Mês: novembro 1998

Uma entrevista com o mestre Claudio Carsughi

Trivela: Bem, o nosso site como é feito por estudantes de jornalismo questiona o trabalho da imprensa esportiva nacional, não só em relação à profundidade, mas também quanto à formação profissional…

CC: Bem, eu diria que não é generoso fazer uma comparação direta porque as condições econômicas são completamente diferentes. Um exemplo: na Gazzetta Dello Sport (diário italiano de esportes), existe um cara que só cobre automobilismo, e outro só cobre motociclismo. No grande prêmio Brasil de cada uma das categorias, vem um dos dois para cá. Aqui, o jornalista acaba sendo obrigado a fazer um pouco de tudo, e se ele for especialista em uma só coisa, a menos que seja futebol, ele não sobrevive. Não é generoso exigir dele um preparo que custa dinheiro e tempo. Para se falar de fórmula 1, por exemplo, é obrigatório que você tenha um embasamento tecnológico. Se você fez faculdade de Direito, não te ajuda muito. Quando o cara começa a te falar de momento de inércia, você não vai saber sobre o que ele vai falar.

Trivela: Mas a culpa desta filosofia de trabalho por assim dizer não estaria nos meios de comunicação, que não exigem um trabalho mais profundo, e só se preocupam em otimizar gastos ?

CC: Ah, claro você tem razão.

Trivela: Numa palestra outro dia na PUC-SP, o José Trajano levantava o fato de que o jornalismo esportivo não é levado tão a sério quanto as outras editorias.

CC: Tem toda razão

Trivela: …o jornalista esportivo é um pouco tido como “café com leite”. Eu vejo na RAI por exemplo, que o jornalista esportivo tem garantido o seu espaço. Quando ele entra no ar, todo mundo presta atenção. Eu não sei o que vem primeiro é o ovo ou a galinha, mas ele faz uma cobertura de mais qualidade, e em compensação é mais respeitado.

CC: Sem dúvida. Se você é editorialista de uma Gazeta Esportiva, você não tem o peso de um editorialista de uma Gazeta Mercantil.

Trivela: Como o Sr. vê o atual momento da imprensa esportiva hoje, em comparação com a de anos atrás?

CC: Por formação pessoal eu sou um otimista, então acredito que as coisas estão melhorando. Mesmo sem ter o hábito de acompanhar de perto a imprensa escrita nacional, eu sinto um avanço na qualidade do jornalismo. Esse jornal novo, o Lance, me parece bem feito. Mudou um pouco aquele estilo que tinha a Gazeta Esportiva, uma coisa meio antiga…Mas certamente eu não aconselharia ninguém a ser jornalista esportivo no Brasil

Trivela: Esse é um assunto que eu quero abordar: como fica esse aspecto do envolvimento de jornalistas com venda de jogadores, ou de publicidade ? Isso não é contraditório com a função jornalística ? Não existe um dilema entre fazer jornalismo e trabalhar na função de jornalista sem se preocupar com os princípios básicos da profissão?

CC: Eu faço uma distinção clara entre estas duas questões. Se você como jornalista vai vender jogadores, sua opinião sempre vai ser questionada, pois não se sabe se você tem interesse na negociação daquele jogador. Isto tira a credibilidade, justamente a maior virtude do profissional. O seu ouvinte pode até não concordar com a sua opinião, mas se ele questiona a sua lisura, aí é uma coisa séria. Aí então você tem essas pessoas que andam no fio da navalha. Aqui mesmo na rádio, nós temos profissionais que também vendem publicidade, mas é uma coisa que…

Trivela: Gera polêmica…

CC: …gera polêmica. Todas as vezes nas quais tentam me envolver em falar alguma coisa sobre um produto eu saio fora. Não vinculo o meu trabalho com algum produto, não digo que esse banco ou esta cerveja é melhor do que aquela. Posso até achar, mas é uma opinião pessoal.

Trivela: Mas não há por exemplo uma diferença entre o profissional que vende placas de publicidade e o que vende jogadores ?

CC: No fim é tudo a mesma coisa. É uma forma na qual você ganha dinheiro através do teu trabalho voltado para o outro lado.

Trivela: Mas uma placa por exemplo não supõe que a coisa já esteja ali mais clara, sem uma segunda intenção ?

CC: Não. Por exemplo, se você elogia o trabalho do presidente do Flamengo, que é sócio da Traffic, que negocia estas placas, sua opinião pode ser interpretada como tendo duas conotações.

Trivela: É mesmo uma barreira muito tênue entre uma coisa e outra.

CC: A única coisa que eu acho é que tem de haver uma divisão muito clara entre uma coisa e outra. Na Itália, três apresentadores do porte de um Gugu Liberato aqui no Brasil foram condenados à prisão porque recebiam um extra por fora para privilegiar mais uns spots publicitários do que outros. Não foram para a cadeia porque eram réus primários. Na minha carreira eu sempre procurei dividir completamente, embora se fechar à esta possibilidade te feche muitas maneiras de se ganhar dinheiro.

Trivela:O Sr. crê que as faculdades de jornalismo formem mal os profissionais, pelo contato que o Sr. tem com profissionais que chegam ao mercado?

CC: Olha, nunca entrei em uma faculdade de jornalismo na vida, então não posso dar uma opinião mais acadêmica. Mas de uma maneira geral, sinto que existe uma deficiência seríssima no que diz respeito à cultura geral. Às vezes, digo uma coisa banal, e algumas pessoas me olham como se eu tivesse dito algo esquisitíssimo.

Trivela: Mudando um pouco de assunto, como o Sr. vê o atual momento do futebol brasileiro? Não sobre a safra de jogadores brasileiros, que sem dúvida é muito boa, mas como estão os elencos dos clubes brasileiros? Há uma descendente, uma ascendente ?

CC: Primeiro, temos que deixar claro que o maior mal do futebol brasileiro é uma praga chamada dirigentes esportivos. Eles são em muitas vezes despreparados, em outras ambiciosos. Quem é rico quer aparecer, quem não é rico quer enriquecer. É fácil fazer exemplos: o falecido Vicente Matheus, mesmo sendo um empresário competente na sua área, jamais teria sido entrevistado por exemplo pelo Jornal Nacional se não tivesse sido presidente do Corinthians. Esse o exemplo de quem tem dinheiro e é ambicioso. Não vou fazer exemplo de quem fez dinheiro às expensas dos clubes, embora hajam muitos ex – presidentes de clubes que enriqueceram e não foram presos. A esses dirigentes falta um mínimo de humildade para saber quais são os seus limites. Ninguém nasce sabendo nada, e cada um tem suas aptidões. Os dirigentes fizeram uma opção clara que é a da quantidade sobre a da qualidade. Precisa – se de dinheiro, então faz – se mais jogos. Assim, ignora – se a lei da oferta e da procura. Como o produto é comum, ele vale menos, conclusão óbvia. Se alguém usasse esses critérios nas suas próprias atividades pessoais, certamente faliria.

Outro fato é a tentativa de se ignorar o espaço e tempo. O ano tem 365 dias. Tirando-se 60 dias de férias e de pré – temporada, absolutamente indispensáveis para se preservar o jogador, sobram 300 dias, e nesse tempo não cabem todos os torneios que esses caras querem fazer. Muito mais lógico seria fazer menos partidas, e campeonatos sérios. Quando digo sérios digo com regulamentos que não mudem, claros. No Brasil, os regulamentos são feitos para que haja margens de dúvidas e que as coisas possam ser decididas nos tribunais.

Um caso específico para mostrar como se banaliza o futebol: nesses últimos dias, jogam Palmeiras e Cruzeiro, que já jogaram na final da Copa do Brasil, e jogarão a final da Copa Mercosul . Isso não é admissível. Você pode gostar muito de faisão, mas se comer todos os dias, vai ficar de saco cheio. Vai querer arroz e feijão.

Trivela: Posso então concluir que o Sr. acha que a qualidade técnica do futebol brasileiro caiu nos últimos anos ?

CC: Claro. O jogador fica sobrecarregado, não tem tempo de treinar, não consegue eliminar defeitos de base. Você vê, existem jogadores profissionais que tem problemas de cabeceio.

Trivela: Ronaldo

CC: Isso se corrige. Há treinamentos específicos que diminuem esses problemas. Tem jogadores que só chutam com um dos pés

Trivela: Viola

CC: …ou só usa um dos pés para subir no bonde. Sem treino é impossível melhorar, mas é preciso tempo.

Trivela: E quanto ao êxodo de jogadores? O Brasileiro não se esvazia? Os dirigentes têm a máxima de que é preciso se vender jogadores para que se possa manter os clubes. Existe algum  ponto positivo neste êxodo que não seja para dirigentes ou empresários?

