Mês: abril 2003

Clube da Semana – Sampdoria

Uma grande está voltando

Para felicidade geral do futebol italiano, a promoção da Série B desta temporada finalmente deve levar de volta á divisão máxima uma das equipes mais importantes do esporte no país. Se trata da Sampdoria, clube genovês que caiu há quatro temporadas e deixou a Série A um pouco mais órfã de grandes equipes.

Genova é uma das cidades onde praticamente nasceu o capitalismo. Na idade média, o porto da Ligúria era, junto com Veneza, o entreposto mais movimentado da Europa, e por onde chegavam ao Velho Continente, as especiarias vindas dos países árabes. O acúmulo de riquezas advindas deste negócio possibilitaram a formação das primeiras empresas de crédito (que viriam a dar origem aos bancos), não só na Ligúria, mas também na Toscana, regiões que têm bancos que datam dos séculos XV e XVI.

Não é preciso dizer que Genova é uma cidade muito rica. Com cerca de 60 mil habitantes (número que chega a 100 mil, contando coma  área metropolitana), a cidade ligure vive basicamente da indústria e da atividade portuária, ainda central na economia. Mas não é só. Em 2004, Genova, que tem um sítio histórico espetacular (com os belíssimos palácios Ducale, Rosso e Tursi), será a capital européia da cultura. Além disso, Genova tem um aquário famoso em toda a Europa, considerado o maior do mundo.

A Sampdoria temn em Genova, um rival famoso no futebol, que é o time do Genoa, o primeiro campeão italiano. O clube genoano é o que conta com mais torcida entre os habitantes mais velhos da cidade. Entretanto, vive uma decadência constante, há cerca de duas décadas. Enquanto isso, a Samp prepara seu novo vôo.

Um clube novo

A Sampdoria é um clube “júnior” em termos de idade. Surgiu somente em 1946, com a fusão do Andrea Doria e do Sampierdarenese. A união dos nomes dos dois clubes extintos deu origem ao nome atual. Logo em 1946, foi inscrita na Série A. O país estava saindo da guerra e antes que você se pergunte, não, não houve virada de mesa. A Sampierdarenese e o Andrea Doria eram, os dois, da Série A. Com o nome de Sampdoria, a primeira partida veio disputada no torneio 1946/47, contra a Roma, onde o time da capital venceu por 3 a 1. O primeiro gol “blucerchiato” foi anotado por um jogador chamado Adriano Bassetto.

A Samp manteve-se sempre na metade da tabela nos anos seguintes. A cidade não era grande, apesar de rica, e não tinha como competir com os gigantes Inter, Milan e Juventus. Em 1949, a melhor colocação deste perídio inicial: um quinto lugar. A boa campanha da Samp valeu a convocação para a seleção italiana, a primeira de um jogador sampdoriano.

A história da Samp não decola durante os anos 60 e 70. O clube mantém-se como uma força na sua região, mas jamais postula lugares mais altos. Neste período, o clube cai para a Série B duas vezes, o mais longo, de dez anos, nos anos 70. No fim da década, a Samp consegue o retorno à Série A, depois de um empate com o Rimini. Mas não sabia que as grandes alegrias estavam ainda por vir.

A Era Mancini

No começo na década de 80, a Samp era dirigida por um presidente que marcou época no clube: Paolo Mantovani. Em 1982, Mantovani faria a contratação mais valiosa de sua carreira, mesmo que não estivesse plenamente consciente disso. Tirou do Bologna um jovem de 18 anos. Era Roberto Mancini, que bateria o recorde de presenças na Série A com o clube (424 partidas, com 132 gols). Mancini, hoje, é técnico da Lazio, clube onde encerrou sua carreira.

Em 1985, a Samp consegue sua primeira conquista relevante, a Copa Itália, batendo o Milan na final. Os gols da final foram de Mancini, já uma bandeira do clube, e de Gianluca Vialli, outro atacante que fez época em Genova. Vialli tinha sido contratado junto à Cremonese um ano antes.

Três temporadas depois, a Samp levantaria outra Copa Itália, desta vez, batendo o Torino na final e em 1989, mais uma vez, sagra-se campeã da competição nacional, agora vencendo o Napoli de Maradona. O sucesso diante do Napoli de Maradona abriria caminho para a primeira glória européia, a Recopa Européia de 1990, onde o clube genovês venceu o Anderlecht na final, com dois tentos de Luca Vialli.

