Mês: setembro 2003

E o Brasil empolgou contra a Colômbia

Pela primeira vez em vários, mas vários anos, o Brasil começou as Eliminatórias rumo à Copa do Mundo com otimismo e entusiasmo. E não, não é somente pelo fato de estarmos defendendo o título mundial. O Brasil venceu a Colômbia em Barranquilla na tarde deste 7 de setembro com sobras, sob todos os aspectos. E até mesmo o técnico Carlos Alberto Parreira acabou sendo merecedor dos mais rasgados elogios da crônica esportiva.

Diga-se de passagem, ele mereceu. Parreira resolveu as ausências de Ronaldo Assis e Kleberson de uma maneira muito eficiente. Zé Roberto fez uma de suas melhores partidas com a camisa amarela (mostrando que evoluiu muito como meio-campista), e Alex, se não foi o mesmo craque do Cruzeiro, teve uma participação importante.

O técnico brasileiro não fez a ‘renovação’ pedida por parte da imprensa, e ainda bem. O Brasil de hoje é uma valiosa herança de Felipão, com experiência, talento e quantidade. Como sempre, nosso ponto fraco é a dupla de zaga, que sempre joga sobrecarregada, a tal ponto de Lúcio perder a disputa com Angel, o atacante colombiano, na jogada do gol adversário. Resolver esta fragilidade continua sendo o grande desafio do técnico para conduzir o Brasil ao hexacampeonato.

No mais, tudo funcionou. Zé Roberto fez bem a cobertura de Roberto Carlos, Gilberto fez o mesmo em Cafu, Ronaldo demonstrou estar em estado de graça, e quando da entrada de Kaká e Renato, no segundo tempo, o Brasil só não aumentou a vantagem sobre os colombianos por preciosismo.

O capítulo Rivaldo merece ser estudado à parte. Ao contrário do que 90% da mídia fala, Rivaldo não é reserva de Kaká no Milan, e isso porque nem Kaká é titular no clube italiano. O pernambucano vem de uma temporada difícil tecnica, fisica e psicologicamente. Também aqui, Parreira acerta ao dar suporte ao atacante, que se bem gerido, mesmo jogando mal pode decidir a partida num lance. Ao contrário do Rivaldo inseguro de 1998, o Rivaldo decisivo de 2002 vale a pena de ser recuperado.

Bater a Colômbia em seus domínios é uma tarefa duríssima. Basta dizer que, na história, somente uma vez o Brasil conseguiu tal proeza (nas Eliminatórias para a Copa de 1970). Foi um excelente início para um selecionado que normalmente tropeça nos próprios cadarços quando ruma para um Mundial. Parreira tem, até aqui, as rédeas da situação. É verdade que ainda faltam 17 jogos, mas nem por isso podemos menosprezar o mérito da empreitada.

Negócio de ocasião: Jay Bothroyd

Quando seu time anuncia que contratou, de graça, um jogador que vem de um time da segunda divisão de um país vizinho, time este que escapou do rebaixamento por bem pouco, o mais provável é que você não dê cambalhotas de alegria. Tudo bem, este é o comportamento mais adequado a um torcedor que tenha um mínimo de contato com a realidade.

Da mesma maneira reagiram os torcedores do Perugia quando souberam que o time umbro tinha acabado de assinar um vínculo de três anos com o atacante Jay Bothroyd, 21 anos, liberado pelo modesto Coventry City, da First Division inglesa (que é, na verdade, a segunda divisão).

Em que pese o retrospecto negativo, “The Snake” (“A Cobra”) chegou arrepiando no clube da cidade italiana. Estreou com gol contra os finlandeses do Alianssi, pela Copa Intertoto, repetiu a dose na final, contra o Wolfsburg do badalado Andrés D’Alessandro, assegurando ao Perugia uma valiosa vaga na Copa UEFA. E para reafirmar seus dotes, estreou também no campeonato com gol, marcando contra o estreante Siena.

Na Itália, todos passaram a se perguntar: “mas quem é este cara”? A dúvida é bem fundamentada. A custo zero, hoje em dia, nem ex-jogador em atividade. Mas a verdade é que o clube da Umbria mostrou mais uma vez que, com bons olheiros e um pouco de atenção, dá para arrumar reforços consistentes, sem gastar dinheiro, uma constante no clube nos últimos quatro anos.