CC: Em princípio, ele traz mais pontos negativos do que positivos. Mas dado o caos do futebol brasileiro, ele proporciona a possibilidade ao grande jogador, de ir para um campeonato de melhor nível, organizado, que lhe dá maior expressão e conseqüentemente proporciona melhores salários. É quase impossível ficar no Brasil com esta confusão. O jogador brasileiro ele tem vontade de voltar ao Brasil, mas não dá. Pegue o exemplo do Júlio César. Veio do Borussia para o Botafogo, ficou cinco meses e foi embora correndo de volta. O que me parece grave é o fato dos jogadores agora estarem assinando contratos com 16, 17 anos, indo embora muito cedo.

Trivela: Um exemplo disto é o Eriberto, ex – volante do Palmeiras de 19 anos que hoje é titular no Bologna

CC: Isso. Eriberto poderia ficar aqui por muito mais tempo, se lhe fossem dadas condições. Hoje ele certamente está muito melhor lá, ganhando muito mais. Hoje existem brasileiros jogando em todo o mundo. Qual não foi a minha surpresa no ano passado quando ao ver o Spartak de Moscou eu vi lá um jogador negro, que era o ex – corinthiano Robson. Hoje no Venezia joga um menino de 19 anos, Bilica que eu nem imaginava que estivesse na Itália

Trivela: Junto do centroavante Tuta

CC: Sim, o Tuta eu sabia, mas o Bilica eu realmente não fazia idéia. É um bom jogador, tem qualidade. Deve ter ido para lá a troco de nada ou pouco. Isso é negativo. Não acho que se deva cercear a liberdade de ir ou não, mas sim se deve dar condições para que o jogador não queira sair daqui, como se fez no vôlei.

Trivela: Saindo do campo, e indo para o banco. Sobre os treinadores: qual o motivo de todos os treinadores, salvo raras exceções como Paulo Autuori por exemplo, parecem que têm o mesmo discurso? Me parece que o profissionalismo ainda não chegou à maioria dos treinadores, e eles não servem de exemplo para os jogadores. E outra questão: por que os treinadores no Brasil não fazem alterações táticas na equipe como se faz muito na Itália? Em um jogo se usa um 4-4-2, no outro 3-5-2… Que acontece aqui que é sempre 4-4-2, e acabou ?

CC: A questão é um pouco complexa, então vou responder por partes. Na minha opinião, as novas levas de treinadores representam um progresso em relação ao passado. Hoje há pessoas mais preparadas, pessoas que têm um conhecimento maior. Mas então por que não usam este conhecimento? Primeiro: o tempo de treinamento é muito escasso; segundo: a cobrança sobre o treinador é muito severa. Se algo dá errado, é muito mais fácil mandar embora o treinador do que mandar metade do elenco. Mas por que não muda?

Outro dia eu conversava com o Scolari e dizia a ele que a figura do goleiro parado no gol não existe mais, porque senão você tem um homem a menos do que o adversário. O exemplo mais claro é o Van Der Sar na Holanda e no Ajax. Quando há algum problema, a bola é atrasada para ele para não para dar um chutão, e sim para se iniciar uma jogada. Porque você não faz isto com o Veloso? Ele me respondeu muito coerentemente dizendo que o Veloso tem muitas qualidades, mas para fazer isto seria necessário muito treino para que ele ganhasse confiança. Sem treino, o máximo que ele pode fazer mesmo é dar um chutão para frente. Voltamos então para o velho problema do calendário. Se você tem, uma pré – temporada, pode-se usar 10 dias para variações táticas; se você só joga aos domingos, pode usar o treino da Quinta por exemplo para dar um treino tático, ou então chegar para um jogador tipo o Cléber e falar:” …olha você vai ter de aprender a cabecear…”, porque embora ele jogue na seleção brasileira, ele não sabe. E daí em diante. Outro problema é a resistência do jogador que pensa que só pode render bem em uma posição, e cria caso para sair de sua posição. Como o que acontece com Marcelinho Carioca, que se recusa a voltar para marcar. Ele não entende que se não marcar, o time tem um homem a menos no meio de campo. Aí, ele não marca, ou volta de má vontade e não faz porra nenhuma, ou pior, fica jogando a torcida contra o treinador…”tá vendo, não fiz gol porque o treinador quer que eu fique na marcação…”. Por isso que eu digo que jamais seria treinador, porque eu mandaria o jogador a m… ou então iria embora.

Trivela: Eu reparei observando o treino de uma escola de crianças inglesas que o treinador tinha um menino de 14 anos ,volante que também jogava de zagueiro. Mais: o treinador mudava os meninos de posição durante o jogo para que os meninos tivessem noção das posições no campo. No Brasil não existe uma discriminação quanto a essas mudanças de posição mais radicais no campo ?

CC: Tem. No Brasil, como eu já disse, o jogador não gosta de jogar fora da posição original dele porque acha que rende menos, aparece menos…

Trivela: … e ganha menos.

CC: …e ganha menos. Também tem um pouco a idéia de que o jogador que atua em várias posições não atua bem em nenhuma. Cito o exemplo do passado do Lima no Santos. Por ser um coringa, ninguém lhe dava valor, mas para mim era um ótimo médio de apoio. Como esta posição era fechada pelo Zico na seleção, não tinha chance.

Trivela: Voltando à praga dos dirigentes, como o Sr. vê a possibilidade da lei Pelé de alterar o quadro de amadorismo no futebol nacional? Até que ponto ela será eficiente ou não?

CC: Não sei, porque o Brasil tem uma coisa das leis que pegam e das leis que não pegam. Tomara que pegue. A verdade é que com a fauna de dirigentes incapazes uns, desonestos outros e incapazes e desonestos outros ainda, fica difícil uma mudança radical.

Trivela: Havendo uma profissionalização, o Sr. crê que o nível da imprensa esportiva melhoraria junto, forçosamente ? Essa observação é em cima do fato de que muitos profissionais sequer dominam bem o português, que dirá de se atualizarem em relação ao resto.

CC: Não resta dúvida. Eu entendo que mais cedo ou mais tarde o futebol brasileiro vai ter de adotar a figura do “manager”…

Trivela: Como o Alex Ferguson no Manchester United…

CC: …sim, poderia ser alguém como o Brunoro, por exemplo. Seria um profissional que se dedicaria 100% ao clube, e não como acontece hoje que o diretor aparece só em um período, quando é possível. Porque eu enxergo a coisa da seguinte forma: um presidente, que é quem manda, eventualmente que seja acionista do clube, um manager, e um técnico. Aquele “ diretor de bocha” que vá dar palpite …como aqueles corneteiros do Palmeiras. Eu nunca me esqueço de quando eu estava na rádio Bandeirantes, e no começo da década de 60 veio aqui jogar o Real Madrid. Fomos ao Rio, e num dado momento, nos encontramos com o médico do Real e um de nossos repórteres perguntou um detalhe sobre a escalação. O médico polidamente respondeu que qualquer  informação sobre a condição médica dos atletas, ele daria com todo prazer, mas que sobre a escalação, somente o treinador, para surpresa de todos os profissionais brasileiros. O que acontecia é que na verdade ele, já naquela época, tinha muito bem divididas as  funções, responsabilidades e obrigações de cada um.

Trivela: Retornando ao assunto dos treinadores. Nos últimos anos surgiu um novo ‘starlet’ que é o Luxemburgo, agora na seleção. Na sua opinião ele é realmente um treinador melhor do que os outros, ou é apenas um marketing mais bem feito de sua parte?

CC: Eu não acho que ele seja melhor do que outros. O coloco no mesmo patamar do Scolari, Nelsinho Batista, Leão, Autuori. Talvez uma ou outra diferença, mas no geral, estão no mesmo nível. Só não resta dúvida, como em todas as profissões, que o Luxemburgo sabe vender o seu peixe. Vendeu muito bem, superou problemas, como a saída do Santos, que o prejudicou um pouco, mas ele tem um sentido de relações públicas muito bom, exatamente o que faltava ao Zagallo. Tivesse o Zagallo a décima parte deste sentido de relações públicas que tem o Luxemburgo ,ele teria estátuas em praça pública, tal foi o retrospecto de sua carreira, extremamente feliz. Mas quando, depois das vitórias, ele vinha com aquele “…vocês vão ter de me engolir…”, sabe…

Trivela: O Sr. crê que mesmo a Seleção tendo trocado somente a folhagem, mas estando com a mesma árvore, possa haver mudanças significativas? Como deve se comportar a seleção nos próximos quatro anos?