O time estava pronto para pensar num objetivo maior: o título nacional, o ‘scudetto’. À classe da dupla Mancini-Vialli, tinham se juntado a experiência do brasileiro Toninho Cerezo. O goleiro era Gianluca Pagliuca. E lá estavam também campeões como Pietro Vierchowod e Attilio Lombardo. Finalmente, em 19 de maio de 1991, a Sampdoria conseguiu bater o Lecce em casa por 3 a 0 e garantiu matematicamente o título daquele ano, levando Genova à loucura. Toninho Cerezo tingiu os cabelos de amarelo para comemorar a conquista. Ainda na gloriosa temporada de 1991, a Samp quase conseguiu vencer a Copa Itália, perdendo para a Roma na final, no saldo de gols.

Decadência e Série B de novo

A Samp ainda conseguiu disputar uma final de Copa dos Campeões com o vitorioso time do ‘scudetto’, mas não soube parar o Barcelona de Koeman e Cruyff, em 1992. Os anos 90 foram marcados pela presidência do filho de Paolo Mantovani, Enrico, que dilapidou o time, vendendo seus craques. Vialli, em 1992, Vierchowod, em 1995, Mancini, em 1997.

Em 1998, com um time desfigurado (que tinha acabado de ceder os argentinos Verón e Ortega e o eslavo Mihajlovic), o técnico Spaletti acabou demitido. A solução dada por Mantovani foi patética: David Platt, um ex-jogador inglês que estudava para virar treinador. Platt fracassou retumbantemente. Spaletti foi chamado de volta, mas não deu. Série B na cabeça.

Em 2001, a Samp correu risco até mesmo de cair para a Série C, dada a gestão desastrosa de Enrico Mantovani. Foi quando Enrico largou o osso e vendeu o clube para Garrone, o novo presidente. Garrone chamou Luigi Marotta, experiente diretor da Atalanta, para ser seu diretor de futebol. Marotta deu um jeito no clube. Vendeu jogadores sem futuro, contratou jovens e chamou Walter Novellino para técnico. Resultado: Sampdoria encaminhadíssima para a Série A. E a Itália toda comemora. Menos, os torcedores do Genoa.

Unione Calcio Sampdoria

Ano de fundação: 1946

Cidade: Genova, na Itália

Endereço: Piazza Borgo Pila, 39 – 16129 5° Piano – Torre B

Estádio: Luigi Ferraris, em Genova

Capacidade: 40.117

Principais conquistas:

– Campeã italiana em 1991

– Campeã da Recopa Européia em 1990

– Campeã da Copa Itália em 1985, 1988, 1989 e 1994

Principais jogadores: Roberto Mancini, Gianluca Vialli, Toninho Cerezo, Pietro Vierchowod

Site oficial:

www.sampdoria.soccerage.com

Me engana que eu gosto

Pouco mais de um ano atrás, a Itália conquistou uma vitória diante da forte seleção inglesa, no estádio de Elland Road, em Leeds. Os 2 a 1 do time de Trappatoni que rumava para a Coréia do Sul foram conseguidos no segundo tempo, quando a Inglaterra colocou onze reservas em campo, poupando os jogadores mais importantes, todos envolvidos em disputas cruciais para seus clubes.

O jogo foi ruim, e não é necessário dizer que a Inglaterra do segundo tempo foi um fantasma. Mesmo assim, Giovanni Trapattoni deu uma entrevista na sala de imprensa de Elland Road como se tivesse batido o Ajax de Cruyff. “È duríssimo vencer aqui e isso nos enche de orgulho”. Começava ali o fiasco italiano na Copa, que, é verdade, foi causado por uma série de problemas, mas nenhum tão grave como a arrogância da Itália, que acreditava ter em Totti e Vieri, dois monstros do futebol mundial. Deu no que deu.

Parece que a lição de nada serviu. Depois da vitória de 2 a 0 sobre a Finlândia, em Palermo, no último sábado, a imprensa italiana alçou a seleção ‘azzurra’ aos céus, e colocou Totti e Vieri na condição de deuses inatacáveis. É bem verdade que a Itália jogou bem e que o resultado coloca os italianos no páreo novamente para lutar por uma vaga na Eurocopa, mas a Finlândia, por mais que tenha evoluído, ainda é uma força menor do futebol europeu.

