. Na prática, o argentino foi designado para atuar mais na área, enquanto Vieri voltava para buscar jogo. Deu certo. Não existe razão para achar que com Adriano os dois não possam se adaptar, até porque, além de goleadores, ambos são solícitos aos pedidos dos técnicos.

É bem verdade que o jeito dos dois jogarem é similar, mas também é indiscutível que há talento suficiente na dupla para uma adaptação. E como a Inter já está fora da corrida pelo título, os próximos quatro meses de torneio são uma ótima prova para ver o que ambos podem fazer.

Zaccheroni deverá questionar seu módulo 3-4-3. Para jogar com três atacantes, seria melhor usar somente um entre Vieri e Adriano, e dar os postos de atacantes laterais a jogadores com mais vocação para a linha de fundo. Só que seria um pecado deixar um dos dois no banco, sendo que se trata do que o elenco tem de melhor.

O bom senso sugere que ‘Zac’ monte uma linha de quatro na defesa, sólida e cautelosa, sirva o meio campo com dois alas (Van der Meyde e Kily Gonzalez, por exemplo), e dois centrais que façam a bola girar. Não coincidentemente, exatamente o esquema que Hector Cuper queria montar, mesmo com alguns ‘gênios’ chamando-o de burro.

Bologna: sem magias de início de campeonato

Quem assistiu a partida entre Udinese e Bologna, no último sábado, pode até ter tomado um susto. Como o Bologna tosco e pífio do início do campeonato tinha se tornado um time ágil, consciente e aplicado, a ponto de bater a Udinese (único time que venceu o Milan na Série A deste ano) em Udine?

A resposta está no banco de reservas. Carlo Mazzone, decano treinador italiano, finalmente está vendo os frutos de seu trabalho aparecerem. O Bologna comeu o pão que o diabo amassou no começo do torneio porque o planejamento do técnico era de longo prazo, e não visando ganhar duas ou três partidas de saída.

Mazzone e o ex-técnico do time, Francesco Guidolin, têm modos de jogar bem diferentes. Guidolin joga no contra-ataque, com um meio-campo colado à defesa, convidando o adversário a avançar; Mazzone impõe a seus comandados a posse de bola, marcação eficiente e, normalmente, o uso de uma ‘torre’ (Kenneth Andersson no Bologna, Amoruso no Perugia, Tare no Brescia e Bologna) entre os zagueiros rivais, para servir como pivô para a entrada dos meio-campistas. No sábado, não à toa, Nakata, Colucci e Locatelli anotaram gols para o Bologna. Todos meio-campistas.

Normalmente, partidas explosivas no início do campeonato. Em times pequenos, são resultado de uma preparação física que visa a obtenção de um ápice rapidamente. Como se atinge o ápice antes dos adversários, fica fácil ganhar as partidas no fôlego. Mas o preço vem com o passar do tempo, e rapidamente, o time pára de correr, com influência clara nos resultados. Este Bologna fez exatamente o oposto.

Parma sente o golpe do mercado

O Parma teve o melhor projeto de reestruturação das últimas temporadas, tem o melhor técnico da nova geração, tem (ou teve) o melhor elenco de promessas de jovens italianos, e outras coisas mais. Contudo, não é possível sofrer um baque de mercado como o do clube ‘gialloblú’ sem acusar o golpe.

O Parma cedeu Adriano à Inter, Júnior ao Siena, Nakata e Moretti ao Bologna, Bolaño e Sicignano ao Lecce. Além disso, perdeu Bonera com uma fratura no pé, Cardone com uma lesão no joelho e tem um clima péssimo sobre o clube, que não sabe se vai para o saco na manhã seguinte ou não. O resultado se vê em campo.

A partida entre Parma e Lazio era um clássico entre dois grandes compradores de mercado até outro dia. Hoje, é um jogo entre dois quatrocentões que perderam tudo. Em campo, a Lazio está mais acostumada com a nova situação, e tem mais elenco, já que se recupera há mais tempo do baque.