CC: Por ser fundamentalmente otimista, acho que a coisa melhora, até porque piorar era impossível. A análise principalmente desta última seleção, deixou claro, mesmo para os cegos, que o Zagallo não sabe mexer no time. Já era hora de oferecer um jantar de despedida, dar um obrigado, e fazer uma limpeza. Espero que as coisas mudem. Algumas, negativas, já ficou claro que não vão mudar, como por exemplo a interferência da Nike. Quando eu vi em Johannesburgo a placa escrito “Brazil World Tour”, porra aquilo me lembrou muito os Harlem Globetrotters, ou o Michael Jackson. Não é por aí que se trabalha. Outra coisa é a presença de alguns dirigentes que ficaram na CBF, que deixam dúvidas. A saída do Gilberto Coelho me pareceu muito um caso de pessoa que não se enquadrou em algum esquema. Mudaram as moscas, mas o resto…Mesmo assim, entendo que tenha um material humano muito bom.

Trivela: Que nomes o Sr. destacaria ?

CC: Gosto do Fábio Jr, Alex…Alguns precisam ser vistos sob outro contexto. Por exemplo, as vezes que eu vi o França, me deixou uma boa impressão. Mas precisariam inclusive de testes na própria seleção. Além dos que estão fora, como o Anderson, e tantos outros.

Trivela: E o Rivaldo? Porque não consegue ser na Seleção o Rivaldo do Palmeiras, ou o Rivaldo do Barcelona?

CC: Porque tem uma função tática diferente.

Trivela: Não haveria um problema de peso da camisa, por exemplo?

CC: Não creio. É necessário que se adapte o esquema às qualidades dos jogadores. Na Roma, quando o Cafu desce, tem um na sua cobertura. Na Seleção, ninguém cobria. Então ele não descia, com medo de ser o culpado de qualquer coisa. Não é admissível escolher um esquema de jogo, e depois encaixar os jogadores. Tem que acontecer o contrário. Se seu ataque é de homens baixos, não adianta explorar cruzamentos; se são bons cabeceadores, o treinamento dos cruzamentos é vital…

Trivela: Apesar da obviedade da pergunta, como o Sr. viu o Brasil na última Copa, e da Copa como um todo.

CC: Do Brasil, fiquei decepcionado. Mesmo conhecendo os problemas, sempre resta a esperança de que uma hora a coisa engrene, e nunca engrenou, nem mesmo contra a Holanda. Só que se o Kluivert acerta o pé, a Holanda ganhava com facilidade. Teve no mínimo cinco chances claras. Eu vejo o Zagallo como grande culpado, mais do que os jogadores; e pela primeira vez desde 1930, vimos uma seleção ganhar a Copa sem ter ataque. Porque se juntarmos Trezeguet, Guivarc’h, Dugarry e Henry, não dá um bom jogador sequer. E graças a Deus.

Trivela: Quem o Sr. destacaria na Copa, como o grande jogador?

CC: Zidane, indiscutível; o Owen um belíssimo jogador; me decepcionou um pouco globalmente a Argentina, eu esperava mais; o Vieri, eventualmente, coitado, jogando sozinho…

Trivela: Sem sombra de dúvida que o caso Ronaldo foi o que mais deu o que falar na Copa, talvez mais até do que a própria vitória da França. Sabemos que o Ronaldo pode não ser um gênio, mas também não tem um QI de molusco. O Sr, acha que houve uma imposição para que ele jogasse de qualquer maneira a final?

CC: É difícil fazer conjecturas, mas é fato que a Nike tinha Ronaldo e Del Piero. Del Piero fracassou de forma clamorosa, então ficaram com Ronaldo. E a Adidas tinha Zidane. Se o Ronaldo não joga, era entregar de bandeja o negócio para a Adidas, resultado que seria amplamente utilizado no marketing. Eles então devem ter imposto: estamos pagando, o Ronaldo joga. Sei lá, vai que ele faz um gol, depois é substituído, enfim…

Trivela: Eu acho que o Ronaldo tem de ser operado. O Sr. diria que esta é uma afirmação procedente ?

CC: Outro dia conversei com o médico do Cruzeiro. Ele dizia que pelo retrospecto, não haveria problema nenhum. Ele disse que tentou algumas sondagens para descobrir informações, mas não conseguiu nada. O que houve foi um aumento de peso, que com esta onda de doping levanta a hipótese do anabolizante. A única coisa clara é que eles estão tentando desesperadamente não operar, tanto é que o Filé (fisioterapeuta carioca) foi para lá. Porque um ‘stop’ de seis a oito meses, como este que o Del Piero deve fazer é um grande prejuízo técnico e financeiro.

Trivela: E ele volta a ser o Ronaldo de antes?

CC: Sabe Deus. Acho que mais para sim do que não, mas eu torço para voltar

Trivela: Na Internazionale não falta um companheiro para ele, além do Baggio, que pudesse trazer uma clarividência àquele meio-campo, alguém como um Rivaldo, Bergkamp,  Zidane? Por que quando Ronaldo não está em uma jornada das mais inspiradas, tudo fica cinza naquele setor cheio de volantes como Winter, Paulo Sousa, Cauet…

CC: A Inter tem dois titulares absolutos somente: Ronaldo e o arqueiro Pagliuca. Ela tem um problema defensivo. Tem Giuseppe Bergomi, que tem 35 anos, e por isso só pode jogar de líbero, e com uma autonomia limitada, não pode sair muito. Então, Bergomi mais três defensores. Você já perdeu um cara no meio – campo. Se você não tem bons marcadores no meio – campo, você tá roubado. Se você puser ao mesmo tempo Ronaldo, Zamorano, Baggio e Paulo Sousa, sobretudo jogando em casa contra um time pequeno. Contra o Bari em San Siro, você perde o jogo. Por que? Porque o cara joga fechado, quebra teu time no meio, e no primeiro contragolpe mete um gol, acabou.

Trivela: Mas a culpa não é do treinador? Porque a Inter tem uma grande disposição para comprar jogadores famosos.

CC: Ele recebeu os ingredientes, e a ordem ”agora faça o prato”. Provavelmente se ele tivesse de comprar 29 jogadores, não compraria aqueles. Comprava um grande cara no meio – campo, que não tem; comprava um grande defensor, que não tem. Ë claro eu é um pouco teórico, mas imagine este time da Inter com Beckenbauer no lugar de Bergomi, e Gerson no meio – campo. Muda completamente o time.

Trivela: Numa análise de um comentarista da RAI, após a derrota de 5 x 1 para a Lazio, ouvi a seguinte argumentação: a defesa só melhora com muito trabalho, e treino, ao longo do tempo. No ataque, basta comprar um jogador como Ronaldo, para que as coisas melhorem da noite para o dia.

CC: Não resta dúvida

Trivela: …e, dizia o comentarista, Luigi Simoni já teve este tempo.

CC: Só que ele não tem grandes jogadores. Vendo friamente: Mickael Silvestre. Até acho que tem futuro, mas não tem presente, nem muito menos passado; Javier Zanetti. Um carregador de bola, mas quando vai lançar é um desastre; Simeone. Importantíssimo, mas já começa a ter uma certa idade, além de não ser um craque, não é um Redondo. Tudo isso, mais a cobrança de uma equipe que gastou milhões para ganhar títulos. Veja bem: a temporada passada não foi má. Ganhou a Copa UEFA, ficou em segundo no Italiano, venceu o Milan no derby…só que para eles foi um fracasso.

Trivela: Nada foi oficializado mas Marcello Lippi deve ser o treinador da Internazionale na temporada que vem. O Sr. vê o Ronaldo com melhores condições em um time montado por Marcello Lippi, um time mais arejado, para que o brasileiro e Baggio se sintam mais a vontade ?

CC: O Lippi, milagre não faz. Se ele tiver jogadores, muito bem. Se ele tiver um Zidane, por exemplo, aí sim. Eu já vejo um entrave na ida dele para a Juventus no seu salário, que é muito alto. Outra coisa, são as pretensões de se mudar o elenco, não acredito que ele vá para a Inter com estes jogadores.

Um outro ponto é saber até onde a exasperação do trabalho do preparador físico Ventrone é responsável pelo trabalho da Juve. Você vê que raramente um jogador vendido pela Juventus tem vida longa, são “limões espremidos”. Se tem a impressão de que eles tiram o máximo, mesmo do ponto de vista de doping, e depois tchau, um abraço. Tirando o Paulo Sousa, e o Torricelli, pouquíssimos ex – Juventus foram muito longe.

Trivela: Ainda em Milão, temos outra grande equipe que não se encontra já há algumas temporadas. Alberto Zaccheroni inicia uma nova fase no Milan?