Totti é incensado como se fosse um mágico, uma espécie de Zidane, enquanto Vieri é tratado como se fosse um Gerd Muller, um atacante impossível de ser marcado. Mesmo sendo ótimos jogadores, seria conveniente que a Itália abaixasse a bola, e só comemorasse depois de uma lição de futebol num jogo importante contra um selecionado realmente forte. Caso contrário, passará novos vexames, como aquele da Ásia.

O fato mais importante a ser comemorado é o de que a Itália encontrou opções de jogo pelas alas. O ítalo-argentino Mauro Camoranesi, da Juventus, junto com Marco Delvecchio, da Roma, finalmente abriram o leque de possibilidades do ataque italiano, agregando velocidade e profundidade ao jogo italiano, antes dependente das jogadas de bola parada.

Outra boa nova foi mais uma prestação satisfatória de Gianluca Zambrotta como ‘terzino sinistro’, nome dado na Itália ao nosso lateral-esquerdo (mas que lá tem funções defensivas). Zambrotta pode se consolidar na posição que foi de Paolo Maldini, comprovando uma grande versatilidade, já que pode cobrir todas as funções de meio-campo, além das laterais da defesa.

Trapattoni deu uma boa golfada de ar ao vencer a Finlândia, pois ainda pode chegar à Euro 2004, mesmo que não vença o grupo 9, liderado pelo País de Gales, com 12 pontos, cinco a mais que a Itália. Numa eventual repescagem (não inédita para os italianos), a vaga estaria ao alcance das mãos. Tudo possível, desde que ‘Trap’ e seu grupo se dêem conta de que têm limites.

Del Piero é um problema. De novo

A relação de Alessandro Del Piero com a seleção italiana é bastante conflituosa. Em 1998, ‘Ale’ era o titular do time, mas a torcida pedia enlouquecidamente Baggio, Del Piero minguou, e junto com ele, o futebol da ‘Azzurra’, batida pela França nos pênaltis. Em 2000, fragilizado pela doença terminal de seu pai, jogou um Europeu pífio, e foi culpado por outra derrota, desta vez na final, onde perdeu um gol incrível segundos antes do empate da França.

Na Copa de 2002, fechou o pau com o técnico Giovanni Trapattoni porque não aceitou ser reserva de Francesco Totti, como meia-atacante atrás dos atacantes. “Sou um segundo atacante”, disse Del Piero, consciente de que jamais seria titular no banco de Totti, mas poderia morder a vaga de Inzaghi ou Montella e fazer dupla com Vieri. Sem Del Piero, mais uma vez, a Itália soçobrou, e nem sua boa participação contra Portugal pôde salvar o time da tragédia coreana.

Seguindo a linha dos que não aprendem jamais, novamente Alessandro Del Piero é colocado como um problema para a seleção. “Mas vamos tirar quem?”, pergunta-se Trapattoni, que indubiamente não quer mexer na sua defesa a quatro, ainda que improvisada.

A Itália venceu a Finlândia com um 4-4-2 clássico, onde Panucci e Zambrotta eram os defensores externos, Cannavaro e Nesta os centrais, Delvecchio e Camoranesi os alas, Perrotta e Zanetti os volantes e Totti e Vieri os atacantes. Levando-se em conta que Vieri e Totti são intocáveis, neste módulo, definitivamente não há espaço para Del Piero.

Contudo, a lógica pede que a defesa jogue com três homens (Cannavaro, Nesta e Bonera, por exemplo), e o meio-campo mantenha Perrotta (ou Fiore) e Zanetti como volantes, Zambrotta e Camoranesi alas, e Totti atrás de Vieri e Del Piero atacantes. O módulo é mais frágil na defesa e obrigaria um esforço de Del Piero e Totti na marcação.

Assim, a Itália não se privaria de seu jogador mais talentoso. Pode-se dizer que Totti seja mais badalado, mas Del Piero tem sido determinante para a Juventus e para a Itália, enquanto Totti brilha, mas não carrega seu time consigo. Tratar Del Piero como problema é burrice pura. Ele é um problema sim, mas para os adversários.