Bothroyd começou a jogar bola no tradicionalíssimo Queen’s Park Rangers, da capital inglesa, Londres, onde nasceu. Com 13 anos, foi levado ao Arsenal, onde passou pelas divisões de base sempre chamando a atenção pela refinada técnica. Mas infelizmente, não só por isso. Bothroyd, segundo dizem as más línguas, não é o genro que você pediu a Deus. Assim, a promessa que fazia partidaças pelas seleções britânicas inferiores ia ganhando a fama de “eterna promessa”.

O Arsenal, crente que estava com uma bomba, tratou de se livrar de Bothroyd assim que pôde. E quando recebeu uma oferta de US$ 2 milhões pelo atacante de então 18 anos, em 2000, não titubeou. E lá foi Bothroyd para o Coventry City, então um time de primeira divisão. E com ele, a fama de encrenqueiro, relaxado… e talentoso.

Nos seus três anos de Coventry, Bothroyd ganhou o apelido de “Cobra”, pela sua agilidade, mas também a fama de “vagabundo”, por um gosto exacerbado pela noite. Por isso, mesmo tendo sido o artilheiro do time na temporada 2002/3, o técnico-jogador Gary McAllister, resolveu não renovar seu contrato, argumentando que precisava de um jogador de caracterîsticas diferentes. Com este ‘background’, a torcida do Perugia já pensou: ‘lá vem mais um cachaceiro come-dorme’…

Só que a performance de “Snake” Bothroyd até aqui é digna de craque. Com 1m90 e 95 kg, o atacante é centroavante à moda antiga: protege bem a bola, chuta bem e é ótimo no jogo aéreo. Em suma: tem todos os requisitos básicos para um bom marcador de gols.

Levando-se em conta o valor de seu passe (zero), o valor de seu salário (cerca de US$ 200 mil por ano) e o futebol apresentado até aqui, ‘Snakeroyd’ vai engrossando a coleção de ‘descobertas’ do Perugia de Serse Cosmi, que já tinha revelado e vendido Liverani, Blasi, Bazzani, Dellas e Di Loreto, entre outros. Para o próprio técnico Cosmi, Bothroyd não fica no Perugia mais de um ano.

Resta saber se ele sairá do clube pelas suas virtudes ou defeitos.

Jay Bothroyd

Data de nascimento: 07/maio/1982

Cidade de nascimento: Islington, norte de Londres, UK

Clubes em que atuou:

1994/5 – Queen’s Park Rangers

1995-2000- Arsenal

2000-2003 – Coventry City

2003 – Perugia (ITA)

Jogos pela Seleção Inglesa – 0

Gols pela Seleção Inglesa – 0

Site oficial:

http://www.icons.com/bothroyd/?playerbyclub=%2Fbothroyd%2F

A Terra da Pizza Eterna (não, não é o Brasil)

Finalmente!

Nunca, em toda a sua história secular, o futebol italiano teve um campeonato tão enterrado em acusações, falcatruas, denúncias e mutretas como neste tórrido verão europeu. Tudo fazia crer que um atraso no pontapé inicial, a exemplo do que aconteceu na temporada passada, era uma simples questão de tempo.

Felizmente a bola rolou. E como rolou. Foram 30 gols em oito jogos de excelente nível técnico. E já na primeira rodada, a Juventus mostrou que vai defender o ‘scudetto’ com uma fúria inaudita. Na vitória em casa sobre o Empoli, por 5 a 1, o time de Marcello Lippi foi quase perfeito, estreou bem os novatos Miccoli e Legrottaglie e ainda viu Del Piero iniciar, como nos últimos dois anos (que acabaram ‘bianconeros’), fazendo dois gols no adversário.

Mas não foi só: Roma e Lazio também começaram mostrando as garras. A estréia de Demetrio Albertini na Lazio foi coroada com um gol e com uma apresentação espetacular de um reencontrado Fiore; em Udine, a Roma defenestrou o difícil campo da Udinese mostrando uma excelente dupla de ataque (Cassano e Montella), e ainda sem contar com os reforços Chivu e John Carew. Mais do que nunca, dois candidatos correndo por fora.

E como era de se esperar, a Inter mostrou um jogo enrolado, modorrento e indeciso, precisando de Christian Vieri para resolver a parada a quatro minutos do apito final de Massimo Saccani. Naturalmente que Hector Cuper não se apresentaria com um time perfeito tendo inserido cinco novas peças (Lamouchi, Martins, Van Der Meyde, Luciano e Kily Gonzalez) há tão pouco tempo.