CC: Que ele inicia uma nova fase, não tenho dúvidas. Se esta fase atingirá os mesmos resultados daquela grande equipe de Arrigo Sacchi, não sei. Ele já está em uma boa situação no sentido de que mesmo sem conseguir um entrosamento de seu time, está em segundo lugar no campeonato. Como a Inter no ano passado, jogava mal, mas vencia. Se ele convencer Weah a jogar na direita, se arrumar o meio – campo, sobretudo se Leonardo se recuperar rápido desta pubalgia, daí não será mais necessário se exigir do velho Donadoni que melhore o setor. Jogadores como Albertini e Maldini caíram de produção nos últimos anos. Não se tem mais Baresi lá atrás. Maldini, em particular, deve ter seu futuro na seleção apenas se for de central. Zoff não o quer mais na lateral. Tudo isso, mais os problemas de dinheiro, vaidades pessoais, etc.

Trivela: Alguma carência mais específica no Milan? O Milan não está satisfeito com o terceiro atacante, nem Ganz nem Guglielminpietro satisfizeram, tentaram comprar o atacante ucraniano Shevcenko…

CC: …que custa caro para burro…

Trivela: … e que provavelmente será a prima – donna da próxima temporada.

CC: Eu acho que eles precisam de um grande central, ou então que sarasse de vez o André Cruz, que nem no banco tem ficado. Se o André Cruz se fixasse como líbero, provavelmente até o Costacurta melhorava de rendimento. É ali que começam todos os problemas do Milan.

Trivela: Essa queda de rendimento nos últimos três anos foi mesmo o final de um ciclo, do supertime de Van Basten?

CC: Foi. Veja que nas últimas três temporadas, o Milan teve quatro treinadores, Tabarez, Sacchi, Capello e agora Zaccheroni. O elenco era formado por jogadores qu não eram mais novos, tinham ganho tudo, e completaram seus ciclos

Trivela: Outro time que gastou os tubos foi a Lazio, gastou US$ 110 milhões…

CC: …para desfazer um time que já estava pronto…

Trivela: …gastar tanto não é irresponsabilidade, coisa de novo – rico que entra na loja e leva um de cada cor ?

CC: Você usou a palvra certa: novo – rico. Quem é Sergio Cragnotti? O seu aparecimento no mundo das finanças italianas mostra isto. Ele era o braço – direito do Terruzzi, que depois se suicidou. Aí então fez um império. Como o dinheiro é dele, compra e vende quem bem entende, muitas vezes erradamente. E vire – se o treinador. Ocorrem erros de avaliação. Está clara na minha memória a declaração de Marcelo Salas após o jogo contra a Itália em que ele afirmava que marcaria muitos gols porque as defesas italianas eram fracas. Coitado. Além de falara bobagem, ele nem foi contratrado para ser o homem  – gol.

Aí entra o azar. Praticamente todos os contratados se machucaram ,e em alguns setores, não tem ninguém. Por exemplo: o Eriksson teve de inventar o Mancini como segunda ponta, pra jogar com Salas. É muito difícil acertar nestas condições, principalmente se somando a cobrança exagerada do Cragnotti, do Velasco que era o treinador italiano no vôlei e agora é o manager da Lazio, e quer justificar a fortuna que ganha de salário.

Trivela: Na Itália se tem muito a noção de que na primeira temporada é muito difícil acertar o time…

CC: Pode até dar certo, mas o normal é que somente na terceira temporada o time realmente estoura. Se a Lazio tivesse pego o time do ano passado, e comprado dois  jogadores ou três, como o Vieri e o Salas, estariam com o time pronto.

Trivela: Mandaram embora o Jugovic…

CC: Por que mandaram embora o Jugovic, que era um puta jogador? E ainda deram azar, de jogadores machucarem como Nesta, De La Peña…se bem que o De La Peña nunca chegou a jogar bem mesmo. As vezes o time contrata o jogador que joga bem em um time, e quando chega , nada. A Fiorentina contratou o Amor, do Barcelona. Está na reserva. Pensava que ia ser titular absoluto. Quantos jogadores saíram do Ajax e não deram certo?

Trivela: A Fiorentina, o seu time de coração, com o Trapattoni, um vencedor, agora vence o estigma de time médio?

CC: O primeiro estigma que eles conseguiram vencer, que já foi extremamente importante, foi convencer os jogadores de que seria possível ganhar o título. Outra coisa foi convencer o presidente Cecchi Gori, um pouco como o Cragnotti, que só gostava de comprar centroavante, sem ver que tinha uma defesa patética. Compraram o Repka, o Heinrich, o Torricelli e se não é uma defesa do outro mundo, não compromete. Não acho um timaço, mas ainda pode melhorar, e se não ocorrer um grande imprevisto, pode até ganhar. Mesmo assim, acho que o projeto para se ganhar o título é para daqui a dois anos.

Trivela: A Fiorentina conseguirá domar o Edmundo até o fim do ano, quando ele deve voltar para o Vasco da Gama?

CC: A grande sacada foi justamente convencê – lo de que ele poderia ganhar o título. Outra coisa foi fixar o passe em US$ 15 milhões, e deixar a segurança de que após a temporada, se ele não se adaptar, pode ir embora. Antes disso realmente era uma situação delicada. A participação do treinador para convencer Edmundo a ficar foi decisiva. E até a torcida entendeu que se havia alguém que poderia dar à Fiorentina este salto de qualidade seria Edmundo.

Trivela: O Vasco fazendo negócios incríveis. Vendeu o Edmundo por US$ 7 mi, agora vai comprar por US$ 15mi…Um time que eu via como favorito era a Juve, mas agora fiquei na dúvida após a contusão do Del Piero…

CC: A Juve deu sorte nos últimos anos quando vendia jogadores chave, e os repunha com outros mais baratos. Vendeu Vialli, comprou Vieri ainda novinho da Atalanta, e num dado momento, ele explodiu; aí vendeu Vieri por uma fábula, e comprou da mesma Atalanta o Inzaghi, jogador de características diferentes, sem presença física na área, mas que tem habilidade e sai muito bem do impedimento, e novamente deu certo. Comprou o Davids como refugo de fim de feira, e ele voltou a ser o grande Davids do Ajax. Mas não se faz treze pontos na loteria todo dia, chega um dia dá errado. Este ano não reforçaram consideravelmente o time. Agora perderam nomes importantes como Ferrara, Del Piero. Aliás, Del Piero já não joga bem há tempos, mas preocupava dentro da área

Trivela: A Lei Bosman foi positiva para o futebol europeu?

CC: Foi excelente para os jogadores, mas colocou em uma situação secundária as seleções nacionais. Hoje caminhamos para uma situação na qual teremos grandes clubes, e as seleções serão vistas como algo incômodo, mas inevitável devido à tradição.

Trivela: O Sr. vê favoritos no Italiano, ainda na décima rodada?

CC: Não. Qualquer um dos grandes, como Parma, Milan, Fiorentina, Roma , e até Lazio e Juventus ainda tem chances.

Trivela: A questão do doping é profunda ou não?

CC: É muito profunda, e acredito que terá conseqüências, envolvendo muita gente. Como todas as coisas que envolvem a justiça na Itália, as punições vão demorar, mas acredito que sairão. Médicos, laboratórios, todos estão sob suspeitas. Até mesmo o presidente da federaçõ, Nizzolla está sendo investigado. Embora o Zeman (treinador da Roma) tenha sido infeliz em algumas declarações, sua posição é válida. Não podemos admitir que enquanto em outros esportes, o doping está sendo atacado, no futebol é tratado como se nada acontecesse. Era ingenuidade crer que o futebol seja uma ilha feliz.

Trivela: E a seleção de Zoff?

CC: Muita coisa não muda, porque é uma continuidade dos campeonatos. Mas sobretudo, pelo fato de que os calendários não favorecem o trabalho das seleções, e os clubes vêm as convocações como algo inconveniente.

Trivela: A Superliga?

CC: O caminho forçoso do futebol. Quando deixou de ser esporte para ser espetáculo, passou a obrigatoriamente de seguir este caminho. Costumo dizer que seria esporte se ao invés de 22 jogando e 40.000 assistindo, fossem 40.000 jogando e 22 assistindo. Como o investimento é altíssimo, bilheterias já não são a parte mais significativa da receita, este é o caminho mais óbvio. Acredito que dentro de alguns anos, surja um campeonato europeu, uma liga européia. Se participarem 18 times, só acontecerão clássicos.

Trivela: Mas aí o futebol não corre o risco de se deixar de ser um esporte, com manipulação clara de resultados, e etc?

CC: Eu temo que o futebol se torne algo como o boxe nos Estados Unidos. Um show de TV. É mais difícil, porque são 22 pessoas em cada partida, ao invés de 2, é mais difícil a conivência de tanta gente.

Trivela: A FIFA vai sumir?

CC: Não, mas vai perder muito poder. Terá um papel mais figurativo do que hoje.