Inter enfrenta Real Madrid por Beckham

Configura-se no horizonte uma briga de titãs monetários. Real Madrid e Inter de Milão devem travar, no próximo verão europeu, uma luta para arrancar David Beckham do Manchester United. O valor de largada é US$ 45 milhões, cifra fixada pelo clube de Old Trafford para liberar seu jogador mais prestigioso.

O divórcio inglês parece certo, ainda mais depois do incidente do vestiário do Manchester, quando o técnico Ferguson acertou uma chuteirada na cara de Beckham (sem querer), e não pediu desculpas. A fixação do valor de venda é um sinal inequívoco disto. Mas a saída ou não de Beckham do Manchester é assunto para Tomaz Alves.

Como se sabe, na lista de compradores, o Real Madrid está na primeira fila, como sempre. Não que Beckham seja o mlehor do mundo, mas certamente é o jogador mais famoso do mundo fora do Real Madrid. Logo, é alvo de mercado do clube ‘blanco’. Se uma banqueta fosse o jogador mais famoso do mundo fora do Real Madrid, o clube espanhol estaria atrás da banqueta.

Porém, o Real Madrid não vai ter a moleza do ano passado, onde aliciou Ronaldo sem concorrência. A Inter de Milão quer Beckham, e se o Real Madrid é rico, o petroleiro Massimo Moratti, dono do clube de Appiano Gentile, é mais. Logo, dinheiro não vai faltar na horta do Manchester United.

A favor da Inter está o fato de que diz-se que Beckham gostaria de ir jogar em Milão, para agradar sua esposa Victoria Adams, que adora o cenário da moda milanesa. Entre os dois clubes, empatados, ‘Becksie’ iria para a Lombardia. O que emperra a assinatura do contrato é o valor do salário do inglês, US$ 7 milhões anuais, o que forçaria reajustes nos salários de Vieri e Crespo, e explodiria a folha salarial da Inter.

O Milan também gostaria de ter Beckham, mas mais por um luxo de Silvio Berlusconi, admirador do inglês. Berlusconi gostaria também de usar Beckham e sua mulher como garotos-propaganda. Mas o salário é impagável para o rígido ‘salary cap’ milanista, onde o maior salário é de ‘somente’ US$ 4,5 milhões anuais.

Mezzogiorno afundando de vez

Uma rápida olhada na tabela da Série B explica tudo sem mais detalhes. Os cinco últimos times da Série B italiana são da região sul da Itália, o ‘Mezzogiorno’, revelando a falência completa do futebol da região, onde os clubes estão enterrados em dívidas e com seus clubes aos pedaços.

Napoli, Catania, Cosenza, Salernitana e Bari são os cinco últimos da tabela, e três deles (Napoli, Salernitana e Bari) passaram pela Série A pelo menos há três temporadas. Uma lástima, já que a torcida do sul da Itália é fervorosíssima, e sente a derrocada de seus times como uma verdadeira ópera.

Na ponta da tabela, a tendência é a mesma. Dos cinco líderes, somente o Lecce se infiltra como clube meridional, no desafio por uma vaga na divisão máxima do futebol italiano. Sampdoria, Siena, Ancona, Lecce e Triestina são os favoritos para as quatro vagas, com Vicenza e Ternana ainda vivos, mas por aparelhos. Fato curioso: a Ternana foi rebaixada à Série C na última temporada, e só está na Série B graças à falência da Fiorentina, que caiu da Série B para a série C2A por problemas financeiros, deixando uma vaga na Série B aberta, e que o regulamento deu ao clube de Terni.

Mais um ponto a ser notado é o do fracasso de times tradicionais da Série A em voltar ao ‘top flight’ do futebol peninsular. Entre Bari, Napoli, Genoa, Verona, Vicenza e Sampdoria, somente a Samp parece ter a sua vaga garantida para o ano que vem, comandada pelo promissor técnico Walter Novellino.

A única novidade boa da semana foi a vitória do Napoli por 2 a 1, nesta segunda-feira, sopbre o Vicenza. Pela primeira vez desde o início da temporada, o clube campano saiu da área de rebaixamento, e ao que tudo indica, o elenco, junto com o técnico Franco Colomba (que foi demitido e recontratado), vão manter a vaga na base da garra. Bem como a torcida da cidade gosta.

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Marca histórica nesta semana

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