Sintomática para o Parma é o episódio onde a torcida do Parma aplaudiu e pediu a entrada de Degano e Potenza, dois jovens de vinte anos, dos quais esperava uma reação contra uma Lazio experiente, conduzida por um renascido Cláudio López. Ao técnico Prandelli resta a esperança de pensar numa vaga na Copa UEFA, já que é difícil acreditar que o Parma possa sonhar com um ‘spot’ na Liga dos Campeões.

Os jogadores Aimo Diana (Sampdoria) e Hidetoshi Nakata (Bologna) completaram 150 partidas na Série A neste final de semana

Nakata é uma das razões da subida de produção do Bologna

Igor Tudor (Juventus) e Alberto Gilardino (Parma) chegaram à marca de 100 jogos pela divisão máxima do futebol do país

Tanto que a diretoria do clube pensa em um ‘pool’ de empresas da cidade dpara ajudar o clube a comprar seu passe e pagar seu salário

Os dois gols de Vieri pela Inter fizeram com que ele atingisse a marca de uma lenda interista, Sandro Mazzola, filho do ainda mais lendário Valentino Mazzola

O zagueiro Dario Simic estendeu seu contrato com o Milan até 2007

Não é só no Brasil que algumas narrações acabam cômicas

A transmissão de Roma – Juve, pela RAI, normalmente vetusta, teve momentos impagáveis, proporcionados pelo narrador Amedeo Goria e pelo repórter Carlo Paris

Os dois torciam desenfreadamente pela Roma, e beiraram a histeria em alguns momentos

Pagliuca (Bologna); Cribari (Empoli), Nesta (Milan) e Ignoffo (Perugia); Nakata (Bologna), Colucci (Bologna), Dacourt (Roma) e Rui Costa (Milan); Cláudio López (Lazio), Vieri (Inter)e Totti (Roma)

Milan em disparada?

Se a 18a rodada do Italiano não foi perfeita para o Milan, foi quase. Além de se desvencilhar de um incômodo Bologna, em viagem, o time lombardo pôde respirar um pouco mais aliviado com uma derrota da Roma que, não somente aumenta a diferença entre os dois times para cinco pontos, como também é um claro indicador de que o time da capital enfrenta uma crise física e técnica.

A Roma teve um mês de janeiro absolutamente deprimente, colhendo seis pontos, e perdendo oito em relação ao Milan (que a bateu incontestavelmente em três confrontos diretos). O técnico Fabio Capello está preocupado porque o elenco caiu vistosamente de produção, Totti não é mais suficiente para fazer a diferença, e o calendário reserva justamente a Juventus na próxima rodada, numa partida em que a Roma tem, obrigatoriamente, de mostrar que a crise é passageira.

Ainda que lentamente, quem se arrasta para fora de uma outra crise é justamente a Juventus, que teve seu momento pior no fim de dezembro. O time de Turim não brilha, joga com dificuldade, e tem nomes-chave (Nedved, Trezeguet, Del Piero) fora da melhor forma. Mas este é o segredo da Juve: fazer pontos, mesmo jogando mal, como aconteceu contra o Chievo.

A vitória milanista veio num momento delicado. Revezando jogadores, Carlo Ancelotti conseguiu dar um descanso para todos os seus principais titulares (exceto Shevchenko), sem perder nenhum ponto, jogando duas vezes na mesma semana contra adversários hostis (Siena e Bologna). Fevereiro reserva um calendário pesado para os rubro-negros, e é o mês em que o time vai dar uma mostra de seu fôlego.

“Então quer dizer que o Milan é o favorito?”. Calma lá. O Milan é líder, é verdade, e tem uma consistente vantagem de cinco pontos. Mas hoje, assim como há um mês, quando a Roma liderava, o torneio está abertíssimo. A Roma tem chances sim de voltar à forma de quarenta dias atrás (embora seja uma missão difícil), e a Juventus deve, salvo acidentes, voltar à sua forma máxima em questão de algumas rodadas. Na verdade, vence o campeonato o time que ficar por menos tempo patinando nesta ‘crise de janeiro’, que atinge todos.