Eurocopa: a Espanha empatando em Salerno. Algo errado ?

Para quem viu a Espanha na Copa, e dizer que a Itália cedeu um empate em casa pode até assustar. Mas sobram explicações. Primeiro que a Espanha trocou o palhaço Javier Clemente por Jose Antonio Camacho, ex – jogador importante na década de 80 de tantos craques (Butrageño, Sanchez, Zubizarreta – ainda jovem e outros), e só isso já faria diferença. Mas Camacho já promoveu mudanças importantes, trazendo novos jogadores à “Fúria” (esse apelido é uma piada!). Um bom exemplo é Michel Salgado aquele que quebrou Juninho antes da Copa. Além de dar pontapés, ele joga alguma coisa, principalmente em se tratando da patética seleção da Copa.

Na Itália, sobrabvam problemas. Del Piero fora, Baggio voltando de contusão, e muita falta de confiança. No ataque pela primeira vez juntos uma dupla “giovanissima”. Inzaghi e Totti, que não fizeram feio, mas não conseguiram levar a Itália a uma vitória. Nada muito preocupante. Ainda

A Rodada

Roma 1 x 1 Bari

Eis um time que vem surpreendendo no campeonato. Com um elenco equilibradíssimo, e muito bem treinado por Eugenio Fascetti, o Bari não tem nenhuma grande estrela. Seus maiores destaques são o jovem meia Zambrotta e o sulafricano Masinga. E sicessivamente vão caindo seus adversários.

Depois de vencer a Inter em Milão, o Bari quase ganhou da Roma no Olimpico. Suportando uma pressão intensa durante toda partida, o Bari sempre que ia para o contragolpe era perigosíssimo. E assim Masinga abriu o placar, depois igualado através de pênalti sofrido e convertido pelo jovem capitão romano Totti. Impossível não destacar a soberba atuação do arqueiro Mancini, do Bari, uma muralha. E de uma maneira geral, da armação tática de Fascetti, que faz uma omelete com poucos ovos. Jogo agradabilíssimo

Cagliari 1 x 0 Parma

Irregularidade é o segundo nome do Parma. Depois de massacrar a Udinese na semana passada, o Parma foi uma sombra em Cagliari, e sucumbiu ao ‘caldeirão’ que é o estádio sardo, no qual o time do Cagliari dificilmente perde. Mesmo chegando mais vezes o gol do adversário, o Parma se mostrou ainda um time em formação, mostrando uma sonolência incrível. No segundo tempo, o africano Kallon fez um belo gol, e arrebanhou pontos importantes para a classificação. Entre os “gialloblú” de Parma, uma sensação de que o time entrou de salto alto.

Bologna 1 x 1 Perugia

Modéstia a parte, no início da temporada eu dizia que o Bologna, quando à toda força, seria uma equipe difícil de se bater. Entre campeonatos e Copas, este foi o décimo quarto resultado sem derrota da equipe de Carletto Mazzone. Mesmo assim, poderia ser melhor. O Bologna dominou o meio – campo, e sofreu um gol belíssimo num contra ataque, anotado por Rapajic. Empatou pouco depois, através de Johnathan Binotto, em uma precisa finalização, quase defendida pelo arqueiro bolognese Roccatti. Aposto que o Bologna terá uma das vagas da Copa UEFA no ano que vem, não por ter um timaço, mas pela regularidade que pode alcalçar, se não sofrer alguma contusão séria em algum elemento chave.

Juventus 0 x 0 Empoli

A falta de Del Piero é cada vez mais perceptível, não somente pela sua técnica, mas também pelo golpe que a Juventus sofreu em sua autoconfiança. Consciente de que não tem uma peça de reposição nem mesmo próxima da qualidade de Del Piero, Marcello Lippi está arrancando os cabelos. Conseqüência prática: um jogo chatíssimo, com o primeiro escanteio aos 25’ do primeiro tempo. Sorte do Empoli que arrancou um empate de ouro, um ponto valiosíssimo, ainda que sua sutuação continue crítica.

Fiorentina 3 x 1 Internazionale

Demonstração incontestável da superioridade florentina. Logo no início, Roberto Baggio cavou um pênalti convertido por Djorkaeff, mas a Inter de Simoni mais uma vez se mostrou débil para segurar a solidez do time de Trappatoni, nem de aproveitar os espaços deixados pelo alemão Heinrich. Destaques para Edmundo, autor de uma jogada sensacional no gol de Heinrich, e também do lateral direito Repka, um gigante na defesa viola. Até aqui, a Fiorentina merece a liderança do certame.

Salernitana 1 x 0 Venezia

O jogo dos desesperados. Como era de se imaginar, o fator campo seria decisiva em um jogo destes, e de fato o foi. Não é necessário imaginar que não se tratou de um show de técnica, mas também foi um jogo, muito disputado. O Venezia só não volta à série B por milagre, embora ainda haja muita água para rolar.

Sampdoria 0 x 0 Vicenza

Sinceramente um jogo para se esquecer, principalmente se você se chamar Ariel Ortega. O argentino perdeu um pênalti, em um jogo horrível, que poderia ter dado à Sampdoria uma colocação confortável na fuga dos últimos lugares. Se alguém ganhou com este jogo, foi o Vicenza, que levou um ponto para casa

Udinese 1 x 0 Piacenza

Nessa rodada tão pobre de gols (talvez motivada pelo frio intenso que se abate por toda a Itália), o time de Amoroso arrancou do valente Piacenza uma vitória importante. O brasileiro, por falar nele, perdeu um pênalti, e agradeceu muito a Paolo Poggi o gol salvador que deu a vitória ao time friuliano. Tecnicamente, um jogo pobre também.

Milan 1 x 0  Lazio

Um jogo de um  time só. A Lazio desfalcada de oito jogadores (seis titulares) foi à Milão para não perder, e o Milan quase que cede um empate. Uma péssima atuação de Bierhoff e Weah, que pararam nas mãos milagrosas de Marchegiani por diversas vezes. Aos 47’ do segundo tempo, Leonardo marcou um gol importantíssimo, que valeu ao time rossonero a vice – liderança do campeonato.

Por lá, só alegria (na Itália…)

Só alegria

Não há possibilidade de comparação entre o campeonato italiano e os outros, principalmente com o nosso ridículo campeonato brasileiro. Neste último fim de semana, simplesmente nenhum empate. 27 gols em oito jogos, e apenas um visitante saiu vitorioso. Os estádios estavam todos cheios, e alguns dos jogos foram inesquecíveis como o embate entre Roma x Juventus,ou a golada do Parma sobre a Udinese. Acompanhar o Italiano é um imenso prazer.

Copa Itália

Nesta semana, outra rodada da Copa Itália aconteceu. Mesmo sendo um torneio menor,se comparado ao campeonato italiano, é um certame que atrai os interesses dos clubes, pois dá uma vaga em uma Copa européia, a Recopa. É a chance mais fácil para um time médio jogar um dos três torneios continentais.

A rodada não mostrou muitas surpresas, já que os times maiores se classificaram, com exceção da desclassificação da Roma pela Atalanta de Bérgamo (este sim, um resultado inesperado).

O Parma foi à Bari e conseguiu um empate sem gols que lhe garantiu a classificação; a Udinese passou pelo Vicenza, mais uma vez com gol salvador de Sosa; o correto time do Bologna mais uma vez eliminou a Sampdoria, como já havia feito nas eliminatórias na Copa Intertoto. Desta vez, um milagroso pênalti aos 45’ do segundo tempo, sofrido por Signori, foi convertido por Kolyvanov, e assegurou o time ‘rossoblú’ na Copa Itália; a Fiorentina teve o melhor desempenho e meteu 4 x 0 no Lecce, com uma partida sensacional de Edmundo

Vergonha passou a Inter, que precisou de um penal duvidoso para empatar com o …Castel di Sangro, quando perdia por 1 x 0. O time foi vaiado, e deu início às especulações que apontam Marcello Lippi como o próximo treinador do time interista  HYPERLINK “#moratti” (leia abaixo) . A Juventus, cada vez mais esfacelada por contusões, teve de escalar o defensor Ferrara no ataque, e graças a ele, conseguiu um gol contra o Venezia, para ir adiante na competição. E no jogo mais esperado da Copa, deu a lógica, e a Lazio segurou um empate contra o Milan, sem Bierhoff. A Lazio vai adiante.

Del Piero no estaleiro

O título em risco. É isso que significa a perda de Del Piero para a Juventus. Um rompimento nos ligamentos do joelho semelhante ao que teve Raí, e só volta no ano que vem. Muito chateado, o fantástico italiano se recobrou com as inúmeras provas de solidariedade que recebeu dos amigos. “Alex, estou contigo. Para Inter x Juventus, te espero no campo”, foi o que disse a ele por telefone o avante Ronaldinho, também sofrendo com as pancadas nos joelhos. Seguiram – se telefonemas de Roberto Baggio, Vieri, Ferrara, Conte, Amoruso, do espanhol Raúl. Um carinho muito grande se demonstrou pelo acontecimento com o atacante e se espera o seu pronto restabelecimento.