No andar de baixo, ótimos também os times montados por equipes menores, como Reggina, Sampdoria, Perugia e Parma, já deixaram claro que os pequenos não vão ser moleza, especialmente quando jogarem em casa. Em suma: o campeonato, dentro de campo, vai ser o de sempre. Pena que fora dele não seja bem assim…

‘Calcio Caos’ ainda não acabou

Mas não é porque o campeonato da Série A começou que devemos nos crer livres do circo fedorento da cartolagem. O campeonato da Série B foi adiado para 7/9, mas pode sofrer novos atrasos e talvez nem começar. Motivo? Virada de mesa, trapaças e mutretas.

Como o leitor da TRIVELA já sabe, o braço-de-ferro na segunda divisão se dá entre o presidente da Federcalcio, Franco Carraro, e os clubes, que não querem aceitar o inchaço do torneio para 24 clubes, com a inclusão dos rebaixados e da Fiorentina, num verdadeiro trem da alegria, vazando lama para todos os lados.

Carraro parece ter vencido o primeiro round, curiosamente aliado aos seus maiores inimigos, os Gaucci, donos do Catania, que queria uma virada de mesa para compensar um rebaixamento merecido em campo. O ‘capo’ da Federcalcio garantiu o aumento da segundona italiana através de um decreto governamental, cujo anulamento é legalmente dificílimo.

Praticamente derrotados, os dezenove clubes da Série B que são contrários à virada de mesa, concordaram, a contragosto, com a tramóia, mas sob uma condição: que Franco Carraro se demita da federação. Para dar uma idéia, é como se, numa situação similar no Brasil, os clubes da Série B pedissem a cabeça de Ricardo Teixeira para aceitar uma virada de mesa.

O impasse, que parecia ter sido resolvido à força, voltou a colocar em risco a realização do torneio. Os clubes da Série B dizem que o futebol não vai começar no dia previsto, domingo próximo, e que não vão arredar pé de suas posições. Carraro, ainda apoiado pelos grandes clubes, diz que não se demite.

Prognósticos são praticamente impossíveis. Isso porque a solução da questão não tem nada a ver com a lógica, e atende somente a critérios políticos. Logo, quem tiver mais força nos bastidores, vai ganhar a parada. O perdedor, contudo, já está definido. É o torcedor.

Roma arriscou até o último minuto

Na sexta-feira, parecia que a Roma iria sair de vez da luta pelo título. É que o Ajax pediu a volta de seu defensor Christian Chivu, por não ter recebido garantias bancárias que assegurassem o pagamento da Roma. E sem Chivu, o time de Capello perderia qualquer possibilidade de lutar por postos mais importantes.

Numa reação rápida e espetacular, o clube de Trigoria costurou uma resolução política para seus problemas, resolvendo o problema de aval na transferência do romeno, mas não só. Conseguiu também o empréstimo do atacante norueguês John Carew, que chega do Valencia.

A Roma foi habilíssima na manobra. Manteve o romeno, que dá o salto de qualidade da defesa e trouxe um jogador com presença de área, característica que nenhum outro atacante romanista tem desde a saída de Gabriel Batistuta.

Embalada pela manobra, a equipe entrou em campo em Udine bastante inspirada. E assistiu um trio de atacantes, Delvecchio-Montella-Cassano, com grande performance. Isso tudo sem Francesco Totti, machucado e de for a até a próxima rodada, no final de semana do dia 13/9.

Fabio Capello deu o primeiro sinal de que conseguiu cobrir a ausência de Cafu em seu time, usando uma maior movimentação do trio de homens de frente, mais o apoio do lateral Candela. Com a entrada de Chivu, o técnico ainda deve poder optar por uma defesa a três, liberando um homem a mais no meio-campo (provavelmente Candela).

‘Azzurra’ perde Totti e recupera milanistas

Semana mais que decisiva para a seleção italiana rumo à Eurocopa 2004. No dia 6, Trapattoni e companhia disputam o jogo-chave, contra a seleção de Gales, em Milão, onde precisam ganhar a qualquer custo para poderem voltar à liderança; quatro dias depois, em Belgrado, são hóspedes da Sérvia e Montenegro

O grande temor dos italianos é a ausência de Francesco Totti, meia da Roma que está machucado. Também for a de combate está o atacante juventino Fabrizio Miccoli, operado às pressas com uma apendicite.