Mesmo com a parada completamente aberta, os milanistas têm razões para estarem esperançosos: dizimam recordes (em 18 rodadas, o desempenho do Milan é um dos melhores da história da Série A), dispõem de alternativas táticas diversas, e ainda têm jogadores que não atingiram seu ápice físico, como Filippo Inzaghi, Kaladze, Serginho e o próprio Cafu. Ancelotti conta com isso para sua cartada final, até porque sabe que Sheva e Kaká não devem manter o atual ritmo assombroso até maio. Se o fizerem, entram para a história, definitivamente.

Tomasson: o reserva de luxo

Se Jon Dahl Tomasson fosse analisado pela crônica brasileira, tiraria zero. Não é técnico como Kaká, não tem a velocidade de Ronaldo, não tem o controle de bola de Denílson ou Robinho, nem a improvisação de Alex ou Ronaldo Assis. E sem isso, no Brasil, se trata de um perna-de-pau.

Mas quem o viu jogar pelo menos uma vez, não fica com essa impressão. E certamente, Carlo Ancelotti, técnico do Milan, também não. Tomasson é, hoje, o jogador mais importante taticamente para o técnico de Reggiolo, pela sua versatilidade. Sem Tomasson, é provável que o Milan não estivesse na liderança.

O dinamarquês de Copenhague apareceu para o futebol na Holanda, jogando pelo Heerenveen. Depois de três temporadas e 37 gols, Tomasson foi contratado pelo Newcastle, onde fracassou retumbantemente. Mal escalado pelo então técnico dos “Magpies”, Kenny Dalglish (hoje, não coincidentemente, desempregado), Tomasson jogava como centroavante puro, ao lado de Asprilla e Ketsbaia. Sem força física nem velocidade para tanto, foi considerado a pior contratação do ano, e re-expedido para a Holanda, só que para Rotterdam, onde aportou no Feyenoord.

Lá, deixou claro que o problema não era ele. Em quatro temporadas, levantou um título de campeão holandês e uma Copa da UEFA, na qual desclassificou a Inter de Milão na semifinal e foi o melhor em campo na final contra o Borussia Dortmund, sempre jogando como pivô para o centroavante Van Hooijdonk. Depois disso, a transferência a custo zero para o Milan.

No Milan, Ancelotti o utilizou a conta-gotas na temporada passada. Durante o ano, concluiu que “Tommy” não deveria jogar como homem de área, e sim como segundo homem, dando referência para um centroavante (Sheva ou Inzaghi), propiciando tabelas, e dando assistências. Exatamente como joga na seleção dinamarquesa (com Ebbe Sand).

Se Tomasson não tem um controle de bola excelente, nem uma técnica refinada, sabe tocar a bola de primeira, o que lhe dá grande vantagem quando recebe-e-toca para a infiltração do atacante. Maior fisicamente, protege bem a bola. E tem seu forte na inteligência tática, capaz de se agregar ao meio-campo quando o time está sem a bola, reforçando a marcação.

Nesta temporada, Tomasson já fez 12 gols, mas quase todas entrando como substituto. Com o dinamarquês no elenco, as opções táticas para o ataque se multiplicam. É um jogador e tanto, ainda que não tenha a habilidade de um Robinho. Quando nós, brasileiros, conseguimos compreender que há muitas maneiras de se jogar bem futebol, talvez as derrotas que sofremos não precisem tanto de bodes expiatórios. Elas fazem parte do jogo.

Lazio, ave César

Ninguém presta atenção porque a Lazio não tem uma campanha onipotente como a do Milan. Mas o time de Formello tem no brasileiro César, cada vez mais, um jogador indispensável. Nestes dias de marketing, onde qualquer um pode valer trinta milhões porque tem um bom agente, César é a grata exceção.

Confesso que não pus muita fé em César quando ele deixou o São Caetano. Como lateral bem à brasileira, a noção de marcação de César é a mesma de Robinho. Ou quase isso. E seguramente, numa linha defensiva de quatro jogadores, o paulistano que tem uma estória de vida bem emocionante (já cumpriu pena), fracassaria.