Já para o clube, o futuro é incerto. Não há possibilidades de se contratar alguém como Del Piero da noite para o dia, e no time as opções do elenco são limitadíssimas. O uruguaio Zalayeta foi emprestado para o Venezia, e Daniel Fonseca é um jogador anos – luz atrás de Alessandro Del Piero. Um boato que se falou por aqui foi na possibilidade de França, o atacante do patético São Paulo ser contratado pela Juve, num assombroso valor de US$ 15 milhões. Mesmo assim, continuo achando que a Juventus terá de se contentar com uma vaga na Copa UEFA. O título, vai ficar para outro

Os sonhos de Moratti

Gastar, gastar, gastar. O megabilionário dono da Internazionale Massimo Moratti não para de pensar em gastar. Depois de trazer Ronaldo, Simeone, Paulo Sousa, Zé Elias, Ventola, Pirlo, West, Roby Baggio, e ver o treinador Simoni não ganhar nada, parece que Moratti se encheu da retranca de seu time milionário, e já acena com a contratação do excelente treinador da Juventus Marcello Lippi para a próxima temporada. Mais: vai tentar trazer Michael Owen do Liverpool, para o ano que vem.

Flávio Prado, em seu “No mundo da bola”, criticou o anúncio da Inter dizendo se tratar de falta de ética. Não vejo desta forma. A Inter não tem compromisso com Simoni para o ano que vem, e Lippi também encerra seu contrato com a Juventus no fim desta temporada. Ninguém está passando ninguém para trás.

Minha opinião é de que Lippi será o treinador no próximo ano, até porque já disse que gostaria de trocar de ares. Mas Owen não será vendido de maneira nenhuma. Os torcedores do Liverpool não admitem nem pensar nesta hipótese.

A Itália sem Del Piero, Vieri nem Baggio

Dino Zoff está com problemas. Três de seus preferidos para o ataque ‘azzurro’ estão machucados, e não puderam ser chamados para o jogo contra a Espanha, na Quarta – feira. Del Piero, só no ano que vem; Baggio está fora de forma, e Vieri, ainda não pode ser aproveitado. Outro nome machucado é o de Casiraghi, mas que não tem sido convocado.

Para substituí – los, os jovens Ventola e Totti (este último, nome comum nas últimas convocações), mais Chiesa, do Parma, e o também jovem, mas já veterano de convocações, Filippo Inzaghi.

No resto do time, a única surpresa é o romano Tommasi, no meio – campo. Eis os nomes:

Goleiros: Gianluigi Buffon (Parma) e Angelo Peruzzi (Juventus)

Defensores: Fabio Cannavaro (Parma); Giuseppe Favalli (Lazio); Mark Iuliano e Gianluca Pessotto (Juventus); Christian Panucci (Real Madrid); Moreno Torricelli (Fiorentina) e Paolo Maldini (Milan)

Meio – Campistas: Demetrio Albertini (Milan); Jonathan Bachini (Udinese); Eusebio Di Francesco, Damiano Tommasi e Luigi Di Biagio (Roma); Diego Fuser e Dino Baggio (Parma)

Atacantes: Enrico Chiesa (Parma); Filippo Inzaghi (Juventus); Francesco Totti (Roma) e Nicola Ventola (Internazionale)

A Rodada

Parma 4 x 1 Udinese

O Parma começa a acertar os ponteiros, e coloca uma significativa vantagem sobre o correto time da Udinese. Chiesa e Crespo vão dando os primeiros sinais de entrosamento, e envolveram com facilidade a defesa do ex – time de Zico e Edinho. Baseado num esquema de jogo sobre seu forte meio – campo, o Parma é um time cheio de opções, e mesmo sem um megastar no ataque, provou que pode ser prolífico em gols. Na Udinese, começa a se evidenciar o erro que foi a cessão de Bierhoff e Helveg para o Milan. Não corre risco de cair, mas parece que o título será quase impossível

Venezia 2 x 0 Lazio

Surpresa total! O lanterna do italiano pegou um time fortíssimo e todos pensavam que dava Lazio fácil. Mas o pequeno Venezia aprontou, e saiu na frente com um gol do brasileiro Tuta, e depois só ficou cozinhando o galo. Resultado excelente para o time do Veneto, e péssimo para as pretensões da Lazio de se manter no bloco de frente. Nada está perdido, mas ver a Lazio dá a sensação de que falta alguma coisa. Essa coisa se chama Vieri, machucado.

Piacenza 4 x 2 Fiorentina

O líder, contra um ameaçado de rebaixamento. Quem vence ? O ameaçado, e de goleada. O Piacenza, mesmo sem dois titulares, Vierchowod e Sachetti, se impôs e provou para quem quiser ver que no italiano deste ano, é impossível imaginar quem será rebaixado. Jogando o fino, o time de Simone Inzaghi horrorizou e enfiou uma improvável goleada na líder, em atuações sensacionais de Inzaghi e do meia Stroppa. A Fiorentina, que jogou completa, e deixou dúvidas sobre a eficiência de sua defesa, setor carente de alguém para jogar ao lado de Torricelli e Repka. Curiosidade: o Piacenza é o único time no qual Batistuta nunca marcou.

Intenazionale 3 x 0 Sampdoria

Sem Ronaldinho, um pouco de paz para Gigi Simoni. Nesta semana o treinador da Inter lembrou que o time não pode viver em função de Ronaldo. O lembrete valeu, e com dois pênaltis convertidos por Djorkaeff, mais um de Zamorano fecharam o marcador. Tudo bem que não foi um futebol vistoso, mas desfalcados de Ronaldo e Baggio, qualquer time se ressentiria. A Samp só figura no campeonato, no máximo buscando uma vaga na Copa UEFA

Roma 2 x 0 Juventus

Inesquecível a partida entre Roma e Juventus. Nem que fosse somente pelos quinze minutos finais, eletrizantes, já teria valido a pena. O time piemontês veio a campo tentando provar para si mesmo que podia vencer mesmo sem Del Piero, e a Roma, do alto de sua regular campanha, queria se aproximar dos  líderes. Paulo Sérgio colocou a Roma em vantagem no final do primeiro tempo, e no segundo, o jogo se abriu, gerando um lindo espetáculo. Quando estava toma – lá – dá – cá, Candela, da Roma, fez uma jogada e um gol de cinema, liquidando as pretensões da Juventus. Uma beleza. E ficou provado que sem Del Piero, a Juve  não é aquela equipe assustadora.

Salernitana 2 x 0 Perugia

Importante vitória do time da Campania, em casa, contra um dos times que vai concorrer na fuga do rebaixamento. Caindo pelas tabelas, a Salernitana venceu graças a dois gols de Di Vaio, um time perigoso e bem montado. O fato de jogar em casa foi decisivo para o resultado. A Salernitana, mesmo em penúltimo, vem subindo de produção.

Vicenza 0 x 4 Bologna

Quem só não fez chover neste jogo foi Beppe Signori. Mandado embora da Lazio no ano passado, Signori passou uma temporada amarga, sem brilho, na Sampdoria. Quando muitos o davam como em decadência, Signori foi para o Bologna, que já tinha ressucitado o futebol de Roberto Baggio. Após um começo de temporada medíocre, Beppe parece estar voltando às boas com o gol. Marcou um na semana passada contra a Roma, e nesta rodada fez três golaços, e viu Kolyvanov fazer o quarto. O Bologna vem crescendo a cada rodada,  e pode surpreender entre as primeiras posições. No simpático Vicenza, a derrota serviu para colocá – lo perigosamente próximo à UTI da tabela

Empoli 2 x 1 Cagliari

O time da Sardenha definitivamente não sabe jogar fora de casa. Mais uma vez perdeu em viagem, e o que é pior, para um concorrente direto na zona UTI. O Empoli ainda não convenceu ninguém de que pode se manter na Série A, e esta vitória foi fundamental. Prognóstico incerto para os dois times, mais para o time toscano Empoli.