A maior novidade é a volta de dois milanistas. O volante Gennaro Gattuso e o atacante Filippo Inzaghi estiveram de relações abaladas com o técnico nacional nos últimos meses, e a convocação deve apaziguar os ânimos, mesmo que os dois desembarquem em ‘Azzurro’ tendo de batalhar por uma vaga de titular.

A escalação da seleção ainda é uma incógnita no geral. Alguns nomes são certos, como o goleiro Buffon, os zagueiros Cannavaro e Legrottaglie, os meias Fiore, Zambrotta e Camoranesi e os atacantes Del Piero e Vieri.

Esta lista sugere um time perto de um 4-4-2, formação predileta quando Totti não está disponível. Ficam em aberto as laterais da defesa e um posto no meio-campo, que são mais ou menos rotativas, ou seja, não têm titulares tão absolutos como Vieri ou Buffon, por exemplo.

Goleiros: Abbiati (Milan), Buffon (Juventus), Toldo (Inter);

Defensores: Birindelli (Juventus), Cannavaro (Inter), Ferrari (Parma), Legrottaglie (Juventus), Nesta (Milan), Oddo (Lazio), Panucci (Roma);

Meio-campistas: Ambrosini (Milan), Camoranesi (Juventus), Fiore (Lazio), Gattuso (Milan), Perrotta (Chievo Verona), Tacchinardi (Juventus), Zambrotta (Juventus), Zanetti (Inter);

Atacantes: Corradi (Lazio), Delvecchio (Roma), Del Piero (Juventus), Inzaghi (Milan), Vieri (Inter).

Mercado se fechou sem nenhuma nova bomba

E a janela de transferências se foi na semana passada. Com ela, a sanha de empresários e jornalistas para se vender e comprar jogadores, que agora terá de ficar represada, ao menos, até janeiro, quando a UEFA volta a registrar alterações.

O maior acordo dos últimos momentos de mercado foi a transação que levou o argentino Julio Cruz a sair do Bologna e ir para a Inter, orfã de Hernan Crespo. O clube de Milão sobe assim, se número de atacantes para seis, acreditando que a longa temporada exige uma grande gama de possibilidades.

Outro negócio que chamou a atenção foi a passagem de Roberto Muzzi para a Lazio, proveniente da Udinese. Muzzi, 31 anos, esteve cotado para ir jogar em Formello nos últimos vinte e quatro meses, finalmente se acertou com o time de Roberto Mancini. O clube do Friuli o substituiu com Dino Fava, atacante revelação da última Série B, que estava na Triestina.

Se fosse necessário eleger o time campeão do mercado, certamente seria a Juventus, que com uma quantia de dinheiro razoável (menos de US$ 20 milhões), reforçou seu time nas áreas menos fortes e agora tem um grupo muito, mas muito regular. Não à toa, é o clube com o melhor resultado da Itália, tanto esportivo quanto financeiro.

Segue a luta entre a Juventus e o volante Edgar Davids

Davids não foi relacionado nem para o banco para a partida contra o Empoli

O recado da Juve é claro: Davids tem de se enquadrar

Mas a estória tem tudo para seguir adiante

O Ajax aceitou deixar Chivu com a Roma até janeiro

Mas somente por empréstimo, com a promessa de receber a garantia bancária brevemente

A federação holandesa teve de intervir para evitar que o negócio fosse cancelado, garantindo ao Ajax que o pagamento seria feito em dia

A saída de Francesco Guidolin do Bologna teve vários elementos, entre eles, a venda de Julio Cruz para a Inter

Mas o fato é que o técnico já não era tão querido assim na cidade

E desta forma, o Italiano conseguiu bater um recorde: demitiu um treinador antes da temporada começar

De qualquer forma, a substituição por Mazzone foi feita a tempo de evitar prejuízos, e o veterano ex-treinador do Brescia tem tudo para fazer um bom trabalho

Os italianos aguardam a estréia de Kaká numa partida oficial com bastante ansiedade

O brasileiro joga pela primeira vez uma partida para valer nesta segunda, contra o Ancona

Materazzi, zagueiro da Inter de Milão, está arrumando inimigos variados

Nas últimas três partidas, o defensor saiu de campo sob as acusações dos adversários de que estaria sendo desleal

Ele diz que está só jogando com ‘virilidade’

Que ninguém estranhe se ele acabar sendo atingido por uma pancada mais forte qualquer dia desses

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