A sorte de César é que Roberto Mancini viu o óbvio: seu lugar não era defendendo, mas como cursor esquerdo para as ações ofensivas da Lazio. Na gestão Mancini, César jogou a primeira temporada no meio-campo e foi um dos pontos fortes do time que se classificou para a Liga dos Campeões. Neste ano, César até melhorou a marcação e começou a atuar na defesa, mas se contundiu e ficou vários meses parado.

Quando perdeu César, o técnico Mancini pôs as mãos na cabeça, porque sabia que não tinha alternativas. Para a defesa, até tinha. Embora tivesse perdido Pancaro para o Milan, a Lazio conta com Massimo Oddo, marcador discretamente eficiente. Mas o meio-campo e as jogadas de linha de fundo pela esquerda estavam encerradas.

No período sem o brasileiro, a Lazio fez bem pouco além de patinar e, de vez em quando, aprontar alguma surpresa (como para cima da Inter). Mesmo sem os elogios dos profetas do óbvio da imprensa brasileira, César faz por merecer melhor sorte na Itália. Ganhou em consciência tática, marcação e disciplina, mas não perdeu sua habilidade. É um jogador que pode fazer carreira em Roma, se não der ouvidos a propostas mirabolantes de empresários.

Juventus faz manobra arriscada

Mesmo com as apresentações opacas das últimas semanas, a renovação de contrato do centroavante Trezeguet (praticamente fechada) selou a última possibilidade de novas contratações. O técnico Marcello Lippi decidiu que, mesmo tendo cedido quatro atletas na abertura da janela de transferências, vai até maio com o grupo que tem.

Lippi é competentíssimo, não resta dúvida, mas fez uma aposta arriscada. O atual elenco da Juve tem 22 atletas, inclusos os três goleiros. O número está no limite do suficiente para um grupo que terá compromissos de campeonato, Liga dos Campeões e Copa Itália.

Além da quantidade, Lippi perdeu também qualidade. É verdade que Davids não jogava com freqüência, em função de seu braço-de-ferro com a diretoria, para não renovar o seu contrato. Mas o fato é que Davids é, simplesmente, o melhor do mundo sem sua posição, e esta perda é sensível.

No campo “quantidade”, Lippi perdeu o zagueiro Fresi (foi para o Perugia), o meia Olivera (Atlético Madrid) e Zalayeta (Perugia). Ok, nenhum desses nomes deve ganhar a Bola de Ouro em dezembro, mas certamente davam um respiro ao técnico quando seus titulares se machucavam. Um exemplo? Pela LC, contra O Manchester, no ano passado (também em fevereiro), Lippi perdeu 11 jogadores derrubados por um vírus gripal. Uma repetição deste episódio poderia ter conseqüências desastrosas com um elenco tão curto.

Na verdade, Lippi teve uma boa campanha de reforços em junho e não é técnico de sair pedindo contratações. Precisa recuperar a boa forma de Legrottaglie (que sofre há meses com uma pubalgia), Del Piero (opaco desde sua contusão muscular em outubro), Tudor (contundido há anos, sempre se recuperando mal). Resolver esta temporada complicada sem choramingar por reforços é questão de honra para Lippi. É mesmo uma missão duríssima, que precisa de competência e sorte.

A média de gols por minuto de Tomasson nesta temporada é excelente

1 gol a cada 134 minutos jogados

O zagueiro Valério Bertotto completou 250 partidas com a camisa da Udinese pela Série A

Bertotto já é o recordista em participações na divisão máxima pelo clube do Friuli

Apesar de não ter tantos gols quanto Shevchenko, o brasileiro Adriano tem média gols/partida melhor do que a do ucraniano

0,91 tentos por partida

O zagueiro interista, Marco Materazzi, deu um murro na cara do senese Bruno Cirillo dentro do túnel que leva ao campo, na saída de Inter 4 x 0 Siena

O novo presidente da Inter, Giacinto Facchetti, já anunciou “punição severa”

Esta é a seleção Trivela desta semana

Sicignano (Lecce); Nesta (Milan), Stam (Lazio) e Cristiano Zenoni (Sampdoria); Pecchia (Bologna), Pirlo (Milan), Di Biagio (Brescia), Camoranesi (Juventus) e Kaká (Milan); Recoba (Inter) e Gilardino (Parma)

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