Bari 0 x 0 Milan

Um jogo chatíssimo. Se o Bari esperava que o Milan fosse avante para atacar, errou. O Milan esteve retrancado, e sem ímpeto. Ziege pela direita foi nulo, e Ba (que o substituiu) não foi melhor. O ataque sempre foi morno, mas mesmo assim, obrigou o arqueiro Mancini a fazer pelo menos três grandes defesas. Resultado melhor para o Bari, e incômodo para o Milan

Gancho para Paulo Sousa na Inter

Gancho para Paulo Sousa

Nos pequenos detalhes é que se percebem o abismo que existe entre os principais campeonatos do mundo e o nosso Brasileiro. Paulo Sousa, o bom meia defensivo português da equipe da Internazionale, tomou dois amarelos na rodada passada, contra o Bari e foi expulso. Sousa disse impropérios para o árbitro Farina (o mesmo que denunciou a tentativa de suborno do Empoli na rodada anterior). O que acontece com o jogador ? Só por isso, dois jogos fora, e diga-se de passagem, de fora do clássico de Milão, contra o Milan.

Os outros jogadores que foram julgados pegaram todos apenas uma partida de suspensão. São eles: Berretta e De Patre (Cagliari), Cannavaro (Parma), Fernando Couto (Lazio), Giannichedda (Udinese), Montero (Juventus), Sakic (Sampdoria) e Torricelli (Fiorentina).

Bombardeio em Salerno

Contra o time croata do Hadjuk Split, a torcida da Fiorentina aprontou em seu estádio, o Artemio Franchi, e foi penalizada em US$ 20 mil, mais a perda de um mando de jogo. Nessa rodada então, foi jogar em Salerno, na região da Campania, a mais de 300 km de Firenze. Quando vencia por 2 X 1, uma bomba foi jogada contra um árbitro reserva, ferindo seu joelho, e também atingido o belga – brasileiro Oliveira. O jogo foi interrompido, e na Segunda feira, dia 9 / 11 a UEFA  deve julgar o caso. Escrevo este excerto no dia 4, mas poderia apostar que a Fiorentina está em maus lençóis. Sob este aspecto (e por muitos outros), os órgãos julgadores  europeus são severíssimos.

A Roma ganha um priminho

Franco Sensi, presidente da Roma, comprou ações do time do Foggia por cerca de US$ 3 milhões, que lhe garantem a direção do clube. Espera-se que agora o pequeno Foggia passe a ser um ‘satélite’ do time da capital. Como a lei impede que Sensi seja presidente de dois clubes simultaneamente, o prefeito de Foggia assume o clube, segundo a vontade do novo dono.

Copas Européias

Nas Copas Européias, um bom retrospecto dos times italianos. Na Champions League, talvez o pior deles. A Juve empatou em casa com o Athletic Bilbao, e pôs em risco a sua seqüência na Liga. Já a Internazionale, arrancou um ótimo empate em 1 x 1 com o Spartak Moscou, em Moscou. Diga – se de passagem que a Inter jogou muito mal, aumentando as chances de Gigi Simone ser ejetado.

Pela Copa UEFA ,o Bologna, a Roma e o Parma garantiram suas vagas. Só um comentário: o Real Betis comemorou o fato de ter pego o Bologna na próxima fase. Só que o Bologna tem muito mais time do que o Betis, e acho que os espanhóis se arrependerão

Na Recopa, a Lazio bateu o Partizan Belgrado por 3 x 2 fora de casa, e também seguiu adiante. Ótimo desempenho até agora. Apenas a Udinese, dentre todos os italianos, foi eliminada das Copas Européias.

A Rodada

Milan 2 X 2 Internazionale

O clássico mais tradicional da Itália. 80.000 espectadores lotaram o Giuseppe Meazza, e esperavam um jogo nervoso. Até foi, mas o que certamente marcou este jogo foi o excelente futebol, o melhor apresentado pelos dois times nessa temporada. A Inter saiu do seu joguinho nhénhénhé, e foi um perigoso adversário. Ronaldo, seguido de perto por Costacurta abriu o placar para a Internazionale, e o Milan parecia incomodado com a surpresa de Simone, que pôs Simeone de líbero, escoltando Weah pelo campo todo, deixando Bierhoff sem munição. Para piorar a situação milanista, a ausência de Ba na esquerda, que empobreciam o ataque. Mas quando Bierhoff e Weah inverteram posições, o tedesco assistiu o liberiano para empatar o jogo. No segundo tempo, Moriero e Albertini (pênalti) definiram o placar. Um jogo de xadrez entre Zaccheroni e Simoni, e um ótimo jogo para a torcida.

Udinese 2 X 2 Juventus

Desfalques importantes marcaram a partida entre os dois alvinegros da série A italiana. Enquanto o time da casa não tinha Giannicheda, excelente meiocampista, a Juve sentia a falta de Davids, Pessotto, Fonseca e Amoruso. Para compensar, a ótima notícia da volta de Ciro Ferrara, excelente defensor que quebrou a perna no começo do ano. Apesar de toda a marcação que se exercia pelos dois times no meio – campo, o jogo foi bem movimentado, com a Udinese um pouco mais voluntariosa do que a Juve. Após uma defesa prodigiosa de Peruzzi (e outra de Antonioli), a Juve saiu na frente com um gol de cabeça de Zidane, que na comemoração tomou um tombo hilário. No segundo tempo, a Juve aumentou com um gol meio sem querer de Inzaghi. Aí a Udinese se lançou à frente, e diminuiu com Bachini, e  depois empatou com o avante Sosa, que tinha entrado pouco antes, aos 42’. Pode – se falar que não, mas é impressionante como os árbitros invariavelmente erram a favor do time Torinese. Antes do gol de Bachini, o juiznão deu um pênalti claro de Birindelli sobre Amoroso.

Bari 1 X 1 Parma

Não vai ser campeão, mas o Bari certamente não cai neste ano. Sem estrelas, o time tem sido sempre um adversário à altura aos grandes do campeonato. Desta vez, o poderoso Parma foi à Bari achando que ia se fazer. Fuser acabou marcando aos 46’ do primeiro tempo, dando a impressão de que seria mais fácil na segunda etapa. Mas Masinga, sempre ele, empatou e fez um magnífico resultado para uma esquadra que quase não gastou nada para se reforçar. Sobre o Parma: não se iludam, pois o time deve se enquadrar mais cedo ou mais tarde.

Lazio 4 X 1 Empoli

Presa fácil para a Lazio no Olímpico. O Empoli veio para se segurar um empate, mas dois gols do defensor laziale Paolo Negro obrigaram o time toscano a abrir a porteira. O total domínio dos donos da casa foi reflexo da superioridade técnica de seu elenco. Contudo, a falta de um matador (Boksic e Vieri seguem machucados) ainda é o maior problema.

Perugia  3 X 1 Vicenza

Em casa quem perde cai. Seguindo esta regra, o time da cidade entre – muros meteu ferro no Vicenza, faturando três pontos, e afirmando a dificuldade deste campeonato. Atenção em três jogadores neste time do Perugia: Nakata, Rapajic e o nosso Zé Maria, que já é titular. O Vicenza, na minha modesta opinião não cai, mas vai ser bem por pouco.

Fiorentina 4 X 1 Venezia

Batistuta firme na lista dos “capocannoniere” do certame. O argentino fez dois, e ainda deixou de bater um pênalti, por ordem do treinador Trappatoni. Até o beque meia bomba Padalino fez o seu (é verdade que depois cometeu um penal, mas no caso dele, tá valendo). O  resultado valeu a liderança para o time de Firenze, que contra os grandes tem ido mal, mas ainda é o mais regular. Milagre: até Edmundo não tem criado caso.

Bologna 1 X 1 Roma

Um ótimo resultado para o Bologna que vem mostrando mesmo que pode brigar por uma vaga na Copa UEFA. Restabelecidas as ausências que atrapalharam o início da temporada, o Bologna já não perde há três rodadas, e desta vez enfrentou a forte Roma. Os visitantes saíram na frente com um gol do Brasileiro Paulo Sérgio, e o time da casa empatou com um gol de Beppe Signori, que busca a sua ressureição no futebol italiano.

Cagliari 3 X 2 Piacenza

Um jogaço, disputadíssimo, em clima de final de campeonato. Pode ser até mesmo que no final, seja nisto que os pontos deste jogo resultem. O time da ilha da Sardenha é impiedoso dentro de casa, mas o pequeno Piacenza ousou tentar se dar bem. O herói do jogo foi Muzzi, com dois gols, e o destaque foi mais uma vez Simone Inzaghi, que tem se mostrado tão regular e bom quanto o seu irmão mais velho. Jogaço!

Sampdoria 1 X 0 Salernitana

A Sampdoria sabe de suas limitações, e segue na competição com o primeiro objetivo de não cair,  se der tentar abocanhar uma vaguinha nas Copas Européias. Recebeu a Salernitana, e fez um modesto 1 x 0, gol de Ortega. Não que seja tarefa fácil, mas mostra as verdadeiras ambições do time.

Semana de Copas na Itália

Copa Itália

A semana passada teve uma rodada da Copa Itália que não foi lá muito empolgante não. Pior para o Milan, que foi à Roma e tomou 3 x1 da Lazio, necessitando agora de uma vitória por 2 x 0 no jogo de volta. Bierhoff abriu o placar, mas a maior categoria do time romano, bem como o maior entrosamento com o esquema de Sven Goran Eriksson determinaram o resultado final. Outro resultado que chamou a atenção foi a magra vitória da Internazionale sobre o modesto Castel di Sangro, da terceira divisão, em Milão. Ronaldinho, ainda baleado pela Copa, ficou de fora, e viu seu time sair sob vaias e ovos do Estádio San Siro.  Além da Inter, outro grande passou maus bocados para vencer um time pequeno. A Fiorentina de Edmundo e Batistuta conseguiu só um golzinho contra o Lecce, da série B. A Fiorentina e a Inter devem ir adiante, mas que ficaram devendo, não tenham dúvidas . Entre os outros resultados, observamos que vários times também não foram brilhantes, frente os times de divisões inferiores (Juventus 1 x 1 Venezia; Udinese 0 x 0 Vicenza; Atalanta 1 x 1 Roma; Bari 1 x 2 Parma; Sampdoria 0 x 0 Bologna, esse uma reprise das eliminatórias da Copa Intertoto – campeonato que dá uma vaga na Copa UEFA)

A Rodada do fim de semana

Parma 2 X 0 Fiorentina

O jogo mais esperado da rodada. O líder contra um dos times que mais se reforçou na pré – temporada. O Parma não tem atacantes lá muito brilhantes, à exceção do imprevisível Asprilla, que não está jogando. Chiesa e Crespo, a dupla de ataque é ‘operária’, estando longe de uma dupla como Del Piero e Inzaghi, por exemplo. Mas a grande força parmense está no seu meio – campo, fortíssimo, que marca muito bem e sai com bom toque para o ataque. Benarrivo, Fuser, Boghossian, Fiore e Verón praticamente impediram as chances do ataque fiorentino (que só chutou 4 vezes durante todo o jogo). Do lado da Fiorentina, o treinador Trappatoni abriu mão dos três atacantes com que iniciou bem o campeonato, pois Oliveira estava indisponível. E o Parma agradeceu. Venceu fácil, com dois gols de Crespo, um deles um golaço. Na próxima rodada é bem provável que Trap volte com Oliveira, ao lado de Edmundo e Batigol. Se não, vai começar a cair na tabela.

Venezia 0 x 2 Bologna

O modesto time bolonhês está restabelecendo a ordem das coisas, agora que se livrou de todos os desfalques que atormentavam o treinador Mazzone. Com as voltas de Paramatti, Ingesson, Andersson e a vinda de Maini (emprestado pelo Milan), o Bologna retorna à sua condição de time que luta por uma vaga na Copa UEFA, e não dos arriscados de rebaixamento. Detalhe negativo: Signori ainda não jogou bem, e continua uma incógnita. O Venezia segue forte como candidato à série B, junto com a Salernitana. Ah, claro: outro gol do jovem brasileiro Eriberto, ex – Palmeiras.

Roma 4  x 0 Udinese

Até um certo ponto, um resultado surpreendente, mesmo com a Roma jogando em casa. A Udinese de Amoroso é um time regular, mesmo jogando fora de seus domínios. Some-se a isto a lembrança de que a Roma estava sem Cafú, homem chave do 4 – 3 – 3 do técnico Zeman, e mais o seguro arqueiro Konsel. A solução foi colocar mais um zagueiro (Petruzzi), e partir para um 3 – 4 – 3 . Deu Certo. A Roma mandou no jogo, com Amoroso sempre escoltado por um romano. O time de Udine segurou as pontas até levar o primeiro gol. Depois disso, teve de ir para frente e deixou as portas e janelas escancaradas. Excelente partida do camaronês Wome, adquirido este ano junto ao Lucchese. E ótimos desempenhos de Aldair e Totti também. A Roma me surpreende.

Empoli 2  X 0 Perugia

O time da toscana teve dias difíceis na semana que passou.Foi envolvido em uma denúncia de tentativa de compra de um árbitro, e ficou sob suspeita, principalmente porque em 1985 já teve problema semalhante. Passado o problema, uma missão ingrata: receber o Perugia, um time que tem se apresentado bem. Sorte do time empolese que o japonês Nakata não pode jogar, e tornou mais fácil a tarefa do time da casa. Dia de Arturo Di Napoli, autor dos dois gols. Na hora da UTI, no fim do campeonato, os pontos desta semana vão fazer diferença a favor do Empoli.

Internazionale 2 X  3 Bari

Tenho de confessar que sempre que a RAI decide transmitir um jogo da Internazionale, me bate um sono. Digo isto porque a filosofia do treinador Simone não me agrada, já que ele costuma ver no contra – ataque o seu mote, fato que torna monótonas as apresentações do time de Ronaldinho. Qual não foi a minha surpresa quando vejo o time interista armado bem a italiana, com um líbero, e não com os cinco zagueiros que Simone costuma usar. É verdade que não se pode chamar de “ofensivo” um meio – campo com Zanetti, Winter e Paulo Sousa (e mais Pirlo, este sim um meia ofensivo). Mas só o fato de Simeone, um subDunga botineiro que algum infeliz cismou de chamar de “meia”.

No jogo, um primeiro tempo disputadíssimo, com o Bari fazendo o seu papel de time fechado, jogando (perigosamente) no contragolpe, muito bem armado por Eugenio Fascetti. Esse sutil domínio da Inter foi até a boba expulsão de Paulo Sousa, por reclamação. No segundo tempo, Zambrotta logo a 1’ pôs o Bari na frente, e a Inter só correu atrás. Quando faltavam cerca de 20’ para acabar o jogo, Ronaldinho entrou no time. Duas ou três jogadas deram a impressão de que não haveria Ronaldinho (mais uma vez). Mas em três jogadas, Ronaldo cavou um pênalti (por ele convertido) e deu um com açucar para Collonese fazer. Pena que a defesa nerazzurra tenha posto tudo a perder, e tenha dado à Inter sua terceira derrota consecutiva. Só que Ronaldo dá sinais de estar se recuperando.

Piacenza 1 X 1 Milan

Salvo pelo gongo. A expressão se encaixa bem na situação do Milan, contra o Piacenza. Os donos da casa  estiveram vencendo por quase todo o jogo, e só sofreram o empate aos 47’ do segundo tempo, através de Ganz (Weah e Bierhoff estiveram absolutamente apáticos). O gol do Piacenza foi de Simone Inzaghi, irmão do atacante da Juve, e ao que parece, tem algo do talento do irmão. Mesmo que pareça um mau resultado para o Milan, as circunstâncias, a campanha do Piacenza em casa, e os resultados de seus adversários fizeram deste 1 x 1 um ótimo negócio.

Juventus 2 X 0 Sampdoria

Dia de Filippo Inzaghi no Delle Alpi. Há um mês sem marcar, o atacante marcou dois e decidiu o jogo para uma desfalcada Juventus, sem Tudor, Mirkovic, Zidane e Davids.Não se pode dizer que tenha sido um jogaço, mas fica claro como o time de Torino tem controle sobre seus nervos. Mesmo sem meio time, Marcello Lippi deixa o time com as mesmas características. E essa regularidade é que deu o título do ano passado à Juve. Na Samp, nada a se destacar, a não ser a entrada do brasileiro Catê (aquele do São Paulo), inócua.

Salernitana 1 X 0 Lazio

Primeira vitória do time de Salerno, que ainda é o candidato favorito ao rebaixamento (este ano cairão dois para a série B). Até certo ponto surppreendente a derrota do time de megastars da Lazio, autor de uma vitória importante sobre o Milan no meio de semana, pela Copa Itália. A Lazio ainda se ressente da contusão de Vieri, contratado para ser o homem gol do time. O treinador romano ainda tentou colocar Boksic (voltando de contusão), mas foi pouco, e o castigo veio aos 44’ do segundo tempo, com o gol de Di Vaio, para o time da casa. Uma observação: mesmo estando mal na tabela, a Salernitana tem um time muito correto. Prova da força da Série A.

Vicenza 2 X 1 Cagliari 

Um “clássico” entre os times médios da Itália. Os dois times não almejam o título, mas sempre podem sonhar com uma vaguinha na Copa UEFA, caso algum grande marque bobeira. Nesse tipo de jogo não se pode vacilar, e o Vicenza atendeu à esta exigência. Um jogo muito aguerrido, contra um adversário que faz uma campanha ótima, sendo dificílimo de bater em casa. Como o jogo era em Vicenza, o Cagliari não suportou a pressão, e sucumbiu aos dois gols do uruguaio Otero.

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